As duas ofertas

Lições da Bíblia1

O contraste entre Caim e Abel, conforme refletido em seus nomes, não dizia respeito apenas às suas personalidades; também se manifestava em suas respectivas ocupações. Enquanto Caim era “agricultor”, profissão que exigia trabalho físico árduo, Abel era “pastor de ovelhas” (Gn 4:2), o que implicava sensibilidade e compaixão.

Essas duas ocupações não apenas explicam a natureza das duas ofertas (alimentos de Caim e uma ovelha de Abel), mas também falam das duas atitudes psicológicas e mentalidades diferentes associadas a elas: Caim trabalhava para “adquirir” o fruto que produzia, enquanto Abel tinha o cuidado de “guardar” as ovelhas que recebia.

2. Leia Gênesis 4:1-5 e Hebreus 11:4. Por que Deus aceitou a oferta de Abel e rejeitou a de Caim? Como devemos entender o que aconteceu ali?

Gênesis 4:1-5 (ARA)2: “1 Coabitou o homem com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu à luz a Caim; então, disse: Adquiri um varão com o auxílio do Senhor. 2 Depois, deu à luz a Abel, seu irmão. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador. 3 Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. 4 Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; 5 ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante.”

Hebreus 11:4 (ARA)2: “Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala.”

“Sem derramamento de sangue não poderia haver remissão de pecado; e eles deviam mostrar sua fé no sangue de Cristo como a expiação prometida, oferecendo em sacrifício o primogênito do rebanho. Além disso, as primícias da terra deviam ser apresentadas diante do Senhor em ação de graças” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 47 [71]).

Enquanto Abel obedeceu às instruções divinas e, conforme o texto hebraico, ofereceu as primícias da terra, além da oferta queimada de animal, Caim se recusou a fazê-lo. Ele não trouxe um animal para ser sacrificado, mas apenas uma oferta do “fruto da terra”. Foi um ato de flagrante desobediência, em contraste com a atitude de seu irmão. Com frequência, essa história tem sido considerada um caso clássico de salvação pela fé (Abel e sua oferta de sangue) em contraste com uma tentativa de ganhar a salvação pelas obras (Caim e o fruto da terra).

Embora essas ofertas devessem ter um significado espiritual, não tinham valor mágico em si mesmas. Sempre foram meros símbolos, imagens que apontavam para o Deus que provê ao pecador não apenas o sustento, mas também a redenção (Mq 6:7; Is 1:11). Como aplicar o princípio contido nesses textos em nossa vida e adoração?

Que coisas na vida são verdadeiramente hebel (“vaidade”), mas que tratamos como se fossem mais valiosas do que de fato são? Por que devemos saber a diferença entre o que é importante e o que não é?

Segunda-feira, 11 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

Caim e Abel

Lições da Bíblia1

1. Leia Gênesis 4:1, 2. O que aprendemos sobre o nascimento de Caim e Abel?

Gênesis 4:1, 2 (ARA)2: “1 Coabitou o homem com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu à luz a Caim; então, disse: Adquiri um varão com o auxílio do Senhor. 2 Depois, deu à luz a Abel, seu irmão. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador.”

O primeiro evento registrado pelo autor bíblico imediatamente após a expulsão de Adão do jardim do Éden é um nascimento. Na frase hebraica em Gênesis 4:1, as palavras “o Senhor” (YHWH) estão diretamente ligadas às palavras “um homem”, como indica a seguinte tradução literal: “Adquiri um homem, na verdade o próprio Senhor”. Essa tradução sugere que Eva se lembrou da profecia messiânica de Gênesis 3:15 e acreditou que havia dado à luz seu Salvador, o Senhor. “A vinda do Salvador foi predita no Éden. Depois que Adão e Eva ouviram pela primeira vez a promessa, aguardaram um cumprimento imediato dela. Receberam alegremente seu primeiro filho, na esperança de que fosse o Libertador” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 20 [31]).

Caim ocupa a maior parte do relato. Ele não era apenas o primogênito, um filho que os pais quase “adoravam”; no capítulo, ele é o único que fala. Enquanto Eva comentou animadamente sobre o nascimento de Caim, não disse nada no nascimento de Abel, pelo menos nada que esteja registrado no texto, em contraste com o nascimento de Caim. O narrador simplesmente relatou que ela “voltou a dar à luz” (Gn 4:2, NVI).

O nome Caim vem do verbo hebraico qanah, que significa “adquirir” e denota a aquisição, a posse de algo precioso e poderoso. Por outro lado, o nome hebraico Hebel, em português Abel, significa “sopro” (Sl 62:9, NVI), ou “brisa” (Sl 144:4, NVT), e indica algo evasivo, vazio, falta de substância. A mesma palavra, hebel (abel), é usada repetidamente em Eclesiastes para “vaidade”. Embora não seja nossa intenção ver mais nessas curtas passagens do que aquilo que está contido nelas, talvez a ideia seja de que a esperança de Adão e Eva repousasse somente em Caim, pois acreditavam que ele, e não seu irmão, fosse o Messias prometido.

Domingo, 10 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

Caim e seu legado

Lições da Bíblia1

“Se fizer o que é certo, não é verdade que você será aceito? Mas, se não fizer o que é certo, eis que o pecado está à porta, à sua espera. O desejo dele será contra você, mas é necessário que você o domine” (Gn 4:7).

Em Gênesis, o que se segue imediatamente após a queda, e a expulsão de Adão e Eva do Éden, são nascimentos e mortes, todos em cumprimento das profecias de Deus no capítulo anterior. Gênesis 3 e 4 contêm muitos temas e palavras comuns: descrições de pecado (Gn 3:6-8; 4:8), maldições da terra [‘adamah] (Gn 3:17; 4:11) e expulsão (Gn 3:24; 4:12, 16).

A razão desses paralelos é destacar o cumprimento das profecias e predições que Deus fez a Adão e Eva após a queda. O primeiro evento depois de Adão ter sido expulso foi cheio de esperança: o nascimento do primeiro filho, considerado por Eva como o cumprimento da promessa que ouviu na profecia messiânica (Gn 3:15). Ou seja, ela pensou que ele fosse o Messias prometido.

Os eventos seguintes: o crime de Caim, o crime de Lameque, a diminuição da expectativa de vida e o aumento da maldade são todos cumprimentos da maldição proferida em Gênesis 3.

No entanto, nem toda esperança estava perdida.

Sábado, 09 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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A queda – Estudo adicional

Lições da Bíblia1

Considere a conexão entre “a árvore da vida” e “a árvore do conhecimento do bem e do mal”. Ambas estão “no meio do jardim” (Gn 2:9), porém há mais entre as duas árvores do que uma relação geográfica. O ser humano tirou o fruto do conhecimento do bem e do mal e desobedeceu a Deus. Assim, perdeu o acesso à árvore da vida, e não poderia viver para sempre, pelo menos no estado de pecado. Essa conexão é a base de um princípio profundo. As escolhas morais e espirituais têm impacto na vida biológica, como vemos na instrução de Salomão a seu filho (Pv 3:1, 2). Essa conexão reaparece na nova Jerusalém, onde apenas a árvore da vida estará (Ap 22:2).

“Ao criar Eva, Deus pretendia que ela não fosse nem inferior nem superior ao homem, mas em todas as coisas lhe fosse igual. O santo casal não devia ter nenhum interesse independente um do outro e, no entanto, cada um possuía individualidade de pensamento e de ação. Depois do pecado de Eva, porém, tendo ela sido a primeira na transgressão, o Senhor lhe disse que Adão teria domínio sobre ela. Devia ser sujeita a seu marido, o que constituía parte da maldição. Em muitos casos, essa maldição tem tornado o destino da mulher extremamente doloroso, fazendo de sua vida um fardo. O homem tem abusado em muitos aspectos da superioridade que Deus lhe deu, exercendo poder arbitrário. A sabedoria infinita idealizou o plano da redenção, pelo qual a humanidade tem segundo tempo de graça mediante outra prova” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 3, p. 402 [484]).

Perguntas para consideração

1. Deus confrontou Adão e fez-lhe perguntas não apenas para estabelecer sua culpa, mas para levá-lo ao arrependimento. Esse motivo reapareceu no caso de Caim (Gn 4:9, 10), no dilúvio (Gn 6:5-8), na torre de Babel (Gn 11:5) e em Sodoma e Gomorra (Gn 18:21). Como, nesses incidentes, se revela a ideia de um juízo investigativo?

2. Por que Eva pensou que comer do fruto lhe daria sabedoria? Como evitar o erro de desafiar a Palavra de Deus a fim de obter algo “melhor” do que o que Deus oferece?

Sexta-feira, 08 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 

Destino humano

Lições da Bíblia1

Leia Gênesis 3:15-24. Como resultado da queda, o que aconteceu com Adão e Eva?

Gênesis 3:15-24 (ARA)2: “15 Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. 16 E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará. 17 E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. 18 Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. 19 No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás. 20 E deu o homem o nome de Eva a sua mulher, por ser a mãe de todos os seres humanos. 21 Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu. 22 Então, disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente. 23 O Senhor Deus, por isso, o lançou fora do jardim do Éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado. 24 E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida.”

Embora o juízo divino sobre a serpente seja explicitamente identificado como maldição (Gn 3:14), não acontece o mesmo quanto ao juízo divino sobre a mulher e o homem. A única vez que a palavra “maldita” é usada novamente se aplica apenas à “terra”, o solo (Gn 3:17). Ou seja, Deus tinha outros planos para o homem e a mulher. Eles receberam uma esperança que não foi oferecida à serpente.

Ainda que vivessem verdadeiramente no paraíso e não tivessem absolutamente nenhuma razão para duvidar do Criador, de Suas palavras ou de Seu amor por eles, nossos primeiros pais desobedeceram a Deus de modo aberto e flagrante. Entretanto, como qualquer pai amoroso, o Senhor queria apenas o bem para eles, não o mal. Porém, visto que conheciam o mal, Deus faria tudo o que pudesse para salvá-los dele. Assim, mesmo em meio a esses juízos, a esperança não se perdeu para eles.

Visto que o pecado da mulher ocorreu devido à sua associação com a serpente, o verso que descreve o juízo divino sobre a mulher está relacionado ao juízo da serpente. Não apenas Gênesis 3:16 segue imediatamente Gênesis 3:15, mas os paralelos entre as duas profecias indicam de forma clara que a profecia sobre a mulher em Gênesis 3:16 deve ser lida em conexão com a profecia messiânica em Gênesis 3:15. O juízo divino sobre a mulher, incluindo a gravidez, deve, portanto, ser entendido sob a perspectiva positiva da salvação (compare com 1Tm 2:14, 15).

O pecado do homem aconteceu porque ele ouviu a mulher em lugar de Deus. Por isso, foi amaldiçoado o solo de onde o homem havia sido tirado (Gn 3:17). Como resultado, ele teria que trabalhar arduamente (Gn 3:17-19), e então voltaria à terra (Gn 3:19), algo que nunca deveria acontecer e que nunca fez parte do plano original divino.

É significativo que, contra essa perspectiva desesperadora da morte, Adão tenha se voltado para a mulher, em quem viu esperança de vida por meio do parto (Gn 3:20), mesmo em meio à sentença de morte.

Temos a tendência de pensar que “conhecimento” em si é bom, mas por que nem sempre é esse o caso? Sobre quais coisas é melhor nada sabermos?

Quinta-feira, 07 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

O destino da serpente

Lições da Bíblia1

4. “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o Descendente dela. Este lhe ferirá a cabeça, e você Lhe ferirá o calcanhar” (Gn 3:15). O que significam as palavras do Senhor à serpente, e que esperança está implícita nesse verso?

A serpente seria esmagada na cruz. Haveria esperança para a humanidade por meio do Descendente, Jesus.

Deus começou Seu julgamento com a serpente, pois foi ela que deu início a todo o drama. A serpente foi o único ser amaldiçoado nessa narrativa. Há uma espécie de “reversão” da criação. Enquanto a criação levou à vida, à apreciação do bem e das bênçãos, o juízo levou à morte, ao mal e às maldições, mas também à esperança e à promessa de salvação. Junto ao quadro sombrio da serpente subjugada comendo pó (Gn 3:14) resplandeceu a esperança da salvação da humanidade, que aparece em forma de profecia. Mesmo antes das condenações de Adão e Eva, o Senhor lhes deu esperança da redenção (Gn 3:15). Sim, eles pecaram e sofreriam e morreriam por causa disso. Contudo, existe esperança de salvação.

5. Compare Gênesis 3:15 com Romanos 16:20, Hebreus 2:14 e Apocalipse 12:17. Como o plano da salvação, bem como o grande conflito, é revelado nessas passagens?

Gênesis 3:15 (ARA)2: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”

Romanos 16:20 (ARA)2: “E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás. A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco.”

Hebreus 2:14 (ARA)2: “Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?

Apocalipse 12:17 (ARA)2: “Irou-se o dragão contra a mulher e foi pelejar com os restantes da sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus; e se pôs em pé sobre a areia do mar.”

Observe os paralelos entre Gênesis 3:15 e Apocalipse 12:17: o dragão (serpente), enfurecido (inimizade); a descendência (semente); a mulher no Éden, a mulher em Apocalipse 12:17. A batalha (o grande conflito) que se moveu para o Éden, com a queda, continuará até o fim dos tempos. No entanto, a promessa da derrota de Satanás já foi feita no Éden: sua cabeça seria esmagada, tema mais explicitamente revelado no Apocalipse, que descreve sua derrota final (Ap 20:10). Ou seja, desde o início, a humanidade recebeu a esperança de que haveria uma saída para a terrível confusão advinda do conhecimento do mal, esperança de que todos nós podemos compartilhar.

Por que é tão reconfortante observar que, no próprio Éden, onde o pecado e o mal tiveram início na Terra, o Senhor começou a revelar o plano da salvação?

Quarta-feira, 06 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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Escondendo-se de Deus

Lições da Bíblia1

Leia Gênesis 3:7-13. Por que Adão e Eva sentiram a necessidade de se esconder de Deus? Por que Deus perguntou “Onde você está?” Como Adão e Eva procuraram justificar seu comportamento?

Gênesis 3:7-13 (ARA)2: “7 Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si. 8 Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim. 9 E chamou o Senhor Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás? 10 Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi. 11 Perguntou-lhe Deus: Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? 12 Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. 13 Disse o Senhor Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.

Depois de pecar, Adão e Eva se sentiram nus, pois tinham perdido suas vestes de glória, que refletiam a presença de Deus (ver Sl 8:5, compare com Sl 104:1, 2). A imagem divina foi afetada pelo pecado. O verbo “fazer”, na frase “fizeram cintas para si” (Gn 3:7), era até então aplicado apenas a Deus, o Criador (Gn 1:7, 16, 25, etc.). É como se eles substituíssem o Senhor ao tentar encobrir seus pecados, um ato que Paulo denuncia como justiça pelas obras (Gl 2:16).

Ao Se aproximar, Deus perguntou: “Onde você está?” (Gn 3:9), o mesmo tipo de pergunta que fez a Caim (Gn 4:9). Claro, Deus sabia as respostas. Suas perguntas foram feitas em benefício dos culpados, para ajudá-los a perceber o que haviam feito e, ao mesmo tempo, levá-los ao arrependimento e à salvação. A partir do momento em que os humanos pecaram, o Senhor esteve trabalhando para sua salvação e redenção.

Todo o cenário reflete a ideia do juízo investigativo, que começa com o Juiz, que interroga o culpado (Gn 3:9) a fim de prepará-lo para a sentença (Gn 3:14-19). Mas Ele também faz isso para levar ao arrependimento, que conduzirá à salvação (Gn 3:15).

No início, Adão e Eva tentaram fugir da acusação, procurando culpar um ao outro, atitude comum entre pecadores. À pergunta de Deus, Adão respondeu que foi a mulher que o Senhor lhe tinha dado (Gn 3:12) que o havia levado a fazer isso. Foi culpa dela (e, implicitamente, de Deus também), não dele.

Eva respondeu que foi a serpente que a enganou. O verbo hebraico nasha’, “enganar” (Gn 3:13), significa dar às pessoas falsas esperanças, levando-as a acreditar que estão fazendo a coisa certa (2Rs 19:10; Is 37:10; Jr 49:16).

Adão culpou a mulher, dizendo que ela lhe deu o fruto, e Eva culpou a serpente, dizendo que ela a enganou. Porém, os dois eram culpados.

Por que é tão fácil cair na mesma armadilha, de tentar culpar outra pessoa pelo próprio erro? Será que temos coragem de permitir que a graça nos leve à confissão do erro?

Terça-feira, 05 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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O fruto proibido

Lições da Bíblia1

2. Leia Gênesis 2:16, 17 e 3:1-6 (ver também Jo 8:44). Compare as palavras da ordem divina a Adão com as palavras da serpente à mulher. Quais são as diferenças entre as falas e qual é o significado dessas diferenças?

Gênesis 2:16, 17 (ARA)2: “16 E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, 17 mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”

Gênesis 3:1-6 (ARA)2: “1 Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? 2 Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, 3 mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. 4 Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. 5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. 6 Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu.”

Jo 8:44 (ARA)2: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.”

Observe os paralelos entre a conversa de Deus com Adão (Gn 2:16, 17) e a conversa de Eva com a serpente. É como se a serpente tivesse substituído Deus e soubesse ainda mais do que Ele. A princípio, ela apenas fez uma pergunta, dando a entender que a mulher talvez tivesse entendido mal a ordem divina; porém, em seguida, Satanás questionou abertamente as intenções de Deus e até O contradisse.

O ataque de Satanás envolvia duas questões: a morte e o conhecimento do bem e do mal. Enquanto Deus afirmou de maneira clara e enfática que a morte deles seria certa (Gn 2:17), Satanás disse que, ao contrário, não morreriam, sugerindo que os humanos eram imortais (Gn 3:4). Enquanto Deus proibiu Adão e Eva de comer do fruto, Satanás os encorajou a fazê-lo, pois, comendo-o, seriam como Deus (Gn 3:5). Os dois argumentos de Satanás, imortalidade e semelhança com Deus, convenceram Eva a comer o fruto. É preocupante o fato de que tão logo a mulher decidiu desobedecer a Deus e comer o fruto proibido, ela se comportou como se Deus não estivesse mais presente e tivesse sido substituído por ela mesma. O texto bíblico alude a essa mudança de personalidade. Na avaliação de Eva sobre o fruto proibido, a Bíblia usou a linguagem de Deus: “vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer” (Gn 3:6). Isso lembra a avaliação de Deus sobre Sua criação: “e viu […] que era boa” (Gn 1:4, ARC etc.). Essas duas tentações, a de ser imortal e a de ser como Deus, estão na raiz da ideia de imortalidade das antigas religiões egípcia e grega. O desejo de imortalidade, que acreditavam ser um atributo divino, obrigava essas pessoas a buscar a condição divina a fim de adquirir a imortalidade. Sorrateiramente, essa forma de pensar se infiltrou nas culturas judaico-cristãs e deu origem à crença na imortalidade da alma, que ainda subsiste em muitas igrejas.

Algumas crenças ensinam que há algo inerentemente imortal em nós. Nossa compreensão do estado dos mortos nos protege contra esse engano perigoso?