Assistentes literários

Lições da Bíblia1

3. Leia Jeremias 36:17, 18 e Romanos 16:22. O que esses versos revelam sobre o uso de assistentes literários pelos escritores bíblicos?

Jeremias 36:17, 18 (NAA)2: 17 E perguntaram a Baruque: — Diga-nos, por favor, como é que você escreveu todas essas palavras? Foi o profeta que ditou? 18 Baruque respondeu: — Ele pessoalmente ditou todas estas palavras, e eu as escrevi com tinta neste rolo.

Romanos 16:22 (NAA)2: Eu, Tércio, que escrevi esta carta, mando saudações no Senhor.

Presumivelmente, Jeremias poderia ter escrito suas mensagens por conta própria, mas preferiu pôr sob os cuidados de um escriba de confiança a tarefa de registrar fielmente suas profecias e apresentá-las às autoridades da nação. Jeremias não é o único exemplo bíblico de profeta que utilizou os serviços de um assistente literário para comunicar a mensagem divina.

No Novo Testamento, Tércio declara: “Escrevi esta carta” (Rm 16:22). Mesmo assim, já no início de Romanos, fica claro que ele apenas registrou por escrito aquilo que Paulo desejava comunicar. Tércio era seu amanuense, ou seja, um secretário – um assistente literário que transformava em texto as palavras de Paulo.

Essa prática não era incomum para o apóstolo. Ao concluir suas cartas aos colossenses e aos tessalonicenses, Paulo faz questão de acrescentar sua saudação “de próprio punho” (Cl 4:18; 2Ts 3:17), como forma de autenticar toda a carta. Isso indica que ele utilizava outra pessoa para redigir o texto. Como essa realidade poderia despertar dúvidas quanto à fidelidade do conteúdo – ou até o temor de que a carta não fosse realmente dele –, Paulo acrescentava uma nota manuscrita ao final, eliminando qualquer questionamento sobre a autenticidade de sua epístola.

O uso de assistentes literários é frequentemente apontado por comentaristas como a causa das diferenças de estilo literário encontradas nas cartas de Paulo. Supõe-se algo semelhante em relação às duas cartas de Pedro: “Embora o estilo de linguagem de 2 Pedro seja diferente do estilo da primeira epístola, isso pode ser razoavelmente explicado pela possibilidade de que Pedro […] tenha contado com a ajuda de um secretário para a escrita de uma epístola em grego. Se Paulo, que ficava totalmente à vontade com o grego, utilizava secretários, como as evidências mostram, é ainda mais lógico pensar que Pedro, cuja língua nativa era o aramaico, teria feito o mesmo. Esses secretários podem ter exercido definitiva influência na formulação dessas cartas em grego” (Comentário Bíblico Adventista, v. 5, p. 173).

Isso mostra que, embora fossem fiéis aos pensamentos e ao sentido pretendido pelos mensageiros de Deus, o vocabulário e a construção das frases podiam refletir a habilidade literária dos assistentes empregados. É o pensamento que é inspirado, não necessariamente cada palavra específica escolhida para expressar esse pensamento.

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O dom de profecia. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 526, out. nov. dez. 2026. Adulto, Professor.

2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

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