Mensagem divina e imperfeições humanas

Lições da Bíblia1

5. O que Paulo diz sobre o “tesouro” de Deus em 2 Coríntios 4:7?

2 Coríntios 4:7 (NAA)2: Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que se veja que a excelência do poder provém de Deus, não de nós.

Paulo afirma que o tesouro de Deus foi confiado a “vasos de barro” (seres humanos), para que o poder divino se destaque em contraste com nossas fraquezas. A Bíblia mostra que, assim como os mensageiros de Deus não foram preservados de modo sobrenatural de falhas em sua vida pessoal (por exemplo, Moisés, Elias, Davi, Jonas e Pedro), também seus escritos não ficaram isentos das limitações do entendimento e da linguagem humanos.

“A união do divino com o humano, manifestada em Cristo, existe também na Bíblia. As verdades nela reveladas são inspiradas por Deus; contudo, são expressas por palavras de homens e adaptadas às necessidades humanas” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 5, p. 634).

A humanidade dos mensageiros de Deus não foi anulada pelo chamado divino que receberam para comunicar os tesouros da verdade, como Paulo escreveu em 2 Coríntios 4:7. Também não parece que o Espírito Santo tenha considerado necessário impedir que Seus mensageiros fizessem afirmações ou escrevessem palavras que hoje nos pareçam difíceis de harmonizar ou explicar. Embora esses versos sejam poucos, só uma mentalidade muito limitada faz deles motivo de tropeço. Como cristãos que creem na Bíblia, devemos nos submeter à Palavra de Deus à medida que a compreendemos e confiar no Senhor, mesmo quando ainda há coisas que não entendemos.

Algumas aparentes discrepâncias podem ser atribuídas a erros menores de copistas posteriores ou a diferenças entre as fontes (registros) das quais os autores inspirados se valeram. Ao lidar com passagens difíceis, precisamos perguntar a nós mesmos se realmente entendemos o que o escritor quis dizer e se um estudo mais aprofundado não poderia esclarecer a dificuldade.

Mesmo quando não conseguimos resolver toda aparente dificuldade ou discrepância, percebemos que esses pontos não afetam a essência da mensagem apresentada. Podemos ter plena confiança de que as verdades divinas das Escrituras são reveladas com fidelidade, apesar das imperfeições dos mensageiros de Deus.

Por que você acha que Deus escolheu usar seres humanos falíveis, e não anjos sem pecado, como Seus principais mensageiros?

Quinta-feira, 05 de novembro de 2026. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico.

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O dom de profecia. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 526, out. nov. dez. 2026. Adulto, Professor.

2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Fontes literárias

Lições da Bíblia1

“Além de ser sábio, o mestre também transmitiu conhecimento ao povo. Ele escutou, examinou e colecionou muitos provérbios. Procurou também encontrar as palavras certas, e o que ele escreveu era reto e verdadeiro” (Ec 12: 9, 10, NVI).

Esse texto sugere que Salomão não criou, do zero, todos os provérbios que registrou. Inspirado por Deus, ele “examinou e colecionou” muitos ditos e se esforçou para encontrar as “palavras certas”. De fato, a famosa descrição da mulher virtuosa em Provérbios 31 não é atribuída a Salomão, e sim à mãe de um desconhecido rei, chamado Lemuel (Pv 31:1). Há também indícios de influência da literatura egípcia em Provérbios.

Semelhantemente, autores inspirados do Antigo Testamento informam que recorreram a arquivos e outros registros históricos para relatar com fidelidade a trajetória do povo de Deus.

4. Leia 1 Reis 11:41; Lucas 1:1-4; e Judas 14, 15. O que esses versos revelam sobre o uso de fontes não bíblicas pelos escritores inspirados?

1 Reis 11:41 (NAA)2: Quanto aos demais atos de Salomão, a tudo o que fez e à sua sabedoria, não está tudo escrito no Livro da História de Salomão?

Lucas 1:1-4 (NAA)2: 1 Visto que muitos já empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, 2 conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, 3 igualmente a mim pareceu bem, depois de cuidadosa investigação de tudo desde a sua origem, dar-lhe por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, 4 para que você tenha plena certeza das verdades em que foi instruído.

Judas 14, 15 (NAA)2: 14 Foi a respeito deles que também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: “Eis que o Senhor vem com milhares de seus santos, 15 para exercer juízo contra todos e para convencer todos os ímpios a respeito de todas as obras ímpias que praticaram e a respeito de todas as palavras insolentes que ímpios pecadores proferiram contra ele.”

Esdras e Neemias são outros exemplos de escritores bíblicos que se valeram de registros históricos para compor seus relatos. Esdras inclui cópias de cartas e decretos reais relacionados a Jerusalém e à Pérsia (veja Ed 4–7), e Neemias menciona listas genealógicas, as quais encontrou e incorporou em sua narrativa (veja Ne 7:5-72).

O mesmo princípio é encontrado no Novo Testamento: “Fica claro, a partir da experiência de Lucas, que o processo de inspiração funciona de um modo consistente com a operação natural das faculdades mentais e não à parte delas. Trata-se de um escritor inspirado que foi dirigido pelo Espírito Santo para empreender um estudo diligente das fontes materiais escritas e orais disponíveis sobre a vida de Cristo e, então, combiná-las numa narrativa conectada à informação assim reunida” (Comentário Bíblico Adventista, v. 5, p. 733).

Judas parece ter citado 1 Enoque 1:9, uma obra judaica não canônica escrita no período entre o Antigo e o Novo Testamento. Paulo, por sua vez, citou filósofos gregos sem mencionar seus nomes (veja At 17:28; Tt 1:12).

At 17:28 (NAA)2: pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como alguns dos poetas de vocês disseram: “Porque dele também somos geração.

Tt 1:12 (NAA)2: Foi um dos cretenses, um próprio profeta deles, que disse: “Os cretenses são sempre mentirosos, feras terríveis, comilões preguiçosos.”

Embora os escritores bíblicos fossem muitas vezes guiados por revelações diretas – visões e sonhos –, isso não excluiu a atuação do Espírito Santo ao inspirá-los na seleção de materiais de outras fontes. Por que é importante manter esse conceito em mente?

Quarta-feira, 04 de novembro de 2026. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico.

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Assistentes literários

Lições da Bíblia1

3. Leia Jeremias 36:17, 18 e Romanos 16:22. O que esses versos revelam sobre o uso de assistentes literários pelos escritores bíblicos?

Jeremias 36:17, 18 (NAA)2: 17 E perguntaram a Baruque: — Diga-nos, por favor, como é que você escreveu todas essas palavras? Foi o profeta que ditou? 18 Baruque respondeu: — Ele pessoalmente ditou todas estas palavras, e eu as escrevi com tinta neste rolo.

Romanos 16:22 (NAA)2: Eu, Tércio, que escrevi esta carta, mando saudações no Senhor.

Presumivelmente, Jeremias poderia ter escrito suas mensagens por conta própria, mas preferiu pôr sob os cuidados de um escriba de confiança a tarefa de registrar fielmente suas profecias e apresentá-las às autoridades da nação. Jeremias não é o único exemplo bíblico de profeta que utilizou os serviços de um assistente literário para comunicar a mensagem divina.

No Novo Testamento, Tércio declara: “Escrevi esta carta” (Rm 16:22). Mesmo assim, já no início de Romanos, fica claro que ele apenas registrou por escrito aquilo que Paulo desejava comunicar. Tércio era seu amanuense, ou seja, um secretário – um assistente literário que transformava em texto as palavras de Paulo.

Essa prática não era incomum para o apóstolo. Ao concluir suas cartas aos colossenses e aos tessalonicenses, Paulo faz questão de acrescentar sua saudação “de próprio punho” (Cl 4:18; 2Ts 3:17), como forma de autenticar toda a carta. Isso indica que ele utilizava outra pessoa para redigir o texto. Como essa realidade poderia despertar dúvidas quanto à fidelidade do conteúdo – ou até o temor de que a carta não fosse realmente dele –, Paulo acrescentava uma nota manuscrita ao final, eliminando qualquer questionamento sobre a autenticidade de sua epístola.

O uso de assistentes literários é frequentemente apontado por comentaristas como a causa das diferenças de estilo literário encontradas nas cartas de Paulo. Supõe-se algo semelhante em relação às duas cartas de Pedro: “Embora o estilo de linguagem de 2 Pedro seja diferente do estilo da primeira epístola, isso pode ser razoavelmente explicado pela possibilidade de que Pedro […] tenha contado com a ajuda de um secretário para a escrita de uma epístola em grego. Se Paulo, que ficava totalmente à vontade com o grego, utilizava secretários, como as evidências mostram, é ainda mais lógico pensar que Pedro, cuja língua nativa era o aramaico, teria feito o mesmo. Esses secretários podem ter exercido definitiva influência na formulação dessas cartas em grego” (Comentário Bíblico Adventista, v. 5, p. 173).

Isso mostra que, embora fossem fiéis aos pensamentos e ao sentido pretendido pelos mensageiros de Deus, o vocabulário e a construção das frases podiam refletir a habilidade literária dos assistentes empregados. É o pensamento que é inspirado, não necessariamente cada palavra específica escolhida para expressar esse pensamento.

Terça-feira, 03 de novembro de 2026. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico.

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Gêneros e estilos literários

Lições da Bíblia1

A Bíblia apresenta uma variedade de estilos de escrita usados pelos mensageiros inspirados de Deus. Alguns se assemelham ao registro de um diário (veja Nm 33:1-49). Já os livros de Daniel, Zacarias e Apocalipse contêm exemplos de escritos apocalípticos, marcados por forte simbolismo, temas cósmicos e descrições de seres celestiais, entre outras características.

2. Leia Isaías 13:1. Como a Bíblia se refere à mensagem transmitida por Isaías nesse texto?

Isaías 13:1 (NAA): Sentença contra a Babilônia que Isaías, filho de Amoz, recebeu numa visão.

As visões recebidas pelos profetas são às vezes chamadas de “oráculos” – ou seja, comunicações ou revelações da parte de Deus – ou “sentença”. As traduções mais recentes da Bíblia mostram que muitos desses oráculos foram redigidos em forma poética, frequentemente com o uso de paralelismo. O paralelismo é um recurso em que a linha seguinte repete ou, em alguns casos, contrasta a linha anterior. Por exemplo: “Naquele dia, as pessoas olharão para o seu Criador, e os seus olhos estarão voltados para o Santo de Israel” (Is 17:7). “Criador” e “Santo de Israel” estão em paralelo, uma imagem acrescentando informação à outra.

Os profetas também utilizaram recursos literários comuns, como metáforas (símbolos) e hipérboles (exageros intencionais). É importante reconhecer o tipo de escrita que eles empregaram para compreender melhor e aplicar suas mensagens.

Outro estilo literário frequente nas Escrituras é a chamada “ação judicial da aliança”. Em Jeremias 2:4 a 9, por exemplo, o profeta apresenta a acusação legal de Deus contra Seu povo por violar as obrigações da aliança. Utilizando imagens de um tribunal, o autor retrata Deus como o Promotor que expõe as razões de Seu juízo.

A Bíblia também contém escritos proféticos, narrativas históricas, cânticos e parábolas. Jeremias foi instruído a compor um livro com todas as mensagens que havia recebido (Jr 36:2), enquanto grande parte dos escritos do Novo Testamento é formada por cartas dirigidas a pessoas ou comunidades. Não há qualquer distinção de autoridade entre um estilo de comunicação e outro. As cartas de Paulo deviam ser recebidas com o mesmo peso dos escritos dos antigos profetas, pois o próprio apóstolo deixa claro, em suas cartas, que era inspirado pelo Espírito Santo (veja 1Co 7:10, 12, 40).

1Co 7:10, 12, 40 (NAA)2: 10 Aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido. […] 12 Aos outros, digo eu, não o Senhor: se algum irmão estiver casado com uma mulher não crente, e esta concorda em morar com ele, não se divorcie dela. […] 40 Porém, ela será mais feliz se permanecer viúva, segundo a minha opinião; e penso que também eu tenho o Espírito de Deus.

Alguns estudiosos enfatizam tanto o elemento humano nas Escrituras que acabam diminuindo o elemento divino. Por que esse desequilíbrio é um caminho certo para a ruína espiritual?

Segunda-feira, 02 de novembro de 2026. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico.

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O chamado para escrever

Lições da Bíblia1

A forma mais antiga pela qual Deus transmitiu Suas mensagens à humanidade foi por meio de comunicação oral direta: por voz audível, por sonhos ou por meio de anjos. Somente a partir do tempo de Moisés as Escrituras registram a primeira instrução divina a respeito dessas experiências: registrar em um “livro” aquilo que Deus havia falado.

1. Qual é a primeira menção à escrita na Bíblia? Confira em Êxodo 17:14.

Êxodo 17:14 (NAA)2: Então o Senhor disse a Moisés: — Escreva isto para memória num livro e repita-o a Josué, porque eu vou apagar totalmente a memória dos amalequitas da face da terra.

No Antigo Testamento, encontramos múltiplos exemplos de Deus orientando Seus mensageiros a preservar por escrito Suas palavras para o povo. Assim como Moisés, Jeremias recebeu a seguinte ordem: “Pegue um rolo, um livro, e escreva nele todas as palavras que falei a você contra Israel, contra Judá e contra todas as nações, desde o dia em que comecei a falar com você, nos dias de Josias, até hoje” (Jr 36:2).

Jeremias também recebeu o motivo pelo qual deveria registrar essas profecias por escrito: “Talvez os da casa de Judá ouçam todo o mal que Eu estou planejando fazer-lhes e venham a converter-se cada um do seu mau caminho, e Eu lhes perdoe a iniquidade e o pecado” (Jr 36:3). As predições foram dadas para conduzir o povo à salvação, e não para satisfazer a curiosidade em relação ao futuro.

Os mensageiros de Deus escreveram em uma grande variedade de circunstâncias. Moisés redigiu os cinco primeiros livros da Bíblia enquanto estava no deserto. Davi compôs vários salmos enquanto era perseguido por Saul (veja os Salmos 52; 54; 57; 59). Daniel escreveu suas visões enquanto servia nas cortes da Babilônia e da Medo-Pérsia. Em contraste, Paulo escreveu suas cartas aos efésios, aos filipenses, aos colossenses e a Filemom quando estava preso, e João escreveu o Apocalipse enquanto estava exilado em Patmos. Fica evidente que, sempre que os mensageiros de Deus eram impressionados a escrever, o Espírito Santo os capacitava, independentemente das circunstâncias em que se encontravam.

É interessante notar que todos os ensinos de Jesus preservados para nós chegaram em forma escrita, por meio de pessoas escolhidas por Deus para receber e registrar essas preciosas verdades. Isso nos mostra a confiança que Deus tem de que Suas mensagens divinas seriam fielmente registradas e preservadas por Seus mensageiros.

Como você responderia a alguém que afirma que não podemos confiar na Bíblia porque não possuímos os manuscritos originais? Por que esse argumento, na realidade, é frágil?

Domingo, 01 de novembro de 2026. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico.

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Os escritos proféticos

Lições da Bíblia1

“Pois tudo o que no passado foi escrito, para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15:4).

Leituras da semana: Êx 17:14; Is 13:1; Jr 36:17, 18; Rm 16:22; Lc 1:1-4; Jd 1:14, 15; 2Co 4:7

Em Deuteronômio 32, encontramos a letra de um cântico que Moisés escreveu por inspiração divina (Dt 31:19-22). Normalmente não pensamos em cânticos quando falamos de escritos proféticos; no entanto, muitos salmos são cânticos inspirados, ainda que sua letra não tenha sido ditada pelo Senhor.

Já vimos que a Bíblia apresenta três formas principais pelas quais os profetas comunicaram as mensagens de Deus: (1) oralmente; (2) por escrito; e (3) por meio de ações simbólicas ou dramatizações. Nesta semana, concentraremos nossa atenção nos escritos que fazem parte do cânon bíblico. A Bíblia registra a Palavra de Deus expressa por meio das palavras de Seus mensageiros, incluindo sermões e discursos dos profetas.

Pense na variedade de estilos e gêneros presentes nos escritos proféticos: narrativas, registros históricos, poesias, lamentos, cartas… Homens e mulheres escolhidos expressaram em linguagem humana aquilo que o Espírito Santo os guiou a comunicar. Nesta semana, examinaremos seus escritos, o uso de assistentes literários (secretários) e pontos importantes a ter em mente para a compreensão de passagens desafiadoras.

Sábado, 31 de outubro de 2026. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico.

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Revelação e inspiração (Estudo adicional) – Ellen White sobre revelação e inspiração

Lições da Bíblia1

Os adventistas do sétimo dia creem que Ellen White recebeu o mesmo tipo de inspiração que os profetas bíblicos, embora jamais tenha considerado seus escritos como estando no mesmo nível das Escrituras. Pelo contrário, Ellen White sempre exaltou a Bíblia. Como ela mesma entendia as revelações proféticas que recebeu de Deus e o processo de sua própria inspiração?

Em primeiro lugar, Ellen White sempre considerou a Bíblia como a revelação de Deus, infalível e autoritativa. As Escrituras revelam a verdade divina e o plano da salvação para a humanidade decaída. Nesse processo, como vimos ao longo desta lição, o Senhor Se vale de profetas para comunicar Suas mensagens.

Em segundo lugar, Ellen White reconhecia que o processo de inspiração envolvia uma interação divino-humana, em que o profeta transmitia a instrução divina usando suas próprias palavras: “Não são as palavras da Bíblia que são inspiradas, mas os homens é que o foram. A Inspiração não atua nas palavras do homem ou em suas expressões, mas no próprio indivíduo que, sob a influência do Espírito Santo, é possuído de pensamentos. […] A mente de Deus, bem como Sua vontade, são combinadas com a mente e a vontade humanas; assim, as declarações do homem são a Palavra de Deus” (Mensagens Escolhidas [CPB, 2022], v. 1, p. 16). Ela compreendia a “inspiração de pensamento” como uma união entre a revelação divina e a experiência humana: “As Escrituras Sagradas, com verdades dadas por Deus e expressas na linguagem da humanidade, apresentam uma união do divino com o humano” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 20).

Em terceiro lugar, Ellen White destacou que nem todas as suas experiências e comunicações humanas eram inspiradas. Ela explicou: “Há vezes, porém, em que devem ser declaradas coisas comuns, pensamentos comuns precisam ocupar a mente, cartas comuns precisam ser escritas, e transmitidas informações que passaram de um obreiro a outro. Essas palavras e informações não são dadas sob inspiração especial do Espírito de Deus” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 31). É importante ter em mente essa distinção ao lermos e avaliarmos seus escritos, especialmente sua correspondência e seus diários pessoais.

Sexta-feira, 30 de outubro de 2026. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico.

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Dramatização, símbolos e parábolas

Lições da Bíblia1

A Bíblia apresenta uma rica variedade de figuras e metáforas. Por exemplo, todo o sistema de sacrifícios do Antigo Testamento – com os altares patriarcais, o tabernáculo do deserto e o templo de Jerusalém – era uma representação simbólica do sacrifício expiatório de Cristo na cruz e de Seu sacerdócio celestial (Hb 8:1-6).

Nas profecias de Daniel, os reinos e poderes do mundo são representados por diferentes partes de uma grande estátua (Dn 2:31-45), por diversos animais e chifres (Dn 7; 8) e por dois reis (Dn 11). Representações semelhantes aparecem também no livro de Apocalipse, como no caso das duas bestas do capítulo 13.

Em Seus ensinos, Jesus Se apresentou, por exemplo, como o Pão da vida (Jo 6:35, 41-58), a Luz do mundo (Jo 8:12; 9:5) e a Videira verdadeira (Jo 15:1-8). Por meio da parábola do semeador (Mt 13:1-9, 18-23) e de várias outras (Mt 13:24-52), Ele ilustrou a natureza e o crescimento de Seu reino.

5. Leia Ezequiel 4:1-8. Por que você acha que Deus não apenas falou verbalmente, mas também dramatizou algumas de Suas mensagens?

Ezequiel 4:1-8 (NAA)2: 1 — Filho do homem, pegue um tijolo, ponha-o diante de você e faça nele um desenho da cidade de Jerusalém. 2 Nesse desenho, a cidade deverá estar sitiada, com rampas e torres de ataque, acampamentos e aríetes em volta dela. 3 Pegue também uma assadeira de ferro e coloque-a como muro de ferro entre você e a cidade. Volte o seu rosto para a cidade. Ela será sitiada, e você a sitiará. Isso servirá de sinal para a casa de Israel. 4 — Deite-se também sobre o seu lado esquerdo e ponha sobre ele a maldade da casa de Israel. Conforme o número dos dias que se deitar sobre o seu lado esquerdo, você levará sobre si a maldade da casa de Israel. 5 Porque determinei que cada ano da sua maldade corresponda a um dia, num total de trezentos e noventa dias; e você levará sobre si a maldade da casa de Israel. 6 Quando você tiver cumprido esses dias, deite-se sobre o seu lado direito, e você levará sobre si a maldade da casa de Judá durante quarenta dias: um dia para cada ano. 7 Volte o seu rosto para o cerco de Jerusalém e, com o braço descoberto, profetize contra ela. 8 Eis que vou amarrá-lo com cordas, e assim você não poderá se virar de um lado para o outro até que você tenha cumprido os dias do seu cerco.

Uma dramatização vívida aparece em Ezequiel 4: 1 a 8, eus pediu ao profeta que fizesse um modelo em miniatura de Jerusalém e se deitasse diante dele, primeiro sobre o lado esquerdo por 390 dias, representando o reino de Israel, e depois sobre o lado direito por 40 dias, representando o reino de Judá. Outra experiência visual foi o casamento de Oseias, ordenado por Deus, com Gômer, uma prostituta, simbolizando a infidelidade espiritual de Israel em relação ao Senhor (Os 1:2-9).

Hoje, as experiências dramáticas de Ezequiel e Oseias nos parecem bastante chocantes. Mas essa era justamente a intenção: elas deveriam causar impacto, não só em nós, mas também nas pessoas daquela época. Em um tempo em que as advertências dos profetas eram abertamente rejeitadas (veja 2Cr 36:15-21), um dos últimos atos de misericórdia divina foi alertar o povo de forma dramática a respeito de sua verdadeira condição, a fim de conduzi-lo ao arrependimento genuíno. Essa encenação dramática tinha o objetivo de mostrar o quanto eles precisavam levar a sério a advertência de Deus.

2Cr 36.15–21 (NAA)2: 15 O Senhor, Deus de seus pais, sempre de novo falou-lhes por meio dos seus mensageiros, porque teve compaixão do seu povo e da sua própria morada. 16 Mas eles zombaram dos mensageiros de Deus, desprezaram as palavras dele e debocharam dos seus profetas, até que a ira do Senhor veio sobre o seu povo, e não houve mais remédio. 17 Por isso, o Senhor trouxe contra eles o rei dos caldeus, que matou os seus jovens à espada, na casa do santuário deles. Não teve piedade nem dos jovens nem das moças, nem dos adultos nem dos velhos; entregou todos nas mãos do rei dos caldeus. 18 Todos os utensílios da Casa de Deus, grandes e pequenos, os tesouros da Casa do Senhor e os tesouros do rei e dos seus príncipes, tudo ele levou para a Babilônia. 19 Os caldeus queimaram a Casa de Deus e derrubaram a muralha de Jerusalém. Queimaram todos os seus palácios, destruindo também todos os seus objetos de valor. 20 Os que escaparam da espada, a esses ele levou para a Babilônia, onde se tornaram escravos dele e de seus filhos, até o tempo do reino da Pérsia. 21 Isto aconteceu para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias, até que a terra desfrutasse dos seus sábados. Durante todos os dias da sua desolação a terra repousou, até que os setenta anos se cumpriram.

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