Fontes literárias

Lições da Bíblia1

“Além de ser sábio, o mestre também transmitiu conhecimento ao povo. Ele escutou, examinou e colecionou muitos provérbios. Procurou também encontrar as palavras certas, e o que ele escreveu era reto e verdadeiro” (Ec 12: 9, 10, NVI).

Esse texto sugere que Salomão não criou, do zero, todos os provérbios que registrou. Inspirado por Deus, ele “examinou e colecionou” muitos ditos e se esforçou para encontrar as “palavras certas”. De fato, a famosa descrição da mulher virtuosa em Provérbios 31 não é atribuída a Salomão, e sim à mãe de um desconhecido rei, chamado Lemuel (Pv 31:1). Há também indícios de influência da literatura egípcia em Provérbios.

Semelhantemente, autores inspirados do Antigo Testamento informam que recorreram a arquivos e outros registros históricos para relatar com fidelidade a trajetória do povo de Deus.

4. Leia 1 Reis 11:41; Lucas 1:1-4; e Judas 14, 15. O que esses versos revelam sobre o uso de fontes não bíblicas pelos escritores inspirados?

1 Reis 11:41 (NAA)2: Quanto aos demais atos de Salomão, a tudo o que fez e à sua sabedoria, não está tudo escrito no Livro da História de Salomão?

Lucas 1:1-4 (NAA)2: 1 Visto que muitos já empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, 2 conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, 3 igualmente a mim pareceu bem, depois de cuidadosa investigação de tudo desde a sua origem, dar-lhe por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, 4 para que você tenha plena certeza das verdades em que foi instruído.

Judas 14, 15 (NAA)2: 14 Foi a respeito deles que também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: “Eis que o Senhor vem com milhares de seus santos, 15 para exercer juízo contra todos e para convencer todos os ímpios a respeito de todas as obras ímpias que praticaram e a respeito de todas as palavras insolentes que ímpios pecadores proferiram contra ele.”

Esdras e Neemias são outros exemplos de escritores bíblicos que se valeram de registros históricos para compor seus relatos. Esdras inclui cópias de cartas e decretos reais relacionados a Jerusalém e à Pérsia (veja Ed 4–7), e Neemias menciona listas genealógicas, as quais encontrou e incorporou em sua narrativa (veja Ne 7:5-72).

O mesmo princípio é encontrado no Novo Testamento: “Fica claro, a partir da experiência de Lucas, que o processo de inspiração funciona de um modo consistente com a operação natural das faculdades mentais e não à parte delas. Trata-se de um escritor inspirado que foi dirigido pelo Espírito Santo para empreender um estudo diligente das fontes materiais escritas e orais disponíveis sobre a vida de Cristo e, então, combiná-las numa narrativa conectada à informação assim reunida” (Comentário Bíblico Adventista, v. 5, p. 733).

Judas parece ter citado 1 Enoque 1:9, uma obra judaica não canônica escrita no período entre o Antigo e o Novo Testamento. Paulo, por sua vez, citou filósofos gregos sem mencionar seus nomes (veja At 17:28; Tt 1:12).

At 17:28 (NAA)2: pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como alguns dos poetas de vocês disseram: “Porque dele também somos geração.

Tt 1:12 (NAA)2: Foi um dos cretenses, um próprio profeta deles, que disse: “Os cretenses são sempre mentirosos, feras terríveis, comilões preguiçosos.”

Embora os escritores bíblicos fossem muitas vezes guiados por revelações diretas – visões e sonhos –, isso não excluiu a atuação do Espírito Santo ao inspirá-los na seleção de materiais de outras fontes. Por que é importante manter esse conceito em mente?

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O dom de profecia. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 526, out. nov. dez. 2026. Adulto, Professor.

2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

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