O caso de Jó

Lições da Bíblia1:

No livro de Jó, encontramos alguns vislumbres fascinantes sobre a realidade do grande conflito.

3. Que princípios do grande conflito são revelados em Jó 1:1-12; 2:1-7?

Jó 1:1-12 (NAA)2: 1 Havia um homem na terra de Uz cujo nome era Jó. Este homem era íntegro e reto, temia a Deus e se desviava do mal. 2 Nasceram-lhe sete filhos e três filhas. 3 Tinha sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas. Também tinha muitíssima gente a seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente. 4 Os filhos dele iam às casas uns dos outros e faziam banquetes, cada um por sua vez, e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles. 5 Quando se encerrava um ciclo de banquetes, Jó chamava os seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles. Pois Jó pensava assim: “Talvez os meus filhos tenham pecado e blasfemado contra Deus em seu coração.” Jó fazia isso continuamente. 6 Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se diante do Senhor, veio também Satanás entre eles. 7 Então o Senhor perguntou a Satanás: — De onde você vem? Satanás respondeu ao Senhor: — De rodear a terra e passear por ela. 8 E o Senhor disse a Satanás: — Você reparou no meu servo Jó? Não há ninguém como ele na terra. Ele é um homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal. 9 Então Satanás respondeu ao Senhor: — Será que é sem motivo que Jó teme a Deus? 10 Não é verdade que tu mesmo puseste uma cerca ao redor dele, da sua casa e de tudo o que ele tem? Abençoaste a obra de suas mãos, e os seus bens se multiplicaram na terra. 11 Mas estende a tua mão e toca em tudo o que ele tem, para ver se ele não blasfema contra ti na tua face. 12 Então o Senhor disse a Satanás: — Você pode fazer o que quiser com tudo o que ele tem; só não estenda a mão contra ele. Então Satanás saiu da presença do Senhor.

Jó 2:1-7 (NAA)2: 1 Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se diante do Senhor, veio também Satanás entre eles apresentar-se diante do Senhor. 2 Então o Senhor perguntou a Satanás: — De onde você vem? Satanás respondeu ao Senhor: — De rodear a terra e passear por ela. 3 E o Senhor disse a Satanás: — Você reparou no meu servo Jó? Não há ninguém como ele na terra. Ele é um homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal. Ele ainda conserva a sua integridade, embora você me incitasse contra ele, para destruí-lo sem motivo. 4 Então Satanás respondeu ao Senhor: — Pele por pele! Um homem é capaz de dar tudo o que tem pela sua vida. 5 Mas estende a tua mão e toca nos ossos e na carne dele, para ver se ele não blasfema contra ti na tua face. 6 Então o Senhor disse a Satanás: — Você pode fazer com ele o que quiser; mas poupe-lhe a vida. 7 Então Satanás saiu da presença do Senhor e feriu Jó com tumores malignos, desde a planta do pé até o alto da cabeça.

Jó apresenta várias verdades: (1) Houve um concílio celestial, não apenas um diálogo entre Deus e Satanás, já que outros seres celestiais estão envolvidos.

(2) Existe alguma disputa, assinalada pelo fato de Deus perguntar se Satanás havia reparado em Jó. Por que reparar em Jó? Essa pergunta faz bastante sentido no contexto de uma disputa mais ampla e que já existia antes.

(3) Enquanto o Senhor diz que Jó era íntegro, reto e temente a Deus, Satanás afirma que Jó temia a Deus apenas porque Ele o protegia. Essa era uma acusação contra o caráter de Jó e contra o caráter de Deus (veja Ap 12:10; Zc 3).

(4) Satanás alegava ser injusto que Deus protegesse Jó com uma “cerca” (Jó 1:10), pois isso tornava impossível que ele provasse suas afirmações. Isso mostra que Satanás tinha limites (regras de engajamento) e que ele queria prejudicar Jó.

Deus respondeu às acusações de Satanás permitindo que o inimigo testasse a sua teoria, mas com limites. Primeiro Deus concedeu a Satanás poder sobre “tudo” o que Jó tinha, mas proibiu que infligisse danos pessoais a ele (Jó 1:12). Depois, Satanás afirmou que Jó só se preocupava consigo mesmo. Deus permitiu que Satanás atingisse Jó pessoalmente, mas ordenou que sua vida fosse poupada (Jó 2:3-6).

Satanás trouxe calamidades contra a família de Jó, mas o patriarca continuou a bendizer o Senhor (Jó 1:20-22; 2:9, 10), mostrando que as acusações eram falsas.

A história de Jó ensina várias coisas: (1) Existem regras de engajamento no conflito; (2) Existem parâmetros na corte celestial pelos quais as acusações contra o Senhor são respondidas, sem que Ele viole os princípios do amor, o fundamento do governo de Deus e Sua maneira de dirigir o Universo e as criaturas inteligentes.

As cenas celestiais descritas no livro de Jó nos oferecem uma visão fascinante da realidade do grande conflito e de como ele se desenrola aqui na Terra.

Terça-feira, 04 de março de 2025. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O anor e a justiça de Deus. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 519, jan. fev. mar. 2025. Adulto, Professor.
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

O dragão do Apocalipse

Lições da Bíblia1:

O livro do Apocalipse nos apresenta uma visão mais ampla de como os poderes celestiais atuam no conflito cósmico. O diabo é descrito como o “grande dragão” que se opõe a Deus e seduz “todo o mundo” (Ap 12:9).

2. O que Apocalipse 13:1-8 revela sobre os limites de atuação do inimigo?

Apocalipse 13:1-8 (NAA)2: “1 Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças, e, sobre os chifres, dez diademas, e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia. 2 A besta que vi era semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca como de leão. E o dragão deu à besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade. 3 Uma das cabeças da besta parecia ter sido golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada. E toda a terra se maravilhou, seguindo a besta; 4 e adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta. Também adoraram a besta, dizendo: — Quem é semelhante à besta? Quem pode lutar contra ela? 5 Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e foi-lhe dada autoridade para agir durante quarenta e dois meses. 6 A besta abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu. 7 Foi-lhe permitido, também, que lutasse contra os santos e os vencesse. Foi-lhe dada, ainda, autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação. 8 E ela será adorada por todos os que habitam sobre a terra, aqueles que, desde a fundação do mundo, não tiveram os seus nomes escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto.”

O dragão (Satanás) não apenas trava uma guerra contra o Senhor (Ap 12:7-9) e Seus servos (Ap 12:1-6), mas também é descrito como o líder que está por trás dos reinos terrenos que perseguem o povo de Deus ao longo dos séculos.

O dragão “deu à besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade” (Ap 13:2, 5; 17:13, 14). A besta do mar recebeu uma “boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e foi-lhe dada autoridade para agir durante quarenta e dois meses” (Ap 13:5).

Assim, o dragão (Satanás) concede poder e autoridade à primeira besta (que simboliza um poder político-religioso terrestre). Esse poder é exercido para usurpar a adoração que é exclusiva de Deus. A besta profere blasfêmias contra o nome do Senhor. Além disso, trava guerra e chega a vencer os santos de Deus, pelo menos por um período de tempo. Essa autoridade e poder de atuação mundial lhe são dadas pelo dragão, o príncipe usurpador deste mundo.

No entanto, também existem limites claros para Satanás e seus agentes, incluindo limites de tempo. “Ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vocês, cheio de fúria, sabendo que pouco tempo lhe resta” (Ap 12:12).

Satanás sabe que “pouco tempo lhe resta”, e os acontecimentos descritos no Apocalipse ocorrem dentro de cronogramas proféticos, que apresentam limites específicos para o domínio das forças do mal (veja Ap 12:14; 13:5).

Ap 12:14 (NAA)2: “Mas foram dadas à mulher as duas asas da grande águia, para que voasse para o deserto, para o seu lugar, aí onde é sustentada durante um tempo, tempos e metade de um tempo, fora do alcance da serpente.”

Ap 13:5 (NAA)2: “Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e foi-lhe dada autoridade para agir durante quarenta e dois meses.”

No fim, o Senhor triunfará. Ele “lhes enxugará dos olhos toda lágrima. E já não existirá mais morte, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap 21:4).

Mesmo que seja difícil ver isso agora, no fim o bem triunfará para sempre sobre o mal. Por que é tão importante que nunca nos esqueçamos dessa promessa maravilhosa?

Segunda-feira, 03 de março de 2025. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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Regras de engajamento

Lições da Bíblia1:

“Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto Se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo” (1Jo 3:8).

Em 1 Reis 18:19-40, encontramos uma narrativa impressionante que revela a natureza do conflito cósmico. Na experiência de Elias no monte Carmelo, o Senhor expôs os chamados “deuses” das nações. No entanto, os bastidores dessa história mostram que eles eram muito mais do que meras invenções da imaginação pagã. Por trás dos “deuses” que as nações pensavam que adoravam havia algo bem mais profundo.

Moisés disse: “Ofereceram sacrifícios aos demônios, não a Deus; sacrificaram a deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, diante dos quais os seus pais não tremeram” (Dt 32:17). Paulo acrescentou: “As coisas que eles sacrificam são sacrificadas a demônios e não a Deus; e eu não quero que vocês estejam em comunhão com os demônios” (1Co 10:20).

Por trás dos falsos “deuses” das nações, existiam, na verdade, demônios disfarçados. Isso significa, portanto, que todos os textos bíblicos que se referem à idolatria e aos deuses estrangeiros tratam do conflito cósmico.

Assim, podemos compreender melhor o tema do grande conflito. Além disso, essa verdade tem profundas implicações para entender melhor a natureza desse conflito e como ele lança luz sobre o problema do mal.

Sábado, 01 de março de 2025. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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Um anjo atrasado

Lições da Bíblia1:

Os falsos “deuses” das nações eram demônios disfarçados. Textos bíblicos apresentam evidências de que os poderes demoníacos às vezes estão por trás dos poderes terrestres. Mesmo os anjos de Deus podem enfrentar a oposição das forças do inimigo.

1. Leia Daniel 10:1-14, com atenção especial aos versículos 12 e 13. O que essa passagem ensina que é mais relevante para o conflito cósmico? Por que o anjo enviado por Deus foi “resistido” durante 21 dias?

Daniel 10:1-14 (NAA)2: 1 No terceiro ano de Ciro, rei da Pérsia, uma palavra foi revelada a Daniel, cujo nome é Beltessazar. A palavra era verdadeira e envolvia grande conflito. Ele entendeu a palavra e teve entendimento da visão. 2 Naqueles dias, eu, Daniel, fiquei de luto por três semanas. 3 Não comi nada que fosse saboroso, não provei carne nem vinho, e não me ungi com óleo algum, até que passaram as três semanas. 4 No dia vinte e quatro do primeiro mês, estando eu na margem do grande rio Tigre, 5 levantei os olhos e vi um homem vestido de linho, com um cinto de ouro puro de Ufaz na cintura. 6 O seu corpo era como o berilo, o seu rosto parecia um relâmpago, os seus olhos eram como tochas de fogo, os seus braços e os seus pés brilhavam como bronze polido, e a voz das suas palavras era como o barulho de uma multidão. 7 Só eu, Daniel, tive aquela visão. Os homens que estavam comigo nada viram, mas ficaram com muito medo, fugiram e se esconderam. 8 Assim, fiquei sozinho e contemplei esta grande visão, e não restou força em mim. O meu rosto mudou de cor e se desfigurou, e perdi as forças. 9 Contudo, ouvi a voz das suas palavras; e, ouvindo essa voz, caí sem sentidos, com o rosto em terra. 10 Eis que a mão de alguém tocou em mim, e me ajudou a ficar de joelhos, apoiado nas palmas das mãos. 11 Ele me disse: — Daniel, homem muito amado, esteja atento às palavras que vou lhe dizer. Fique em pé, porque fui enviado para falar com você. Enquanto ele falava comigo, eu me pus em pé, tremendo. 12 Então ele me disse: — Não tenha medo, Daniel, porque as suas palavras foram ouvidas, desde o primeiro dia em que você dispôs o coração a compreender e a se humilhar na presença do seu Deus. Foi por causa dessas suas palavras que eu vim. 13 Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu durante vinte e um dias. Porém Miguel, um dos príncipes mais importantes, veio me ajudar, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia. 14 Agora, vim para fazer com que você entenda o que vai acontecer com o seu povo nos últimos dias. Porque a visão se refere a dias ainda distantes.”

Como um anjo enviado de Deus foi “resistido” por três semanas? Sendo todo-poderoso, Deus tinha o poder de responder a Daniel imediatamente – isto é, se Ele quisesse. Caso o Senhor exercesse Seu poder para fazer isso, Ele poderia fazer com que um anjo aparecesse a Daniel naquele instante. Contudo, o “príncipe do reino da Pérsia” “resistiu” ao anjo de Deus durante três semanas (Dn 10:13). O que aconteceu?

“Durante três semanas, Gabriel se empenhou na luta com os poderes das trevas, procurando conter as influências que estavam agindo na mente de Ciro. […] Tudo o que o Céu podia fazer em favor do povo de Deus foi feito. A vitória foi finalmente ganha. As forças do inimigo foram contidas durante toda a vida de Ciro e de seu filho Cambises” (Ellen G. White, Profetas e Reis [CPB, 2021], p. 332).

Para que o conflito cósmico possa acontecer, Deus não deve exercer todo o Seu poder. O inimigo precisa receber alguma liberdade e poder autênticos, que não podem ser removidos de maneira arbitrária, mas restringidos por alguns parâmetros conhecidos por ambas as partes (cujos detalhes não nos são revelados). Parece que, dentro do conflito cósmico, existem alguns parâmetros aos quais até os anjos de Deus se submetem e que podemos chamar de “regras de engajamento”.

Em certo sentido, não é difícil compreender esses limites de atuação, pois o Senhor trabalha apenas por meio do amor, e o amor, e não a imposição, é o fundamento de Seu governo. Deus age unicamente por meio dos princípios que se originam do amor. Esse conceito nos ajuda a entender melhor o grande conflito.

Domingo, 02 de março de 2025. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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O conflito cósmico – Estudo adicional

Lições da Bíblia1:

Leia, de Ellen G. White, O Grande Conflito [CPB, 2021], p. 412-421 (“A origem do mal”).

“Deus não é responsável, de maneira nenhuma, pela origem do pecado. Nada é mais claramente ensinado nas Escrituras do que isso. […] O pecado é um intruso, cuja presença não tem justificativa. É algo misterioso, inexplicável. Justificá-lo equivale a defendê-lo. […] Se ele tivesse sido imediatamente exterminado, [os habitantes do Céu e de outros mundos] teriam servido a Deus por medo, e não por amor. A influência do enganador não teria sido destruída por completo, e o espírito de rebelião não teria sido totalmente desarraigado. Devia ser permitido que o mal amadurecesse. Para o bem de todo o Universo ao longo dos séculos da eternidade, Satanás devia desenvolver de forma mais completa seus princípios. Isso faria com que todos os seres criados pudessem ver o verdadeiro caráter das acusações feitas por ele contra o governo divino, e a justiça e a misericórdia de Deus, bem como a imutabilidade de Sua lei, ficariam para sempre livres de qualquer contestação” (O Grande Conflito, p. 412, 417).

Perguntas para consideração

1. Como uma criatura perfeita como Lúcifer pôde pecar? Por que o pecado é tão “misterioso” e “inexplicável”? Podemos explicar esse primeiro pecado sem justificá-lo? Por que explicar a sua origem seria o mesmo que justificá-lo?

2. Por que Deus não eliminou Satanás de imediato? Por que era preciso permitir “que o mal amadurecesse”? Isso contribuirá “para o bem do Universo na eternidade”?

3. O conflito entre Deus e Satanás seria apenas pelo poder, ou seria de um tipo diferente? Um conflito sobre caráter teria mais sentido do que uma luta apenas por poder absoluto?

4. A compreensão da natureza do conflito abre a cortina, por assim dizer, indicando que a vida é uma miniatura do conflito cósmico. Você está vivenciando neste momento o conflito? Como agir de maneira que mostre de que lado você está?

Sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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A natureza do conflito cósmico

Lições da Bíblia1:

Como é possível um conflito entre Deus e Satanás? Como alguém poderia se opor ao Todo-Poderoso? Se o conflito cósmico fosse simplesmente por poder, teria acabado antes de começar. Ele deve ser de um tipo diferente. Esse conflito gira em torno da disputa sobre o caráter de Deus – um conflito sobre acusações caluniosas que o diabo levantou contra Deus, de que (entre outras coisas) Ele não é totalmente bom e amoroso. Essas afirmações não podem ser desmentidas pelo poder ou pela força bruta, mas permitindo que as criaturas comparem os dois personagens concorrentes.

“Ao lidar com o pecado, Deus poderia empregar apenas a justiça e a verdade. Satanás podia fazer uso daquilo que Deus não usaria: adulação e engano. […] Dizia também que, ao exigir submissão e obediência de Suas criaturas, Deus estava apenas procurando a própria exaltação. Portanto, deveria ser demonstrado perante os habitantes do Céu e de todos os mundos que o governo de Deus é justo. […] Satanás tinha dado a impressão de que estava procurando promover o bem do Universo. O verdadeiro caráter do usurpador e seu objetivo real deveriam ser compreendidos por todos. Deveria ser dado um tempo para que seus atos de maldade mostrassem quem ele realmente era” (Ellen G. White, O Grande Conflito [CPB, 2021], p. 416, 417).

8. Como é o caráter do diabo e quais são suas estratégias? Jo 8:44, 45; Ap 12:7-9

Jo 8:44, 45 (NAA)2: “44 Vocês são do diabo, que é o pai de vocês, e querem satisfazer os desejos dele. Ele foi assassino desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. 45 Mas, porque eu digo a verdade, vocês não creem em mim.”

Ap 12:7-9 (NAA)2: “7 Então estourou a guerra no céu. Miguel e os seus anjos lutaram contra o dragão. Também o dragão e os seus anjos lutaram, 8 mas não conseguiram sair vitoriosos e não havia mais lugar para eles no céu. 9 E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo. Ele foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos.”

Desde o início, o plano de Satanás é fazer com que as criaturas creiam que Deus não é justo e amoroso e que Sua lei é opressiva. Não é de admirar que Jesus Se refira a ele como “mentiroso e pai da mentira” (Jo 8:44). Jesus, por outro lado, veio ao mundo para “dar testemunho da verdade” (Jo 18:37) e combater as mentiras de Satanás, derrotando e, em última análise, destruindo o diabo e seu poder (1Jo 3:8; Hb 2:14).

Satanás é (1) a “antiga serpente”, (2) aquele que acusa o povo de Deus perante a corte celestial e (3) o dragão que governa e seduz o mundo inteiro. A palavra grega traduzida como “diabo” significa “acusador”, mostrando mais uma vez que o conflito cósmico diz respeito a crenças, especialmente sobre o caráter de Deus.

Quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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Se Você me adorar

Lições da Bíblia1:

O desejo de Satanás de usurpar o trono de Deus também se revela nas narrativas da tentação (Mt 4; Lc 4). No encontro entre Jesus e o tentador, podemos descobrir bastante sobre a natureza desse conflito. Aqui vemos a realidade do grande conflito entre Cristo e Satanás, mas desenrolado de maneira bastante nítida e expressiva.

7. O que a Bíblia revela sobre o conflito entre Cristo e Satanás? Mt 4:1-11

Mt 4:1-11 (NAA)2: 1 A seguir, Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2 E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. 3 Então o tentador, aproximando-se, disse a Jesus: — Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras se transformem em pães. 4 Jesus, porém, respondeu: — Está escrito: “O ser humano não viverá só de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” 5 Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre o pináculo do templo 6 e disse: — Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui, porque está escrito: “Aos seus anjos ele dará ordens a seu respeito. E eles o sustentarão nas suas mãos, para que você não tropece em alguma pedra.” 7 Jesus respondeu: — Também está escrito: “Não ponha à prova o Senhor, seu Deus.” 8 O diabo ainda levou Jesus a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles 9 e disse:Tudo isso lhe darei se, prostrado, você me adorar. 10 Então Jesus lhe ordenou: — Vá embora, Satanás, porque está escrito: “Adore o Senhor, seu Deus, e preste culto somente a ele.” 11 Com isto, o diabo deixou Jesus, e eis que vieram anjos e o serviram.”

“Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto” com o propósito expresso de “ser tentado pelo diabo” (Mt 4:1). E antes de enfrentar esse desafio, Jesus jejuou durante 40 dias. Então, quando o diabo apareceu, ele tentou Jesus a transformar pedras em pães, zombando da fome extrema de Cristo. Mas Ele confrontou essa tentação usando as Escrituras, e a estratégia de Satanás fracassou.

Então, na tentativa de levar Jesus a agir com presunção, o diabo O tentou a Se atirar do pináculo do templo. Satanás distorceu as Escrituras ao sugerir que, se Jesus fosse verdadeiramente o Filho de Deus, os anjos O protegeriam. Mas novamente Jesus rebate a tentação, apresentando a interpretação correta das Escrituras.

A terceira tentação revela claramente o que o diabo estava tentando fazer: ele queria que Jesus o adorasse. Satanás tenta usurpar a adoração que é exclusiva de Deus.

Para fazer isso, o adversário mostrou a Jesus “todos os reinos do mundo e a glória deles” e então disse: “Tudo isso Lhe darei se, prostrado, Você me adorar” (Mt 4:8, 9). Lucas 4:6, um texto paralelo, é ainda mais detalhado: “Eu Lhe darei todo este poder e a glória destes reinos, porque isso me foi entregue, e posso dar a quem eu quiser” (Lc 4:6).

Mais uma vez, Jesus combate a tentação com as Escrituras, e novamente Satanás fracassa. Nos três casos, Cristo usou a Palavra para Se defender dos ataques.

Efésios 6:12 nos lembra de que “a nossa luta não é contra sangue e carne, mas contra os poderes e as autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas e contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (NVI). Mesmo que não precisemos viver com medo, por que devemos sempre nos lembrar da batalha que ocorre ao redor?

Quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

A origem do conflito no Céu

Lições da Bíblia1:

Os capítulos 1 a 3 de Gênesis são suficientes para mostrar que o mal existia antes da queda de Adão e Eva. Mesmo que o mal ainda não fosse uma realidade concreta no Éden, ele já existia conceitualmente no nome da “árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gn 2:9, 17). A astuta serpente acusou Deus de mentir, mas foi ela que mentiu. A existência da serpente (Ap 12:9) e a mentira que ela dizia mostram a realidade do mal. Assim, no Éden, antes da queda, o mal se manifestava.

5. Leia Ezequiel 28:12-19 à luz de Êxodo 25:19, 20. Como aconteceu a queda desse querubim cobridor?

Ezequiel 28:12-19 (NAA)2: “12 — Filho do homem, faça uma lamentação sobre o rei de Tiro e diga-lhe: Assim diz o Senhor Deus: “Você era o modelo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. 13 Você estava no Éden, jardim de Deus, e se cobria de todas as pedras preciosas: sárdio, topázio, diamante, berilo, ônix, jaspe, safira, carbúnculo e esmeralda. Os seus engastes e ornamentos eram feitos de ouro e foram preparados no dia em que você foi criado. 14 Você era um querubim da guarda, que foi ungido. Eu o estabeleci. Você permanecia no monte santo de Deus e andava no meio das pedras brilhantes. 15 Você era perfeito nos seus caminhos, desde o dia em que foi criado até que se achou iniquidade em você. 16 Na multiplicação do seu comércio, você se encheu de violência e pecou. Por isso, ó querubim da guarda, eu o profanei e lancei fora do monte de Deus; eu o expulsei do meio das pedras brilhantes. 17 Você ficou orgulhoso por causa da sua formosura; corrompeu a sua sabedoria por causa do seu resplendor. Por isso, eu o lancei por terra; eu o coloquei diante dos reis, para que o contemplem. 18 Pela multidão das suas iniquidades, pela injustiça do seu comércio, você profanou os seus santuários. Por isso, fiz sair do meio de você um fogo, que o consumiu; eu o reduzi a cinzas sobre a terra, aos olhos de todos os que o contemplam. 19 Todos os que o conhecem entre os povos se espantam por causa de você; você se tornou objeto de espanto e deixará de existir para sempre.”

Êxodo 25:19, 20 (NAA)2: “19 Um querubim deve ficar numa extremidade, e o outro, na outra extremidade. Faça os querubins nas duas extremidades de modo que formem uma só peça com o propiciatório. 20 Os querubins estenderão as asas por cima, cobrindo com elas o propiciatório. Eles estarão de frente um para o outro, olhando para o propiciatório.

De acordo com o texto, o mal e o conflito cósmico tiveram sua origem no Céu.

Antes de cair, o ser que ficou conhecido como Satanás era um “querubim cobridor”. Além de ser identificado como esse querubim, ele era o “modelo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura”, e estava “no Éden, jardim de Deus” (Ez 28:12, 13). Nenhuma dessas coisas poderia ser dita a respeito do rei humano de Tiro (ou de qualquer outro ser humano). Por essas e outras razões, podemos concluir que esse texto apresenta um vislumbre da queda de Lúcifer.

6. Que luz Isaías 14:12-15 lança sobre a origem do grande conflito?

Isaías 14:12-15 (NAA)2: “12 Veja como você caiu do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Veja como você foi lançado por terra, você que debilitava as nações! 13 Você pensava assim: “Subirei ao céu, exaltarei o meu trono acima das estrelas e me assentarei no monte da congregação, nas extremidades do Norte.  14 Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.” 15 Mas você descerá ao mundo dos mortos, no mais profundo do abismo.”

Um ser celestial identificado como “estrela da manhã” e “filho da alva” (Is 14:12) decidiu se exaltar e se tornar semelhante a Deus. Isaías 14 complementa Ezequiel 28, onde lemos que ele “ficou orgulhoso por causa da sua formosura” (Ez 28:17), o que deveria tê-lo levado a glorificar o Deus que havia lhe dado a beleza. Contudo, ele se encheu de orgulho. Pior ainda, decidiu ocupar o lugar de Deus e levantar calúnias contra Ele. O termo hebraico traduzido como “comércio” (Ez 28:16) também significa “calúnia”, indicando como Satanás atua contra Deus e contra nós.

Lúcifer era “perfeito […] desde o dia em que foi criado até que se achou iniquidade” nele (Ez 28:15). Como entender que um ser com essas características caiu em pecado? Esse fato mostra que ser “perfeito” incluía liberdade moral (livre-arbítrio)?

Terça-feira, 25 de fevereiro de 2025. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O anor e a justiça de Deus. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 519, jan. fev. mar. 2025. Adulto, Professor.
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.