A oração de Daniel

Lições da Bíblia1

Uma das orações mais famosas do AT está em Daniel 9. Ao observar pela leitura dos escritos do profeta Jeremias que o tempo da “desolação” de Israel (Dn 9:2), setenta anos, estava prestes a terminar, Daniel começou a orar.

E que oração! Uma súplica comovente na qual confessa seus pecados e os pecados de seu povo, enquanto ao mesmo tempo reconhece a justiça divina em meio à calamidade que se abateu sobre eles.

7. Leia Daniel 9:1-19. Que temas estão diretamente relacionados a Deuteronômio?

Daniel 9:1-19 (ARA)2: 1 No primeiro ano de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus, 2 no primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi, pelos livros, que o número de anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, que haviam de durar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos. 3 Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza. 4 Orei ao Senhor, meu Deus, confessei e disse: ah! Senhor! Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos; 5 temos pecado e cometido iniquidades, procedemos perversamente e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos; 6 e não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que em teu nome falaram aos nossos reis, nossos príncipes e nossos pais, como também a todo o povo da terra. 7 A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha, como hoje se vê; aos homens de Judá, os moradores de Jerusalém, todo o Israel, quer os de perto, quer os de longe, em todas as terras por onde os tens lançado, por causa das suas transgressões que cometeram contra ti. 8 Ó Senhor, a nós pertence o corar de vergonha, aos nossos reis, aos nossos príncipes e aos nossos pais, porque temos pecado contra ti. 9 Ao Senhor, nosso Deus, pertence a misericórdia e o perdão, pois nos temos rebelado contra ele 10 e não obedecemos à voz do Senhor, nosso Deus, para andarmos nas suas leis, que nos deu por intermédio de seus servos, os profetas. 11 Sim, todo o Israel transgrediu a tua lei, desviando-se, para não obedecer à tua voz; por isso, a maldição e as imprecações que estão escritas na Lei de Moisés, servo de Deus, se derramaram sobre nós, porque temos pecado contra ti. 12 Ele confirmou a sua palavra, que falou contra nós e contra os nossos juízes que nos julgavam, e fez vir sobre nós grande mal, porquanto nunca, debaixo de todo o céu, aconteceu o que se deu em Jerusalém. 13 Como está escrito na Lei de Moisés, todo este mal nos sobreveio; apesar disso, não temos implorado o favor do Senhor, nosso Deus, para nos convertermos das nossas iniquidades e nos aplicarmos à tua verdade. 14 Por isso, o Senhor cuidou em trazer sobre nós o mal e o fez vir sobre nós; pois justo é o Senhor, nosso Deus, em todas as suas obras que faz, pois não obedecemos à sua voz. 15 Na verdade, ó Senhor, nosso Deus, que tiraste o teu povo da terra do Egito com mão poderosa, e a ti mesmo adquiriste renome, como hoje se vê, temos pecado e procedido perversamente. 16 Ó Senhor, segundo todas as tuas justiças, aparte-se a tua ira e o teu furor da tua cidade de Jerusalém, do teu santo monte, porquanto, por causa dos nossos pecados e por causa das iniquidades de nossos pais, se tornaram Jerusalém e o teu povo opróbrio para todos os que estão em redor de nós. 17 Agora, pois, ó Deus nosso, ouve a oração do teu servo e as suas súplicas e sobre o teu santuário assolado faze resplandecer o rosto, por amor do Senhor. 18 Inclina, ó Deus meu, os ouvidos e ouve; abre os olhos e olha para a nossa desolação e para a cidade que é chamada pelo teu nome, porque não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias. 19 Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age; não te retardes, por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu nome.

A oração de Daniel é um resumo sobre o que a nação havia sido advertida em Deuteronômio a respeito das consequências de não cumprir sua parte na aliança. Daniel se referiu duas vezes à “Lei de Moisés” (Dn 9:11, 13), que certamente incluía Deuteronômio e, nesse caso, poderia estar se referindo especificamente a ele.

Conforme Deuteronômio, eles foram expulsos da terra (Dt 4:27-31; 28) porque não obedeceram, exatamente o que Moisés havia dito que aconteceria (Dt 31:29).

É muito trágico que, em vez de as nações ao redor dizerem: “Certamente esta grande nação é um povo sábio e compreensivo” (Dt 4:6), Israel se tornou um “opróbrio” (Dn 9:16) para aquelas mesmas nações.

Nas lágrimas e súplicas de Daniel, ele jamais fez o que tantos fazem quando ocorre uma tragédia: “Por quê?” Ele nunca questionou o motivo. Graças ao livro de Deuteronômio, Daniel sabia a razão de tudo. O livro de Deuteronômio deu a Daniel (e a outros exilados) a compreensão de que o mal que veio sobre eles não era apenas o destino cego, o acaso, mas os frutos da desobediência, sobre os quais haviam sido avisados.

Contudo, a oração de Daniel indicava que, apesar desses eventos, havia esperança. Deus não os abandonaria, por mais que parecesse assim. O livro de Deuteronômio ofereceu não apenas o contexto para se compreender a situação, mas também apontou para a promessa de restauração.

Leia a profecia sobre Jesus e Sua morte na cruz (Dn 9:24-27 [“24 Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos. 25 Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos. 26 Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas. 27 Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele.”]). Por que ela foi dada ao profeta Daniel (e a nós) no contexto do exílio de Israel e da promessa do retorno?

Quinta-feira, 09 de dezembro de 2021. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. A verdade presente em Deuteronômio. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 506, out. nov. dez. 2021. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

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