Um paraíso com almas desencarnadas

Lições da Bíblia1

Embora os protestantes não aceitem o purgatório, muitos, no entanto, acreditam que as almas dos justos mortos já estão desfrutando do paraíso na presença de Deus. Alguns argumentam que essas “almas” sejam apenas espíritos desencarnados; outros creem que sejam espíritos desencarnados cobertos por um corpo espiritual de glória.

Seja qual for o suposto estado metafísico dos mortos-vivos, essas teorias minam a doutrina bíblica da ressurreição e do julgamento dos mortos. Por que haveria ressurreição e juízo (Ap 20:12-14) se as almas dos justos já estivessem no paraíso?

4. Leia Atos 2:29, 34, 35 e 1 Coríntios 15:16-18. Como esses textos lançam luz sobre o estado dos mortos e dos que aguardam a ressurreição?

Atos 2:29, 34, 35 (ARA)2: “29 Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente a respeito do patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até hoje. […] 34 Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo declara: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, 35 até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés.”

1 Coríntios 15:16-18 (ARA)2: “16 Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. 17 E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. 18 E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram.”

A Bíblia ensina que todos os seres humanos que já estão no Céu foram trasladados vivos, como no caso de Enoque (Gn 5:24) e Elias (2Rs 2:9-11), ou ressuscitados, como Moisés (Jd 9) e os ressuscitados com Cristo (Mt 27:51-53).

Como vimos, a alusão às almas “debaixo do altar” clamando a Deus por vingança (Ap 6:9-11) é apenas uma metáfora para a justiça e não prova a teoria da imortalidade natural da alma. Caso contrário, dificilmente pareceria que essas pessoas estivessem desfrutando da recompensa. A sepultura é um lugar de descanso para os mortos, que inconscientemente aguardam a ressurreição, quando sua existência consciente será restaurada. Os mortos, mesmo os justos, não são almas desencarnadas que vagam pelo Céu, esperando para se reunir a seus corpos na ressurreição final.

Além disso, sobre o que Paulo poderia estar falando em 1 Coríntios 15:18, quando disse que se não houvesse ressurreição dos mortos, então “os que adormeceram em Cristo estão perdidos”. Como poderiam estar perdidos se já estão na bem-aventurança do Céu, e estão lá há tanto tempo, desde que morreram? Uma doutrina central do NT, a ressurreição dos mortos por ocasião do retorno de Cristo, é anulada pelo falso ensino de que os justos mortos voam para sua recompensa eterna logo após a morte. No entanto, ouvimos isso o tempo todo, principalmente em funerais.

Como ajudar as pessoas a entender que a ideia de que os mortos estão dormindo é uma “boa notícia”, pois eles estão em repouso e não experimentam dor e sofrimento?

Quarta-feira, 30 de novembro de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico. 

_______________
1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Vida, morte e eternidade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 510, out. nov. dez. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

Os santos no purgatório

Lições da Bíblia1

A Igreja Católica Romana defende que os mortos que não merecem o inferno, mas que ainda não estão prontos para o paraíso, podem ter seus pecados purgados no purgatório e então ascender ao paraíso. Seus sofrimentos no purgatório podem ser reduzidos pelas orações e penitências dos entes queridos, bem como por outros atos em favor dos mortos.

O Catecismo da Igreja Católica é explícito sobre o purgatório: “Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu. […] A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos” ([São Paulo: Edições Loyola, 2022], p. 290, 291).

3. Leia Eclesiastes 9:10, Ezequiel 18:20-22 e Hebreus 9:27. Como essas passagens refutam a teoria do purgatório?

Eclesiastes 9:10 (ARA)2: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.”

Ezequiel 18:20-22 (ARA)2: “20 A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai, a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este. 21 Mas, se o perverso se converter de todos os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e fizer o que é reto e justo, certamente, viverá; não será morto. 22 De todas as transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela justiça que praticou, viverá.”

Hebreus 9:27 (ARA)2: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo,”

O dogma do purgatório combina a noção pagã de um inferno ardente com a prática pagã de orar pelos mortos. Esse dogma é inaceitável para os que creem nos seguintes ensinos bíblicos: (1) os mortos descansam inconscientemente nos túmulos (Ec 9:10); (2) a justiça de um ser humano não pode ser transferida a outro ser humano (Ez 18:20-22); (3) nosso único Mediador é Jesus Cristo (1Tm 2:5); e (4) a morte é seguida pelo juízo final, sem nenhuma segunda chance de arrependimento (Hb 9:27).

Uma implicação ainda mais séria é como a teoria antibíblica do purgatório distorce o caráter de Deus. “A obra de Satanás desde sua queda é representar mal nosso Pai celestial. Ele sugeriu o dogma da imortalidade da alma. […] A ideia de um inferno que queima eternamente foi produção de Satanás; purgatório é sua invenção. Esses ensinamentos falsificam o caráter de Deus, como se Ele devesse ser considerado severo, vingativo, arbitrário e que não exerce o perdão” (Ellen G. White, Manuscript 51, 10 de dezembro de 1890). Em vez de mortos adormecidos, que aguardam a volta de Cristo, essa visão diz que eles estão no purgatório, sofrendo até que alguém os tire dali.

O que erros como o purgatório ou o tormento eterno nos ensinam sobre a importância da doutrina? O que acreditamos é importante, e não apenas em quem acreditamos?

Terça-feira, 29 de novembro de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico. 

_______________
1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Vida, morte e eternidade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 510, out. nov. dez. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

As chamas do inferno

Lições da Bíblia1

Em seu livreto para crianças, The Sight of Hell (Dublin: James Duffy, 1874, p. 24), o padre católico John Furniss (1809-1865) ilustrou o tormento eterno por meio de uma grande bola de ferro sólido, maior que os céus e a Terra. “Um pássaro vem uma vez a cada cem milhões de anos e toca a grande bola de ferro com uma pena de sua asa”. O autor argumenta que o tormento dos pecadores no inferno continua mesmo depois de a bola de ferro ser desgastada por esses toques ocasionais de penas! O triste é que muitos protestantes acreditam que isso acontece com os perdidos.

2. Leia Malaquias 4:1 e Judas 7. Como essas passagens nos ajudam a entender melhor a noção de “fogo eterno”, ou a ideia de que os perdidos estarão no “fogo eterno” (Mt 18:8), ou num “fogo que nunca se apaga”? Mc 9:43

Malaquias 4:1 (ARA)2: “Pois eis que vem o dia e arde como fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo.”

Judas 7 (ARA)2: “como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição.”

A palavra “eterno” (hebr. ‘olam; gr. aion, aionios) carrega diferentes significados, dependendo do contexto imediato. Por exemplo, quando associada a Deus (Dt 33:27, “eterno”), a palavra expressa Sua eternidade. Quando relacionada a seres humanos (Êx 21:6, “para sempre”), a palavra é limitada pela expectativa de vida da pessoa. Ao qualificar o fogo como “eterno” (Mt 18:8; 25:41), isso implica que o fogo não se apagará até que haja consumido totalmente o que está sendo queimado. Isso significa que o “fogo eterno” será eterno no sentido de que consumirá os ímpios completa e irreversivelmente, não restando “nem raiz nem ramo” (Ml 4:1).

A teoria da punição eterna tem sérias implicações. Se os ímpios forem punidos para sempre, o mal nunca será erradicado. Além disso, toda a vida humana deriva de Deus (Dt 32:39; Sl 36:9), que não tem “prazer na morte do ímpio” (Ez 33:11). Por que Ele continuaria a dar vida aos ímpios para sofrerem tormento sem fim? Não seria mais razoável que Ele acabasse com a existência deles? Se os ímpios serão punidos “segundo as suas obras” (Ap 20:12), por que uma vida curta deveria ser punida eternamente?

Todas as referências bíblicas a “fogo eterno” devem ser vistas como alusões ao “lago de fogo” pós-milênio (Ap 20; ver lição 13). Portanto, é antibíblico falar de um inferno já presente e sempre em chamas.

A verdade sobre o inferno revela o amor divino, em contraste com a ideia de tormento?

Segunda-feira, 28 de novembro de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico. 

_______________
1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Vida, morte e eternidade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 510, out. nov. dez. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

Vermes imortais?

Lições da Bíblia1

1. Compare Marcos 9:42-48 com Isaías 66:24. Como você entende a expressão “não lhes morre o verme” (Mc 9:48)?

Marcos 9:42-48 (ARA)2: “42 E quem fizer tropeçar a um destes pequeninos crentes, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado no mar. 43 E, se tua mão te faz tropeçar, corta-a; pois é melhor entrares maneta na vida do que, tendo as duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível 44 [onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga]. 45 E, se teu pé te faz tropeçar, corta-o; é melhor entrares na vida aleijado do que, tendo os dois pés, seres lançado no inferno 46 [onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga]. 47 E, se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois seres lançado no inferno, 48 onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.”

Isaías 66:24 (ARA)2: “Eles sairão e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e eles serão um horror para toda a carne.”

Alguns interpretam o substantivo singular “verme” (Mc 9:48) como uma alusão à suposta alma ou espírito desencarnado do ímpio que, após a morte, voa para o inferno, onde nunca morre e sofre eterno tormento.

Mas essa interpretação não reflete a noção bíblica de morte inconsciente; também ignora o contexto dessa passagem no AT. Na verdade, “‘verme’ no singular é usado para se denominar ‘os vermes’ de modo geral – não quer dizer um único verme. A referência é a vermes que se alimentam de corpos em decomposição” (Robert G. Bratcher e Eugene A. Nida, A Translator’s Handbook on the Gospel of Mark [London: United Bible Societies, 1961], p. 304).

Em Marcos 9:48, Jesus citou Isaías 66:24, que diz: “Eles sairão e verão os cadáveres daqueles que se rebelaram contra Mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e eles serão um horror para toda a humanidade.”

Essa cena metafórica assustadora retrata um campo de batalha com os inimigos de Deus mortos no chão e sendo destruídos. Os corpos não consumidos pelo fogo são decompostos pelos vermes, ou talvez primeiro pelos vermes e depois pelo fogo. Seja como for, não há nenhuma referência a qualquer suposta alma que escapa da destruição do corpo e voa para o inferno.

Mas e os “vermes” que nunca morrem? A linguagem metafórica de Isaías 66:24 (citada em Mc 9:48) não sugere que esses vermes sejam imortais (vermes imortais?). A ênfase é ao fato de que os vermes não deixam sua tarefa incompleta. Em outras palavras, eles continuam a devorar os corpos dos ímpios até que sejam destruídos. Por outro lado, os filhos de Deus fiéis habitarão alegremente nos “novos céus e na nova Terra” e adorarão a Deus em Sua própria presença (Is 66:22, 23). Com destinos tão contrastantes em mente, não é de admirar que Jesus tenha declarado que seria muito melhor alguém entrar no reino de Deus sem uma parte crucial de seu corpo – sem mão, pé ou mesmo olho – do que ter um corpo perfeito que será destruído por vermes e fogo (Mc 9:42-48).

Não há meio-termo. Teremos vida eterna ou a destruição. Qual é a sua escolha hoje?

Domingo, 27 de novembro de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico. 

_______________
1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Vida, morte e eternidade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 510, out. nov. dez. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

As chamas do inferno

Lições da Bíblia1

“Examinem todas as coisas, retenham o que é bom” (1Ts 5:21).

O poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321) escreveu sua famosa obra, A Divina Comédia, uma jornada fictícia da alma após a morte. A alma ia para o inferno no interior da terra; ou ao purgatório, onde o espírito humano poderia purificar-se e se tornar digno de ascender ao Céu; ou ao paraíso, à presença do próprio Deus.

Apesar de ser apenas um poema, uma ficção, a Palavra de Dante acabou tendo grande influência na teologia cristã, especialmente na teologia católica romana. A noção básica de que uma alma imortal vai para o inferno, ou para o purgatório, ou para o paraíso é fundamental para essa igreja. Muitas denominações protestantes conservadoras também acreditam em uma alma imortal que após a morte ascende ao paraíso ou desce ao inferno. De fato, se a alma humana nunca morre, então tem que ir para algum lugar depois que o corpo morre. Em suma, uma falsa compreensão da natureza humana tem levado a terríveis erros teológicos.

Nesta semana vamos tratar de algumas dessas teorias antibíblicas, bem como da visão bíblica do que acontece após a morte.

Sábado, 26 de novembro de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico. 

_______________
1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Vida, morte e eternidade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 510, out. nov. dez. 2022. Adulto, Professor.

Passagens bíblicas controversas – Estudo adicional

Lições da Bíblia1

Textos de Ellen G. White: Parábolas de Jesus, p. 148-155 (“O rico e o mendigo”); O Desejado de Todas as Nações, p. 596-609 (“A glória do Calvário”); Fundamentos da Educação Cristã, p. 504 (“Os professores como exemplos de integridade cristã”).

“Na parábola do rico e Lázaro, Cristo mostrou que nesta vida as pessoas decidem seu destino eterno. Durante o tempo da graça de Deus, esta é oferecida a toda a humanidade. Mas, se os seres humanos desperdiçam as oportunidades na satisfação própria, afastam-se da vida eterna. Não lhes será concedida nova oportunidade” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 140).

“Quando esses primitivos cristãos foram exilados para as montanhas e desertos, quando abandonados em masmorras para morrer de fome, de frio, ou pela tortura, quando o martírio parecia ser o único caminho para saírem de sua angústia, alegraram-se de que fossem considerados dignos de sofrer por amor de Cristo, que por eles foi crucificado” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 181).

Perguntas para consideração

Como o conceito bíblico da natureza humana nos ajuda a entender melhor algumas das passagens que estudamos durante esta semana?

Pense no contraste entre a religião inegociável dos mártires cristãos e a religião flexível dos pós-modernos. Pelo que vale a pena morrer? Se a verdade é relativa, por que morrer por ela? O que aprendemos com os que morrem pelas causas enganosas?

Reflita sobre a parábola do rico e Lázaro. Quando Jesus ressuscitou, muitos creram Nele. No entanto, mesmo diante das evidências, muitos não creram. Isso mostra que o coração pode rejeitar a verdade? O que fazer para evitar essa tragédia espiritual?

Jesus falou sobre dois momentos em que os mortos viverão (Jo 5:29). Esses eventos estão separados por mil anos, embora pareçam acontecer ao mesmo tempo. Como isso pode nos ajudar a entender o que Paulo disse em Filipenses 1:23?

Sexta-feira, 25 de novembro de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico. 

_______________
1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Vida, morte e eternidade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 510, out. nov. dez. 2022. Adulto, Professor. 

Almas debaixo do altar

Lições da Bíblia1

5. Como as “almas” dos mártires choram “debaixo do altar”? Ap 6:9-11

Ap 6:9-11 (ARA)2: “9 Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. 10 Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? 11 Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram.”

A abertura do quinto selo apocalíptico revela uma cena inusitada. As almas dos mártires foram vistas metaforicamente “debaixo do altar” clamando a Deus por vingança (Ap 6:9-11). Alguns comentaristas tendem a identificar esse “altar” como o altar de incenso mencionado no sétimo selo (Ap 8:1-6). Mas a referência a “sangue” (em vez de “incenso”) nos leva a ver uma alusão ao altar do holocausto, onde era derramado o sangue dos sacrifícios (Lv 4:18, 30, 34). Assim como o sangue desses sacrifícios costumava ser aspergido ao redor do altar, o sangue dos mártires foi simbolicamente derramado no altar de Deus quando, ao permanecer fiéis à palavra de Deus e ao testemunho de Jesus (Ap 6:9, veja também 12:17; 14:12), eles perderam a vida.

As “almas” sob o altar são simbólicas. Ao considerá-las de forma literal, seria necessário concluir que os mártires não estão felizes no Céu, pois clamam por vingança. Esse quadro dificilmente soa como se estivessem desfrutando a recompensa da salvação. O desejo de vingança pode tornar miserável a vida. Mas a morte também?

Além disso, é importante lembrar que João não recebeu uma visão do Céu como ele realmente é. “Lá, não há cavalos nas cores branca, vermelha, preta e amarela com cavaleiros de aspecto guerreiro. Jesus não aparece na forma de um cordeiro como tendo sido morto. Os quatro seres viventes não representam criaturas aladas reais com as características animais citadas. […] De igual modo, não há ‘almas’ debaixo de um altar no Céu. Toda a cena consiste em uma representação pictórica e simbólica” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 7, p. 861).

George E. Ladd escreveu: “No exemplo presente [Ap 6:9-11], o altar é claramente o altar do sacrifício onde o sangue sacrificial era derramado. O fato de João ter visto as almas dos mártires sob o altar não tem nada a ver com o estado dos mortos, nem com a situação deles no estado intermediário; é apenas uma forma vívida de retratar o fato de que eles haviam sido martirizados em nome de seu Deus” (A Commentary on the Revelation of John [Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1972], p. 103).

Quem já não clamou por justiça, e espera que ela seja feita? Por que devemos, pela fé, confiar que a justiça finalmente virá? Que conforto obtemos com essa promessa?

Pregando aos espíritos na prisão

Lições da Bíblia1

4. Leia 1 Pedro 3:13-20. Como Cristo pregou “aos espíritos em prisão […] nos dias de Noé”? (Veja também Gn 4:10.)

1 Pedro 3:13-20 (ARA)2: “13 Ora, quem é que vos há de maltratar, se fordes zelosos do que é bom? 14 Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem-aventurados sois. Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados; 15 antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, 16 fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo, 17 porque, se for da vontade de Deus, é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do que praticando o mal. 18 Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, 19 no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, 20 os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água,”

Gn 4:10 (ARA)2: “E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim.”

Comentaristas que creem na imortalidade da alma apontam que Cristo pregou “aos espíritos em prisão” (1Pe 3:19) enquanto descansava na tumba. Para eles, Seu espírito foi para o inferno e pregou aos espíritos desencarnados dos antediluvianos.

No entanto, essa ideia fantasiosa é biblicamente inaceitável, pois não há uma segunda oportunidade de salvação para os mortos (Hb 9:27, 28). Então, por que Jesus pregaria para aqueles que não tinham mais chance de salvação?

Aliás, essa teoria contradiz o ensino bíblico de que os mortos permanecem inconscientes na sepultura até a ressurreição final (Jó 14:10-12; Sl 146:4; Ec 9:5, 10; 1Co 15:16-18; 1Ts 4:13-15).

Além disso, se esse verso quisesse dizer que Jesus, enquanto esteve no túmulo, desceu ao inferno e pregou aos ímpios antediluvianos, por que somente eles ouviram Sua mensagem? Não havia outros perdidos “queimando no inferno” com eles?

Também não faz sentido sugerir que Cristo tivesse pregado aos anjos caídos que foram desobedientes nos dias de Noé. Enquanto os “espíritos em prisão” são descritos como desobedientes “noutro tempo” (1Pe 3:19, 20), a Bíblia fala que os anjos maus ainda hoje são desobedientes (Ef 6:12; 1Pe 5:8). Além disso, sobre os anjos caídos, “Ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia” (Jd 6), sem nenhuma oportunidade de salvação.

Devemos notar que, em 1 Pedro 3, os “espíritos em prisão” do verso 19 são identificados no verso 20 como os antediluvianos “desobedientes” nos “dias de Noé”. O termo espírito (gr. pneuma) é usado nesse texto e em outras partes do NT (1Co 16:18; Gl 6:18), em referência a pessoas vivas que podem ouvir e aceitar o convite da salvação. A expressão “na prisão” obviamente não se refere a uma prisão literal, mas à prisão do pecado em que se encontra a natureza humana não regenerada (Rm 6:1-23; 7:7-25).

A pregação aos antediluvianos foi realizada por Noé, que foi instruído por Deus (Hb 11:7) e se tornou “pregador da justiça” para seus contemporâneos (2Pe 2:5). Pedro enfatizou o que significa ser fiel; ele não tratou do tema do estado dos mortos.

Quarta-feira, 23 de novembro de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico. 

_______________
1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Vida, morte e eternidade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 510, out. nov. dez. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.