O fim do dilúvio

Lições da Bíblia1

Gênesis 7:22-24 descreve o efeito avassalador e abrangente das águas: “Assim, foram exterminados todos os seres” “e as águas prevaleceram sobre a terra durante cento e cinquenta dias” (Gn 7:24). Foi nesse contexto de total aniquilação e desesperança que “Deus Se lembrou” (Gn 8:1). Essa frase se encontra no centro das passagens que falam sobre o dilúvio, uma indicação de que essa ideia é a mensagem central do relato.

3. Leia Gênesis 8:1. O que significa a expressão Deus “Se lembrou de Noé”?

Gênesis 8:1 (ARA)2: “Lembrou-se Deus de Noé e de todos os animais selváticos e de todos os animais domésticos que com ele estavam na arca; Deus fez soprar um vento sobre a terra, e baixaram as águas.”

O verbo zakhar, “lembrar”, significa que Deus não havia Se esquecido; é mais do que mero exercício mental. No contexto bíblico, o “Deus que Se lembra” significa o cumprimento da promessa divina e, com frequência, refere-se à salvação (ver Gn 19:29). No contexto do dilúvio, a expressão “Deus Se lembrou” significa que a chuva “se deteve” (Gn 8:2) e que Noé em breve poderia deixar a arca (Gn 8:16).

Embora não tivesse recebido ordem direta para sair, Noé tomou a iniciativa e enviou primeiramente um corvo, e depois uma pomba, para testar a situação. Finalmente, quando a pomba não voltou, ele entendeu que “as águas que estavam sobre a terra haviam secado. Então Noé removeu a cobertura da arca e olhou” (Gn 8:13).

O comportamento de Noé é rico em lições práticas. Por um lado, ele nos ensina a confiar em Deus, embora Ele ainda não houvesse falado diretamente; por outro lado, a fé não nega o valor de pensar e testar, e não exclui o dever de buscar e ver se o que aprendemos é verdade.

No entanto, Noé só saiu quando Deus lhe disse que saísse (Gn 8:15-19). Mesmo quando soube que era seguro sair, ele ainda confiou em Deus e esperou Seu sinal antes de deixar a arca.

“Havendo entrado por ordem de Deus, [Noé] esperou instruções especiais para sair. Finalmente um anjo desceu do Céu, abriu a pesada porta e mandou o patriarca e sua casa saírem à terra e levarem consigo todos os seres vivos” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 77 [105]).

Leia Gênesis 8:1; 19:29 [“Ao tempo que destruía as cidades da campina, lembrou-se Deus de Abraão e tirou a Ló do meio das ruínas, quando subverteu as cidades em que Ló habitara.”]e Salmo 106:4 [“Lembra-te de mim, Senhor, segundo a tua bondade para com o teu povo; visita-me com a tua salvação,”]. O que significa a expressão “Deus Se lembrou”? Como Deus lhe mostra que “Se lembra” de você?

Terça-feira, 19 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

O dilúvio

Lições da Bíblia1

O verbo ‘asah, “fazer”, que se refere às ações de Noé, também é uma palavra-chave no relato da criação em Gênesis (Gn 1:7, 16, 25, 26, 31; 2:2). Os atos de obediência de Noé a Deus são como os atos divinos de criação. O que podemos deduzir dessa ligação é que o dilúvio não tem a ver apenas com o juízo divino sobre a humanidade, mas também com a salvação que Deus nos oferece.

2. Leia Gênesis 7. Por que a descrição do dilúvio lembra o relato da criação? Que lições aprendemos com os paralelos entre esses dois eventos?

Gênesis 7 (ARA)2: 1 Disse o Senhor a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração. 2 De todo animal limpo levarás contigo sete pares: o macho e sua fêmea; mas dos animais imundos, um par: o macho e sua fêmea. 3 Também das aves dos céus, sete pares: macho e fêmea; para se conservar a semente sobre a face da terra. 4 Porque, daqui a sete dias, farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites; e da superfície da terra exterminarei todos os seres que fiz. 5 E tudo fez Noé, segundo o Senhor lhe ordenara. 6 Tinha Noé seiscentos anos de idade, quando as águas do dilúvio inundaram a terra. 7 Por causa das águas do dilúvio, entrou Noé na arca, ele com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos. 8 Dos animais limpos, e dos animais imundos, e das aves, e de todo réptil sobre a terra, 9 entraram para Noé, na arca, de dois em dois, macho e fêmea, como Deus lhe ordenara. 10 E aconteceu que, depois de sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio. 11 No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as comportas dos céus se abriram, 12 e houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites. 13 Nesse mesmo dia entraram na arca Noé, seus filhos Sem, Cam e Jafé, sua mulher e as mulheres de seus filhos; 14 eles, e todos os animais segundo as suas espécies, todo gado segundo as suas espécies, todos os répteis que rastejam sobre a terra segundo as suas espécies, todas as aves segundo as suas espécies, todos os pássaros e tudo o que tem asa. 15 De toda carne, em que havia fôlego de vida, entraram de dois em dois para Noé na arca; 16 eram macho e fêmea os que entraram de toda carne, como Deus lhe havia ordenado; e o Senhor fechou a porta após ele. 17 Durou o dilúvio quarenta dias sobre a terra; cresceram as águas e levantaram a arca de sobre a terra. 18 Predominaram as águas e cresceram sobremodo na terra; a arca, porém, vogava sobre as águas. 19 Prevaleceram as águas excessivamente sobre a terra e cobriram todos os altos montes que havia debaixo do céu. 20 Quinze côvados acima deles prevaleceram as águas; e os montes foram cobertos. 21 Pereceu toda carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de animais domésticos e animais selváticos, e de todos os enxames de criaturas que povoam a terra, e todo homem. 22 Tudo o que tinha fôlego de vida em suas narinas, tudo o que havia em terra seca, morreu. 23 Assim, foram exterminados todos os seres que havia sobre a face da terra; o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus foram extintos da terra; ficou somente Noé e os que com ele estavam na arca. 24 E as águas durante cento e cinquenta dias predominaram sobre a terra.”

Uma leitura atenta do texto sobre o dilúvio revela o uso de muitas palavras e expressões comuns à história da criação: “sete” (Gn 7:2, 3, 4, 10; compare com 2:1-3); “macho e fêmea” (Gn 7:2, 3, 9, 16; compare com Gn 1:27); “Segundo as suas espécies” (Gn 7:14; compare com Gn 1:11, 12, 21, 24, 25); “animais”, “aves”, “animal que rasteja” (ver Gn 7:8, 14, 21, 23; compare com 1:24, 25); e “fôlego de vida” (Gn 7:15, 22; compare com 2:7).

Esses ecos dos relatos da criação ajudam a revelar que o Deus que cria é igual ao Deus que destrói (Dt 32:39), mas também transmitem a mensagem de esperança: o dilúvio foi projetado para ser uma nova criação, a partir das águas, que leva a uma nova existência.

O movimento das águas mostra que esse evento criativo na verdade reverte o ato criativo de Gênesis 1. Em contraste com Gênesis 1, que descreve a separação das águas acima e das águas debaixo do firmamento (Gn 1:7), o dilúvio envolve sua reunificação à medida que se rompem além de suas fronteiras (Gn 7:11).

Esse processo carrega uma mensagem paradoxal: Deus teve que destruir o que havia antes para permitir uma nova criação depois. A criação da nova Terra exigiu a destruição da antiga. O evento do dilúvio prefigura a salvação futura do mundo no fim dos tempos: “Vi novo céu e nova Terra, pois o primeiro céu e a primeira Terra passaram, e o mar já não existe” (Ap 21:1; compare com Is 65:17 [“Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas.”]).

O que em nós precisa ser destruído para então ser recriado? (Veja Rm 6:1-6 [“1 Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? 2 De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? 3 Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? 4 Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. 5 Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, 6 sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos;”]).

Segunda-feira, 18 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

Preparação para o dilúvio

Lições da Bíblia1

1. Leia Gênesis 6:13–7:10. Que lição podemos aprender desse incrível relato da história humana primitiva?

Gênesis 6:13–7:10 (ARA)2: “13 Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra. 14 Faze uma arca de tábuas de cipreste; nela farás compartimentos e a calafetarás com betume por dentro e por fora. 15 Deste modo a farás: de trezentos côvados será o comprimento; de cinquenta, a largura; e a altura, de trinta. 16 Farás ao seu redor uma abertura de um côvado de altura; a porta da arca colocarás lateralmente; farás pavimentos na arca: um em baixo, um segundo e um terceiro. 17 Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra perecerá. 18 Contigo, porém, estabelecerei a minha aliança; entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos. 19 De tudo o que vive, de toda carne, dois de cada espécie, macho e fêmea, farás entrar na arca, para os conservares vivos contigo. 20 Das aves segundo as suas espécies, do gado segundo as suas espécies, de todo réptil da terra segundo as suas espécies, dois de cada espécie virão a ti, para os conservares em vida. 21 Leva contigo de tudo o que se come, ajunta-o contigo; ser-te-á para alimento, a ti e a eles. 22 Assim fez Noé, consoante a tudo o que Deus lhe ordenara. 7 1 Disse o Senhor a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração. 2 De todo animal limpo levarás contigo sete pares: o macho e sua fêmea; mas dos animais imundos, um par: o macho e sua fêmea. 3 Também das aves dos céus, sete pares: macho e fêmea; para se conservar a semente sobre a face da terra. 4 Porque, daqui a sete dias, farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites; e da superfície da terra exterminarei todos os seres que fiz. 5 E tudo fez Noé, segundo o Senhor lhe ordenara. 6 Tinha Noé seiscentos anos de idade, quando as águas do dilúvio inundaram a terra. 7 Por causa das águas do dilúvio, entrou Noé na arca, ele com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos. 8 Dos animais limpos, e dos animais imundos, e das aves, e de todo réptil sobre a terra, 9 entraram para Noé, na arca, de dois em dois, macho e fêmea, como Deus lhe ordenara. 10 E aconteceu que, depois de sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio.”

Como Daniel, Noé foi um profeta que predisse o fim do mundo. A palavra hebraica para “arca” (Gn 6:14) é tevah, a mesma palavra emprestada do egípcio e usada para o “cesto” em que Moisés foi escondido e preservado para salvar Israel do Egito (Êx 2:3).

Além disso, alguns observaram na estrutura geral da arca paralelos com a arca do tabernáculo (Êx 25:10). Assim como a arca do dilúvio permitiu a sobrevivência da humanidade, a arca da aliança, sinal da presença de Deus no meio de Israel (Êx 25:22), apontava para a obra divina de salvação em favor de Seu povo.

A frase “conforme tudo o que Deus lhe havia ordenado, assim ele fez” (Gn 6:22) conclui a seção preparatória. O verbo ‘asah, “fez”, referindo-se à ação de Noé, responde ao verbo ‘asah, “faça”, na ordem divina que inicia a seção e é repetido cinco vezes (Gn 6:14-16). Esse eco entre a ordem divina e a ação de Noé sugere obediência absoluta do patriarca ao que Deus lhe tinha dito que fizesse, ‘asah. É interessante que essa frase foi usada no contexto da construção da arca da aliança (Êx 39:32, 42; 40:16).

“Deus deu a Noé as dimensões exatas da arca e instruções claras em relação à sua construção em todos os detalhes. A sabedoria humana não poderia ter concebido uma estrutura de tão grande resistência e durabilidade. Deus foi o Projetista, e Noé o construtor-chefe” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 66 [92]).

Novamente, o paralelo entre as duas “arcas” reafirma sua função redentiva comum. A obediência desse patriarca é, portanto, descrita como parte do plano divino da salvação. Ele foi salvo porque teve fé para fazer o que Deus lhe havia ordenado (ver Hb 11:7). Ele foi um dos primeiros exemplos da fé que se manifesta na obediência, o único tipo de fé que importa (Tg 2:20).

Em suma, embora Noé tivesse encontrado “favor aos olhos do Senhor” (Gn 6:8), foi em resposta a essa graça, já concedida a ele, que o profeta agiu fiel e obedientemente às ordens divinas. Não é assim que todos nós deveríamos agir?

Leia 2 Pedro 2:5-9 [“5 e não poupou o mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas, quando fez vir o dilúvio sobre o mundo de ímpios; 6 e, reduzindo a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra, ordenou-as à ruína completa, tendo-as posto como exemplo a quantos venham a viver impiamente; 7 e livrou o justo Ló, afligido pelo procedimento libertino daqueles insubordinados 8  (porque este justo, pelo que via e ouvia quando habitava entre eles, atormentava a sua alma justa, cada dia, por causa das obras iníquas daqueles), 9 é porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia de Juízo,”]. Por que apenas a família de Noé foi salva? Que lição aprendemos com a história de Noé a respeito de nosso papel em alertar o mundo sobre o juízo?

Domingo, 17 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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O dilúvio

Lições da Bíblia1

“Assim como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mt 24:37).

“O Senhor viu que a maldade das pessoas havia se multiplicado na Terra e que todo desígnio do coração delas era continuamente mau” (Gn 6:5). O verbo “viu” leva o leitor de volta a cada passo da criação original; porém, o que Deus viu naquele momento, em vez de tov, “bom”, era ra’, “mau”. É como se o Criador tivesse Se arrependido de ter criado o mundo, o qual estava cheio de ra’ (maldade).

Contudo, o arrependimento de Deus também contém elementos de salvação. A palavra hebraica para “entristecer-se” (nakham) [ou arrepender-se, ARA] é ecoada no nome de Noé (Noakh), que significa “consolo” (Gn 5:29). Assim, a resposta divina a essa maldade apresenta duas funções. Contém a ameaça da justiça, que leva alguns à destruição, e ainda apresenta a promessa de consolo e misericórdia, que leva outros à salvação.

Essa “função dupla” já havia estado presente na situação de Caim e Abel/Sete e por meio do contraste entre as duas linhagens – de Sete (os “filhos de Deus”) e de Caim (os “filhos dos homens”). No caso do dilúvio, apresenta-se novamente quando Deus diferenciou Noé do restante da humanidade.

Sábado, 16 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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Caim e seu legado – Estudo adicional

Lições da Bíblia1

A frase “Enoque andou com Deus” (Gn 5:22, 24) significa companheirismo íntimo e diário com o Senhor. O relacionamento pessoal de Enoque com Deus era tão especial que “Deus o levou” (Gn 5:24). Essa última frase é única na genealogia de Adão e não apoia a ideia de vida após a morte para aqueles que “andam com Deus”. Observe que Noé também andou com Deus (Gn 6:9) e morreu como todos os outros, incluindo Adão e Metusalém. Também é interessante notar que nenhuma razão é dada para justificar essa graça especial. “Enoque se tornou um pregador da justiça, tornando conhecido ao povo o que Deus lhe revelara. Aqueles que temiam ao Senhor procuravam esse santo homem, para compartilharem de sua instrução e de suas orações. Enoque trabalhava também publicamente, apregoando a mensagem de Deus a todos os que desejavam ouvir as palavras de advertência. Seus labores não se restringiam aos descendentes de Sete. Na terra em que Caim procurara fugir da presença divina, o profeta de Deus tornou conhecidas as maravilhosas cenas que havia observado em visão. Ele declarou: ‘Eis que veio o Senhor entre Suas santas miríades, para exercer juízo contra todos e para fazer convictos todos os ímpios, acerca de todas as obras ímpias’” (Jd 14, 15; Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 60 [86]).

Perguntas para consideração

1. Por que Caim matou seu irmão? Elie Wiesel escreveu: “Por que ele fez isso? Talvez quisesse ficar sozinho […]. Sozinho como Deus e talvez sozinho no lugar de Deus […]. Caim matou para se tornar Deus […]. Qualquer um que se considera Deus acaba assassinando outros” (Elie Wiesel, Messengers of God: Biblical Portraits and Legends [Nova Iorque: Random House, 1976], p. 58). Mesmo não cometendo assassinato, por que devemos ter o cuidado de não refletirmos a atitude de Caim?

2. Compare a expectativa de vida dos antediluvianos (Gn 5) com a dos patriarcas. Como explicar essa diminuição no tempo de vida? Como essa degeneração se opõe às premissas do darwinismo moderno?

Sexta-feira, 14 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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A maldade do ser humano

Lições da Bíblia1

6. Leia Gênesis 4:17-24. Qual foi o legado de Caim, e como seu crime abriu caminho para o aumento da impiedade?

Gênesis 4:17-24 (ARA)2: “17 E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho. 18 A Enoque nasceu-lhe Irade; Irade gerou a Meujael, Meujael, a Metusael, e Metusael, a Lameque. 19 Lameque tomou para si duas esposas: o nome de uma era Ada, a outra se chamava Zilá. 20 Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado. 21 O nome de seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. 22 Zilá, por sua vez, deu à luz a Tubalcaim, artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro; a irmã de Tubalcaim foi Naamá. 23 E disse Lameque às suas esposas: Ada e Zilá, ouvi-me; vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou.  24 Sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes sete.

Lameque, descendente de Caim, referiu-se ao crime do avô no contexto do seu próprio. Essa comparação entre o crime de Caim e o de Lameque é instrutiva. Enquanto o primeiro se calou sobre seu único crime registrado, o segundo parecia se vangloriar do seu, expressando-o em uma canção (Gn 4:23, 24). Enquanto Caim pediu a misericórdia divina, não há registro de Lameque fazendo o mesmo. Enquanto Caim foi vingado sete vezes por Deus, Lameque acreditava que seria vingado setenta e sete vezes (ver Gn 4:24), uma indicação de que ele estava bem ciente de sua culpa.

Além disso, Caim era monogâmico (Gn 4:17). Lameque introduziu a poligamia, pois a Bíblia diz especificamente que ele “tomou para si duas esposas” (Gn 4:19). Essa intensificação e exaltação do mal afetaram as gerações seguintes de caimitas.

O texto bíblico registra um novo evento que se opõe a essa tendência. “Adão tornou a ter relações com sua mulher” (Gn 4:25), e o resultado foi o nascimento de Sete, cujo nome foi dado por Eva para indicar que Deus lhe havia concedido “outro descendente” no lugar de Abel.

A história do nome Sete precede Abel. Ele deriva do verbo hebraico ‘ashit, “porei” (Gn 3:15), que introduz a profecia messiânica. A semente messiânica seria transmitida na linhagem setita. A Bíblia começa o registro da linhagem messiânica com Sete, inclui Enoque e Metusalém e termina com Noé (Gn 5:3, 24, 25; 6:8).

A frase “os filhos de Deus” (Gn 6:2) refere-se à linhagem de Sete, pois foram concebidos para preservar a imagem divina (Gn 5:1, 4). Por outro lado, as “filhas dos homens” (Gn 6:2) parecem ter uma conotação negativa, contrastando a descendência daqueles que são imagem de Deus com aqueles que são feitos à imagem dos homens. E foi sob a influência dessas “filhas dos homens” que os filhos de Deus “tomaram para si mulheres, aquelas que, entre todas, mais lhes agradaram” (Gn 6:2), indicando a direção errada que a humanidade estava tomando.

Gênesis 6:1-5 traz um testemunho poderoso da corrupção do pecado. Por que devemos fazer tudo o que pudermos no poder de Deus para erradicar o pecado de nossa vida?

Quinta-feira, 14 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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A punição de Caim

Lições da Bíblia1

4. Leia Gênesis 4:9-16. Por que Deus perguntou: “Onde está Abel, o seu irmão?” Qual é a relação entre o pecado de Caim e o fato de se tornar “fugitivo e errante pela terra” (Gn 4:12)?

Gênesis 4:9-16 (ARA)2: “9 Disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão? 10 E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim. 11 És agora, pois, maldito por sobre a terra, cuja boca se abriu para receber de tuas mãos o sangue de teu irmão. 12 Quando lavrares o solo, não te dará ele a sua força; serás fugitivo e errante pela terra. 13 Então, disse Caim ao Senhor: É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo. 14 Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará. 15 O Senhor, porém, lhe disse: Assim, qualquer que matar a Caim será vingado sete vezes. E pôs o Senhor um sinal em Caim para que o não ferisse de morte quem quer que o encontrasse. 16 Retirou-se Caim da presença do Senhor e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden.”

A pergunta de Deus a Caim relembra a pergunta feita pelo Senhor a Adão no Éden: “Onde você está?”

Caim, porém, não reconheceu seu pecado. Ao contrário, o negou, algo que Adão não fez, embora tentasse colocar a culpa em outro. Caim, por sua vez, desafiou abertamente a Deus, que não perdeu tempo confrontando-o com seu crime. Quando o Senhor fez a terceira pergunta “O que foi que você fez?”, Ele nem mesmo esperou por uma resposta, apenas relembrou a Caim que sabia de tudo, pois a voz do sangue de Abel O alcançava desde a terra (Gn 4:10), imagem que significava que Deus sabia sobre o assassinato e reagiria. Abel havia voltado à terra, estava enterrado, uma ligação direta com a queda e com o que o Senhor disse que aconteceria a Adão (ver Gn 3:19).

5. Leia Gênesis 4:14. O que significam as palavras de Caim: “da Tua presença terei de me esconder”?

Gênesis 4:14 (ARA)2: “Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará.”

O sangue de Abel tinha sido derramado na terra. Por isso, ela foi amaldiçoada novamente (Gn 4:12). Como resultado, Caim foi condenado a se tornar um refugiado, longe do Senhor. Somente quando Caim ouviu a sentença divina, reconheceu o significado da presença de Deus, pois sem Ele, temeu por sua própria vida. Mesmo após ter assassinado a sangue frio seu irmão e ter se rebelado, o Senhor mostrou misericórdia para com ele, e ainda que Caim tenha se retirado “da presença do Senhor” (Gn 4:16), Ele lhe deu algum tipo de proteção. Não sabemos o que exatamente era esse “sinal” (Gn 4:15), mas foi dado apenas por causa da graça de Deus para com ele.

“Da Tua presença serei escondido” (Gn 4:14, TB). É possível se esconder da presença de Deus? Que situação trágica. Sendo pecadores, qual é a única maneira de evitar essa situação?

Quarta-feira, 13 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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O crime

Lições da Bíblia1

3. Leia Gênesis 4:3-8. O que levou Caim a matar seu irmão? Veja também 1 João 3:12.

Gênesis 4:3-8 (ARA)2: “3 Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. 4 Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; 5 ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante. 6 Então, lhe disse o Senhor: Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? 7 Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo. 8 Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão, e o matou.

eaeae21 João 3:12 (ARA)2: “não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas.

A reação de Caim foi dupla: “Caim ficou muito irritado e fechou a cara” (Gn 4:5). Ao que parece, a raiva de Caim foi dirigida a Deus e a Abel. Ele sentiu raiva de Deus porque pensava que estava sendo vítima de injustiça, e raiva de Abel porque tinha ciúmes de seu irmão. Ciúmes de quê? Devido à oferta? É evidente que algo mais aconteceu nos bastidores e que não é revelado nesses poucos textos. Caim entristeceu-se, pois sua oferta não havia sido aceita.

As duas perguntas de Deus em Gênesis 4:6 estão relacionadas às duas condições de Caim. Observe que o Senhor não o acusou. Da mesma forma que fez com Adão, Deus fez perguntas, não porque não soubesse as respostas, mas porque desejava que Caim olhasse para si mesmo e entendesse a razão de sua própria condição. Como sempre, o Senhor procura redimir Seu povo, mesmo quando este O abandona abertamente. Então, depois de perguntar, Deus aconselhou Caim.

Primeiro, o exortou a “fazer o bem”. Foi um chamado ao arrependimento e à mudança de atitude. Deus prometeu a Caim que ele seria “aceito” e perdoado; mas isso deveria acontecer nos termos Dele, não nos de Caim.

Por outro lado, “se não fizer o que é certo, eis que o pecado está à porta, à sua espera. O desejo dele será contra você, mas é necessário que você o domine” (Gn 4:7). O conselho divino revelou a raiz do pecado e esta se encontrava no próprio Caim. Novamente, Deus o aconselhou, procurando guiá-lo no caminho que devia seguir.

O segundo conselho divino diz respeito à atitude que se deveria tomar em relação àquele pecado, que estava à porta e cujo desejo era contra Caim. Deus recomendou autocontrole: “é necessário que você o domine”. O mesmo princípio ecoa em Tiago: “cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz” (Tg 1:14). O evangelho oferece não só o perdão, mas também a vitória sobre o pecado (1Co 10:13). Caim não tinha ninguém para culpar por seu pecado, exceto a si mesmo. Em geral, não é isso também o que acontece a todos nós?

O que essa história triste ensina sobre o livre-arbítrio e sobre o fato de que Deus não nos força a obedecer?

Terça-feira, 12 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.