Vermes imortais?

Lições da Bíblia1

1. Compare Marcos 9:42-48 com Isaías 66:24. Como você entende a expressão “não lhes morre o verme” (Mc 9:48)?

Marcos 9:42-48 (ARA)2: “42 E quem fizer tropeçar a um destes pequeninos crentes, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado no mar. 43 E, se tua mão te faz tropeçar, corta-a; pois é melhor entrares maneta na vida do que, tendo as duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível 44 [onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga]. 45 E, se teu pé te faz tropeçar, corta-o; é melhor entrares na vida aleijado do que, tendo os dois pés, seres lançado no inferno 46 [onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga]. 47 E, se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois seres lançado no inferno, 48 onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.

Isaías 66:24 (ARA)2: “Eles sairão e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e eles serão um horror para toda a carne.”

Alguns interpretam o substantivo singular “verme” (Mc 9:48) como uma alusão à suposta alma ou espírito desencarnado do ímpio que, após a morte, voa para o inferno, onde nunca morre e sofre eterno tormento.

Mas essa interpretação não reflete a noção bíblica de morte inconsciente; também ignora o contexto dessa passagem no AT. Na verdade, “‘verme’ no singular é usado para se denominar ‘os vermes’ de modo geral – não quer dizer um único verme. A referência é a vermes que se alimentam de corpos em decomposição” (Robert G. Bratcher e Eugene A. Nida, A Translator’s Handbook on the Gospel of Mark [London: United Bible Societies, 1961], p. 304).

Em Marcos 9:48, Jesus citou Isaías 66:24, que diz: “Eles sairão e verão os cadáveres daqueles que se rebelaram contra Mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e eles serão um horror para toda a humanidade.”

Essa cena metafórica assustadora retrata um campo de batalha com os inimigos de Deus mortos no chão e sendo destruídos. Os corpos não consumidos pelo fogo são decompostos pelos vermes, ou talvez primeiro pelos vermes e depois pelo fogo. Seja como for, não há nenhuma referência a qualquer suposta alma que escapa da destruição do corpo e voa para o inferno.

Mas e os “vermes” que nunca morrem? A linguagem metafórica de Isaías 66:24 (citada em Mc 9:48) não sugere que esses vermes sejam imortais (vermes imortais?). A ênfase é ao fato de que os vermes não deixam sua tarefa incompleta. Em outras palavras, eles continuam a devorar os corpos dos ímpios até que sejam destruídos. Por outro lado, os filhos de Deus fiéis habitarão alegremente nos “novos céus e na nova Terra” e adorarão a Deus em Sua própria presença (Is 66:22, 23). Com destinos tão contrastantes em mente, não é de admirar que Jesus tenha declarado que seria muito melhor alguém entrar no reino de Deus sem uma parte crucial de seu corpo – sem mão, pé ou mesmo olho – do que ter um corpo perfeito que será destruído por vermes e fogo (Mc 9:42-48).

Não há meio-termo. Teremos vida eterna ou a destruição. Qual é a sua escolha hoje?

Domingo, 27 de novembro de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Vida, morte e eternidade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 510, out. nov. dez. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

As chamas do inferno

Lições da Bíblia1

“Examinem todas as coisas, retenham o que é bom” (1Ts 5:21).

O poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321) escreveu sua famosa obra, A Divina Comédia, uma jornada fictícia da alma após a morte. A alma ia para o inferno no interior da terra; ou ao purgatório, onde o espírito humano poderia purificar-se e se tornar digno de ascender ao Céu; ou ao paraíso, à presença do próprio Deus.

Apesar de ser apenas um poema, uma ficção, a Palavra de Dante acabou tendo grande influência na teologia cristã, especialmente na teologia católica romana. A noção básica de que uma alma imortal vai para o inferno, ou para o purgatório, ou para o paraíso é fundamental para essa igreja. Muitas denominações protestantes conservadoras também acreditam em uma alma imortal que após a morte ascende ao paraíso ou desce ao inferno. De fato, se a alma humana nunca morre, então tem que ir para algum lugar depois que o corpo morre. Em suma, uma falsa compreensão da natureza humana tem levado a terríveis erros teológicos.

Nesta semana vamos tratar de algumas dessas teorias antibíblicas, bem como da visão bíblica do que acontece após a morte.

Sábado, 26 de novembro de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Vida, morte e eternidade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 510, out. nov. dez. 2022. Adulto, Professor.

Passagens bíblicas controversas – Estudo adicional

Lições da Bíblia1

Textos de Ellen G. White: Parábolas de Jesus, p. 148-155 (“O rico e o mendigo”); O Desejado de Todas as Nações, p. 596-609 (“A glória do Calvário”); Fundamentos da Educação Cristã, p. 504 (“Os professores como exemplos de integridade cristã”).

“Na parábola do rico e Lázaro, Cristo mostrou que nesta vida as pessoas decidem seu destino eterno. Durante o tempo da graça de Deus, esta é oferecida a toda a humanidade. Mas, se os seres humanos desperdiçam as oportunidades na satisfação própria, afastam-se da vida eterna. Não lhes será concedida nova oportunidade” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 140).

“Quando esses primitivos cristãos foram exilados para as montanhas e desertos, quando abandonados em masmorras para morrer de fome, de frio, ou pela tortura, quando o martírio parecia ser o único caminho para saírem de sua angústia, alegraram-se de que fossem considerados dignos de sofrer por amor de Cristo, que por eles foi crucificado” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 181).

Perguntas para consideração

Como o conceito bíblico da natureza humana nos ajuda a entender melhor algumas das passagens que estudamos durante esta semana?

Pense no contraste entre a religião inegociável dos mártires cristãos e a religião flexível dos pós-modernos. Pelo que vale a pena morrer? Se a verdade é relativa, por que morrer por ela? O que aprendemos com os que morrem pelas causas enganosas?

Reflita sobre a parábola do rico e Lázaro. Quando Jesus ressuscitou, muitos creram Nele. No entanto, mesmo diante das evidências, muitos não creram. Isso mostra que o coração pode rejeitar a verdade? O que fazer para evitar essa tragédia espiritual?

Jesus falou sobre dois momentos em que os mortos viverão (Jo 5:29). Esses eventos estão separados por mil anos, embora pareçam acontecer ao mesmo tempo. Como isso pode nos ajudar a entender o que Paulo disse em Filipenses 1:23?

Sexta-feira, 25 de novembro de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Vida, morte e eternidade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 510, out. nov. dez. 2022. Adulto, Professor. 

Almas debaixo do altar

Lições da Bíblia1

5. Como as “almas” dos mártires choram “debaixo do altar”? Ap 6:9-11

Ap 6:9-11 (ARA)2: “9 Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. 10 Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? 11 Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram.”

A abertura do quinto selo apocalíptico revela uma cena inusitada. As almas dos mártires foram vistas metaforicamente “debaixo do altar” clamando a Deus por vingança (Ap 6:9-11). Alguns comentaristas tendem a identificar esse “altar” como o altar de incenso mencionado no sétimo selo (Ap 8:1-6). Mas a referência a “sangue” (em vez de “incenso”) nos leva a ver uma alusão ao altar do holocausto, onde era derramado o sangue dos sacrifícios (Lv 4:18, 30, 34). Assim como o sangue desses sacrifícios costumava ser aspergido ao redor do altar, o sangue dos mártires foi simbolicamente derramado no altar de Deus quando, ao permanecer fiéis à palavra de Deus e ao testemunho de Jesus (Ap 6:9, veja também 12:17; 14:12), eles perderam a vida.

As “almas” sob o altar são simbólicas. Ao considerá-las de forma literal, seria necessário concluir que os mártires não estão felizes no Céu, pois clamam por vingança. Esse quadro dificilmente soa como se estivessem desfrutando a recompensa da salvação. O desejo de vingança pode tornar miserável a vida. Mas a morte também?

Além disso, é importante lembrar que João não recebeu uma visão do Céu como ele realmente é. “Lá, não há cavalos nas cores branca, vermelha, preta e amarela com cavaleiros de aspecto guerreiro. Jesus não aparece na forma de um cordeiro como tendo sido morto. Os quatro seres viventes não representam criaturas aladas reais com as características animais citadas. […] De igual modo, não há ‘almas’ debaixo de um altar no Céu. Toda a cena consiste em uma representação pictórica e simbólica” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 7, p. 861).

George E. Ladd escreveu: “No exemplo presente [Ap 6:9-11], o altar é claramente o altar do sacrifício onde o sangue sacrificial era derramado. O fato de João ter visto as almas dos mártires sob o altar não tem nada a ver com o estado dos mortos, nem com a situação deles no estado intermediário; é apenas uma forma vívida de retratar o fato de que eles haviam sido martirizados em nome de seu Deus” (A Commentary on the Revelation of John [Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1972], p. 103).

Quem já não clamou por justiça, e espera que ela seja feita? Por que devemos, pela fé, confiar que a justiça finalmente virá? Que conforto obtemos com essa promessa?

Pregando aos espíritos na prisão

Lições da Bíblia1

4. Leia 1 Pedro 3:13-20. Como Cristo pregou “aos espíritos em prisão […] nos dias de Noé”? (Veja também Gn 4:10.)

1 Pedro 3:13-20 (ARA)2: “13 Ora, quem é que vos há de maltratar, se fordes zelosos do que é bom? 14 Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem-aventurados sois. Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados; 15 antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, 16 fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo, 17 porque, se for da vontade de Deus, é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do que praticando o mal. 18 Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, 19 no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, 20 os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água,

Gn 4:10 (ARA)2: “E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim.”

Comentaristas que creem na imortalidade da alma apontam que Cristo pregou “aos espíritos em prisão” (1Pe 3:19) enquanto descansava na tumba. Para eles, Seu espírito foi para o inferno e pregou aos espíritos desencarnados dos antediluvianos.

No entanto, essa ideia fantasiosa é biblicamente inaceitável, pois não há uma segunda oportunidade de salvação para os mortos (Hb 9:27, 28). Então, por que Jesus pregaria para aqueles que não tinham mais chance de salvação?

Aliás, essa teoria contradiz o ensino bíblico de que os mortos permanecem inconscientes na sepultura até a ressurreição final (Jó 14:10-12; Sl 146:4; Ec 9:5, 10; 1Co 15:16-18; 1Ts 4:13-15).

Além disso, se esse verso quisesse dizer que Jesus, enquanto esteve no túmulo, desceu ao inferno e pregou aos ímpios antediluvianos, por que somente eles ouviram Sua mensagem? Não havia outros perdidos “queimando no inferno” com eles?

Também não faz sentido sugerir que Cristo tivesse pregado aos anjos caídos que foram desobedientes nos dias de Noé. Enquanto os “espíritos em prisão” são descritos como desobedientes “noutro tempo” (1Pe 3:19, 20), a Bíblia fala que os anjos maus ainda hoje são desobedientes (Ef 6:12; 1Pe 5:8). Além disso, sobre os anjos caídos, “Ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia” (Jd 6), sem nenhuma oportunidade de salvação.

Devemos notar que, em 1 Pedro 3, os “espíritos em prisão” do verso 19 são identificados no verso 20 como os antediluvianos “desobedientes” nos “dias de Noé”. O termo espírito (gr. pneuma) é usado nesse texto e em outras partes do NT (1Co 16:18; Gl 6:18), em referência a pessoas vivas que podem ouvir e aceitar o convite da salvação. A expressão “na prisão” obviamente não se refere a uma prisão literal, mas à prisão do pecado em que se encontra a natureza humana não regenerada (Rm 6:1-23; 7:7-25).

A pregação aos antediluvianos foi realizada por Noé, que foi instruído por Deus (Hb 11:7) e se tornou “pregador da justiça” para seus contemporâneos (2Pe 2:5). Pedro enfatizou o que significa ser fiel; ele não tratou do tema do estado dos mortos.

Quarta-feira, 23 de novembro de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Vida, morte e eternidade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 510, out. nov. dez. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

Partir e estar com Cristo

Lições da Bíblia1

3. Leia Filipenses 1:21-24 e 1 Tessalonicenses 4:13-18. Quando Paulo esperava estar “com Cristo” (Fp 1:23) e “com o Senhor” (1Ts 4:17)?

Filipenses 1:21-24 (ARA)2: “21 Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. 22 Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. 23 Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. 24 Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne.”

1 Tessalonicenses 4:13-18 (ARA)2: “13 Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. 14 Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem. 15 Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. 16 Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; 17 depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. 18 Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.”

Paulo era movido pela paixão de viver “em Cristo” no presente (2Co 5:17) e “com Cristo” após a Sua volta (1Ts 4:17). Para ele, nem a morte abalaria a certeza de pertencer ao Salvador. Como o apóstolo disse, “nem a morte nem a vida” poderá “nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8:38, 39). “Porque, se vivemos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Rm 14:8).

Com essa certeza em mente, Paulo falou a respeito dos crentes que já haviam morrido como os “que em Jesus dormem” (1Ts 4:14, ARC) e que serão ressuscitados na segunda vinda de Cristo para receber a vida eterna (1Co 15:16-18; 1Ts 4:13-18).

Quando Paulo mencionou seu “desejo de partir e estar com Cristo” (Fp 1:23), sugeriu que após a morte sua alma partiria para viver conscientemente com o Senhor? De jeito nenhum! Nesse texto, “Paulo verbaliza seu desejo de deixar esta presente existência conturbada e estar com Cristo, sem fazer referência a nenhum lapso de tempo que possa ocorrer entre os dois eventos. Esse verso não ensina que Paulo esperava ir para o Céu ao morrer. Ele deixou bem claro que não receberia sua recompensa até a segunda vinda (2Tm 4:8). Aqui, o apóstolo declara que a primeira coisa que veria após sua partida (morte) seria a vinda de Cristo nas nuvens do céu para ressuscitar os mortos e, a partir de então, estaria ‘para sempre com o Senhor’ (1Ts 4:17). Também se deve notar que os autores bíblicos, às vezes, referem-se a dois eventos juntos, os quais podem estar separados por um longo tempo” (Bíblia de Estudo Andrews, p. 1545, nota de Fp 1:23).

Mas por que Paulo preferiria morrer a viver? Porque então ele poderia finalmente descansar de todos os seus problemas, sem mais ter que sofrer dores no corpo (Ap 21:4). E faria isso com a plena certeza de que receberia “a coroa da justiça” na segunda vinda (2Tm 4:6-8). Embora Paulo certamente não quisesse morrer, sabia o que aconteceria quando morresse.

Em tempos difíceis, quem não imaginou que seria bom fechar os olhos na morte e, depois, “estar com Cristo”? Isso nos ajuda a entender o que Paulo disse em Filipenses?

Terça-feira, 22 de novembro de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Vida, morte e eternidade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 510, out. nov. dez. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

Hoje… Comigo no paraíso

Lições da Bíblia1

Uma das passagens mais usadas na tentativa de comprovar a doutrina da imortalidade da alma é Lucas 23:43 “Jesus lhe respondeu: ‘Em verdade lhe digo que hoje você estará comigo no paraíso’”. Quase todas as versões da Bíblia (com poucas exceções) traduzem esse texto de maneira semelhante, dando a impressão de que, no mesmo dia em que Cristo morreu, Ele e o ladrão estariam juntos no paraíso. Isso não deveria nos surpreender, pois essas traduções foram feitas por estudiosos bíblicos que creem no dogma da imortalidade natural da alma. Mas seria essa a melhor tradução do texto?

2. Compare Lucas 23:43 com João 20:17 e João 14:1-3. Como a promessa ao ladrão arrependido na cruz deve ser entendida à luz das palavras de Jesus a Maria Madalena e de Sua promessa aos discípulos?

Lucas 23:43 (ARA)2: “E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. 43 Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.”

João 20:17 (ARA)2: “17 Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus.”

João 14:1-3 (ARA)2: “1 Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. 2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. 3 E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.

A suposição de que Cristo e o ladrão tivessem ido naquele dia para o paraíso contradiz as palavras de Jesus a Maria Madalena após Sua ressurreição, que afirmam que Ele ainda não havia ido à presença do Pai. Essa ideia equivocada, de que Jesus e o ladrão arrependido teriam ido para o Céu naquele dia, também contradiz a promessa de que os discípulos seriam levados para o Céu somente na Sua segunda vinda (Jo 14:1-3).

A questão em Lucas 23:43 é se o advérbio “hoje” (gr. s?meron) deve ser ligado ao verbo que o segue (“ser”) ou ao verbo que o precede (“dizer”). Wilson Paroschi reconhece que “do ponto de vista gramatical” é praticamente impossível determinar a alternativa correta. “Lucas, no entanto, tem uma tendência definida de usar esse advérbio com o verbo precedente. Isso acontece em 14 das 20 ocorrências de s?meron em Lucas e Atos” (Wilson Paroschi, “The Significance of a Comma: An Analysis of Luke 23:43”, Ministry, junho de 2013, p. 7).

Assim, a leitura mais natural de Lucas 23:43 seria: “Em verdade lhe digo hoje, você estará Comigo no paraíso”. Nesse caso, a expressão idiomática “lhe digo hoje” enfatiza a relevância e solenidade da afirmação “estará Comigo no paraíso”. Em suma, Jesus estava prometendo a ele, então e ali, que um dia ele receberia a vida eterna.

Apesar de seu pecado e de não ter nada a oferecer a Deus, o ladrão recebeu a promessa de vida eterna (Lc 23:39-43). Essa história revela a verdade da salvação mediante a fé? Quais são as semelhanças e diferenças entre a nossa situação e o caso do ladrão?

Segunda-feira, 21 de novembro de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

O rico e Lázaro

Lições da Bíblia1

1. Leia Lucas 16:19-31. Por que essa história não é uma descrição literal da vida após a morte?

Lucas 16:19-31 (ARA): “19 Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente. 20 Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; 21 e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. 22 Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. 23 No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. 24 Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. 25 Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos. 26 E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós. 27 Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna, 28 porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento. 29 Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos. 30 Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão. 31 Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.

Alguns estudiosos sugerem que Lucas 16:19-31 deva ser interpretado de forma literal, isto é, como uma descrição do estado dos mortos. Porém, essa visão levaria a várias conclusões antibíblicas e iria contradizer muitas das passagens que já examinamos.

Primeiro, teríamos que admitir que o Céu e o inferno estão próximos o suficiente para permitir uma conversa entre os habitantes de ambos os lugares (Lc 16:23-31). Teríamos também de supor que, na vida após a morte, enquanto o corpo jaz na sepultura, permanece uma forma consciente da alma espiritual com “olhos”, “dedo”, “língua” e que até sente sede (Lc 16:23, 24).

Se essa passagem fosse uma descrição do estado humano na morte, o Céu não seria um lugar de felicidade, visto que os salvos poderiam acompanhar os sofrimentos intermináveis de seus queridos, e até mesmo dialogar com eles (Lc 16:23-31). Uma mãe poderia ser feliz no Céu ao contemplar as agonias intermináveis de seu filho amado no inferno? Em um contexto assim, seria impossível o cumprimento da promessa de que no Céu não haverá mais tristeza, nem choro, nem dor (Ap 21:4).

Devido a tais incoerências, muitos estudiosos bíblicos modernos consideram a história do rico e Lázaro uma parábola da qual nem todos os detalhes podem ser interpretados literalmente. George E. Ladd, teólogo evangélico, escreveu que essa história provavelmente tenha sido “uma parábola que fez uso do pensamento judaico corrente e não teve intenção de ensinar nada sobre o estado dos mortos” (G. E. Ladd, “Eschatology”, The New Bible Dictionary, editado por J. D. Douglas [Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1962], p. 388).

O relato da parábola ensina que (1) status e reconhecimento social no presente não são os critérios para a recompensa futura e (2) o destino eterno de cada um é decidido nesta vida e não pode ser revertido na vida após a morte (Lc 16:25, 26).

“Mas ele lhe disse: ‘Se não ouvem Moisés e os Profetas, também não se deixarão convencer, mesmo que ressuscite alguém dentre os mortos’” (Lc 16:31). O que aprendemos com Jesus sobre a autoridade da Bíblia e nossa maneira de reagir a ela?

Domingo, 20 de novembro de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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