O chamado para permanecer firme

Lições da Bíblia1

“Quanto ao mais, sejam fortalecidos no Senhor e na força do Seu poder. Vistam-se com toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo” (Ef 6:10, 11).

Sonolento, o servo tropeçou para fora de seu alojamento e teve uma visão alarmante, um exército grande, bem equipado e hostil com “tropas, cavalos e carros de guerra”. Ao falar com o profeta Eliseu, gaguejou as notícias e perguntou: “Ai, meu senhor, que faremos?”

Eliseu respondeu: “Não tenha medo, porque são mais os que estão conosco do que os que estão com eles”, uma resposta que não afetou o semblante do servo do profeta. Eliseu o puxou para perto e orou por ele: “Senhor, peço-te que abras os olhos dele para que veja”. A oração do profeta foi respondida de imediato. O servo olhou para as muralhas novamente, mas desta vez o véu entre o visível e o invisível foi levantado. Então, ele não viu um exército, mas dois. “O Senhor abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, ao redor de Eliseu” (2Rs 6:15-17).

Ao escrever Efésios 6:10-20, Paulo orou para que a visão dos crentes fosse aprimorada e eles pudessem enxergar a realidade completa do grande conflito e sentir esperança com o que ela lhes revelava.

Sábado, 09 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Efésios. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 513, jul. ago. set. 2023. Adulto, Professor. 

Suprema lealdade a Cristo – Estudo adicional

Lições da Bíblia1

O respeito de Paulo pelos filhos como companheiros de fé (Ef 6:1-3) aumenta nossa preocupação com a forma como as crianças são tratadas hoje. Sua palavra aos pais (Ef 6:4) nos convida a considerar as responsabilidades deles. Aplicar o conselho do apóstolo aos escravos (Ef 6:5-8) e, especialmente, seu conselho aos senhores de escravos (Ef 6:9) é mais desafiador, uma vez que o ambiente social está distante para muitos de nós e porque sabemos que a escravidão, de qualquer forma, é uma grande maldade. Ainda assim, visto que essas palavras são inspiradas, devemos refletir sobre como aplicá-las no presente. Como os efésios no primeiro século, temos o privilégio e a responsabilidade de aplicar os valores do evangelho aos relacionamentos. As perguntas para consideração foram projetadas para fomentar essa tarefa importante.

Perguntas para consideração

O que significa dizer que o amor pelas crianças é identificado como evidência de “um povo preparado para o Senhor”? (Lc 1:17, NVI, citando Ml 4:6).

Qual é a nossa responsabilidade em estender o cuidado de Cristo às crianças que sofreram violência, abuso sexual e desonra?

Quais são as responsabilidades da igreja quanto a cuidar das crianças e protegê-las? Que sistemas e procedimentos precisam estar em vigor para que isso aconteça?

O conselho de Paulo para escravos e senhores de escravos, em Efésios 6:5-9, é aplicado ao relacionamento entre empregados e empregadores. Isso é apropriado? Que perigos há em se fazer isso?

A escravidão ainda atinge mais de 40 milhões de pessoas no mundo (“Índice Global de Escravidão”, http://www.globalslaveryindex.org/). Nossos líderes espirituais do passado estavam comprometidos com a abolição da escravidão. Qual é a nossa responsabilidade para com os filhos de Deus escravizados, considerando, por exemplo, este trecho de um hino cristão: “Correntes Ele quebrará, pois o escravo é nosso irmão, e em Seu nome toda opressão cessará” (“O Holy Night”, música em domínio público)?

Sexta-feira, 08 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Efésios. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 513, jul. ago. set. 2023. Adulto, Professor. 

Senhores que são escravos

Lições da Bíblia1

Nas últimas palavras de Paulo aos escravos, “seja servo, seja livre” (Ef 6:8), a palavra “livre” refere-se aos senhores. Paulo imaginou escravos e senhores em pé de igualdade diante de Cristo no juízo (compare com 2Co 5:10 [“10 Porque é necessário que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.”]; Cl 3:24, 25 [“24 sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo. 25 E quem fizer injustiça receberá em troca a injustiça feita. E nisto ninguém será tratado com parcialidade.”]).

5. Imagine que você fosse um cristão senhor de escravos e ouvisse a leitura da Carta aos Efésios no seu lar-igreja. Como reagiria a esse conselho, dado na presença de seus escravos? Ef 6:9

Ef 6:9 (NAA)2: “E vocês, senhores, façam o mesmo com os servos, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como de vocês, está nos céus, e que ele não trata as pessoas com parcialidade.

Paulo exortou com firmeza os senhores, mostrando o contraste entre “senhores” (grego, hoi curió, traduzido como “mestres”), que tinham o hábito de “ameaçar” os escravos, e “o Senhor” (ho kurios), Cristo, em quem não há “parcialidade”.

Paulo pediu aos senhores: “façam o mesmo com os servos”, os escravos, o que era surpreendente no contexto do primeiro século. Os senhores deviam agir com boa vontade por causa de sua lealdade a Cristo, correspondendo ao que Paulo pediu aos escravos (Ef 6:5-8). Paulo exortou os senhores a parar de ameaçar os escravos, uma prática comum em que senhores administravam variadas punições, incluindo espancamento (1Pe 2:20), abuso sexual, venda do escravo (que era separado da família), trabalho extremo, fome, algemas, marcas de ferro quente e até a morte. Por causa disso eles serão julgados por Deus.

Paulo baseou suas ordens em duas motivações que chamaram os senhores de escravos a olhar além das estruturas sociais greco-romanas: 1. Eles e seus escravos eram escravos de um único Senhor (Ef 6:9; Cl 4:1); 2. O Senhor celestial julga tudo sem parcialidade. Uma vez que seu próprio Senhor tratava os escravos em pé de igualdade com os outros, eles também deviam fazer assim (comparar com Fm 15, 16 [“15 Talvez ele tenha sido afastado de você temporariamente, a fim de que você o receba para sempre, 16 não como escravo, mas, muito mais do que escravo, como irmão caríssimo, especialmente de mim e, com maior razão, de você, quer como ser humano, quer como irmão no Senhor.”]).

A linguagem de Paulo animou os escravos. Eles receberam a adoção (Ef 1:5); a redenção (Ef 1:7); a herança (Ef 1:11, 14; 3:6); a entronização com Jesus (Ef 2:6); o status de “concidadãos”, “membros da família de Deus” (Ef 2:19; 3:14, 15) e integrantes do corpo de Cristo (Ef 3:6; 4:1-16). Efésios 6:5-9 aplica o ensino da carta ao relacionamento entre escravos e senhores, incluindo o conselho sobre a fala (Ef 4:25-32) e a ética sexual (Ef 5:1-14).

Quinta-feira, 07 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Efésios. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 513, jul. ago. set. 2023. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Escravos de Cristo

Lições da Bíblia1

4. Nas instruções aos escravos cristãos, o que foi requerido deles? Ef 6:5-8

Ef 6:5-8 (NAA)2: “5 Quanto a vocês, servos, obedeçam a seus senhores aqui na terra com temor e tremor, com sinceridade de coração, como a Cristo, 6 não servindo apenas quando estão sendo vigiados, somente para agradar pessoas, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus. 7 Sirvam de boa vontade, como se estivessem trabalhando para o Senhor e não para pessoas, 8 sabendo que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, seja servo, seja livre.”

Paulo pediu aos escravos que obedecessem aos seus senhores, oferecendo serviço sincero e excelente. O que é notável é a repetida referência a uma grande substituição que ele lhes pede que façam. Eles não deviam colocar seu senhor no lugar de Cristo, oferecendo a ele a lealdade que pertence apenas a Cristo. Em vez disso, no compromisso e na lealdade que motivam o serviço sincero e excelente, deviam colocar Cristo, o Senhor, no lugar do seu senhor. Ao incentivar essa substituição essencial, Paulo ofereceu uma nova compreensão cristã do relacionamento senhor-escravo.

Observe as maneiras pelas quais Paulo os exortou a fazer essa substituição:

Os senhores foram diminuídos por Paulo como “senhores aqui na Terra”, apontando para o Senhor real e celestial (Ef 6:5).

Eles deviam servir “com temor e tremor, com sinceridade de coração, como a Cristo” (Ef 6:5).

Paulo apontou essa substituição de forma mais clara ao afirmar que os escravos deviam oferecer serviço genuíno como escravos, não de seus senhores, mas como “servos de Cristo” (Ef 6:6).

Na realização de suas tarefas, eles deviam fazer “de coração a vontade de Deus”, oferecendo um serviço sincero dirigido a Deus (Ef 6:6).

Paulo incentivou a realização de serviços positivamente motivados, oferecidos “para o Senhor e não para pessoas” (Ef 6:7).

Por seu serviço sincero por Cristo, os escravos podiam esperar a recompensa na volta do Senhor, uma ideia especialmente atraente para pessoas presas nessa instituição horrível. Um escravo pode se sentir desvalorizado ou algo pior por um senhor terreno (1Pe 2:19, 20). O escravo crente, porém, tem um Senhor que está atento, percebendo “qualquer coisa boa que cada um faz” (Ef 6:8), e oferecendo a recompensa segura.

Gostaríamos que as Escrituras tivessem condenado essa prática horrível, mas ela não o fez. No entanto, que princípios extraímos das palavras de Paulo sobre nossos relacionamentos com os colegas e parceiros no contexto do trabalho?

Quarta-feira, 06 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Efésios. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 513, jul. ago. set. 2023. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Escravidão no tempo de Paulo

Lições da Bíblia1

3. Como você resumiria os conselhos bíblicos aos escravos e aos senhores de escravos? Ef 6:5-9; Cl 3:22–4:1; 1Co 7:20-24; 1Tm 6:1, 2; 1Pe 2:18-25

Ef 6:5-9 (NAA)2: “5 Quanto a vocês, servos, obedeçam a seus senhores aqui na terra com temor e tremor, com sinceridade de coração, como a Cristo, 6 não servindo apenas quando estão sendo vigiados, somente para agradar pessoas, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus. 7 Sirvam de boa vontade, como se estivessem trabalhando para o Senhor e não para pessoas, 8 sabendo que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, seja servo, seja livre. 9 E vocês, senhores, façam o mesmo com os servos, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como de vocês, está nos céus, e que ele não trata as pessoas com parcialidade.

Cl 3:22–4:1 (NAA)2: “22 Servos, obedeçam em tudo a seus senhores aqui na terra, não servindo apenas quando estão sendo vigiados, visando somente agradar pessoas, mas com sinceridade de coração, temendo o Senhor. 23 Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor e não para as pessoas, 24 sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo. 25 E quem fizer injustiça receberá em troca a injustiça feita. E nisto ninguém será tratado com parcialidade. 4 1 Senhores, tratem os seus servos com justiça e igualdade, sabendo que também vocês têm um Senhor no céu.

1Co 7:20-24 (NAA)2: “20 Cada um permaneça na vocação em que foi chamado. 21 Você foi chamado, sendo escravo? Não se preocupe com isso. Mas, se você ainda pode tornar-se livre, aproveite a oportunidade. 22 Pois quem foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto que pertence ao Senhor. Do mesmo modo, quem foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo. 23 Vocês foram comprados por preço; não se tornem escravos de homens. 24 Irmãos, cada um permaneça diante de Deus na condição em que foi chamado.”

1Tm 6:1, 2 (NAA)2: “1 Todos os servos que estão debaixo de jugo considerem dignos de toda honra o próprio senhor, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam difamados. 2 Também os que têm senhor crente não o tratem com desrespeito, porque é irmão; pelo contrário, trabalhem ainda mais, pois ele, que partilha do seu bom serviço, é crente e amado. Ensine e recomende estas coisas.

1Pe 2:18-25 (NAA)2: “18 Servos, sejam obedientes ao senhor de vocês, com todo o temor. E não somente se ele for bom e cordial, mas também se for mau. 19 Porque isto é agradável a Deus, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus. 20 Pois que glória há, se, pecando e sendo castigados por isso, vocês o suportam com paciência? Se, entretanto, quando praticam o bem, vocês são igualmente afligidos e o suportam com paciência, isto é agradável a Deus. 21 Porque para isto mesmo vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando exemplo para que vocês sigam os seus passos. 22 Ele não cometeu pecado, nem foi encontrado engano em sua boca. 23 Pois ele, quando insultado, não revidava com insultos; quando maltratado, não fazia ameaças, mas se entregava àquele que julga retamente, 24 carregando ele mesmo, em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça. Pelas feridas dele vocês foram sarados. 25 Porque vocês estavam desgarrados como ovelhas; agora, porém, se converteram ao Pastor e Bispo da alma de vocês.”

É surpreendente ouvir Paulo se dirigir aos senhores de escravos e escravos cristãos e imaginá-los sentados juntos nas igrejas-lares de Éfeso. A escravidão no mundo greco-romano podia diferir da versão posterior no Novo Mundo em aspectos significativos. Não estava focada em um único grupo étnico. Escravos urbanos e domésticos tinham às vezes oportunidades de educação e podiam trabalhar como arquitetos, médicos e filósofos. Em alguns casos, escravos domésticos ganhavam a liberdade após um período limitado de serviço, embora isso não ocorresse com a maioria deles. Na tentativa de reconhecer tais diferenças, uma série de versões bíblicas recentes traduz o termo grego doulos (“escravo”) em Efésios 6:5-8 como “servo”.

No entanto, essas opções não eram praticadas de forma igual, pois os escravos em áreas rurais regularmente experimentavam trabalho árduo. Não importa onde os escravos servissem, eles estavam sujeitos ao poder quase ilimitado do senhor de quem eram propriedade, bem como de sua família. O clamor do ex-escravo Públio Siro é assustador: “É lindo morrer em vez de ser humilhado como escravo.” Dada a grande variação dessas realidades, é preferível a tradução de doulos como “escravo”, especialmente porque esses escravos viviam sob a ameaça dos senhores (Ef 6:9).

Paulo não abordou a escravidão como um reformador social, mas como um pastor que aconselhava os crentes quanto à maneira de lidar com as realidades, e lançou uma nova visão centrada na transformação do crente individual, que mais tarde teria implicações mais amplas para a sociedade: “Sua visão não era para a alforria de escravos no Império Romano, mas algo além da alforria legal, ou seja, a criação de uma nova comunhão entre irmãos com base na adoção como filhos de Deus. […]. A revolução social deveria ocorrer na igreja, […] e na família” (Scot McKnight, The Letter to Philemon [Eerdmans Publishing Company, 2017], p. 10, 11).

Uma das manchas da história foi o uso de passagens bíblicas sobre a escravidão para justificar esse mal. Que cuidado devemos ter ao lidar com a Palavra de Deus?

Terça-feira, 05 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Efésios. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 513, jul. ago. set. 2023. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Conselhos aos pais

Lições da Bíblia1

2. Compare Efésios 6:4 e Colossenses 3:21. Que motivação Colossenses 3:21 apresenta para se evitar irritar os filhos?

Efésios 6:4 (NAA)2: “E vocês, pais, não provoquem os seus filhos à ira, mas tratem de criá-los na disciplina e na admoestação do Senhor.

Colossenses 3:21 (NAA)2: “Pais, não irritem os seus filhos, para que eles não fiquem desanimados.

Siraque, um documento judeu disponível na época de Paulo, aconselhava os pais sobre o tratamento para com os filhos: “Aquele que ama seu filho irá castigá-lo com frequência. […] Mime uma criança, e ela irá aterrorizá-lo; brinque com ela, e ela o entristecerá. […] Discipline seu filho e torne seu jugo pesado, para que você não seja ofendido pela falta de vergonha dele” (Siraque 30:1, 9, 13).

O conselho de Paulo tem um tom bem diferente. Ele primeiro deu uma ordem negativa aos pais: “Não provoquem os seus filhos à ira”, seguido de um positivo: “tratem de criá-los na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6:4). Naquela época, os pais tinham total poder legal sobre os filhos, que eram considerados sua propriedade. Os pais tinham o direito de infligir punição violenta, até mesmo a morte, aos filhos. Em alguns aspectos, o poder do pai sobre os filhos excedia a autoridade de um senhor sobre seus escravos. Paulo não apoiava isso. Ele esclareceu e remodelou os relacionamentos. No contexto de uma lealdade suprema a Cristo, Paulo convidou os pais a repensar o uso do poder, uma vez que os filhos que eram provocados à ira não estariam em boa posição de aceitar “a disciplina e a admoestação do Senhor” (Ef 6:4).

“Pais e mães, vocês devem representar no lar o caráter de Deus. Devem exigir obediência. Não com uma tormenta de palavras, mas de modo calmo e amável […].

“Sejam agradáveis no lar. Reprimam toda a palavra que despertaria um temperamento não santificado. ‘Pais, não irritem seus filhos’ é uma ordem divina (Ef 6:4). […]

“Nenhuma permissão é dada na Palavra de Deus para a severidade ou opressão paternas, nem para a desobediência dos filhos. A lei de Deus na vida do lar e no governo das nações flui de um coração de infinito amor” (Ellen G. White, Orientação da Criança [CPB, 2021], p. 182).

Embora a lição até aqui fale de pais e filhos, que princípios podem ser extraídos desses textos que devem impactar o modo como lidamos com outras pessoas?

Segunda-feira, 04 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Efésios. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 513, jul. ago. set. 2023. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Conselho aos filhos

Lições da Bíblia1

1. Que conselho Paulo deu aos filhos, e como fundamentou esse conselho no AT? Ef 6:1-3; Mt 18:1-5, 10; Mc 10:13-16

Ef 6:1-3 (NAA)2: “1 Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isto é justo. 2 Honre o seu pai e a sua mãe’, que é o primeiro mandamento com promessa, 3 ‘para que tudo corra bem com você, e você tenha uma longa vida sobre a terra’.”

Mt 18:1-5, 10 (NAA)2: “1 Naquela hora, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram: — Quem é o maior no Reino dos Céus? 2 E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles 3 e disse: — Em verdade lhes digo: se vocês não se converterem e não se tornarem como crianças, de maneira nenhuma entrarão no Reino dos Céus. 4 Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. 5 E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, é a mim que recebe. […] 10 — Fiquem atentos, para não desprezarem nenhum destes pequeninos! Porque eu afirmo a vocês que os anjos deles, lá nos céus, veem incessantemente a face de meu Pai celeste.”

Mc 10:13-16 (NAA)2: 13 Então trouxeram algumas crianças a Jesus para que as abençoasse, mas os discípulos os repreendiam. 14 Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: — Deixem que os pequeninos venham a mim; não os impeçam, porque dos tais é o Reino de Deus. 15 Em verdade lhes digo: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele. 16 Então, tomando as crianças nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava.”

Para compreender plenamente o conselho de Paulo aos filhos, devemos imaginá-lo sendo lido nas igrejas da próspera metrópole de Éfeso. A palavra “filhos” (grego, ta tekna) poderia se referir a uma ampla faixa etária, uma vez que os filhos permaneciam sob a autoridade do pai até os 60 anos (na tradição grega) ou até sua morte (na romana). Contudo, esses filhos eram jovens o bastante para estar sob instrução dos pais (Ef 6:4), mas com idade suficiente para ser discípulos em seu próprio direito.

Ouvimos Paulo pedir aos filhos, que estavam adorando em congregações cristãs, para obedecer e honrar aos seus pais “no Senhor”, isto é, em Cristo (compare com Ef 5:22; 6:4, 5, 7-9). Somos convidados a respeitar os filhos considerando-os discípulos de Cristo e incluí-los como participantes ativos na adoração. Isso torna a passagem fundamental para a paternidade e para o ministério às crianças.

A ordem de Paulo para obedecer não é absoluta. Quando as ordens dos pais “contrariam os reclamos de Cristo, então, embora seja doloroso esse pensamento, devem obedecer a Deus e deixar com Ele as consequências (Ellen G. White, O Lar Adventista [CPB, 2021], p. 239).

Paulo completou sua exortação aos filhos citando o quinto mandamento, testemunhando o alto apreço que ele tinha pelos Dez Mandamentos como fonte de orientação para os cristãos (uma característica óbvia de Ef 4:1–6:9; em especial Ef 4:25, 28; 5:3-14). Ele começou a citação (“Honre o seu pai e a sua mãe”; Ef 6:2), a interrompeu com um comentário editorial (“que é o primeiro mandamento com promessa”; Ef 6:2) e então a finalizou (“para que tudo corra bem com você, e você tenha uma longa vida sobre a Terra”; Ef 6:3). O quinto mandamento testemunha que honrar os pais faz parte do projeto divino para que os seres humanos prosperem. O respeito pelos pais, embora imperfeitos, ajuda a promover a saúde e o bem-estar.

Como esses versos reforçam a importância das relações familiares?

Domingo, 03 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Efésios. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 513, jul. ago. set. 2023. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Suprema lealdade a Cristo

Lições da Bíblia1

“E vocês, senhores, façam o mesmo com os servos, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como de vocês, está nos Céus, e que Ele não trata as pessoas com parcialidade” (Ef 6:9).

Em 2018, um artefato no Museu da Bíblia, em Washington, D.C., atraiu muita atenção. Era uma Bíblia condensada projetada para ensinar o essencial da fé, ao passo que excluía passagens que incitassem a rebelião de escravos. Publicada em 1808, o texto removeu noventa por cento do AT e cinquenta por cento do NT. Dos 1.189 capítulos da Bíblia, permaneceram apenas 232.

Passagens que parecem reforçar os males da escravidão, em especial na ausência de grande parte da narrativa bíblica de “boas-novas”, foram deixadas totalmente intactas, incluindo textos frequentemente usados de forma incorreta como “servos, obedeçam a seus senhores aqui na Terra com temor e tremor, com sinceridade de coração, como a Cristo” (Ef 6:5).

No presente, em nossa época e cultura, o desafio importante é ler Efésios 6:1-9 no contexto da história completa da salvação, conforme revelada em toda a Bíblia. O que podemos aprender ao observarmos Paulo aplicar os valores do evangelho às estruturas sociais defeituosas de seu tempo?

Sábado, 02 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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