Deus proverá

Lições da Bíblia1

2. Leia Gênesis 22:8, 14, 18. Como Deus cumpriu Sua promessa de prover? O que foi provido?

Gênesis 22:8, 14, 18 (ARA)2: “8 Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos. […] 14 E pôs Abraão por nome àquele lugar —O Senhor Proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do Senhor se proverá. […] 18 nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz.”

Quando Isaque perguntou sobre o animal para o sacrifício, Abraão deu uma resposta intrigante: Deus “proverá para Si o cordeiro para o holocausto” (Gn 22:8). No entanto, a forma verbal hebraica pode significar “Deus proverá a Si mesmo como o cordeiro”. O verbo “prover” (yir’eh lo) é usado de uma forma que pode significar “providenciar a si mesmo” (ou literalmente, “ver a si mesmo”).

Sendo assim, o que nos é mostrado, então, é a essência do plano da salvação, com o próprio Senhor sofrendo e pagando em Si mesmo a penalidade pelos nossos pecados!

3. Leia João 1:1-3 e Romanos 5:6-8. Como esses versos nos ajudam a entender o que aconteceu na cruz, prefigurado no sacrifício feito no monte Moriá?

João 1:1-3 (ARA)2: “1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. 2 Ele estava no princípio com Deus. 3 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.”

Romanos 5:6-8 (ARA)2: “6 Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. 7 Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. 8 Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.

No monte Moriá, muito antes da cruz, o carneiro sacrifical “preso pelos chifres entre os arbustos” (Gn 22:13) apontava diretamente para Jesus. Ele é Aquele que foi “visto” ali, como Abraão explica mais tarde, “No monte do Senhor se proverá” (Gn 22:14). O próprio Jesus apontou para essa declaração profética de Abraão, quando disse: “Abraão, o pai de vocês, alegrou- se por ver o Meu dia; e ele viu esse dia e ficou alegre” (Jo 8:56).

“Foi para impressionar a mente de Abraão com a realidade do evangelho e para provar sua fé que Deus mandou que ele matasse seu filho. A aflição que ele sofreu durante os dias tenebrosos daquela terrível prova foi permitida para que compreendesse por sua própria experiência algo da grandeza do sacrifício feito pelo infinito Deus para a redenção do ser humano” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 122 [154]).

O que aconteceu no monte Moriá nos ajuda a entender melhor o evento na cruz e o que Deus sofreu por nós? Qual deve ser nossa resposta a isso?

Segunda-feira, 16 de maio de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

Monte Moriá

Lições da Bíblia1

Leia Gênesis 22:1-12 e Hebreus 11:17. Qual foi o significado desse teste? Que lições espirituais há nesse evento incrível?

Gênesis 22:1-12 (ARA)2: “1 Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui! 2 Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei. 3 Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado. 4 Ao terceiro dia, erguendo Abraão os olhos, viu o lugar de longe. 5 Então, disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós. 6 Tomou Abraão a lenha do holocausto e a colocou sobre Isaque, seu filho; ele, porém, levava nas mãos o fogo e o cutelo. Assim, caminhavam ambos juntos. 7 Quando Isaque disse a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? 8 Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos. 9 Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha, amarrou Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha; 10 e, estendendo a mão, tomou o cutelo para imolar o filho. 11 Mas do céu lhe bradou o Anjo do Senhor: Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui! 12 Então, lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho.

Hebreus 11:17 (ARA)2: “Pela fé, Abraão, quando posto à prova, ofereceu Isaque; estava mesmo para sacrificar o seu unigênito aquele que acolheu alegremente as promessas,

Gênesis 22 se tornou um clássico na literatura mundial e inspirou filósofos e artistas, não apenas teólogos. Porém, é difícil entender o significado desse teste. A ordem de Deus contradiz a posterior proibição bíblica contra sacrifícios humanos (Lv 18:21) e parecia ir na contramão da promessa da aliança eterna por meio de Isaque (Gn 15:5).

Então, qual foi o propósito de Deus ao ordenar Abraão que fizesse isso? Por que testá-lo de maneira tão profunda?

A noção bíblica de “teste” (em hebraico, nissah) abrange duas ideias opostas. Refere-se à ideia de juízo, ou seja, um julgamento para saber o que está no coração de quem é provado (Dt 8:2; compare com Gn 22:12). Mas também traz a certeza da graça de Deus em favor dos provados (Êx 20:18-20).

Nesse caso, a fé que Abraão teve em Deus o levou a correr o risco de perder seu “futuro” (sua posteridade). E ainda, porque confiava em Deus, fez o que Ele pediu, não importava quanto fosse difícil entender. Afinal, o que é fé senão confiar no que não vemos ou não entendemos totalmente?

Além disso, a fé bíblica não é tanto sobre nossa capacidade de dar a Deus e se sacrificar por Ele – embora isso tenha um papel, sem dúvida (Rm 12:1) – mas sobre nossa capacidade de confiar Nele e receber Sua graça ao mesmo tempo em que compreendemos o quanto somos indignos.

Todas as obras de Abraão, sua dolorosa jornada com o filho e sua prontidão em obedecer e oferecer a Deus o melhor de si mesmo, por mais instrutivo que seja, não podiam salvá-lo. Por quê? Porque o próprio Senhor providenciou um carneiro para o sacrifício, o que apontava para sua única esperança de salvação, Jesus.

Abraão deve ter compreendido a graça. Não são as nossas obras para Deus que nos salvam, mas a obra de Deus por nós (Ef 3:8; compare com Rm 11:33), por mais que, como Abraão, sejamos chamados a trabalhar para Deus (Tg 2:2-23).

A história de Abraão e Isaque no Moriá ensina a você lições sobre a sua própria fé?

Domingo, 15 de maio de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

A promessa

Liçoes da Bíblia1

“Abraão já era velho, de idade bem avançada, e o Senhor o havia abençoado em tudo” (Gn 24:1).

Finalmente, como Deus havia prometido, Sara deu à luz um filho a Abraão, “na sua velhice” (Gn 21:2), e ele chamou o bebê de Isaque (ver Gn 21:1-5). Mas a história de Abraão estava apenas começando, e atingiu seu ápice quando ele levou seu filho ao monte Moriá para ser sacrificado. Contudo, Isaque foi substituído por um carneiro (Gn 22:13), o que indicava o compromisso de Deus em abençoar as nações por meio de sua “descendência” (Gn 22:17, 18), Jesus (At 13:23). Nessa história surpreendente (e de certa forma perturbadora), revelou-se mais do plano da salvação.

Sejam quais forem as profundas lições espirituais desse relato, a família de Abraão, no entanto, deve ter ficado abalada por isso, e o futuro do patriarca era incerto. Sara morreu imediatamente após o sacrifício em Moriá (Gn 23), e Isaque permaneceu solteiro.

Então, Abraão tomou a iniciativa de se certificar de que o futuro “certo” o seguiria. Ele arranjou o casamento de seu filho com Rebeca (Gn 24), que daria à luz dois filhos (Gn 25:21-23), e o próprio Abraão se casou com Quetura, que lhe daria muitos filhos (Gn 25:1-6). Nesta semana, seguiremos Abraão até o fim de sua vida (Gn 25:7-11).

Sábado, 14 de maio de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 

A aliança com Abraão – Estudo adicional

Lições da Bíblia1

Leia Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 315-319 [370-373] (“A aliança da graça”).

O apelo de Abraão em favor de Sodoma (Gn 18:22-33) deve nos encorajar a orar pelos ímpios que estão em uma condição desesperadora de pecado. Além disso, a resposta atenta de Deus à insistência de Abraão e Sua disposição de perdoar por causa de apenas “dez” justos é um conceito “revolucionário”, como aponta Gerhard F. Hasel: “De maneira extremamente revolucionária, o antigo pensamento coletivo, que punia o membro inocente da associação culpada, foi transposto a algo novo: a presença de um remanescente de justos poderia ter uma função preservadora para o todo. […] Por causa do remanescente justo, Yahweh, em sua justiça [tsedaqah], perdoaria a cidade iníqua. Essa noção é amplamente expandida na declaração profética do Servo de Yahweh que opera a salvação ‘para muitos’” (The Remnant: The History and Theology of the Remnant Idea From Genesis to Isaiah [Andrews University Press], p. 150, 151).

“Ao nosso redor, existem vidas que estão afundando em ruína tão irremediável e terrível como aquela que recaiu sobre Sodoma. A cada dia o tempo de graça de alguém se encerra. […] Onde estão as vozes de aviso e apelo, dizendo para o pecador fugir dessa condenação terrível? Onde estão as mãos estendidas para fazê-lo retroceder do caminho da morte? Onde estão os que […] intercedem junto a Deus por ele?

“O espírito de Abraão era o espírito de Cristo. E o Filho de Deus é o grande Intercessor em favor do pecador. Aquele que pagou o preço pela redenção do ser humano sabe o valor de uma vida” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 110 [140]).

Perguntas para consideração

1. Apenas o arco-íris e a circuncisão são chamados de “sinal da aliança”. Quais são os pontos comuns e as diferenças entre as duas alianças?

2. Embora chamado por Deus e mencionado no NT como exemplo dos fiéis, Abraão vacilou em alguns momentos. Que lições tiramos de seu exemplo?

3. Alguns questionam a ideia da punição aos perdidos, dizendo que isso seria contrário ao amor divino. Qual é a nossa resposta, sabendo que Deus punirá os perdidos?

Sexta-feira, 13 de maio de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 

Ló em Sodoma

Lições da Bíblia1

5. Leia Gênesis 18:16–19:29. Como o ministério profético de Abraão afetou sua responsabilidade para com Ló?

Gênesis 18:16–19:29 (ARA)2: “16 Tendo-se levantado dali aqueles homens, olharam para Sodoma; e Abraão ia com eles, para os encaminhar. 17 Disse o Senhor: Ocultarei a Abraão o que estou para fazer, 18 visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra? 19 Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do Senhor e pratiquem a justiça e o juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito. 20 Disse mais o Senhor: Com efeito, o clamor de Sodoma e Gomorra tem-se multiplicado, e o seu pecado se tem agravado muito. 21 Descerei e verei se, de fato, o que têm praticado corresponde a esse clamor que é vindo até mim; e, se assim não é, sabê-lo-ei. 22 Então, partiram dali aqueles homens e foram para Sodoma; porém Abraão permaneceu ainda na presença do Senhor. 23 E, aproximando-se a ele, disse: Destruirás o justo com o ímpio? 24 Se houver, porventura, cinquenta justos na cidade, destruirás ainda assim e não pouparás o lugar por amor dos cinquenta justos que nela se encontram? 25 Longe de ti o fazeres tal coisa, matares o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio; longe de ti. Não fará justiça o Juiz de toda a terra? 26 Então, disse o Senhor: Se eu achar em Sodoma cinquenta justos dentro da cidade, pouparei a cidade toda por amor deles. 27 Disse mais Abraão: Eis que me atrevo a falar ao Senhor, eu que sou pó e cinza. 28 Na hipótese de faltarem cinco para cinquenta justos, destruirás por isso toda a cidade? Ele respondeu: Não a destruirei se eu achar ali quarenta e cinco. 29 Disse-lhe ainda mais Abraão: E se, porventura, houver ali quarenta? Respondeu: Não o farei por amor dos quarenta. 30 Insistiu: Não se ire o Senhor, falarei ainda: Se houver, porventura, ali trinta? Respondeu o Senhor: Não o farei se eu encontrar ali trinta. 31 Continuou Abraão: Eis que me atrevi a falar ao Senhor: Se, porventura, houver ali vinte? Respondeu o Senhor: Não a destruirei por amor dos vinte. 32 Disse ainda Abraão: Não se ire o Senhor, se lhe falo somente mais esta vez: Se, porventura, houver ali dez? Respondeu o Senhor: Não a destruirei por amor dos dez. 33 Tendo cessado de falar a Abraão, retirou-se o Senhor; e Abraão voltou para o seu lugar. —- 19 1 Ao anoitecer, vieram os dois anjos a Sodoma, a cuja entrada estava Ló assentado; este, quando os viu, levantou-se e, indo ao seu encontro, prostrou-se, rosto em terra. 2 E disse-lhes: Eis agora, meus senhores, vinde para a casa do vosso servo, pernoitai nela e lavai os pés; levantar-vos-eis de madrugada e seguireis o vosso caminho. Responderam eles: Não; passaremos a noite na praça. 3 Instou-lhes muito, e foram e entraram em casa dele; deu-lhes um banquete, fez assar uns pães asmos, e eles comeram. 4 Mas, antes que se deitassem, os homens daquela cidade cercaram a casa, os homens de Sodoma, tanto os moços como os velhos, sim, todo o povo de todos os lados; 5 e chamaram por Ló e lhe disseram: Onde estão os homens que, à noitinha, entraram em tua casa? Traze-os fora a nós para que abusemos deles. 6 Saiu-lhes, então, Ló à porta, fechou-a após si 7 e lhes disse: Rogo-vos, meus irmãos, que não façais mal; 8 tenho duas filhas, virgens, eu vo-las trarei; tratai-as como vos parecer, porém nada façais a estes homens, porquanto se acham sob a proteção de meu teto. 9 Eles, porém, disseram: Retira-te daí. E acrescentaram: Só ele é estrangeiro, veio morar entre nós e pretende ser juiz em tudo? A ti, pois, faremos pior do que a eles. E arremessaram-se contra o homem, contra Ló, e se chegaram para arrombar a porta. 10 Porém os homens, estendendo a mão, fizeram entrar Ló e fecharam a porta; 11 e feriram de cegueira aos que estavam fora, desde o menor até ao maior, de modo que se cansaram à procura da porta. 12 Então, disseram os homens a Ló: Tens aqui alguém mais dos teus? Genro, e teus filhos, e tuas filhas, todos quantos tens na cidade, faze-os sair deste lugar; 13 pois vamos destruir este lugar, porque o seu clamor se tem aumentado, chegando até à presença do Senhor; e o Senhor nos enviou a destruí-lo. 14 Então, saiu Ló e falou a seus genros, aos que estavam para casar com suas filhas e disse: Levantai-vos, saí deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade. Acharam, porém, que ele gracejava com eles. 15 Ao amanhecer, apertaram os anjos com Ló, dizendo: Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas, que aqui se encontram, para que não pereças no castigo da cidade. 16 Como, porém, se demorasse, pegaram-no os homens pela mão, a ele, a sua mulher e as duas filhas, sendo-lhe o Senhor misericordioso, e o tiraram, e o puseram fora da cidade. 17 Havendo-os levado fora, disse um deles: Livra-te, salva a tua vida; não olhes para trás, nem pares em toda a campina; foge para o monte, para que não pereças. 18 Respondeu-lhes Ló: Assim não, Senhor meu! 19 Eis que o teu servo achou mercê diante de ti, e engrandeceste a tua misericórdia que me mostraste, salvando-me a vida; não posso escapar no monte, pois receio que o mal me apanhe, e eu morra. 20 Eis aí uma cidade perto para a qual eu posso fugir, e é pequena. Permite que eu fuja para lá (porventura, não é pequena?), e nela viverá a minha alma. 21 Disse-lhe: Quanto a isso, estou de acordo, para não subverter a cidade de que acabas de falar. 22 Apressa-te, refugia-te nela; pois nada posso fazer, enquanto não tiveres chegado lá. Por isso, se chamou Zoar o nome da cidade. 23 Saía o sol sobre a terra, quando Ló entrou em Zoar. 24 Então, fez o Senhor chover enxofre e fogo, da parte do Senhor, sobre Sodoma e Gomorra. 25 E subverteu aquelas cidades, e toda a campina, e todos os moradores das cidades, e o que nascia na terra. 26 E a mulher de Ló olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal. 27 Tendo-se levantado Abraão de madrugada, foi para o lugar onde estivera na presença do Senhor; 28 e olhou para Sodoma e Gomorra e para toda a terra da campina e viu que da terra subia fumaça, como a fumarada de uma fornalha. 29 Ao tempo que destruía as cidades da campina, lembrou-se Deus de Abraão e tirou a Ló do meio das ruínas, quando subverteu as cidades em que Ló habitara.”

Deus acabava de reafirmar a Abraão a promessa de um filho. No entanto, em vez de aproveitar as boas-novas, ele falou com Deus sobre o destino de Ló em Sodoma. Abraão não foi apenas um profeta a quem Deus revelou Sua vontade; ele também foi um profeta que intercedeu pelos ímpios. A frase hebraica “na presença do Senhor” (Gn 18:22) é uma expressão idiomática que tinha o significado de orar.

Abraão desafiou a Deus e barganhou com Ele para salvar Sodoma, onde residia Ló. Indo de 50 para 10, Deus teria salvado o povo se apenas 10 pessoas fossem justas.

Ao lermos a história do que aconteceu quando os dois anjos foram a Ló para avisá-lo do que estava por vir (Gn 19:1-10), percebemos o quanto o povo havia se tornado doente e mau. Sodoma era um lugar perverso, assim como muitas das nações ao seu redor, motivo pelo qual, por fim, foram expulsos da terra (ver Gn 15:16).

“E agora a última noite de Sodoma estava se aproximando. As nuvens da vingança já lançavam sombras sobre a cidade condenada. No entanto, o povo não percebeu. Enquanto anjos se aproximavam em sua missão de destruição, as pessoas sonhavam com prosperidade e prazer. O último dia foi como todos os outros, tendo chegado e logo ido embora. A tarde caía sobre cenas de encanto e segurança. Uma paisagem de beleza incomparável era banhada pelos raios do Sol poente. O frescor da tarde havia atraído para fora de casa os habitantes da cidade, e as multidões em busca de divertimentos passavam de um lado para outro, preocupadas com os prazeres daquele momento” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 125 [157, 158]).

No fim, Deus salvou apenas Ló e suas filhas, quase a metade do mínimo de 10. Os genros, que não levaram a sério o aviso de Ló, ficaram na cidade (Gn 19:14, 15).

Aquele lindo país foi destruído. O verbo hafakh, “destruir”, aparece várias vezes (Gn 19:21, 25, 29) e caracteriza a destruição de Sodoma (Dt 29:23; Am 4:11). A ideia é que o país foi “revertido”. Assim como o dilúvio “reverteu” a criação original (Gn 6:7), a destruição de Sodoma foi uma “reversão” do jardim do Éden (Gn 13:10). Na destruição de Sodoma há um prenúncio da destruição que ocorrerá no tempo do fim (Jd 7).

Quinta-feira, 12 de maio de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

O filho da promessa

Lições da Bíblia1

A última cena da circuncisão envolveu todos: não apenas Ismael, mas todos os homens da casa de Abraão foram circuncidados (Gn 17:23- 27). A palavra kol (“todos”) é repetida quatro vezes (Gn 17:23, 27). Foi nesse contexto inclusivo que Deus apareceu a Abraão para confirmar a promessa de um filho, “Isaque”.

4. Que lições de hospitalidade aprendemos com Abraão? Como você explica a reação divina a essa hospitalidade? Gn 18:1-15; Rm 9:9

Gn 18:1-15 (ARA)2: “1 Apareceu o Senhor a Abraão nos carvalhais de Manre, quando ele estava assentado à entrada da tenda, no maior calor do dia.Levantou ele os olhos, olhou, e eis três homens de pé em frente dele. Vendo-os, correu da porta da tenda ao seu encontro, prostrou-se em terrae disse: Senhor meu, se acho mercê em tua presença, rogo-te que não passes do teu servo;traga-se um pouco de água, lavai os pés e repousai debaixo desta árvore;trarei um bocado de pão; refazei as vossas forças, visto que chegastes até vosso servo; depois, seguireis avante. Responderam: Faze como disseste.Apressou-se, pois, Abraão para a tenda de Sara e lhe disse: Amassa depressa três medidas de flor de farinha e faze pão assado ao borralho.Abraão, por sua vez, correu ao gado, tomou um novilho, tenro e bom, e deu-o ao criado, que se apressou em prepará-lo.Tomou também coalhada e leite e o novilho que mandara preparar e pôs tudo diante deles; e permaneceu de pé junto a eles debaixo da árvore; e eles comeram. 9 Então, lhe perguntaram: Sara, tua mulher, onde está? Ele respondeu: Está aí na tenda. 10 Disse um deles: Certamente voltarei a ti, daqui a um ano; e Sara, tua mulher, dará à luz um filho. Sara o estava escutando, à porta da tenda, atrás dele. 11 Abraão e Sara eram já velhos, avançados em idade; e a Sara já lhe havia cessado o costume das mulheres. 12 Riu-se, pois, Sara no seu íntimo, dizendo consigo mesma: Depois de velha, e velho também o meu senhor, terei ainda prazer? 13 Disse o Senhor a Abraão: Por que se riu Sara, dizendo: Será verdade que darei ainda à luz, sendo velha? 14 Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil? Daqui a um ano, neste mesmo tempo, voltarei a ti, e Sara terá um filho. 15 Então, Sara, receosa, o negou, dizendo: Não me ri. Ele, porém, disse: Não é assim, é certo que riste.”

Rm 9:9 (ARA)2: “Porque a palavra da promessa é esta: Por esse tempo, virei, e Sara terá um filho.”

Não está claro se Abraão sabia quem eram os estrangeiros (Hb 13:2), embora agisse para com eles como se o próprio Deus estivesse ali. Ele estava sentado “à entrada da tenda, no maior calor do dia” (Gn 18:1), e, como visitantes são raros no deserto, provavelmente ele desejasse encontrá-los. Abraão correu em direção aos homens (Gn 18:2), embora tivesse 99 anos. Ele chamou uma dessas pessoas de Adonai, “Senhor meu” (Gn 18:3), título frequentemente usado para Deus (Gn 20:4; Êx 15:17). Ele se apressou no preparo da refeição, esteve ao lado deles, atento às suas necessidades e pronto para servi-los (Gn 18:6-8).

O comportamento de Abraão para com visitantes celestiais se tornaria um modelo inspirador de hospitalidade (Hb 13:2). A atitude reverente de Abraão transmite uma filosofia de hospitalidade. Mostrar respeito e atenção para com estranhos não é apenas um belo gesto de cortesia. A Bíblia enfatiza que é um dever religioso, como se dirigido ao próprio Deus (Mt 25:35-40). Ironicamente, Deus Se identifica mais com o estrangeiro faminto e necessitado do que com o generoso que o recebe.

Por outro lado, a intrusão divina na esfera humana denota graça e amor para com a humanidade. Essa aparição de Deus antecipava Cristo, que deixou o lar celestial e Se tornou Servo humano para alcançar a humanidade (Fp 2:7, 8). A presença de Deus confirmou a promessa. Ele viu Sara, que se escondeu “atrás de Abraão”, e conhecia seus pensamentos (Gn 18:10, 12). Ele sabia que ela tinha rido, e “riu” foi Sua última palavra. O ceticismo de Sara se tornou o ponto em que Ele cumpriria Sua palavra.

“Deus Se identifica mais com o estrangeiro faminto e necessitado do que com aquele que o recebe”. Por que é tão importante nos lembrarmos disso?

Quarta-feira, 11 de maio de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

O sinal da aliança abraâmica

Lições da Bíblia1

3. Leia Gênesis 17:1-19 e Romanos 4:11. Qual é o significado espiritual e profético do rito da circuncisão?

Gênesis 17:1-19 (ARA)2: “1 Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o Senhor e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito. Farei uma aliança entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente. 3 Prostrou-se Abrão, rosto em terra, e Deus lhe falou: 4 Quanto a mim, será contigo a minha aliança; serás pai de numerosas nações. 5 Abrão já não será o teu nome, e sim Abraão; porque por pai de numerosas nações te constituí. 6 Far-te-ei fecundo extraordinariamente, de ti farei nações, e reis procederão de ti. 7 Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência. 8 Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o seu Deus. 9 Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança, tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. 10 Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. 11 Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós. 12 O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe. 13 Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua. 14 O incircunciso, que não for circuncidado na carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou a minha aliança. 15 Disse também Deus a Abraão: A Sarai, tua mulher, já não lhe chamarás Sarai, porém Sara. 16 Abençoá-la-ei e dela te darei um filho; sim, eu a abençoarei, e ela se tornará nações; reis de povos procederão dela. 17 Então, se prostrou Abraão, rosto em terra, e se riu, e disse consigo: A um homem de cem anos há de nascer um filho? Dará à luz Sara com seus noventa anos? 18 Disse Abraão a Deus: Tomara que viva Ismael diante de ti. 19 Deus lhe respondeu: De fato, Sara, tua mulher, te dará um filho, e lhe chamarás Isaque; estabelecerei com ele a minha aliança, aliança perpétua para a sua descendência.”

Romanos 4:11 (ARA)2: “E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso; para vir a ser o pai de todos os que creem, embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça,”

A falta de fé de Abrão, como visto na história anterior (Gn 16), quebrou o fluxo da jornada espiritual do patriarca com Deus. Nesse tempo, o Senhor ficou em silêncio. Pela primeira vez então, Deus falou novamente com Abrão. Ele Se reconectou a Abrão e o trouxe de volta ao ponto em que fez uma aliança com ele (Gn 15:18).

Deus lhe deu o sinal dessa aliança. O significado da circuncisão tem sido discutido há muito tempo pelos estudiosos. Visto que o rito da circuncisão envolvia o derramamento de sangue (ver Êx 4:25), poderia ser entendido no contexto do sacrifício, indicando que a justiça foi imputada a ele (compare com Rm 4:11).

Também chama a atenção o fato de que essa aliança, representada pela circuncisão, seja descrita em termos que apontam para a primeira profecia messiânica (compare Gn 17:7 [“Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência.”] com Gn 3:15 [“Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”]). O paralelo entre os dois textos sugere que a promessa de Deus a Abrão diz respeito a mais do que apenas o nascimento físico de um povo; contém a promessa espiritual de salvação para todos os povos da Terra. E a promessa da “aliança eterna” (Gn 17:7) refere-se à obra da semente messiânica, o sacrifício de Cristo que garante a vida eterna a todos os que a reivindicam mediante a fé e tudo o que a fé envolve (compare com Rm 6:23; Tt 1:2).

Curiosamente, essa promessa de um futuro eterno se relaciona à mudança do nome de Abrão e Sarai, os quais se referiam apenas ao seu status de então: Abrão significa “pai exaltado”, e Sarai significa “minha princesa” (a princesa de Abrão). A mudança de seus nomes para “Abraão” e “Sara”, respectivamente, referia-se ao futuro: Abraão significa “pai de muitas nações” e Sara significa “a princesa” (de todos). Paralelamente, mas não sem ironia, o nome de Isaque (“ele rirá”) é uma lembrança da atitude de Abraão (a primeira risada registrada nas Escrituras, Gn 17:17); uma risada de ceticismo ou, talvez, de admiração. Embora acreditasse no que o Senhor claramente havia prometido a ele, Abraão ainda lutava para ter fé e confiança.

Como continuar acreditando em algo, mesmo quando, às vezes, lutamos contra essa crença, como fez Abraão? Por que é importante não desistir, apesar dos momentos de dúvida?

Terça-feira, 10 de maio de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

Dúvidas de Abraão

Lições da Bíblia1

2. Leia Gênesis 16:1-16. Qual é o significado da decisão de Abrão de se envolver com Agar, apesar da promessa de Deus a ele? Como as duas mulheres representam duas atitudes de fé (Gl 4:21-31)?

Gênesis 16:1-16 (ARA)2: “1 Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos; tendo, porém, uma serva egípcia, por nome Agar, 2 disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de dar à luz filhos; toma, pois, a minha serva, e assim me edificarei com filhos por meio dela. E Abrão anuiu ao conselho de Sarai. 3 Então, Sarai, mulher de Abrão, tomou a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido, depois de ter ele habitado por dez anos na terra de Canaã. 4 Ele a possuiu, e ela concebeu. Vendo ela que havia concebido, foi sua senhora por ela desprezada. 5 Disse Sarai a Abrão: Seja sobre ti a afronta que se me faz a mim. Eu te dei a minha serva para a possuíres; ela, porém, vendo que concebeu, desprezou-me. Julgue o Senhor entre mim e ti.Respondeu Abrão a Sarai: A tua serva está nas tuas mãos, procede segundo melhor te parecer. Sarai humilhou-a, e ela fugiu de sua presença. 7 Tendo-a achado o Anjo do Senhor junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur, 8 disse-lhe: Agar, serva de Sarai, donde vens e para onde vais? Ela respondeu: Fujo da presença de Sarai, minha senhora. 9 Então, lhe disse o Anjo do Senhor: Volta para a tua senhora e humilha-te sob suas mãos. 10 Disse-lhe mais o Anjo do Senhor: Multiplicarei sobremodo a tua descendência, de maneira que, por numerosa, não será contada. 11 Disse-lhe ainda o Anjo do Senhor: Concebeste e darás à luz um filho, a quem chamarás Ismael, porque o Senhor te acudiu na tua aflição. 12 Ele será, entre os homens, como um jumento selvagem; a sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele; e habitará fronteiro a todos os seus irmãos. 13 Então, ela invocou o nome do Senhor, que lhe falava: Tu és Deus que vê; pois disse ela: Não olhei eu neste lugar para aquele que me vê? 14 Por isso, aquele poço se chama Beer-Laai-Roi; está entre Cades e Berede. 15 Agar deu à luz um filho a Abrão; e Abrão, a seu filho que lhe dera Agar, chamou-lhe Ismael. 16 Era Abrão de oitenta e seis anos, quando Agar lhe deu à luz Ismael.”

Gl 4:21-31 (ARA)2: “21 Dizei-me vós, os que quereis estar sob a lei: acaso, não ouvis a lei? 22 Pois está escrito que Abraão teve dois filhos, um da mulher escrava e outro da livre. 23 Mas o da escrava nasceu segundo a carne; o da livre, mediante a promessa. 24 Estas coisas são alegóricas; porque estas mulheres são duas alianças; uma, na verdade, se refere ao monte Sinai, que gera para escravidão; esta é Agar. 25 Ora, Agar é o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à Jerusalém atual, que está em escravidão com seus filhos. 26 Mas a Jerusalém lá de cima é livre, a qual é nossa mãe; 27 porque está escrito: Alegra-te, ó estéril, que não dás à luz, exulta e clama, tu que não estás de parto; porque são mais numerosos os filhos da abandonada que os da que tem marido. 28 Vós, porém, irmãos, sois filhos da promessa, como Isaque. 29 Como, porém, outrora, o que nascera segundo a carne perseguia ao que nasceu segundo o Espírito, assim também agora. 30 Contudo, que diz a Escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava será herdeiro com o filho da livre. 31 E, assim, irmãos, somos filhos não da escrava, e sim da livre.

Quando Abrão duvidou (Gn 15:2), Deus assegurou que ele teria um filho. Dez anos depois, Abrão ainda não tinha descendente. O patriarca parecia ter perdido a fé: não mais acreditava que fosse possível ter um filho com Sarai, que, sem esperança, o incentivou a recorrer a uma prática da época no antigo Oriente Próximo: arranjar uma substituta. Agar, serva de Sarai, foi nomeada para essa função. Funcionou. A estratégia pareceu mais eficiente do que a fé nas promessas divinas.

A passagem que descreve a relação de Sarai com Abrão relembra a história de Adão e Eva no jardim do Éden. Os dois textos compartilham uma série de temas comuns (Sarai, como Eva, foi ativa; Abrão, como Adão, foi passivo), como também verbos e frases (“ouvir a voz”, “receber” e “dar”). Esse paralelo entre as duas histórias implica na desaprovação divina quanto a esse curso de ação.

Paulo se referiu a essa história para mostrar seu ponto de vista sobre obras versus graça (Gl 4:23-26). Em ambos os relatos, o resultado foi o mesmo: a recompensa imediata da atitude humana alheia à vontade de Deus levou a problemas posteriores. Observe que Deus esteve ausente durante toda a ação. Sarai falou sobre o Senhor, mas nunca falou com Ele; nem Deus falou com nenhum deles. Essa ausência divina é marcante, especialmente depois da intensa presença divina no capítulo anterior.

Deus apareceu a Agar, mas somente depois que ela saiu da casa de Abrão. Essa aparição inesperada revela a presença do Senhor, apesar do esforço humano para agir sem Ele. A referência ao “Anjo do Senhor” (Gn 16:7) é um título frequentemente identificado com o Senhor, YHWH (Gn 18:1, 13, 22). Dessa vez foi Deus quem tomou a iniciativa e anunciou a Agar que ela daria à luz um filho, Ismael, cujo nome significava “Deus ouve” (Gn 16:11). Ironicamente, a história, que termina com a ideia de ouvir (shama’), ecoa o ato de ouvir no início da narrativa, quando Abrão “ouviu” (shama’) a voz de Sarai (Gn 16:2, ARC).

Por que é tão fácil cometer o mesmo tipo de erro que Abrão cometeu nesse caso?

Segunda-feira, 09 de maio de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.