Migalhas para os cachorrinhos

Lições da Bíblia1:

4. Que lições importantes encontramos na história de Marcos 7:24-30?

Marcos 7:24-30 (NAA)2: “24 Levantando-se Jesus, saiu dali e foi para as terras de Tiro e Sidom. Tendo entrado numa casa, não queria que ninguém soubesse onde ele estava. No entanto, não pôde ocultar-se, 25 porque uma mulher, cuja filhinha estava possuída de espírito imundo, logo ouviu falar a respeito de Jesus. Ela veio e se ajoelhou aos pés dele. 26 Essa mulher era estrangeira, de origem siro-fenícia, e pedia a Jesus que expulsasse o demônio da sua filha. 27 Mas Jesus lhe disse: — Deixe primeiro que os filhos se fartem, porque não é correto pegar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos. 28 A mulher respondeu a ele: — Senhor, os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças. 29 Então Jesus disse à mulher: — Por causa desta palavra, você pode ir; o demônio já saiu da sua filha. 30 Quando a mulher voltou para casa, achou a menina sobre a cama, pois o demônio tinha saído dela.”

Assim como a passagem desafiadora que estudamos na lição de ontem, a história desse texto também levanta questões interessantes. Por que Jesus respondeu de maneira tão dura àquela mulher, chamando-a, indiretamente, de cachorrinha?

Jesus não explicou, mas dois elementos de Sua resposta mostram o que Ele ensinou. Em Marcos 7:27, Ele disse que os filhos deveriam ser alimentados “primeiro”. Se existe um “primeiro”, parece lógico que exista um “segundo”. Outro ponto é que Jesus usou o diminutivo da palavra cachorro, que, nesse contexto, não significa filhotes, mas cachorros que ficavam na casa, em contraste com os cachorros de rua. Em sua resposta, a mulher retomou esses indicadores, sendo bastante incisiva.

Ela disse: “Senhor, os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças” (Mc 7:28).

Por que a mulher deu essa resposta? O amor pela filha a impulsionou. Mas Jesus também a encorajou. Ele disse “primeiro”, o que significa que poderia haver um “segundo”. Além disso, deu a entender que ela era um cachorrinho debaixo da mesa. Os cachorrinhos ficavam debaixo da mesa; ela estava aos pés de Jesus, implorando pela filha. Desse modo, ela reivindicou o direito à comida que cai no chão.

A resposta da mulher revela a sua fé. Chamar de “migalha” o poderoso milagre de curar sua filha a distância indicava que o poder de Jesus era especialmente grande (se aquele milagre era uma migalha, o que seria um pão inteiro?). Além disso, a resposta mostrava que atender àquele pedido era uma questão pequena para Jesus. Ele ficou comovido com essa fé e atendeu ao pedido daquela mulher.

“Por Sua maneira de lidar com ela, [Jesus] mostrou que aquela que era considerada como uma rejeitada de Israel não era mais estranha, mas uma filha na família de Deus. E, como filha, tinha o privilégio de partilhar das dádivas do Pai” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 317).

Por que o preconceito contra outros grupos étnicos e nacionalidades é totalmente contrário aos ensinos de Jesus? Como podemos nos livrar desse mal?

Terça-feira, 06 de agosto de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O Evangelho de Marcos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 517, jul. ago. set. 2024. Adulto, Professor.
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Mãos puras ou coração puro?

Lições da Bíblia1:

Essas palavras de Jesus têm sido um enigma para muitos, ao analisar sua relação com Levítico 11 sobre alimentos puros e impuros. Será que Jesus eliminou essas distinções? Estão os adventistas equivocados ao ensinar que as pessoas só podem consumir os tipos de carnes que fazem parte da lista de animais puros?

Primeiro, seria estranho que, em Marcos 7:14-19, Jesus rejeitasse subitamente as instruções de Moisés quando Ele tinha acabado de defender (nos v. 6 a 13) os ensinos de Moisés, opondo-os às tradições. Segundo, a tradição que os fariseus promoviam não tem base no AT; as leis alimentares, por outro lado, sim. Por último, o que Marcos 7:19 quer dizer ao explicar que Jesus purificou todos os alimentos não é que as leis alimentares foram abolidas, mas que as tradições a respeito da contaminação pelo toque eram inválidas. Essas tradições incluíam a ideia equivocada de que se um judeu poderia ser contaminado ao entrar em contato com gentios, então também poderia ser contaminado pelo contato com alimentos que eles haviam tocado.

3. O que realmente torna alguém contaminado? Mc 7:20-23

Mc 7:20-23 (NAA): “20 E dizia: — O que sai da pessoa, isso é o que a contamina. 21 Porque de dentro, do coração das pessoas, é que procedem os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os furtos, os homicídios, 22 os adultérios, a avareza, as maldades, o engano, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, o orgulho, a falta de juízo. 23 Todos estes males vêm de dentro e contaminam a pessoa.

Em Marcos 7:19, Jesus observou que o alimento não vai para o coração, mas para o estômago, e depois é eliminado na digestão. Mas em Marcos 7:21-23, Ele explicou que o mal vem do coração, o centro de quem a pessoa é. Ele apresentou uma lista de pecados que começam com maus pensamentos, e terminam em más ações.

Quando combinamos o quinto mandamento (Mc 7:10) com essa lista de pecados (Mc 7:21-23), percebemos que Jesus mencionou todos os mandamentos da segunda tábua do Decálogo. Além disso, em Marcos 7:7, Ele Se referiu à adoração vã, que diz respeito à essência dos primeiros quatro mandamentos do Decálogo. Assim, ao longo dessa passagem, Jesus Se posicionou como defensor da lei de Deus.

Podemos ter uma teologia correta, mas não ter o coração sob o controle de Deus?

Segunda-feira, 05 de agosto de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O Evangelho de Marcos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 517, jul. ago. set. 2024. Adulto, Professor.
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Tradições humanas versus mandamentos divinos

Lições da Bíblia1:

1. Que verdades relevantes são apresentadas em Marcos 7:1-13?

Marcos 7:1-13 (ARA)2: 1 Os fariseus e alguns escribas, vindos de Jerusalém, reuniram-se em volta de Jesus. 2 Eles viram que alguns dos discípulos de Jesus comiam pão com as mãos impuras, isto é, sem lavar. 3 Porque os fariseus e todos os judeus, observando a tradição dos anciãos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos. 4 Quando voltam da praça, não comem sem se lavar. E há muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal e camas. 5 Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: — Por que os seus discípulos não vivem conforme a tradição dos anciãos, mas comem com as mãos impuras? 6 Jesus respondeu: — Bem profetizou Isaías a respeito de vocês, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.  7 E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos humanos.’ 8 Rejeitando o mandamento de Deus, vocês guardam a tradição humana. 9 E disse-lhes ainda: — Vocês sempre encontram uma maneira de rejeitar o mandamento de Deus para guardarem a própria tradição. 10 Pois Moisés disse: ‘Honre o seu pai e a sua mãe.’ E: ‘Quem maldisser o seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.’ 11 Vocês, porém, dizem que, se alguém disser ao seu pai ou à sua mãe: ‘A ajuda que você poderia receber de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor’, 12 então vocês o dispensam de fazer qualquer coisa em favor do seu pai ou da sua mãe, 13 invalidando a palavra de Deus por meio da tradição que vocês mesmos passam de pai para filho. E fazem muitas outras coisas semelhantes.

Podemos imaginar crianças estudando esse texto na classe da Escola Sabatina, voltando para casa e dizendo à mãe que não precisam mais lavar as mãos antes de comer porque Jesus disse isso. No entanto, essa história não fala sobre higiene.

Na época de Jesus, muitos judeus estavam preocupados com a pureza ritual. Segundo as normas do AT, os sacerdotes deveriam lavar as mãos para se manterem ritualmente puros (Êx 30:17-21), mas durante o período entre o AT e o NT, essa prática foi estendida ao povo em geral. Foi com base nesse conceito que os líderes religiosos se queixaram com Jesus sobre Seus discípulos.

Jesus não respondeu diretamente à pergunta que Lhe foi feita. Em vez disso, Ele defendeu os discípulos por meio de uma resposta dividida em duas partes. Primeiramente, Ele citou as palavras incisivas de Isaías que repreendiam uma nação que honrava a Deus com palavras, mas cujo coração estava longe Dele (Is 29:13). A citação de Isaías prossegue condenando o povo por colocar as tradições humanas no lugar dos mandamentos divinos.

A segunda parte da resposta de Jesus reproduziu a citação de Isaías. O Senhor citou o mandamento de Deus a respeito de honrar os pais (Êx 20:12), o que inclui cuidar deles na velhice, e o contrastou com uma tradição religiosa segundo a qual alguém poderia apresentar a Deus uma oferta (chamada “corbã”), e ainda usar o dinheiro para si mesmo, mas se recusar a usá-lo em favor dos pais idosos que estivessem em necessidade. Podemos imaginar a cena: “Desculpe-me, pai. Eu gostaria muito de ajudá-lo, mas dei o dinheiro para o templo.”

Jesus atacou esse tipo de hipocrisia de modo intransigente. Aquelas pessoas colocavam suas tradições acima da Palavra de Deus e, ao fazê-lo, estavam pecando.

Qual foi a resposta aos fariseus? Jesus mostrou que não ficou convencido diante da insistência deles em dizer que a purificação das mãos era necessária para estar em harmonia com Deus. Ele apoiou claramente os mandamentos da lei de Deus, opondo-os à tradição humana (veja também Mc 1:44; 7:10-13; 10:3-8; 12:26, 29-31).

Temos “tradições” em conflito com os princípios da lei de Deus? Quais seriam?

Domingo, 04 de agosto de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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De dentro para fora

Lições da Bíblia1:

“Não existe nada fora da pessoa que, entrando nela, possa contaminá-la; mas o que sai da pessoa é o que a contamina” (Mc 7:15).

O estudo desta semana aborda Marcos 7 e a primeira metade de Marcos 8. No início do capítulo 7, Jesus despertou controvérsia ao rejeitar a tradição religiosa. No entanto, Ele fez isso de uma forma que, de maneira surpreendente, confirma uma verdade profundamente relevante para a vida cristã hoje.

Jesus então apresentou um enigma que abre a porta para uma verdadeira compreensão do que realmente é a fé.

Depois disso, Ele foi para Tiro e Sidom e Se encontrou com uma mulher que foi a única pessoa nos evangelhos a vencer, por assim dizer, uma discussão com Ele. Seu encontro com essa mulher foi incomum, e Jesus transmitiu, de maneira indireta, alguns conceitos que a mulher captou. Por causa da fé daquela mulher, Ele atendeu ao pedido dela.

Marcos 7, que relata outra cura, revela o importante fato de que, por mais impressionantes que sejam os milagres, muitas vezes eles não são suficientes para abrir os corações à verdade. Afinal, que benefício os milagres trouxeram aos líderes religiosos que estavam decididos a rejeitar Jesus?

O estudo de Marcos 8 analisa o significado do pão como símbolo de tradições e ensinos humanos. Essas histórias contêm importantes lições sobre o significado e a prática da vida religiosa.

Sábado, 03 de agosto de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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Milagres à margem do lago – Estudo adicional

Lições da Bíblia1:

Leia, de Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 261-268 (“Tempestade no mar”), e p. 269-272 (“O toque da fé”).

“Em todos os que estão sob a direção de Deus, deve-se ver uma vida que não se harmonize com o mundo, seus costumes ou práticas; e todos precisam ter uma experiência pessoal na obtenção do conhecimento da vontade divina. Precisamos ouvir individualmente Sua voz a nos falar ao coração. Quando todas as outras vozes silenciam e em sossego esperamos perante Ele, o silêncio da alma torna mais distinta a voz de Deus” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 286).

“Seus corações descontentes perguntavam por que Jesus podia realizar tão grandiosas obras como as que tinham presenciado e não podia também dar saúde, força e riqueza a todo o Seu povo, libertá-lo de seus opressores e exaltá-lo ao poder e à honra. O fato de Ele alegar ser o Enviado de Deus, mas recusar ser rei de Israel, era um mistério que não podiam entender. Sua recusa foi mal interpretada. Muitos concluíram que não ousava afirmar Seus direitos, porque Ele próprio duvidava do divino caráter de Sua missão. Dessa forma, abriram a mente à incredulidade, e a semente que Satanás lançara deu fruto segundo sua espécie na forma de incompreensão e deserção” (O Desejado de Todas as Nações, p. 301, 302).

Perguntas para consideração

Se alguém lhe perguntasse: “Do que Jesus o libertou?”, o que você responderia?

Por que Deus às vezes permite que pessoas boas como João Batista sofram injustiça? Que consolo ou esperança encontramos, apesar dessas realidades difíceis?

Que lições uma igreja pobre acha na multiplicação dos pães e peixes?

Compare as ideias populares atuais acerca de Jesus com a descrição Dele em Marcos 5 e 6. O que dizer dos que usam Jesus para obter poder e domínio político?

Sexta-feira, 02 de agosto de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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Um tipo diferente de Messias

Lições da Bíblia1:

8. Como Jesus lidou com diferentes problemas messiânicos? Mc 6:34-52

Mc 6:34-52 (NAA)2: “34 Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas. 35 Como já era bastante tarde, os discípulos se aproximaram de Jesus e disseram: — Este lugar é deserto, e já é bastante tarde. 36 Mande essas pessoas embora, para que, indo pelos campos ao redor e pelas aldeias, comprem para si o que comer. 37 Jesus, porém, lhes disse: — Deem vocês mesmos de comer a eles. Mas eles disseram: — Iremos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer? 38 E Jesus lhes disse: — Quantos pães vocês têm? Tratem de descobrir! Eles foram se informar e responderam: — Cinco pães e dois peixes. 39 Então Jesus lhes ordenou que todos se assentassem, em grupos, sobre a relva verde. 40 E eles o fizeram, repartindo-se em grupos de cem e de cinquenta. 41 Jesus, pegando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos para o céu, os abençoou. Depois partiu os pães e os deu aos seus discípulos para que os distribuíssem. E também repartiu os dois peixes entre todos. 42 Todos comeram e se fartaram, 43 e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe. 44 Os que comeram os pães eram cinco mil homens. 45 Logo a seguir, Jesus fez com que os seus discípulos entrassem no barco e fossem adiante dele para o outro lado, para Betsaida, enquanto ele despedia a multidão. 46 E, tendo-os despedido, ele subiu ao monte para orar. 47 Ao cair da tarde, o barco estava no meio do mar, e Jesus estava sozinho em terra. 48 De madrugada, vendo que os discípulos remavam com dificuldade, porque o vento lhes era contrário, Jesus foi até onde eles estavam, andando sobre o mar; e queria passar adiante deles. 49 Eles, porém, vendo-o andar sobre o mar, pensaram tratar-se de um fantasma e gritaram. 50 Pois todos viram Jesus e ficaram apavorados. Mas Jesus imediatamente falou com eles e disse: — Coragem! Sou eu. Não tenham medo! 51 Então subiu no barco para estar com eles, e o vento cessou. Ficaram totalmente perplexos, 52 porque não haviam compreendido o milagre dos pães, pois o coração deles estava endurecido.”

Depois que os discípulos retornaram de sua missão, foram com Jesus descansar em uma área remota a leste do mar da Galileia. Mas uma multidão havia chegado ao local antes deles. Eles eram como ovelhas sem pastor. Então Jesus os ensinou durante o dia.

À tarde, os discípulos recomendaram que a multidão fosse mandada embora para procurar comida, mas Jesus lhes disse para alimentar a multidão. O diálogo que se segue (Mc 6:35-38) ilustra que os discípulos estavam pensando em termos humanos sobre como resolver o problema. No entanto, Jesus resolveu o problema alimentando a multidão de modo miraculoso com apenas cinco pães e dois peixes.

As características dessa história se encaixam no conceito popular sobre o Messias na época de Jesus. A expectativa era que o Messias libertasse Israel de seus inimigos, trazendo justiça e paz. Um grande número de homens em um ambiente desértico facilmente teria conotações militares de revolta (Jo 6:14, 15; At 21:38).

Essa noção é fortalecida pela referência ao fato de que Jesus viu o povo “como ovelhas que não têm pastor” (Mc 6:34), uma citação de Números 27:17, em que Moisés pediu a Deus que nomeasse um líder para Israel depois dele. Essa linguagem sobre um pastor para o povo de Deus aparece em outras partes do AT, geralmente com referência à falta de um líder ou rei em Israel (1Rs 22:17; 2Cr 18:16; Ez 34:5, 6).

Jesus não atendeu às falsas expectativas, mas mandou embora Seus discípulos e dispensou a multidão. Em vez de liderar uma rebelião contra Roma, o que Ele fez? Foi para uma montanha a fim de orar – algo diferente do que as pessoas esperavam.

Em lugar do entendimento popular do Messias como um rei que libertaria Israel, Jesus veio para libertar as pessoas da escravidão do pecado. Ao andar sobre as águas Ele mostrou aos discípulos que é, de fato, o Senhor da natureza, mas não veio para governar. Ao contrário, veio para dar a vida em resgate por muitos (Mc 10:45).

O que essa história ensina sobre a importância de entender corretamente as profecias? Se a falsa compreensão da primeira vinda de Cristo levou pessoas à ruína espiritual, quanto mais uma falsa compreensão poderia fazer em relação à Sua segunda vinda?

Quinta-feira, 01 de agosto de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O Evangelho de Marcos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 517, jul. ago. set. 2024. Adulto, Professor.
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Rejeição e aceitação

Lições da Bíblia1:

6. Por que as pessoas da cidade de Jesus O rejeitaram? Mc 6:1-6

Mc 6:1-6 (NAA)2: 1 Tendo saído dali, Jesus foi para a sua terra, e os seus discípulos o acompanharam. 2 Chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga, e muitos, ouvindo-o, se maravilhavam, dizendo: — De onde lhe vem tudo isso? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos? 3 Não é este o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, José, Judas e Simão? As suas irmãs não vivem aqui entre nós? E escandalizavam-se por causa dele. 4 Jesus, porém, lhes disse: — Nenhum profeta é desprezado, a não ser na sua terra, entre os seus parentes e na sua casa. 5 Não pôde fazer ali nenhum milagre, a não ser curar uns poucos doentes, impondo-lhes as mãos. 6 E admirava-se da incredulidade deles.”

Normalmente, quando alguém que veio de uma cidade pequena se torna popular, os habitantes do lugar ficam muito contentes. Mas não foi o que ocorreu com os de Nazaré. Eles ficaram ofendidos e surpresos com o sucesso de Jesus como Mestre e operador de milagres. A transformação de carpinteiro em mestre parecia difícil de aceitar. Pode ter havido alguma hostilidade porque Ele fez a maioria de Seus milagres em Cafarnaum (Lc 4:23). E Jesus já havia tido um desentendimento com Sua família (Mc 3:31-35).

7. Leia Marcos 6:7-30. Como a missão dos doze apóstolos estava em contraste com a decapitação de João Batista?

Marcos 6:7-30 (NAA)2: 7 Chamou os doze e passou a enviá-los de dois em dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos imundos. 8 Ordenou-lhes que não levassem nada para o caminho, exceto um bordão; nem pão, nem sacola, nem dinheiro; 9 e que fossem calçados de sandálias e não usassem duas túnicas. 10 E recomendou-lhes: — Quando vocês entrarem numa casa, fiquem ali até saírem daquele lugar. 11 Se em algum lugar não quiserem recebê-los nem ouvi-los, ao saírem dali sacudam o pó dos pés, em testemunho contra eles. 12 Então, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse. 13 Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo. 14 Isto chegou aos ouvidos do rei Herodes, porque o nome de Jesus havia se tornado conhecido. E alguns diziam: ‘João Batista ressuscitou dentre os mortos e, por isso, forças miraculosas operam nele.’ 15 Outros diziam: ‘É Elias.’ Ainda outros diziam: ‘É profeta como um dos antigos profetas.’ 16 Herodes, porém, ouvindo isto, disse: — É João, a quem eu mandei decapitar, que ressuscitou. 17 Porque o próprio Herodes havia mandado prender João e amarrá-lo na prisão, por causa de Herodias, mulher do seu irmão Filipe, com a qual Herodes havia casado. 18 Pois João lhe dizia: ‘Você não tem o direito de viver com a mulher do seu irmão.’ 19 Herodias odiava João Batista e queria matá-lo, mas não conseguia fazer isso. 20 Porque Herodes temia João, sabendo que era homem justo e santo, e o mantinha em segurança. E, quando o ouvia, ficava perplexo, embora gostasse de escutá-lo. 21 Chegando uma ocasião favorável, em que Herodes, no dia do seu aniversário, deu um banquete às autoridades, aos oficiais militares e às pessoas importantes da Galileia, 22 a filha de Herodias entrou no salão e, dançando, agradou a Herodes e aos seus convidados. Então o rei disse à jovem: — Peça o que quiser, e eu lhe darei. 23 E fez este juramento: — O que você me pedir eu lhe darei, mesmo que seja a metade do meu reino. 24 Ela saiu e foi perguntar à mãe: — O que pedirei? A mãe respondeu: — A cabeça de João Batista. 25 No mesmo instante, voltando apressadamente para junto do rei, disse: — Quero que, sem demora, o senhor me dê num prato a cabeça de João Batista. 26 O rei ficou muito triste, mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, não quis negar o pedido da jovem. 27 E, enviando logo o executor, mandou que lhe trouxessem a cabeça de João. Ele foi e o decapitou na prisão, 28 e, trazendo a cabeça num prato, a entregou à jovem, e esta, por sua vez, a entregou à sua mãe. 29 Os discípulos de João, logo que souberam disto, vieram, levaram o corpo dele e o colocaram num túmulo.”

Essa é a terceira história em formato de sanduíche em Marcos (ver a lição 3). A missão dos apóstolos de pregar em todos os lugares está em contraste com a prisão e morte de João Batista. Os discípulos deviam viajar com pouca bagagem e depender de pessoas para o seu sustento. Essa estratégia tornava os missionários dependentes das pessoas a quem serviam, o que os ligava àqueles que precisavam de sua mensagem.

João Batista, porém, não tinha esse vínculo com Herodes e sua família. Sua morte ocorreu de forma chocante, pois a conspiradora Herodias se aproveitou da ambivalência e da luxúria de Herodes. A filha de Herodias acrescentou ao plano escandaloso o pedido grotesco de que a cabeça de João fosse entregue em um prato.

O silenciamento de João ocorreu ao mesmo tempo em que os apóstolos pregavam o arrependimento, assim como o Batista havia feito. A morte de João prenuncia a de Jesus. João foi morto e sepultado, e é dito que teria ressuscitado (Mc 6:14-16, 29), como aconteceria com Jesus (Mc 15; 16). Essas histórias paralelas apontam para uma crise que seria enfrentada por Jesus e Seus seguidores.

Você já foi rejeitado ou passou por uma crise difícil de entender? O que aprendeu com essa experiência que possa ajudá-lo na próxima vez que algo semelhante acontecer?

Quata-feira, 31 de julho de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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Na montanha-russa com Jesus

Liuções da Bíblia1:

Líderes religiosos como Jairo geralmente não tinham amizade com Jesus (Mc 1:22; 3:2, 6; Lc 13:14). Então, é provável que ele estivesse desesperado. Isso se confirma pelo fato de que Jairo se prostrou aos pés de Jesus. O apelo dele é compreensível para qualquer pai – a filha dele estava morrendo. Mas ele tinha fé de que Jesus podia ajudá-lo. Sem dizer uma palavra, Jesus foi com Jairo até a casa dele.

5. O que interrompeu a viagem em direção à casa de Jairo? Mc 5:25-34

Mc 5:25-34 (NAA)2: “25 Estava ali certa mulher, que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia. 26 Ela havia padecido muito nas mãos de vários médicos e gastado tudo o que tinha, sem, contudo, melhorar de saúde; pelo contrário, piorava cada vez mais. 27 Tendo ouvido a fama de Jesus, a mulher chegou por trás, no meio da multidão, e tocou na capa dele. 28 Porque dizia: ‘Se eu apenas tocar na roupa dele, ficarei curada.’ 29 E logo a hemorragia estancou, e ela sentiu no corpo que estava curada daquele mal. 30 Jesus, reconhecendo imediatamente que dele havia saído poder, virando-se no meio da multidão, perguntou: — Quem tocou na minha roupa? 31 Os discípulos responderam: — O senhor está vendo que a multidão o aperta e ainda pergunta: ‘Quem me tocou?’ 32 Ele, porém, olhava ao redor para ver quem tinha feito aquilo. 33 Então a mulher, amedrontada e trêmula, ciente do que lhe havia acontecido, veio, prostrou-se diante de Jesus e declarou-lhe toda a verdade. 34 Então Jesus lhe disse: — Filha, você foi salva porque teve fé. Vá em paz e fique livre desse mal.”

A história é interrompida de maneira repentina, dando lugar a outra cena, que desperta compaixão – uma mulher que há terríveis doze anos enfrentava uma doença. Essa história de Jairo e da mulher é a segunda história em formato de sanduíche relatada em Marcos (veja Mc 3:20-35, que estudamos na lição 3). Nessa história, os personagens colocados em contraste, Jairo e a mulher, pedem ajuda a Jesus.

A mulher chegou por trás de Jesus e tocou em Suas vestes. Ela imediatamente ficou bem. Mas Jesus parou e perguntou: “Quem tocou na Minha roupa?” (Mt 5:30).

A mulher enferma de repente foi curada. No entanto, ela temia que Jesus ficasse irado com o que havia ocorrido. Vários pensamentos devem ter passado por sua mente em pouco tempo. Mas Jesus desejava curar não só o corpo dela, mas também sua alma.

Então, o texto volta a Jairo (Mc 5:35-43). Ele também deve ter experimentado vários sentimentos. Jesus disse que a menina não estava morta, mas dormindo. Ele expulsou os que estavam ali e foi para a sala em que estava a menina. Tomando a mão dela, disse: “Talitá cumi!” (Mc 4:41). Marcos traduziu essas palavras como: “Menina, […] Levante-se!”. Mais literalmente, a palavra talitá significa “cordeiro”, um termo carinhoso para se referir a uma criança. A ordem de manter o evento em segredo faz parte do tema do segredo e da revelação que percorre Marcos e aponta para quem é Jesus e para o fato de que, em última análise, Ele não pode permanecer oculto.

Terça-feira, 30 de julho de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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