Vamos descer

Lições da Bíblia1

4. Leia Gênesis 11:5-7 e Salmo 139:7-12. Por que Deus desceu à Terra? O que motivou essa reação divina?

Gênesis 11:5-7 (ARA)2: “5 Então, desceu o Senhor para ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens edificavam; 6 e o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer. 7 Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro.

Salmo 139:7-12 (ARA)2: “7 Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? 8 Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; 9 se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, 10 ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá. 11 Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, 12 até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa.”

Ironicamente, embora os homens estivessem subindo, Deus teve que descer até eles. O Pai desceu para afirmar Sua supremacia. Ele sempre estará além do alcance humano. Qualquer esforço humano para se elevar a Ele e encontrá-Lo no céu é inútil e ridículo. Por isso, para nos salvar, Jesus desceu a nós; não havia outra maneira de fazer isso.

Uma ironia no relato da torre de Babel é vista na declaração: “ver a cidade e a torre” (Gn 11:5). Deus não precisava descer para ver (Sl 139:7-12; Sl 2:4), mas Ele o fez mesmo assim. O conceito enfatiza o envolvimento de Deus com a humanidade.

5. Leia Lucas 1:26-33. O que isso nos ensina sobre Deus vir até nós?

Lucas 1:26-33 (ARA)2: “26 No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria. 28 E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo. 29 Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação. 30 Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. 31 Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. 32 Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; 33 ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.

A atitude de Deus de descer nos faz recordar também do princípio da justiça pela fé e do processo da graça divina. Independentemente da obra que realizemos para Deus, Ele ainda terá que vir para Se encontrar conosco. Não é o que fazemos para o Senhor que nos levará a Ele e à redenção. Em vez disso, é o movimento Dele em nossa direção que nos salva. Duas vezes o texto em Gênesis fala sobre Deus descer, o que parece indicar o quanto Ele Se importava com o que estava acontecendo ali.

De acordo com a passagem, o Senhor queria acabar com a profunda união deles, a qual, dado o seu estado decaído, só poderia levar a outras maldades. Por isso, Ele escolheu confundir seus idiomas, o que poria fim aos seus esquemas de união.

“Os planos dos construtores de Babel terminaram com vergonha e derrota. O monumento ao seu orgulho se tornou o memorial de sua loucura. No entanto, as pessoas estão prosseguindo continuamente no mesmo caminho, confiando em si mesmas e rejeitando a lei de Deus. É o princípio que Satanás procurou pôr em prática no Céu, o mesmo que governou Caim quando apresentou sua oferta” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 93 [123]).

Há no relato da torre de Babel outro exemplo da arrogância humana? Como termina essa história e que lições podemos tirar dela?

Quarta-feira 27 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

Um idioma

Lições da Bíblia1

3. Leia Gênesis 11:1-4. Por que as pessoas de “toda a terra” estavam tão ansiosas para alcançar a unidade?

Gênesis 11:1-4 (ARA)2: “1 Ora, em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar. 2 Sucedeu que, partindo eles do Oriente, deram com uma planície na terra de Sinar; e habitaram ali. 3 E disseram uns aos outros: Vinde, façamos tijolos e queimemo-los bem. Os tijolos serviram-lhes de pedra, e o betume, de argamassa. 4 Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra.

A frase “toda a terra” refere-se a um pequeno número de pessoas, as que viviam na época após o dilúvio. O motivo dessa reunião está claramente indicado: queriam construir uma torre para chegar aos céus (Gn 11:4). Na verdade, sua real intenção era ocupar o lugar do próprio Deus, o Criador. A descrição das intenções e atitudes do povo ecoam as intenções e ações divinas no relato da criação: “e disseram” (Gn 11:3, 4; compare com Gn 1:6, 9, 14, etc.); “Vamos fazer” (Gn 11:3, 4; compare com Gn 1:26). A sua intenção ficou explicitamente declarada: “‘tornemos célebre o nosso nome’” (Gn 11:4), expressão que se destina exclusivamente a Deus (Is 63:12, 14).

Em suma, os construtores de Babel alimentavam a ambição equivocada de substituir Deus, o Criador (sabemos quem inspirou isso, não é mesmo? [Is 14:14]). A lembrança do dilúvio deve ter desempenhado uma função nesse plano. Eles construíram uma torre alta para sobreviver a outra inundação, se houvesse, apesar da promessa divina. A memória do dilúvio foi preservada na tradição babilônica, embora distorcida, em conexão com a construção de Babel (Babilônia). Esse esforço para alcançar o céu e usurpar o lugar de Deus, de fato, caracterizaria o espírito de Babilônia.

Por isso, a história da torre de Babel também é um tema tão importante no livro de Daniel. A referência a Sinar, no início do relato sobre a torre de Babel (Gn 11:2), reaparece no livro de Daniel, designando o lugar para onde Nabucodonosor levou os utensílios do templo de Jerusalém (Dn 1:2). Entre outras passagens do livro, o episódio de Nabucodonosor erguendo a estátua de ouro, provavelmente no mesmo lugar, na mesma “planície”, é o que mais ilustra esse estado de espírito. Em suas visões do fim, Daniel viu o mesmo cenário das nações da Terra se reunindo contra Deus (Dn 2:43; 11:43-45; compare com Ap 16:15, 16), embora essa tentativa falhe, como também aconteceu com Babel.

Um escritor francês disse que o propósito da humanidade era tentar “ser Deus”. O que há em nós, a começar com Eva (Gn 3:5), que é atraído para essa mentira perigosa?

Terça-feira 26 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

A genealogia em Gênesis

Lições da Bíblia1

As informações cronológicas sobre a idade de Noé nos fazem perceber que ele serviu de elo entre as civilizações pré e pós-diluviana. Os dois últimos versos do relato anterior (Gn 9:28, 29) nos levam de volta ao último elo da genealogia de Adão (Gn 5:32). Visto que Adão morreu quando Lameque, pai de Noé, tinha 56 anos, Noé certamente deve ter ouvido histórias sobre Adão, as quais poderia ter transmitido a seus descendentes antes e depois do dilúvio.

Leia Gênesis 10. Qual é o propósito dessa genealogia na Bíblia? (Veja também Lc 3:23-38.)

Gênesis 10 (ARA)2: 1 São estas as gerações dos filhos de Noé, Sem, Cam e Jafé; e nasceram-lhes filhos depois do dilúvio. 2 Os filhos de Jafé são: Gomer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tiras. 3 Os filhos de Gomer são: Asquenaz, Rifate e Togarma. 4 Os de Javã são: Elisá, Társis, Quitim e Dodanim. 5 Estes repartiram entre si as ilhas das nações nas suas terras, cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, em suas nações. 6 Os filhos de Cam: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã. 7 Os filhos de Cuxe: Sebá, Havilá, Sabtá, Raamá e Sabtecá; e os filhos de Raamá: Sabá e Dedã. 8 Cuxe gerou a Ninrode, o qual começou a ser poderoso na terra. 9 Foi valente caçador diante do Senhor; daí dizer-se: Como Ninrode, poderoso caçador diante do Senhor. 10 O princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar. 11 Daquela terra saiu ele para a Assíria e edificou Nínive, Reobote-Ir e Calá. 12 E, entre Nínive e Calá, a grande cidade de Resém. 13 Mizraim gerou a Ludim, a Anamim, a Leabim, a Naftuim, 14 a Patrusim, a Casluim (donde saíram os filisteus) e a Caftorim. 15 Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e a Hete, 16 e aos jebuseus, aos amorreus, aos girgaseus, 17 aos heveus, aos arqueus, aos sineus, 18 aos arvadeus, aos zemareus e aos hamateus; e depois se espalharam as famílias dos cananeus. 19 E o limite dos cananeus foi desde Sidom, indo para Gerar, até Gaza, indo para Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa. 20 São estes os filhos de Cam, segundo as suas famílias, segundo as suas línguas, em suas terras, em suas nações. 21 A Sem, que foi pai de todos os filhos de Héber e irmão mais velho de Jafé, também lhe nasceram filhos. 22 Os filhos de Sem são: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arã. 23 Os filhos de Arã: Uz, Hul, Geter e Más. 24 Arfaxade gerou a Salá; Salá gerou a Héber. 25 A Héber nasceram dois filhos: um teve por nome Pelegue, porquanto em seus dias se repartiu a terra; e o nome de seu irmão foi Joctã. 26 Joctã gerou a Almodá, a Selefe, a Hazar-Mavé, a Jerá, 27 a Hadorão, a Uzal, a Dicla, 28 a Obal, a Abimael, a Sabá, 29 a Ofir, a Havilá e a Jobabe; todos estes foram filhos de Joctã. 30 E habitaram desde Messa, indo para Sefar, montanha do Oriente. 31 São estes os filhos de Sem, segundo as suas famílias, segundo as suas línguas, em suas terras, em suas nações. 32 São estas as famílias dos filhos de Noé, segundo as suas gerações, nas suas nações; e destes foram disseminadas as nações na terra, depois do dilúvio.”

Lucas 3:23-38 (ARA)2: “23 Ora, tinha Jesus cerca de trinta anos ao começar o seu ministério. Era, como se cuidava, filho de José, filho de Eli; 24 Eli, filho de Matate, Matate, filho de Levi, Levi, filho de Melqui, este, filho de Janai, filho de José; 25 José, filho de Matatias, Matatias, filho de Amós, Amós, filho de Naum, este, filho de Esli, filho de Nagai; 26 Nagai, filho de Maate, Maate, filho de Matatias, Matatias, filho de Semei, este, filho de José, filho de Jodá; 27 Jodá, filho de Joanã, Joanã, filho de Resa, Resa, filho de Zorobabel, este, de Salatiel, filho de Neri; 28 Neri, filho de Melqui, Melqui, filho de Adi, Adi, filho de Cosã, este, de Elmadã, filho de Er; 29 Er, filho de Josué, Josué, filho de Eliézer, Eliézer, filho de Jorim, este, de Matate, filho de Levi; 30 Levi, filho de Simeão, Simeão, filho de Judá, Judá, filho de José, este, filho de Jonã, filho de Eliaquim; 31 Eliaquim, filho de Meleá, Meleá, filho de Mená, Mená, filho de Matatá, este, filho de Natã, filho de Davi; 32 Davi, filho de Jessé, Jessé, filho de Obede, Obede, filho de Boaz, este, filho de Salá, filho de Naassom; 33 Naassom, filho de Aminadabe, Aminadabe, filho de Admim, Admim, filho de Arni, Arni, filho de Esrom, este, filho de Perez, filho de Judá; 34 Judá, filho de Jacó, Jacó, filho de Isaque, Isaque, filho de Abraão, este, filho de Tera, filho de Naor; 35 Naor, filho de Serugue, Serugue, filho de Ragaú, Ragaú, filho de Faleque, este, filho de Éber, filho de Salá; 36 Salá, filho de Cainã, Cainã, filho de Arfaxade, Arfaxade, filho de Sem, este, filho de Noé, filho de Lameque; 37 Lameque, filho de Metusalém, Metusalém, filho de Enoque, Enoque, filho de Jarede, este, filho de Maalalel, filho de Cainã; 38 Cainã, filho de Enos, Enos, filho de Sete, e este, filho de Adão, filho de Deus.

A genealogia bíblica tem três funções. Primeiro, enfatizar a natureza histórica dos eventos bíblicos, que estão relacionados a pessoas reais que viveram e morreram e cujos dias estão precisamente contados. Em segundo lugar, demonstrar a continuidade desde o passado até a época em que viveu o escritor, estabelecendo uma ligação clara entre o passado e o “presente”. Terceiro, lembrar-nos da fragilidade humana e do efeito trágico da maldição do pecado e seus resultados mortais em todas as gerações que se seguiram.

A classificação “camita”, “semita” e “jafetita” não segue critérios claros. As 70 nações prefiguram os 70 membros da família de Jacó (Gn 46:27) e os 70 anciãos de Israel no deserto (Êx 24:9). A ideia de uma correspondência entre as 70 nações e os 70 anciãos sugere a missão de Israel para com as nações: “Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando separava os filhos dos homens uns dos outros, fixou as fronteiras dos povos, segundo o número dos filhos de Israel” (Dt 32:8). Seguindo esse padrão, Jesus enviou 70 discípulos para evangelizar as nações (Lc 10:1).

O que essa informação nos mostra é a ligação direta entre Adão e os patriarcas; todos eles são figuras históricas, pessoas reais, de Adão em diante. Isso também nos ajuda a entender que os patriarcas tiveram acesso direto a testemunhas que tinham lembranças pessoais dos eventos antigos.

Leia Mateus 1:1-17. De acordo com esse texto, essas pessoas eram reais? Por que saber e crer que elas eram reais é importante para nossa fé?

Segunda-feira 25 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

A maldição de Cam

Lições da Bíblia1

1. Leia Gênesis 9:18-27. Qual é a mensagem dessa história estranha?

Gênesis 9:18-27 (ARA)2: 18 Os filhos de Noé, que saíram da arca, foram Sem, Cam e Jafé; Cam é o pai de Canaã. 19 São eles os três filhos de Noé; e deles se povoou toda a terra. 20 Sendo Noé lavrador, passou a plantar uma vinha. 21 Bebendo do vinho, embriagou-se e se pôs nu dentro de sua tenda. 22 Cam, pai de Canaã, vendo a nudez do pai, fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos. 23 Então, Sem e Jafé tomaram uma capa, puseram-na sobre os próprios ombros de ambos e, andando de costas, rostos desviados, cobriram a nudez do pai, sem que a vissem. 24 Despertando Noé do seu vinho, soube o que lhe fizera o filho mais moço 25 e disse: Maldito seja Canaã; seja servo dos servos a seus irmãos. 26 E ajuntou: Bendito seja o Senhor, Deus de Sem; e Canaã lhe seja servo.  27 Engrandeça Deus a Jafé, e habite ele nas tendas de Sem; e Canaã lhe seja servo.”

A atitude de Noé em sua vinha lembra Adão no jardim do Éden. As duas histórias contêm temas comuns: comer da fruta resultou em nudez. Em seguida, houve uma cobertura, uma maldição e uma bênção. Noé se reconectou às suas raízes adâmicas e, infelizmente, deu continuidade ao fracasso.

A fermentação da fruta não fazia parte da criação original de Deus. Noé bebeu do suco fermentado, perdeu o controle e ficou nu. O fato de Cam ter “visto” sua nudez relembra Eva, que também “viu” a árvore proibida (Gn 3:6). Esse paralelo sugere que Cam não apenas “viu” furtivamente, por acidente, a nudez de seu pai. Ele andou ao redor e falou sobre isso, sem nem mesmo tentar resolver o problema. Em contraste, a reação imediata de seus irmãos de cobrir seu pai, enquanto Cam o havia deixado nu, denunciou implicitamente as atitudes do filho mais moço.

A questão em jogo tem a ver com o respeito aos pais. Deixar de honrar seus pais, que representam seu passado, afetará seu futuro (Êx 20:12; compare com Ef 6:2). Daí a maldição, que influenciou o futuro de Cam e de seu filho Canaã.

Claro, é erro teológico grosseiro e crime étnico usar esse texto para justificar teorias racistas. A profecia é estritamente restrita a Canaã, filho de Cam. O autor bíblico tinha em mente algumas práticas corruptas dos cananeus (Gn 19:5-7, 31-35).

Além disso, a maldição contém uma promessa de bênção, jogando com o nome “Canaã”, que deriva do verbo kana’, que significa “subjugar”. Subjugando Canaã, o povo de Deus, descendentes de Sem, entraria mais tarde na terra prometida e prepararia o caminho para a vinda do Messias, que engrandeceria Jafé “nas tendas de Sem” (Gn 9:27). Essa é uma alusão profética à expansão da aliança de Deus a todas as nações, que abraçariam a mensagem de salvação de Israel para o mundo (Dn 9:27; Is 66:18-20; Rm 11:25). A maldição de Cam resultou, na verdade, em bênção para todas as nações, incluindo os descendentes de Cam e Canaã que aceitassem a salvação oferecida pelo Senhor.

Noé, o “herói” do dilúvio, bêbado? O que isso nos diz sobre nossas imperfeições e o motivo pelo qual carecemos da graça divina em todos os momentos?

Domingo, 24 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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Todas as nações e Babel

Lições da Bíblia1

“A cidade foi chamada de Babel, porque ali o Senhor confundiu a língua de toda a Terra e dali o Senhor os dispersou por toda a superfície dela” (Gn 11:9).

Após o dilúvio, o relato bíblico muda o foco no único indivíduo, Noé, para seus três filhos, “Sem, Cam e Jafé”. A atenção especial a Cam, o pai de Canaã (Gn 10:6, 15), introduz a ideia de “Canaã”, a terra prometida (Gn 12:5), uma antecipação de Abraão, cuja bênção se estenderia a todas as nações (Gn 12:3).

No entanto, essa sequência foi interrompida pela torre de Babel (Gn 11:1-9). Mais uma vez, os planos de Deus para a humanidade foram interrompidos. O nascimento de todas as nações, que deveria ser uma bênção, tornou-se maldição. As nações se uniram para tentar tomar o lugar do Senhor, que respondeu com um juízo sobre elas. E, com a consequente confusão, as pessoas se dispersaram por todo o mundo (Gn 11:8), cumprindo assim o plano original divino de que enchessem a Terra (Gn 9:1).

Apesar da maldade humana, Deus transformou o mal em bem. Como sempre, é Dele a última palavra. A maldição de Cam na tenda de Noé (Gn 9:21, 22) e a maldição das nações confundidas na torre de Babel (Gn 11:9), no fim, se transformariam em bênção para todos.

Sábado, 23 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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O dilúvio – Estudo adicional

Lições da Bíblia1

É instrutivo comparar a mentalidade e o comportamento das pessoas e o estado do mundo antediluviano com as pessoas em nossos dias. Com certeza, a maldade humana não é um fenômeno novo. Veja os paralelos entre as duas épocas.

“Os pecados que atraíram a vingança sobre o mundo antediluviano existem hoje. O temor de Deus foi banido do coração das pessoas, e Sua lei é tratada com indiferença e desprezo. O grande mundanismo daquela geração é igualado ao da geração que vive atualmente […]. Deus não condenou os antediluvianos pelo fato de comerem e beberem […]. Seu pecado consistia em tomar esses dons sem gratidão para com o Doador e se degenerarem, condescendendo com o apetite sem restrições. Não era errado se casar. O matrimônio estava dentro da ordem determinada por Deus; foi uma das primeiras instituições que Ele estabeleceu. Deu instruções especiais sobre essa ordenança, revestindo-a de santidade e beleza. Contudo, essas instruções foram esquecidas, e o casamento foi pervertido e utilizado apenas para satisfazer os desejos carnais. Algo semelhante existe hoje. Aquilo que em si mesmo é lícito é levado ao excesso […]. Fraude, suborno e roubo ficam impunes entre ricos e pobres. A mídia está repleta de notícias de assassinato e crimes […]. O quadro que a Inspiração nos dá do mundo antediluviano retrata com fidelidade a condição à qual rapidamente a sociedade moderna caminha. Mesmo agora, no século atual, e nos países que professam ser cristãos, há crimes diariamente cometidos tão hediondos como aqueles pelos quais os pecadores do antigo mundo foram destruídos” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 73, 74 [101, 102]).

Perguntas para consideração

1. Quais são os traços comuns do mundo pré-diluviano e do nosso? O que nos ensinam sobre a graça de Deus?

2. Alguns dizem que o dilúvio foi um evento local. Qual é o erro dessa ideia? Se isso fosse verdade, cada inundação local (e cada arco-íris) faria de Deus um mentiroso?

Sexta-feira, 22 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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A aliança: parte 2

Lições da Bíblia1

6. Leia Gênesis 8:21–9:1. Qual é a importância do compromisso de Deus com a preservação da vida? Como as bênçãos divinas cumprem esse compromisso?

Gênesis 8:21–9:1 (ARA)2: “21 E o Senhor aspirou o suave cheiro e disse consigo mesmo: Não tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade; nem tornarei a ferir todo vivente, como fiz. 22 Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite. 9 1 Abençoou Deus a Noé e a seus filhos e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vosa e enchei a terra.”

O compromisso de Deus em preservar a vida foi um ato da graça, e não o resultado de méritos humanos. O Senhor decidiu fazer isso apesar da maldade humana (Gn 8:21). Gênesis 8:22 diz que, “enquanto durar a Terra”, isto é, enquanto a Terra atual permanecer, as estações virão e passarão e a vida será sustentada. Deus não desistiu de Sua criação.

O texto seguinte, que fala sobre a bênção divina, nos leva de volta à criação original (Gn 1:22, 28; 2:3). O Senhor, em certo sentido, estava dando à humanidade uma chance de recomeçar.

7. Leia Gênesis 9:8-17. Qual é o significado do arco-íris? Como esse sinal da aliança de Deus (Gn 9:13) se relaciona com o outro sinal da aliança, o sábado?

Gênesis 9:8-17 (ARA)2: “8 Disse também Deus a Noé e a seus filhos: 9 Eis que estabeleço a minha aliança convosco, e com a vossa descendência,10 e com todos os seres viventes que estão convosco: tanto as aves, os animais domésticos e os animais selváticos que saíram da arca como todos os animais da terra. 11 Estabeleço a minha aliança convosco: não será mais destruída toda carne por águas de dilúvio, nem mais haverá dilúvio para destruir a terra. 12 Disse Deus: Este é o sinal da minha aliança que faço entre mim e vós e entre todos os seres viventes que estão convosco, para perpétuas gerações: 13 porei nas nuvens o meu arco; será por sinal da aliança entre mim e a terra. 14 Sucederá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, e nelas aparecer o arco, 15 então, me lembrarei da minha aliança, firmada entre mim e vós e todos os seres viventes de toda carne; e as águas não mais se tornarão em dilúvio para destruir toda carne. 16 O arco estará nas nuvens; vê-lo-ei e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres viventes de toda carne que há sobre a terra. 17 Disse Deus a Noé: Este é o sinal da aliança estabelecida entre mim e toda carne sobre a terra.

A frase “estabeleço a Minha aliança” é repetida três vezes (Gn 9:9, 11, 17), marcando o clímax e o cumprimento da promessa inicial de Deus (Gn 6:18). Após a seção anterior (Gn 9:1-7), paralela ao sexto dia do relato da criação, está a passagem paralela à seção que fala do sétimo dia do relato da criação, o sábado. Dentro do texto, a repetição da palavra “aliança” por sete vezes estabelece uma ligação com o sábado. Assim como o sábado, o arco-íris é o sinal da aliança (Gn 9:13, 14, 16; compare com Êx 31:12-17). Além disso, como o sábado, o arco-íris tem um alcance universal; isto é, se aplica a todos. Da mesma forma que o sábado, como sinal da criação, é para todos, em todos os lugares, a promessa de que nenhum outro dilúvio mundial virá é para todos, em todos os lugares.

Da próxima vez que você vir um arco-íris, pense nas promessas de Deus para nós. Por que podemos confiar nessas promessas? Como o arco-íris nos ajuda nisso?

Quinta-feira, 21 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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A aliança: parte 1

Lições da Bíblia1

Aquele era o momento em que a aliança prometida deveria se cumprir. “Com você estabelecerei a Minha aliança, e você entrará na arca, você e os seus filhos, a sua mulher, e as mulheres dos seus filhos” (Gn 6:18). Em contraste com a ameaça divina de destruir (Gn 6:17), essa aliança é a promessa de vida.

4. Qual foi a primeira coisa que Noé fez ao sair da arca e por quê? Gn 8:20

Gênesis 8:20 (ARA)2: “Levantou Noé um altar ao Senhor e, tomando de animais limpos e de aves limpas, ofereceu holocaustos sobre o altar.”

A exemplo de Adão e Eva, que certamente adoraram a Deus no sábado logo após os seis dias da criação, Noé adorou logo após o dilúvio, outro evento da criação. Porém, há uma diferença entre esses dois atos de adoração. Ao contrário de Adão e Eva, que adoraram ao Senhor de forma direta, Noé teve que recorrer a um sacrifício. Nas Escrituras, essa é a primeira menção de um altar. O sacrifício foi um “holocausto” (‘olah), o mais antigo e frequente. Para Noé, era uma oferta de ação de graças (compare com Nm 15:1-11) a fim de expressar sua gratidão ao Criador, que o salvou.

Leia Gênesis 9:2-4. Como o dilúvio afetou a dieta humana? Qual era o princípio por trás das restrições divinas?

Gênesis 9:2-4 (ARA)2: “2 Pavor e medo de vós virão sobre todos os animais da terra e sobre todas as aves dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar nas vossas mãos serão entregues. 3 Tudo o que se move e vive ser-vos-á para alimento; como vos dei a erva verde, tudo vos dou agora. 4 Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.

Por causa do efeito do dilúvio, os vegetais não estavam mais disponíveis como antes. Portanto, Deus permitiu que os humanos comessem carne animal. Essa mudança na dieta gerou uma mudança na relação entre seres humanos e animais. No relato da criação, humanos e animais compartilhavam a mesma dieta vegetal e não ameaçavam uns aos outros. No mundo pós-diluviano, a matança de animais para alimento acarretou uma relação de medo e pavor (Gn 9:2). Sem dúvida, depois que começaram a se alimentar uns dos outros, humanos e animais desenvolveram um relacionamento bem diferente do que haviam desfrutado no Éden.

A tolerância divina, no entanto, tinha duas restrições: nem todos os animais eram adequados para alimento, fato implícito na distinção entre animais “limpos e impuros”, que fazia parte da ordem da criação (ver Gn 8:19, 20; compare com 1:21, 24); eles deviam se abster de consumir sangue, pois a vida está no sangue (Gn 9:4).

Quarta-feira, 20 de abril de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.