Senhor do sábado

Lições da Bíblia1:

Em Marcos 2:23 e 24, os fariseus acusaram os discípulos de transgredir o sábado. De acordo com a tradição judaica, 39 formas de trabalho eram proibidas no sábado, o que, na mente dos fariseus, incluía o que os discípulos tinham feito.

4. Como Jesus contestou a acusação feita pelos fariseus? Mc 2:23-28

Mc 2:23-28 (NAA)2: “23 Aconteceu que, num sábado, Jesus atravessava as searas, e os seus discípulos, ao passar, começaram a colher espigas. 24 Então os fariseus disseram a Jesus: — Olhe! Por que eles estão fazendo o que não é lícito aos sábados? 25 Ele lhes respondeu: — Vocês nunca leram o que Davi fez quando se viu em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros? 26 Como entrou na Casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, os quais só aos sacerdotes era lícito comer, e ainda deu esses pães aos seus companheiros? 27 E Jesus acrescentou: — O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. 28 Assim, o Filho do Homem é senhor também do sábado.

Jesus respondeu com o relato em que Davi comeu os pães sagrados (1Sm 21:1-6). Os pães da proposição eram retirados no dia de sábado; então, a jornada de Davi pode muito bem ter sido uma fuga de emergência ocorrida nesse dia. Jesus argumentou que se Davi e seus homens estavam justificados em se alimentar desses pães, então os Seus discípulos estavam justificados em colher espigas e se alimentar delas.

Jesus indicou ainda que o sábado foi feito para o benefício da humanidade, e não o contrário, e que a base dessa afirmação é o fato de que Ele é o Senhor do sábado.

Leia Marcos 3:1-6. Como essa história ilustra o ensino de Jesus de que o sábado foi feito para a humanidade?

Marcos 3:1-6 (NAA)2: “1 De novo, Jesus entrou na sinagoga. E estava ali um homem que tinha uma das mãos ressequida. 2 E estavam observando Jesus para ver se curaria aquele homem no sábado, a fim de o acusarem. 3 Jesus disse ao homem da mão ressequida: — Venha aqui para o meio! 4 Então lhes perguntou: — É lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixar morrer? Mas eles ficaram em silêncio. 5 Então Jesus, olhando em volta, indignado e entristecido com a dureza de coração daquelas pessoas, disse ao homem: — Estenda a mão. O homem estendeu a mão, e ela lhe foi restaurada. 6 Os fariseus saíram dali e, com os herodianos, logo começaram a conspirar contra Jesus, procurando ver como o matariam.”

Novamente Jesus entrou em controvérsia com os líderes por causa do sábado (no entanto, a controvérsia nunca foi sobre o dia em si). Os líderes queriam acusar Jesus caso Ele curasse no sábado. Jesus os enfrentou estabelecendo um contraste entre fazer o bem e fazer o mal, salvar a vida e deixar morrer. A resposta à Sua pergunta era evidente: fazer o bem e salvar a vida são atividades apropriadas para o sábado.

Jesus então curou o homem, o que irritou Seus oponentes, que imediatamente começaram a planejar Sua morte. A ironia da história é que aqueles que procuravam acusar Jesus de violar o sábado estavam violando esse mandamento ao tramar a Sua morte naquele mesmo dia.

Que princípios sobre a observância do sábado vemos nesses relatos? Eles nos ajudam a lidar com os desafios que enfrentamos hoje para guardar esse mandamento?

Terça-feira, 16 de julho de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O Evangelho de Marcos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 517, jul. ago. set. 2024. Adulto, Professor.
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

O chamado de Levi e a questão do jejum

Lições da Bíblia1:

Leia Marcos 2:13-22. Quem era Levi, filho de Alfeu, e por que alguém se oporia ao seu chamado para ser discípulo de Jesus?

Marcos 2:13-22 (NAA)2: “13 De novo, Jesus foi para junto do mar, e toda a multidão vinha ao encontro dele, e ele os ensinava. 14 Quando ia passando, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e lhe disse: — Siga-me! Ele se levantou e o seguiu. 15 Achando-se Jesus à mesa, na casa de Levi, estavam junto com ele e com os seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram muitos e também o seguiam. 16 Os escribas dos fariseus, vendo Jesus comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: — Por que ele come e bebe com os publicanos e pecadores? 17 Tendo ouvido isto, Jesus lhes respondeu: — Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; eu não vim chamar justos, e sim pecadores. 18 Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Algumas pessoas foram perguntar a Jesus: — Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, mas os seus discípulos não jejuam? 19 Jesus respondeu: — Como podem os convidados para o casamento jejuar enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que o noivo estiver presente, não podem jejuar. 20 No entanto, virão dias em que o noivo lhes será tirado, e então, naquele dia, eles vão jejuar. 21 Ninguém costura um remendo de pano novo em roupa velha; porque o remendo novo tira um pedaço da roupa velha, e o buraco fica ainda maior. 22 E ninguém põe vinho novo em odres velhos, porque, se fizer isso, o vinho romperá os odres e se perdem tanto o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos.”

Na época de Jesus, os cobradores de impostos eram funcionários públicos que trabalhavam para o governo local ou para Roma. Eles eram impopulares entre os judeus que moravam na Judeia porque cobravam mais do que o necessário e enriqueciam às custas de seus compatriotas. Um comentário judaico a respeito de leis religiosas diz: “Se os cobradores de impostos entrarem em uma casa, [tudo o que está dentro dela] se tornará impuro” (Mishná, tratado Tohoroth).

Portanto, não é de surpreender que os escribas tenham questionado com desaprovação: “Por que Ele come e bebe com os publicanos e pecadores?” (Mc 2:16).

Como Jesus respondeu à pergunta deles? Ele não a ignorou. Em vez disso, Jesus a inverteu, indicando que quem precisa de médico são os doentes, e não as pessoas saudáveis. Com isso, Ele reivindicou o título de médico espiritual, Aquele que cura a alma adoecida pelo pecado. Um médico não deveria, afinal, ir aonde estão os doentes?

Marcos 2:18-22 introduz um novo tema. É a história central dessas cinco histórias que tratam de controvérsias. Enquanto a seção anterior incluía um banquete oferecido por Levi, a história seguinte gira em torno da questão do jejum. Algumas pessoas perguntaram por que os discípulos de Jesus não jejuavam, quando os discípulos de João Batista e os fariseus o faziam. Jesus respondeu com uma ilustração ou parábola na qual compara Sua presença a uma festa de casamento. Um casamento seria estranho se os convidados jejuassem. Jesus, no entanto, predisse um dia em que o noivo seria tirado – uma referência à cruz. Então haveria bastante tempo para jejuar.

Jesus usou duas ilustrações que contrastam Seu ensino com o dos líderes religiosos – pano novo em roupa velha e vinho novo em odres (recipientes de couro) velhos. Que modo interessante de contrastar o ensino de Cristo com o dos líderes! Os métodos daqueles mestres haviam se tornado bastante deturpados. Mesmo a verdadeira religião pode ser transformada em trevas se as pessoas não ficarem atentas.

Quem são os “publicanos” de hoje? Como podemos mudar nossa visão sobre eles?

Segunda-feira, 15 de julho de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Curando um paralítico

Lições da Bíblia1:

1. Leia Marcos 2:1-12. O que o paralítico estava procurando quando foi levado a Jesus e o que ele recebeu?

Marcos 2:1-12 (NAA)1: “1 Dias depois, Jesus entrou de novo em Cafarnaum, e logo se ouviu dizer que ele estava em casa. 2 Muitos se reuniram ali, a ponto de não haver lugar nem mesmo junto à porta. E Jesus anunciava-lhes a palavra. 3 Trouxeram-lhe, então, um paralítico, carregado por quatro homens. 4 E, não podendo aproximar-se de Jesus, por causa da multidão, removeram o telhado no ponto correspondente ao lugar onde Jesus se encontrava e, pela abertura, desceram o leito em que o paralítico estava deitado. 5 Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: — Filho, os seus pecados estão perdoados. 6 Alguns escribas estavam sentados ali e pensavam em seu coração: 7 — Como ele se atreve a falar assim? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, a não ser um, que é Deus? 8 E Jesus, percebendo imediatamente em seu espírito que eles assim pensavam, disse-lhes: — Por que vocês estão pensando essas coisas em seu coração? 9 O que é mais fácil? Dizer ao paralítico: ‘Os seus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levante-se, tome o seu leito e ande’? 10 Mas isto é para que vocês saibam que o Filho do Homem tem autoridade sobre a terra para perdoar pecados. E disse ao paralítico: 11 — Eu digo a você: Levante-se, pegue o seu leito e vá para casa. 12 Ele se levantou e, no mesmo instante, pegando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de todos se admirarem e darem glória a Deus, dizendo: — Jamais vimos coisa assim!”

O homem não conseguia andar; portanto, seus quatro amigos tiveram que carregá-lo até Jesus. Depois que abriram o telhado e ajudaram o homem a descer até Jesus, o Mestre viu a fé deles. Como alguém pode enxergar a fé? Assim como o amor, a fé se torna visível por meio das ações, como ilustra claramente a persistência dos amigos.

A necessidade física do homem era a mais evidente. No entanto, as primeiras palavras pronunciadas por Jesus se referem ao perdão dos pecados. O homem não disse uma palavra sequer durante toda a cena. Em vez disso, os líderes religiosos se opuseram (mentalmente) ao que Jesus tinha acabado de dizer. Eles consideraram Suas palavras como blasfemas, ofensivas a Deus, por supostamente assumirem prerrogativas que pertencem somente a Ele.

Jesus enfrentou os oponentes no próprio terreno deles, usando um estilo de argumentação que era bastante típico dos rabinos, conhecido como do menor para o maior. Uma coisa é dizer que os pecados de uma pessoa são perdoados; outra coisa é realmente fazer um paralítico andar. Se Jesus era capaz de fazer aquele homem andar pelo poder de Deus, então Sua reivindicação de perdoar pecados estava confirmada.

2. Leia Miqueias 6:6-8. Como esse texto explica o que estava acontecendo entre Jesus e os líderes?

Miqueias 6:6-8 (NAA)2: “6 Com que me apresentarei ao Senhor e me inclinarei diante do Deus excelso? Virei diante dele com holocaustos, com bezerros de um ano? 7 Será que o Senhor se agrada com milhares de carneiros, com dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu corpo, pelo pecado da minha alma? 8 Ele já mostrou a você o que é bom; e o que o Senhor pede de você? Que pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com o seu Deus.”

Aqueles líderes tinham perdido de vista o que realmente importa: justiça, misericórdia e humildade. Estavam tão obcecados em defender a ideia que tinham de Deus, que ficaram cegos para a obra de Cristo que ocorria diante deles. Aqueles homens não mudaram sua percepção sobre Jesus, embora Ele tivesse dado evidências de que veio de Deus: Jesus mostrou que era capaz de ler a mente deles (o que já não era pouca coisa) e curou o paralítico na presença deles de forma que não podiam negar.

Domingo, 14 de julho de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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Controvérsias

Lilçoes da Bíbia1:

“E Jesus acrescentou: — O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Assim, o Filho do Homem é senhor também do sábado” (Mc 2:27, 28).

Os textos de Marcos 2:1 a 28 e 3:1 a 6 contêm cinco histórias que ilustram o ensino de Jesus em contraste com o ensino dos líderes religiosos. Essas histórias são apresentadas sob um padrão literário no qual cada história sucessiva se liga à anterior por meio de um tema paralelo. A última história dá uma volta e se reconecta com a primeira.

Cada uma dessas histórias ilustra aspectos de quem Jesus é, conforme exemplificado pelas declarações de Marcos 2:10, 17, 20, 28. As lições de domingo, segunda e terça aprofundarão o significado desses relatos e das declarações de Cristo.

Marcos 3:20 a 35 é o texto do estudo de quarta e quinta. O que estudaremos também é um exemplo de uma técnica usada por Marcos, conhecida como “histórias em formato de sanduíche”. Essa técnica narrativa ocorre pelo menos seis vezes em Marcos. Em cada caso, o foco está em algum aspecto importante da natureza de Jesus e do Seu papel como Messias, ou na natureza do discipulado.

Nesta semana, vamos ler alguns relatos sobre Jesus e descobrir o que podemos aprender com eles.

Sábado, 13 de julho de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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Um dia no ministério de Jesus – Estudo adicional

Lições da Bíblia1:

Leia, de Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 191-199 (“Em Cafarnaum”), e p. 200-208 (“Um ex-leproso”).

Que retrato de Jesus encontramos em Marcos 1? Jesus tinha autoridade para chamar discípulos, e eles respondiam. Ele era santo, em contraste com os espíritos impuros sob o domínio de Satanás. É apresentada uma grande batalha entre o bem e o mal, e Jesus tem mais poder do que os demônios. Ele demonstrava compaixão pelos doentes e os ajudava, tocando-os quando talvez ninguém mais o faria.

“Certa vez, Jesus estava falando na sinagoga sobre o reino que viera estabelecer e de Sua missão de libertar os cativos de Satanás, quando foi interrompido por um agudo grito de terror. […]

“Agora tudo era confusão e pavor. A atenção do povo se desviou de Cristo, e Suas palavras não foram escutadas. Esse era o desígnio de Satanás em levar a vítima à sinagoga. Mas Jesus repreendeu o demônio (Lc 4:35). […] Aquele que vencera Satanás no deserto da tentação foi novamente colocado face a face com Seu inimigo. O demônio exercia todo o poder para manter domínio sobre a vítima. Perder terreno aqui seria dar a Jesus uma vitória. […] Entretanto, o Salvador falou com autoridade e libertou o cativo” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 194).

Nosso Senhor desenvolveu um ministério bastante atarefado, indo de um lugar para outro, quase constantemente em contato com muitas pessoas. Por meio da oração Ele manteve calma e constância em relação às pessoas e ao Seu próprio ministério.

Organize um plano de oração e estudo das Escrituras. Reserve um tempo para desenvolver um temperamento tranquilo, guiado pelo Espírito Santo e pela Palavra de Deus.

Perguntas para consideração

Por que a oração é essencial? Você entende o propósito e a eficácia da oração?

Podemos dar um bom testemunho mesmo quando precisamos ficar em silêncio?

Quem são os “leprosos” de hoje? Como alcançar essas pessoas com o evangelho?

Quinta-feira, 12 de julho de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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Você pode guardar um segredo?

Lições da Bíblia1:

Leia Marcos 1:40-45. O que essa história nos ensina sobre Jesus e Seu relacionamento com as pessoas marginalizadas da sociedade?

Marcos 1:40-45 (NAA)2: “40 Um leproso se aproximou de Jesus e lhe pediu, de joelhos: — Se o senhor quiser, pode me purificar. 41 E Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou nele e disse: — Quero, sim. Fique limpo! 42 No mesmo instante, a lepra desapareceu dele, e ele ficou limpo. 43 E, advertindo-o severamente, logo o despediu. 44 E lhe disse: — Olhe! Não conte nada a ninguém, mas vá, apresente-se ao sacerdote e ofereça, pela sua purificação, o sacrifício que Moisés ordenou, para servir de testemunho ao povo. 45 Mas, tendo ele saído, começou a proclamar muitas coisas e a divulgar a notícia, a ponto de Jesus não poder mais entrar publicamente em nenhuma cidade. Por isso, permanecia fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham ao encontro dele.”

A lepra mencionada nessa passagem, e em textos do Antigo Testamento, não se refere apenas ao que hoje é conhecido como hanseníase. Uma tradução mais exata do termo bíblico seria algo como “doença grave de pele” ou “dermatose”, porque incluía várias doenças epidérmicas. A hanseníase pode ter chegado ao antigo Oriente Próximo por volta do 3o século a.C. (David P. Wright e Richard N. Jones, “Leprosy”, Anchor Bible Dictionary [Doubleday, 1992], v. 4, p. 277-282). Ainda que esse leproso mencionado pudesse ter hanseníase, não sabemos ao certo qual era a grave doença que ele sofria.

O leproso teve fé que Jesus podia purificá-lo. Segundo Levítico 13, um leproso era ritualmente impuro e tinha que evitar o contato com os outros (Lv 13:45, 46).

Jesus, porém, teve compaixão daquele homem e tocou nele “e disse: – Quero, sim. Fique limpo!” (Mc 1:41). Em casos normais, essa ação teria contaminado Jesus até o pôr do sol, quando Ele deveria Se banhar para tornar-Se ritualmente puro (Lv 13–15). Contudo, Marcos deixa claro que a ação de Jesus de tocar o doente purificou o homem de sua lepra. Assim, Jesus não ficou contaminado ao tocar no leproso.

Jesus enviou o homem a um sacerdote com a instrução de oferecer o sacrifício que Moisés havia ordenado para tais casos (Lv 14). Jesus defendia e apoiava o que Moisés havia ensinado (Mc 7:10; 10:3, 4; 12:26, 29-31). Esse entendimento é o oposto da posição dos líderes religiosos, que distorciam a intenção original dos ensinos dados por intermédio de Moisés. Isso explica porque Jesus mandou que o homem mantivesse silêncio sobre o ocorrido (Mc 1:44). Se ele contasse sobre a cura, isso poderia prejudicar a decisão do sacerdote, levando-o a se opor a Jesus.

Mas o leproso curado parece não ter entendido isso e, desobedecendo ao mandamento de Jesus, espalhou a notícia por toda parte, tornando impossível que Ele entrasse publicamente nas cidades para desenvolver Seu ministério.

Como podemos ser cautelosos para não fazer aquilo que pode atrapalhar a pregação do evangelho, por melhores que sejam nossas intenções?

Quinta-feira, 11 de julho de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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O segredo do ministério de Jesus

Lições da Bíblia1:

4. Que lições importantes aprendemos com essa história? Mc 1:35-39

Mc 1:35-39 (NAA)2: “35 Tendo-se levantado de madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus saiu e foi para um lugar deserto, e ali orava. 36 Simão e os que estavam com ele procuraram Jesus por toda parte. 37 Quando o encontraram, lhe disseram: — Todos estão à sua procura. 38 Jesus, porém, lhes disse: — Vamos a outros lugares, aos povoados vizinhos, a fim de que eu pregue também ali, pois foi para isso que eu vim. 39 Então ele foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas deles e expulsando os demônios.”

Jesus Se levantou antes do nascer do sol e foi a um local tranquilo para orar. A oração era o foco das ações de Jesus. Todos os outros verbos da frase são mencionados de forma bastante sucinta: Ele Se levantou, saiu e foi (em grego, todos esses verbos estão no tempo aoristo, o que indica ações concluídas). Mas o verbo “orar” está no tempo imperfeito, que é usado, especialmente nesse texto, para indicar um processo em andamento. Isto é, Jesus estava orando e continuou orando. Era muito cedo quando Jesus saiu de casa, o que indica que Ele passou bastante tempo em oração.

Os evangelhos descrevem Jesus como um homem de oração (Mt 14:23; Mc 6:46; Jo 17). Esse foi um dos principais segredos do poder de Seu ministério.

5. O que Lucas 6:12 ensina sobre a vida de oração de Jesus?

Lucas 6:12 (NAA)2: “Naqueles dias, Jesus se retirou para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus.”

Muitos cristãos estabelecem horários de oração. Essa prática é boa e correta, mas também pode se tornar uma rotina, algo feito de maneira quase mecânica. Uma forma de romper com um padrão fixo é mudar ocasionalmente o horário da oração ou orar durante mais tempo do que o habitual. A questão é não se prender a algum tipo de fórmula que nunca possa ser modificada.

Pedro e seus companheiros não acompanharam Jesus ao lugar de oração. Talvez soubessem da localização, porque O encontraram lá. Eles contaram a Jesus que todos O estavam procurando, sugerindo que o Mestre continuasse a emocionante experiência do dia anterior, com mais cura e ensino. Surpreendentemente, Jesus contestou, indicando que em outros lugares haveria um campo mais amplo de serviço. “Jesus, porém, lhes disse: – Vamos a outros lugares, aos povoados vizinhos, a fim de que Eu pregue também ali, pois foi para isso que Eu vim” (Mc 1:38).

Se o próprio Jesus precisou dedicar tanto tempo à oração, o que dizer de nós? O que o exemplo de Jesus nos ensina?

Quarta-feira, 10 de julho de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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Mais do ministério sabático

Lições da Bíblia1:

3. Leia Marcos 1:29-34. Como Jesus ajudou a família de Pedro, e que lições espirituais podemos aprender desse relato?

Marcos 1:29-34 (NAA): “29 E, saindo da sinagoga, foram, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. 30 A sogra de Simão estava de cama, com febre; e logo deram essa notícia a Jesus. 31 Então, aproximando-se, Jesus pegou na mão dela e fez com que ela se levantasse. A febre a deixou, e ela passou a servi-los. 32 À tarde, depois do pôr do sol, trouxeram a Jesus todos os enfermos e endemoniados. 33 Toda a cidade estava reunida à porta da casa. 34 E ele curou muitos que se achavam doentes de todo tipo de enfermidades. Também expulsou muitos demônios, não lhes permitindo que falassem, porque sabiam quem ele era.

Muitas vezes Jesus é apresentado curando alguém com um toque (Mc 1:41; 5:41), embora outras vezes nenhum toque seja mencionado (Mc 2:1-12; 3:1-6; 5:7-13).

Jesus, contudo, não havia encerrado Suas atividades daquele dia. Depois do pôr do sol, muitos foram à casa de Pedro para serem curados, por terem visto o que tinha acontecido na sinagoga ou por terem ouvido falar disso. Ainda que Jesus não tivesse problema em curar no sábado, as pessoas demoraram para ir a Jesus em busca de cura por causa das horas do sábado. Os leitores de Marcos observavam o sábado.

Marcos diz que toda a cidade estava reunida à porta da casa naquela noite (Mc 1:33). Levaria algum tempo para que Jesus ajudasse todas aquelas pessoas.

“Durante horas a fio, iam e voltavam, pois ninguém sabia se no dia seguinte o Médico ainda estaria entre eles. Nunca antes Cafarnaum presenciara um dia como aquele. O espaço se enchia de vozes de triunfo e aclamações pela libertação. O Salvador Se sentia feliz pela alegria que produzira. Quando presenciou os sofrimentos dos que tinham ido até Ele, Seu coração se moveu de compaixão […].

“Enquanto o último enfermo não foi curado, Jesus não cessou de trabalhar. […] Estando a cidade ainda imersa no sono, o Salvador, ‘tendo-Se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava’” (Mc 1:35; Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 197, 198).

Terça-feira, 09 de julho de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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