Você é o rei dos judeus?

Lições da Bíblia1:

1. Quais tipos de situações irônicas ocorrem nessa passagem? Mc 15:1-15

Mc 15:1-15 (NAA)2: 1 Logo pela manhã, os principais sacerdotes entraram em conselho com os anciãos, os escribas e todo o Sinédrio; e, amarrando Jesus, levaram-no e o entregaram a Pilatos. 2 Pilatos perguntou: — Você é o rei dos judeus? Jesus respondeu: — O senhor está dizendo isso. 3 E os principais sacerdotes o acusavam de muitas coisas. 4 Então Pilatos tornou a perguntar: — Você não vai responder nada? Veja quantas acusações fazem contra você! 5 Jesus, porém, não disse mais nada, a ponto de Pilatos muito se admirar. 6 Ora, por ocasião da festa, era costume soltar ao povo um dos presos, aquele que eles pedissem. 7 Havia um, chamado Barrabás, preso com rebeldes, os quais em um tumulto haviam cometido homicídio. 8 Vindo a multidão, começou a pedir que Pilatos lhes fizesse como de costume. 9E Pilatos lhes respondeu, dizendo: — Vocês querem que eu lhes solte o rei dos judeus? 10 Pois ele bem percebia que era por inveja que os principais sacerdotes lhe haviam entregado Jesus. 11 Mas os principais sacerdotes incitaram a multidão no sentido de que lhes soltasse, de preferência, Barrabás. 12 E Pilatos lhes perguntou: — O que, então, vocês querem que eu faça com este a quem vocês chamam de rei dos judeus? 13 Eles gritaram: — Crucifique-o! 14 Mas Pilatos lhes disse: — Que mal fez ele? Porém eles gritavam cada vez mais: — Crucifique-o! 15 Então Pilatos, querendo contentar a multidão, lhes soltou Barrabás. E, depois de mandar açoitar Jesus, entregou-o para ser crucificado.”

Pôncio Pilatos foi governador da Judeia de 26 a 36 d.C. Ele não era bondoso, e várias de suas ações provocaram sofrimento aos habitantes da nação (Lc 13:1). O julgamento de Jesus, conduzido pelos líderes judeus, resultou em uma sentença de morte por blasfêmia. Mas, sob o domínio romano, os judeus não podiam executar pessoas na maioria dos casos. Por isso, levaram Jesus a Pilatos para que fosse condenado.

O texto bíblico não menciona qual foi a acusação feita contra Jesus diante de Pilatos, mas é possível averiguá-la com base na pergunta que Pilatos Lhe fez: “Você é o rei dos judeus?” (Mc 15:2). No AT, o povo de Israel ungia os seus reis; portanto, não é difícil concluir que o termo Messias (“Ungido”) possa ter sido distorcido para sugerir que Jesus reivindicava homenagem como rei e, portanto, estava em competição com o imperador. Assim, a acusação apresentada ao Sinédrio era de blasfêmia, enquanto a acusação apresentada ao governador era de conspiração, que levaria à morte.

A ironia é que Jesus era o rei dos judeus e o Messias. As acusações de conspiração e blasfêmia foram equivocadas. Ele deveria ter recebido homenagem e adoração. Porém, Jesus ainda agia como rei. Sua resposta a Pilatos: “O senhor está dizendo isso” (Mc 15:2), foi evasiva. Ele não negou o título nem o afirmou. Isso poderia sugerir que Ele fosse um rei, mas de um tipo diferente (Jo 18:33-38).

Marcos 15:6 menciona o costume de libertar um prisioneiro na Páscoa. Pilatos perguntou se a multidão queria que ele libertasse o “rei dos judeus” (Mc 15:9) e, embora possa ter dito isso de forma irônica, a ironia estava atuando contra ele.

Marcos 15:9 e 10 é um exemplo de percepção e, ao mesmo tempo, de ausência de percepção. Pilatos percebeu que os líderes haviam entregado Jesus por inveja, mas não percebeu que, ao questionar a multidão, estava fazendo o jogo dos líderes. Eles agitaram a multidão e gritaram para que Jesus fosse crucificado. Pilatos recuou. A crucifixão era uma forma terrível de morte, especialmente para alguém considerado inocente. É dolorosamente irônico que um governador pagão quisesse libertar o Messias, enquanto os líderes religiosos desejassem que Ele fosse crucificado.

O que pode impedi-lo de seguir a multidão quando a pressão para fazer isso é grande?

Domingo, 15 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

_______________
1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O Evangelho de Marcos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 517, jul. ago. set. 2024. Adulto, Professor.
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Julgado e crucificado

Lições da Bíblia1:

“Por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz: ‘Eloí, Eloí, lamá sabactâni ?’, que significa: ‘Meu Deus! Meu Deus! Por que Me abandonaste?’” (Mc 15:34, NVI).

Marcos 15 é o centro da narrativa da Paixão. Apresenta o julgamento de Jesus, Sua condenação, a zombaria dos soldados, Sua crucifixão, Sua morte e Seu sepultamento. Os acontecimentos desse capítulo são apresentados com detalhes nítidos e cristalinos, provavelmente porque o autor deixou os fatos falarem por si mesmos.

Ao longo desse capítulo, a ironia desempenha um papel importante. Por isso, é bastante útil ter uma definição clara do que é ironia.

A ironia geralmente contém três componentes: 1) dois níveis de significado; 2) os dois níveis estão em conflito ou contrastam entre si; e 3) alguém não vê a ironia, não percebe o que está acontecendo e não sabe que sofrerá as consequências.

No estudo desta semana, desde a pergunta de Pilatos: “Você é o rei dos judeus?”, passando pelos soldados zombadores, a inscrição acima da cruz e a zombaria dos líderes religiosos, que diziam: “Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar” (Mc 15:31), até o surgimento inesperado de José de Arimateia, o capítulo 15 de Marcos está repleto de dolorosas ironias que, no entanto, revelam verdades poderosas sobre a morte de Jesus e o que ela significa.

Sábado, 14 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

_______________
1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O Evangelho de Marcos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 517, jul. ago. set. 2024. Adulto, Professor.

Levado e julgado – Estudo adicional

Lições da Bíblia1:

Leia, de Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 560-572 (“Perante Anás e Caifás”), e p. 573-579 (“Judas, o traidor”).

“Quando os degradantes juramentos acabavam de sair dos lábios de Pedro e o agudo canto do galo ainda soava em seu ouvido, o Salvador, em meio aos severos juízes, virou-Se e olhou diretamente para o pobre discípulo. Ao mesmo tempo, os olhos de Pedro eram atraídos para o Mestre. Naquela suave fisionomia, ele viu profunda piedade e tristeza, mas nenhuma irritação era vista ali.

“Contemplar aquele rosto pálido e sofredor, aqueles lábios trêmulos e aquele olhar amável e cheio de perdão atravessou como uma flecha o coração de Pedro. Sua consciência foi despertada. Sua memória foi ativada. O discípulo se lembrou de sua promessa feita poucas horas antes, de que iria com seu Senhor à prisão e à morte. Lembrou-se de sua tristeza quando, no cenáculo, Cristo lhe dissera que ele negaria seu Senhor três vezes naquela mesma noite. Pedro acabava de declarar que não conhecia Jesus, mas compreendia agora com amarga dor que o Senhor o conhecia muito bem e que lia em detalhes seu coração, cuja falsidade nem ele próprio conhecia” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 570).

Perguntas para consideração

Jesus predisse que onde o evangelho fosse pregado seria contada a história da mulher que O ungiu. Quando lemos essa predição (Mc 14:9) estamos cumprindo essa profecia? Isso não seria improvável, dadas as circunstâncias em que a predição foi feita?

Quais são as diferenças e semelhanças entre Judas e Pedro na narrativa da Paixão?

O que significa a Ceia do Senhor? Como tornar especial essa celebração para todos?

Deus disse “não” à oração de Jesus no Getsêmani. O que significa quando Deus nos diz “não”?

Embora Pedro tenha falhado com Jesus em suas negações, o Mestre não o rejeitou. Que esperança você pode tirar desse fato?

Sexta-feira, 13 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

_______________
1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O Evangelho de Marcos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 517, jul. ago. set. 2024. Adulto, Professor.

Quem é Você?

Lições da Bíblia1:

5. Leia Marcos 14:60-72. Como Jesus reagiu a esses acontecimentos? E como Pedro reagiu? Que lições podemos aprender com as diferenças?

Marcos 14:60-72 (NAA)2: “60 E, levantando-se o sumo sacerdote, no meio, perguntou a Jesus: — Você não diz nada em resposta ao que estes depõem contra você? 61 Jesus, porém, guardou silêncio e nada respondeu. O sumo sacerdote tornou a interrogá-lo: — Você é o Cristo, o Filho do Deus Bendito? 62 Jesus respondeu: — Eu sou, e vocês verão o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu. 63 O sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: — Por que ainda precisamos de testemunhas? 64 Vocês ouviram a blasfêmia. Qual é o parecer de vocês? E todos o julgaram réu de morte. 65 Alguns começaram a cuspir nele, a cobrir-lhe o rosto, a bater nele e a dizer-lhe: — Profetize! E os guardas davam-lhe bofetadas. 66 Estando Pedro embaixo no pátio, veio uma das empregadas do sumo sacerdote 67 e, vendo Pedro, que se aquecia, fixou os olhos nele e disse: — Você também estava com Jesus, o Nazareno. 68 Mas ele negou, dizendo: — Não o conheço, nem compreendo o que você está falando. E saiu para o pórtico. E o galo cantou. 69 E a empregada, vendo-o, tornou a dizer aos que estavam ali: — Este é um deles. 70 Mas ele negou outra vez. E, pouco depois, os que estavam ali disseram outra vez a Pedro: — Com certeza você é um deles, porque também é galileu. 71 Ele, porém, começou a praguejar e a jurar: — Não conheço esse homem de quem vocês estão falando! 72 E no mesmo instante o galo cantou pela segunda vez. Então Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe tinha dito: ‘Antes que o galo cante duas vezes, você me negará três vezes.’ E, caindo em si, começou a chorar.

Marcos 14:53-59 descreve Jesus sendo levado ao Sinédrio e a primeira parte do julgamento. Foi um exercício de frustração. Repetidas vezes, os líderes tentaram fazer com que sua acusação contra Jesus fosse validada. O escritor do evangelho observa que o testemunho era falso e que os relatos das testemunhas não concordavam entre si.

O sumo sacerdote se dirigiu a Jesus. A princípio Ele não respondeu. Mas então o sumo sacerdote O colocou sob juramento (Mt 26:63) e perguntou se Ele era o Messias. Jesus admitiu que era o Messias e citou Daniel 7:13 e 14, que se refere ao Filho do Homem sentado à direita de Deus e vindo com as nuvens do Céu. Isso foi demais para o sumo sacerdote, que rasgou as vestes e clamou pela condenação de Jesus, o que o concílio autorizou imediatamente. Humilharam Jesus e cuspiram Nele. Então, vendaram Seu rosto, bateram Nele e pediram-Lhe que profetizasse.

Enquanto Jesus, dentro da casa do sumo sacerdote, era julgado e dava um testemunho fiel, Pedro, no pátio, mentia. Essa é a sexta e última “história em formato de sanduíche” em Marcos, e nesse texto a ironia é acentuada. Dois personagens paralelos, Jesus e Pedro, realizaram ações opostas. Jesus deu um testemunho fiel; Pedro, um testemunho falso. Três vezes Pedro foi abordado por um servo ou por espectadores, e três vezes negou sua ligação com Jesus, chegando a amaldiçoar e jurar.

Nesse momento, um galo cantou pela segunda vez, e Pedro subitamente se lembrou da profecia de Jesus de que ele negaria o Senhor três vezes naquela noite. Ele desmoronou e chorou. Aqui está a ironia: no fim do Seu julgamento, Jesus foi vendado, espancado e ordenado a profetizar. O objetivo era zombar Dele, pois Ele não conseguia ver quem O havia golpeado. No entanto, no exato momento em que faziam isso, Pedro estava negando Jesus no pátio abaixo, cumprindo uma das profecias do Mestre. Consequentemente, ao negar Jesus, Pedro mostrou que Jesus é o Messias!

O que você diria a alguém que, embora queira seguir Jesus, às vezes não consegue fazê-lo? Quem já não deixou de seguir a Jesus e às orientações de Sua Palavra?

Quinta-feira, 12 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

_______________
1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O Evangelho de Marcos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 517, jul. ago. set. 2024. Adulto, Professor.
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Deixando tudo para fugir de Jesus

Lições da Bíblia1:

Leia Marcos 14:43-52. O que aconteceu nessa passagem que foi tão crucial para o plano da salvação?

Marcos 14:43-52 (NAA)2: “43 E logo, enquanto Jesus ainda falava, chegou Judas, um dos doze, e, com ele, uma multidão com espadas e porretes, vinda da parte dos principais sacerdotes, escribas e anciãos. 44 Ora, o traidor tinha dado a eles um sinal: ‘Aquele que eu beijar, é esse; prendam e levem-no com segurança.’ 45 E logo que chegou, aproximando-se de Jesus, Judas disse: — Mestre! E o beijou. 46 Então eles agarraram Jesus e o prenderam. 47 Nisto, um dos que estavam ali, sacando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha. 48 Jesus lhes disse: — Vocês vieram com espadas e porretes para prender-me, como se eu fosse um salteador? 49 Todos os dias eu estava com vocês no templo, ensinando, e vocês não me prenderam; mas isto é para que se cumprissem as Escrituras. 50 Então todos o deixaram e fugiram. 51 Um jovem, coberto unicamente com um lençol, seguia Jesus. Eles o agarraram, 52 mas ele largou o lençol e fugiu nu.”

É chocante que um dos associados mais próximos de Jesus O tenha entregado aos Seus inimigos. Os evangelhos não explicam a motivação de Judas. Ellen G. White escreveu: “Judas tinha naturalmente grande amor ao dinheiro, mas não fora sempre tão corrupto para praticar um ato como esse. Havia alimentado a avareza até que esta se transformou na grande motivação de sua vida. O amor a Mamom superou seu amor por Cristo. Tornando-se escravo de um vício, entregou-se a Satanás para ser levado a todo tipo de pecado” (O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 573).

A traição em si é deplorada por todos, mesmo por aqueles que usam traidores (Mt 27:3-7). Mas a atitude de Judas foi especialmente desprezível porque ele tentou esconder a traição sob o pretexto de amizade. Ele deu instruções à multidão de que o homem a quem beijasse era Aquele que deveria ser preso. Parece que Judas quis esconder sua astúcia de Jesus e dos outros discípulos.

O caos irrompeu quando a multidão prendeu Jesus. Pedro desembainhou uma espada (Jo 18:10, 11) e cortou a orelha do servo do sumo sacerdote. Jesus Se dirigiu à multidão, repreendendo aquelas pessoas por fazerem em segredo o que tiveram medo de fazer abertamente, quando Ele ensinava no templo. Mas Jesus terminou com uma referência ao cumprimento das Escrituras. Trata-se de outro sinal dessa trama dupla que permeia a narrativa da Paixão – a vontade de Deus estava se cumprindo enquanto a vontade humana trabalhava para destruir o Messias.

Todos os discípulos fugiram, incluindo Pedro, que reapareceu seguindo Jesus a distância e acabando por se meter em problemas. No entanto, Marcos 14:51 e 52 fala de um jovem que seguia Jesus, um relato encontrado apenas em Marcos. Alguns pensam que era o próprio Marcos, mas isso é improvável. É notável que ele fugiu nu. O jovem, em vez de deixar tudo para “seguir” Jesus, deixou tudo para “fugir” de Jesus.

Ser escravo de apenas um defeito de caráter levou Judas a trair Jesus. Isso foi terrível. O que isso deve nos dizer sobre odiar o pecado e, pela graça de Deus, vencê-lo?

Quarta-feira, 11 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

_______________
1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O Evangelho de Marcos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 517, jul. ago. set. 2024. Adulto, Professor.
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Getsêmani

Lições da Bíblia1:

Leia Marcos 14:32-42. De que maneira Jesus orou no Getsêmani, e como essa oração foi respondida?

Marcos 14:32-42 (NAA)2: “32 Então foram a um lugar chamado Getsêmani. Ali, Jesus disse aos seus discípulos: — Sentem-se aqui, enquanto eu vou orar. 33 E, levando consigo Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia. 34 E lhes disse: — A minha alma está profundamente triste até a morte; fiquem aqui e vigiem. 35 E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora. 36 E dizia: — Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice! Porém não seja o que eu quero, e sim o que tu queres. 7 E, voltando, achou-os dormindo. E disse a Pedro: — Simão, você está dormindo? Não conseguiu vigiar nem uma hora? 38 Vigiem e orem, para que não caiam em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. 39 Retirando-se de novo, orou repetindo as mesmas palavras. 40 E voltando, achou-os outra vez dormindo, porque os olhos deles estavam pesados; e não sabiam o que lhe responder. 41 E, quando voltou pela terceira vez, Jesus lhes disse: — Vocês ainda estão dormindo e descansando! Basta! Chegou a hora; o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores. 42 Levantem-se, vamos embora! Eis que o traidor se aproxima.

Saindo de Jerusalém, onde comeram a Páscoa, Jesus e Seus discípulos atravessaram o vale do Cedron até um jardim localizado nas encostas do monte das Oliveiras. O nome Getsêmani significa “lagar de azeite”, sugerindo que havia um lagar de processamento de azeite nas proximidades. A localização exata é desconhecida, porque os romanos cortaram todas as árvores do monte das Oliveiras durante o cerco, em 70 d.C.

Ao entrar no jardim, Jesus deixou ali Seus discípulos e seguiu adiante com Pedro, Tiago e João. Mas então também deixou esses três e prosseguiu sozinho. Esse distanciamento espacial sugere que Jesus Se tornava cada vez mais isolado e sozinho à medida que enfrentava o sofrimento que se aproximava.

Jesus orou para que o cálice do sofrimento fosse removido, mas somente se fosse a vontade de Deus (Mc 14:36). Ele usou o termo aramaico Abba, que Marcos traduz como “Pai”. O termo não significa exatamente “papai”, como alguns sugerem. A palavra usada pelas crianças para se dirigirem ao pai era abi (Raymond E. Brown, A Morte do Messias [Paulinas, 2013], v. 1, p. 229). Contudo, o uso do termo Abba, “Pai”, carrega consigo o estreito vínculo familiar, que não deve ser diminuído.

Jesus orou para que o cálice do sofrimento fosse removido. Mas Ele Se submeteu à vontade de Deus (compare com a oração do Pai-Nosso; Mt 6:10). No restante da narrativa da Paixão, fica evidente que a resposta de Deus à oração de Jesus foi “não”. Ele não removeria o cálice do sofrimento, pois, mediante essa experiência, a salvação seria oferecida ao mundo.

Nas dificuldades, é motivador ter amigos nos apoiando. Paulo disse: “Tudo posso Naquele que me fortalece” (Fp 4:13). Mas às vezes nos esquecemos do verso seguinte: “No entanto, vocês fizeram bem, associando-se comigo nas aflições” (Fp 4:14). Era isso que Jesus desejava no Getsêmani. Três vezes Ele foi buscar conforto dos discípulos. E três vezes eles estavam dormindo. No fim, Jesus os despertou para irem com Ele e enfrentarem a provação. Ele estava pronto, mas eles não.

Terça-feira, 10 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

_______________
1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O Evangelho de Marcos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 517, jul. ago. set. 2024. Adulto, Professor.
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

A última Ceia

Lições da Bíblia1:

2. Leia Marcos 14:22-31 e Êxodo 24:8. Que grande significado para a fé cristã se encontra no relato de Marcos? Marcos 14:22-31 (NAA)2: 22 E, enquanto comiam, Jesus pegou um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu, dizendo: — Tomem; isto é o meu corpo. 23 A seguir, Jesus pegou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos seus discípulos; e todos beberam dele. 24 Então lhes disse: — Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, derramado em favor de muitos. 25 Em verdade lhes digo que nunca mais beberei do fruto da videira, até aquele dia em que beberei o vinho novo, no Reino de Deus. 26 E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras. 27 E Jesus disse aos discípulos: — Serei uma pedra de tropeço para todos vocês, porque está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.’ 28 Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vocês para a Galileia. 29 Então Pedro disse a Jesus: — Ainda que o senhor venha a ser um tropeço para todos, não o será para mim! 30 Mas Jesus lhe disse: — Em verdade lhe digo que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, você me negará três vezes. 31 Mas Pedro insistia com mais veemência: — Ainda que me seja necessário morrer com o senhor, de modo nenhum o negarei. E todos os outros diziam a mesma coisa.”

Êxodo 24:8 (NAA)2: “Então Moisés pegou aquele sangue, e o aspergiu sobre o povo, e disse: — Eis aqui o sangue da aliança que o Senhor fez com vocês de acordo com todas estas palavras.

Marcos 14:12 observa que aquele era o primeiro dia da Festa dos Pães sem Fermento, quando o cordeiro da Páscoa era sacrificado. A refeição ocorreu na quinta-feira à noite.

Na última Ceia, Jesus instituiu um novo serviço memorial. Era uma transição da celebração da Páscoa judaica, ligada à saída de Israel do Egito e ao estabelecimento da nação como o povo da aliança de Deus no Sinai. Ao selar a aliança, Moisés aspergiu o povo com o sangue dos sacrifícios e disse: “Eis aqui o sangue da aliança que o Senhor fez com vocês de acordo com todas estas palavras” (Êx 24:8).

É surpreendente que, na Ceia do Senhor, instituída por Jesus nessa ocasião, o cordeiro da ceia pascal não seja mencionado. Isso ocorreu porque Jesus é o Cordeiro de Deus (Jo 1:29). O pão da Ceia do Senhor representa o Seu corpo. A nova aliança (Jr 31:31-34) foi selada com o sangue de Jesus, e o cálice representa isso (Mc 14:24).

Então, nesse ínterim, Jesus predisse que todos os Seus discípulos O abandonariam. Ele citou Zacarias 13:7, que se refere à espada atingindo o pastor, e as ovelhas sendo dispersas. Jesus era o Pastor, e os Seus discípulos eram as ovelhas. A mensagem foi dura e deprimente. Mas Jesus acrescentou uma palavra de esperança, repetindo a predição da Sua ressurreição. Além disso, Ele disse que iria adiante dos discípulos para a Galileia. Essa predição seria mencionada pelo “jovem” (um anjo) no túmulo de Jesus, em Marcos 16:7, e por isso tem um peso especial nessa passagem.

Mas, para os discípulos, era muito difícil aceitar a mensagem, especialmente no caso de Pedro, que argumentou que todos os outros poderiam abandoná-Lo, mas ele não o faria. Contudo, com a linguagem solene, Jesus predisse que Pedro O negaria três vezes antes que o galo cantasse duas vezes. A predição desempenharia um papel crucial na cena do julgamento de Jesus e da negação de Pedro; portanto, também tem relevância nesse texto.

O que aprendemos com as promessas que fazemos a Deus e não cumprimos?

Segunda-feira, 09 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

_______________
1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O Evangelho de Marcos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 517, jul. ago. set. 2024. Adulto, Professor.
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Inesquecível

Lições da Bíblia1:

1. Qual é a relação entre as duas histórias relatadas em Marcos 14:1-11?

Marcos 14:1-11 (NAA)2: “1 Dois dias depois seria celebrada a Páscoa e a Festa dos Pães sem Fermento. Os principais sacerdotes e os escribas procuravam uma forma de prender Jesus, à traição, para matá-lo. 2 Pois diziam: — Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo. 3 Quando Jesus estava em Betânia, fazendo uma refeição na casa de Simão, o leproso, veio uma mulher, trazendo um frasco feito de alabastro com um perfume muito valioso, de nardo puro; e, quebrando o frasco, derramou o perfume sobre a cabeça de Jesus. 4 Alguns dos que estavam ali ficaram indignados e diziam entre si: — Para que este desperdício de perfume? 5 Este perfume poderia ter sido vendido por mais de trezentos denários, para ser dado aos pobres. E murmuravam contra ela. 6 Mas Jesus disse: — Deixem a mulher em paz! Por que vocês a estão incomodando? Ela praticou uma boa ação para comigo. 7 Porque os pobres estarão sempre com vocês, e, quando quiserem, podem fazer-lhes o bem, mas a mim vocês nem sempre terão. 8 Ela fez o que pôde: ungiu o meu corpo antecipadamente para a sepultura. 9 Em verdade lhes digo que, onde for pregado em todo o mundo o evangelho, também será contado o que ela fez, para memória dela. 10 E Judas Iscariotes, um dos doze, foi falar com os principais sacerdotes, para lhes entregar Jesus. 11 Eles, ouvindo isto, se alegraram e prometeram dar dinheiro a ele; nesse meio tempo, Judas buscava uma boa ocasião para entregar Jesus.

Faltavam dois dias para a Páscoa (Mc 14:1). Essa reunião pode ter ocorrido entre terça e quarta-feira daquela semana. Os líderes tinham um plano e um cronograma. Só precisavam de um meio para atingir esse objetivo. Esse meio seria surpreendente.

Essa passagem é a quinta “história em formato de sanduíche” em Marcos (ver lição 3). A história da conspiração contra Jesus está ligada à história de uma mulher que unge Sua cabeça com perfume precioso. Dois personagens paralelos realizaram ações opostas, exibindo um contraste irônico.

Marcos não revela o nome dessa mulher. Sua dádiva a Jesus contrasta com a artimanha de Judas ao trair o Senhor. Judas é mencionado como um dos doze. O valor do presente dela é mencionado; o preço dele é apenas uma promessa de dinheiro.

Nenhuma razão é dada para a mulher ter feito isso, mas os convidados do jantar ficaram horrorizados com o que consideraram o desperdício de quase um ano de salário ao derramar o perfume sobre Jesus. O Senhor, porém, a defendeu dizendo que o ato dela seria incluído na pregação do evangelho em todo o mundo, em memória dela. Seria algo inesquecível. Os quatro evangelhos contam essa história de uma forma ou de outra, provavelmente por causa das palavras de Jesus em memória do seu feito.

A traição de Judas também foi inesquecível. Marcos dá a entender que a motivação dele foi a ganância. O Evangelho de João deixa isso explícito (Jo 12:4-6).

Marcos faz um trocadilho com a palavra “bom” para ilustrar que duas motivações ou tramas diferentes estavam em jogo nessas histórias. Em Marcos 14:6, Jesus chamou a ação da mulher de “boa” (kalon, em grego, que também pode ser traduzida como “bela”). Depois, Ele disse que sempre poderemos fazer o “bem” para os pobres (Mc 14:7) e chamou a ação da mulher de parte do “evangelho”, que significa “boas-novas” (Mc 14:9). Por último, em Marcos 14:11, Judas procurou uma “boa ocasião” para trair Jesus. Esse jogo de palavras indica que a conspiração humana para destruir o Messias se tornaria parte da história do evangelho, porque estava cumprindo a vontade de Deus ao dar Seu Filho para a salvação da humanidade.

Como Romanos 8:28 ajuda a explicar esses acontecimentos?

Rm 8.28 (NAA): “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”

Domingo, 08 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

_______________
1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O Evangelho de Marcos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 517, jul. ago. set. 2024. Adulto, Professor.
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.