José confronta seus irmãos

Lições da Bíblia1

2. Leia Gênesis 42. O que aconteceu e como isso revelou a providência divina, a despeito da maldade e vileza humana?

Gênesis 42 (ARA)2: “1 Sabedor Jacó de que havia mantimento no Egito, disse a seus filhos: Por que estais aí a olhar uns para os outros?E ajuntou: Tenho ouvido que há cereais no Egito; descei até lá e comprai-nos deles, para que vivamos e não morramos.Então, desceram dez dos irmãos de José, para comprar cereal do Egito. 4 A Benjamim, porém, irmão de José, não enviou Jacó na companhia dos irmãos, porque dizia: Para que não lhe suceda, acaso, algum desastre. 5 Entre os que iam, pois, para lá, foram também os filhos de Israel; porque havia fome na terra de Canaã. 6 José era governador daquela terra; era ele quem vendia a todos os povos da terra; e os irmãos de José vieram e se prostraram rosto em terra, perante ele. 7 Vendo José a seus irmãos, reconheceu-os, porém não se deu a conhecer, e lhes falou asperamente, e lhes perguntou: Donde vindes? Responderam: Da terra de Canaã, para comprar mantimento. 8 José reconheceu os irmãos; porém eles não o reconheceram. 9 Então, se lembrou José dos sonhos que tivera a respeito deles e lhes disse: Vós sois espiões e viestes para ver os pontos fracos da terra. 10 Responderam-lhe: Não, senhor meu; mas vieram os teus servos para comprar mantimento. 11 Somos todos filhos de um mesmo homem; somos homens honestos; os teus servos não são espiões. 12 Ele, porém, lhes respondeu: Nada disso; pelo contrário, viestes para ver os pontos fracos da terra. 13 Eles disseram: Nós, teus servos, somos doze irmãos, filhos de um homem na terra de Canaã; o mais novo está hoje com nosso pai, outro já não existe. 14 Então, lhes falou José: É como já vos disse: sois espiões. 15 Nisto sereis provados: pela vida de Faraó, daqui não saireis, sem que primeiro venha o vosso irmão mais novo. 16 Enviai um dentre vós, que traga vosso irmão; vós ficareis detidos para que sejam provadas as vossas palavras, se há verdade no que dizeis; ou se não, pela vida de Faraó, sois espiões. 17 E os meteu juntos em prisão três dias. 18 Ao terceiro dia, disse-lhes José: Fazei o seguinte e vivereis, pois temo a Deus. 19 Se sois homens honestos, fique detido um de vós na casa da vossa prisão; vós outros ide, levai cereal para suprir a fome das vossas casas. 20 E trazei-me vosso irmão mais novo, com o que serão verificadas as vossas palavras, e não morrereis. E eles se dispuseram a fazê-lo. 21 Então, disseram uns aos outros: Na verdade, somos culpados, no tocante a nosso irmão, pois lhe vimos a angústia da alma, quando nos rogava, e não lhe acudimos; por isso, nos vem esta ansiedade. 22 Respondeu-lhes Rúben: Não vos disse eu: Não pequeis contra o jovem? E não me quisestes ouvir. Pois vedes aí que se requer de nós o seu sangue. 23 Eles, porém, não sabiam que José os entendia, porque lhes falava por intérprete. 24 E, retirando-se deles, chorou; depois, tornando, lhes falou; tomou a Simeão dentre eles e o algemou na presença deles. 25 Ordenou José que lhes enchessem de cereal os sacos, e lhes restituíssem o dinheiro, a cada um no saco de cereal, e os suprissem de comida para o caminho; e assim lhes foi feito. 26 E carregaram o cereal sobre os seus jumentos e partiram dali. 27 Abrindo um deles o saco de cereal, para dar de comer ao seu jumento na estalagem, deu com o dinheiro na boca do saco de cereal. 28 Então, disse aos irmãos: Devolveram o meu dinheiro; aqui está na boca do saco de cereal. Desfaleceu-lhes o coração, e, atemorizados, entreolhavam-se, dizendo: Que é isto que Deus nos fez? 29 E vieram para Jacó, seu pai, na terra de Canaã, e lhe contaram tudo o que lhes acontecera, dizendo: 30 O homem, o senhor da terra, falou conosco asperamente e nos tratou como espiões da terra. 31 Dissemos-lhe: Somos homens honestos; não somos espiões; 32 somos doze irmãos, filhos de um mesmo pai; um já não existe, e o mais novo está hoje com nosso pai na terra de Canaã. 33 Respondeu-nos o homem, o senhor da terra: Nisto conhecerei que sois homens honestos: deixai comigo um de vossos irmãos, tomai o cereal para remediar a fome de vossas casas e parti; 34 trazei-me vosso irmão mais novo; assim saberei que não sois espiões, mas homens honestos. Então, vos entregarei vosso irmão, e negociareis na terra. 35 Aconteceu que, despejando eles os sacos de cereal, eis cada um tinha a sua trouxinha de dinheiro no saco de cereal; e viram as trouxinhas com o dinheiro, eles e seu pai, e temeram. 36 Então, lhes disse Jacó, seu pai: Tendes-me privado de filhos: José já não existe, Simeão não está aqui, e ides levar a Benjamim! Todas estas coisas me sobrevêm. 37 Mas Rúben disse a seu pai: Mata os meus dois filhos, se to não tornar a trazer; entrega-mo, e eu to restituirei. 38 Ele, porém, disse: Meu filho não descerá convosco; seu irmão é morto, e ele ficou só; se lhe sucede algum desastre no caminho por onde fordes, fareis descer minhas cãs com tristeza à sepultura.”

A fome obrigou Jacó a enviar seus filhos ao Egito para comprar grãos. Ironicamente, foi Jacó quem iniciou o projeto de comprar os cereais (Gn 42:1). O infeliz ancião, vítima de circunstâncias além de seu controle, sem saber pôs em movimento uma incrível cadeia de eventos que o levaria a se reencontrar com o filho por quem havia chorado durante tanto tempo.

O caráter providencial desse encontro é destacado por meio de duas circunstâncias fundamentais: primeiro, ele é visto como uma realização dos sonhos de José. O evento previsto nos seus sonhos proféticos (“os feixes de vocês […] se inclinavam diante do meu” [Gn 37:7]) estava acontecendo. José foi identificado como “governador daquela terra” (Gn 42:6) e “senhor da terra” (Gn 42:30, 33). Sua posição poderosa contrasta com a de seus irmãos necessitados, que “se prostraram com o rosto em terra, diante dele” (Gn 42:6), os mesmos dez irmãos que zombaram de José sobre seu sonho e duvidaram de sua realização (Gn 37:8).

Em segundo lugar, esse encontro providencial é descrito como uma resposta. As semelhanças linguísticas e temáticas entre os dois eventos destacam o caráter de justa retribuição. A frase “disseram entre si” (Gn 42:21) também foi usada quando começaram a conspirar contra José (Gn 37:19). A estada dos irmãos na prisão (Gn 42:17) relembra a de José (Gn 40:3, 4). Na verdade, seus irmãos relacionaram o que estava acontecendo com eles com o que haviam feito, talvez 20 anos antes. “Então disseram entre si: – Na verdade, estamos sendo castigados por causa de nosso irmão, pois vimos a angústia de sua alma, quando nos pedia, e não lhe demos ouvidos; por isso, nos sobrevém agora esta ansiedade” (Gn 42:21).

Rúben disse: “O sangue dele está sendo requerido de nós” (Gn 42:22). Essas palavras relembraram sua advertência anterior: “Não derramem sangue” (Gn 37:22), e reforçaram a ligação entre o que estavam enfrentando e o que tinham feito.

Fazemos coisas sobre as quais lamentamos. É possível compensar o que fizemos? Por que aceitar as promessas de perdão de Deus em Jesus é tão crucial (Rm 5:7-11)?

Rm 5:7-11 (ARA)2: “7 Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. 8 Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. 9 Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. 10 Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; 11 e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.”

Segunda-feira, 13 de junho de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

A ascensão de José ao poder

Lições da Bíblia1

Para José, os sonhos de Faraó revelavam o que Deus estava prestes a fazer na terra (Gn 41:28). José, no entanto, não pediu a Faraó que acreditasse no seu Deus. Em vez disso, a resposta imediata de José foi a ação. Ele propôs um programa econômico. A parte econômica do discurso de José foi mantida por Faraó, que estava interessado nessa estratégia que salvaria o Egito quando se cumprisse o significado espiritual do sonho dado por Deus.

Leia Gênesis 41:37–57. Qual é o lugar de Deus no êxito de José?

Gênesis 41:37–57 (ARA)2: 37 O conselho foi agradável a Faraó e a todos os seus oficiais. 38 Disse Faraó aos seus oficiais: Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus? 39 Depois, disse Faraó a José: Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio como tu. 40 Administrarás a minha casa, e à tua palavra obedecerá todo o meu povo; somente no trono eu serei maior do que tu. 41 Disse mais Faraó a José: Vês que te faço autoridade sobre toda a terra do Egito. 42 Então, tirou Faraó o seu anel de sinete da mão e o pôs na mão de José, fê-lo vestir roupas de linho fino e lhe pôs ao pescoço um colar de ouro. 43 E fê-lo subir ao seu segundo carro, e clamavam diante dele: Inclinai-vos! Desse modo, o constituiu sobre toda a terra do Egito. 44 Disse ainda Faraó a José: Eu sou Faraó, contudo sem a tua ordem ninguém levantará mão ou pé em toda a terra do Egito. 45 E a José chamou Faraó de Zafenate-Paneia e lhe deu por mulher a Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om; e percorreu José toda a terra do Egito. 46 Era José da idade de trinta anos quando se apresentou a Faraó, rei do Egito, e andou por toda a terra do Egito. 47 Nos sete anos de fartura a terra produziu abundantemente. 48 E ajuntou José todo o mantimento que houve na terra do Egito durante os sete anos e o guardou nas cidades; o mantimento do campo ao redor de cada cidade foi guardado na mesma cidade. 49 Assim, ajuntou José muitíssimo cereal, como a areia do mar, até perder a conta, porque ia além das medidas. 50 Antes de chegar a fome, nasceram dois filhos a José, os quais lhe deu Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. 51 José ao primogênito chamou de Manassés, pois disse: Deus me fez esquecer de todos os meus trabalhos e de toda a casa de meu pai. 52 Ao segundo, chamou-lhe Efraim, pois disse: Deus me fez próspero na terra da minha aflição. 53 Passados os sete anos de abundância, que houve na terra do Egito, 54 começaram a vir os sete anos de fome, como José havia predito; e havia fome em todas as terras, mas em toda a terra do Egito havia pão. 55 Sentindo toda a terra do Egito a fome, clamou o povo a Faraó por pão; e Faraó dizia a todos os egípcios: Ide a José; o que ele vos disser fazei. 56 Havendo, pois, fome sobre toda a terra, abriu José todos os celeiros e vendia aos egípcios; porque a fome prevaleceu na terra do Egito. 57 E todas as terras vinham ao Egito, para comprar de José, porque a fome prevaleceu em todo o mundo.”

Faraó indicou José para assumir o comando não apenas porque tivesse interpretado corretamente seus sonhos e revelado o futuro problema da terra, mas porque tinha uma solução para esse problema, porque seu “conselho agradou a Faraó” (Gn 41:37), opinião também compartilhada pelos servos do regente. A escolha de Faraó parece ter sido mais pragmática do que religiosa. E ainda, ele reconheceu que a presença do “Espírito de Deus” (Gn 41:38) estava em José, que foi qualificado como “ajuizado e sábio” (Gn 41:39), expressão que caracteriza a sabedoria que Deus dá (ver Gn 41:33 [“33 Agora, pois, escolha Faraó um homem ajuizado e sábio e o ponha sobre a terra do Egito.”]; compare com 1Rs 3:12 [“eis que faço segundo as tuas palavras: dou-te coração sábio e inteligente, de maneira que antes de ti não houve teu igual, nem depois de ti o haverá.”]).

Todos os detalhes relatados no texto bíblico se encaixam na situação histórica do Egito naquela época. Politicamente, o fato de Faraó ter nomeado José como vizir (governador) não era incomum no antigo Egito, onde se atestaram casos semelhantes.

Os sete anos seguintes foram de abundância de tal forma que a produção de grãos se estendeu “além das medidas” (Gn 41:49), sinal de providência sobrenatural. A comparação “como a areia do mar” (Gn 41:49) revela que essa era a bênção de Deus (Gn 22:17). José refletiu pessoalmente essa bênção em sua fecundidade, uma coincidência que evidenciou a presença de Deus por trás dos dois fenômenos. Os nomes dos filhos de José mostravam a providência divina na sua vida, que transformou a memória da dor em alegria (Manassés) e a antiga aflição em benção (Efraim). Que exemplo poderoso de como Deus transformou algo ruim em algo muito bom!

Domingo, 12 de junho de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

José, príncipe do Egito

Lições da Bíblia1

“E Faraó disse mais a José: — Eis que eu o constituo autoridade sobre toda a terra do Egito” (Gn 41:41).

José era então o líder do Egito, e seus próprios irmãos se curvaram diante dele sem saber quem ele era (Gn 42). Os irmãos de José se humilharam quando ele os forçou a voltar com Benjamim (Gn 43) e, quando temeram que a segurança de Benjamim estivesse ameaçada (Gn 44), imploraram por graça diante daquele homem poderoso, a quem viam como “o próprio Faraó”. Quando José revelou sua identidade, entenderam que, apesar do que haviam feito, Deus reverteu tudo em bem.

Curiosamente, toda a seguinte sequência de eventos, que deveria ser sobre o sucesso de José, fala mais sobre o arrependimento de seus irmãos. Suas viagens de ida e volta, de José até o pai, e os obstáculos que encontraram fizeram com que se lembrassem de sua maldade para com José e Jacó; eles então perceberam sua iniquidade para com Deus. Os irmãos de José viveram toda essa experiência como um juízo divino. No entanto, a conclusão comovente, que levou todos às lágrimas e alegria, também continha uma mensagem de perdão para eles, apesar de seus atos injustificáveis de maldade.

Sábado, 11 de junho de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 

José, mestre dos sonhos – Estudo adicional

Lições da Bíblia1

Leia, de Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 174-182 [213-223] (“José no Egito”).

“No princípio de sua vida, exatamente quando passavam da adolescência para a idade adulta, José e Daniel foram separados de seus lares e levados como cativos a países pagãos. José esteve sujeito especialmente às tentações que acompanham grandes mudanças na vida. Na casa paterna, uma criança mimada; na casa de Potifar, escravo, depois confidente e companheiro, homem de negócios, educado pelo estudo, pela observação e pelo contato com os homens; no calabouço de Faraó, prisioneiro de Estado, condenado injustamente, sem esperança de reivindicação ou perspectiva de libertação; chamado em uma grande crise para dirigir a nação – o que o habilitou a preservar sua integridade? […]

“Em sua infância, a José havia sido ensinado o amor e temor a Deus. Muitas vezes, na tenda de seu pai, sob as estrelas da Síria, foi contada a ele a história da visão noturna de Betel, da escada do Céu à Terra e dos anjos que por ela desciam e subiam, e Daquele que, do trono no alto, Se revelou a Jacó. Fora-lhe contada a história do conflito ao lado do rio Jaboque, quando, renunciando a pecados cultivados, Jacó se tornou conquistador e recebeu o título de príncipe com Deus. […]

“No momento crítico de sua vida, quando fazia aquela terrível viagem do lar de sua infância em Canaã para o cativeiro que o esperava no Egito, olhando pela última vez as colinas que ocultavam as tendas de sua parentela, José se lembrou do Deus de seu pai. Recordou-se das lições da infância, e seu coração comoveu-se com a resolução de mostrar-se verdadeiro – agindo sempre como convém a um súdito do Rei celestial” (Ellen G. White, Educação, p. 36, 37 [51, 52]).

Perguntas para consideração

1. Quais são as semelhanças de José e Daniel com Jesus? Eles representaram Jesus?

2. Como confiar em Deus quando não temos aparentemente o mesmo sucesso de José?

Sexta-feira, 10 de junho de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 

Os sonhos do Faraó

Lições da Bíblia1

5. Leia Gênesis 40:1–41:36. Como os sonhos do Faraó se relacionam com os sonhos dos oficiais? Qual é o significado desse paralelo?

Gênesis 40:1–41:36 (ARA)2: “1 Passadas estas coisas, aconteceu que o mordomo do rei do Egito e o padeiro ofenderam o seu senhor, o rei do Egito. 2 Indignou-se Faraó contra os seus dois oficiais, o copeiro-chefe e o padeiro-chefe. 3 E mandou detê-los na casa do comandante da guarda, no cárcere onde José estava preso. 4 O comandante da guarda pô-los a cargo de José, para que os servisse; e por algum tempo estiveram na prisão. 5 E ambos sonharam, cada um o seu sonho, na mesma noite; cada sonho com a sua própria significação, o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que se achavam encarcerados.Vindo José, pela manhã, viu-os, e eis que estavam turbados.Então, perguntou aos oficiais de Faraó, que com ele estavam no cárcere da casa do seu senhor: Por que tendes, hoje, triste o semblante?Eles responderam: Tivemos um sonho, e não há quem o possa interpretar. Disse-lhes José: Porventura, não pertencem a Deus as interpretações? Contai-me o sonho. 9 Então, o copeiro-chefe contou o seu sonho a José e lhe disse: Em meu sonho havia uma videira perante mim. 10 E, na videira, três ramos; ao brotar a vide, havia flores, e seus cachos produziam uvas maduras. 11 O copo de Faraó estava na minha mão; tomei as uvas, e as espremi no copo de Faraó, e o dei na própria mão de Faraó. 12 Então, lhe disse José: Esta é a sua interpretação: os três ramos são três dias; 13 dentro ainda de três dias, Faraó te reabilitará e te reintegrará no teu cargo, e tu lhe darás o copo na própria mão dele, segundo o costume antigo, quando lhe eras copeiro. 14 Porém lembra-te de mim, quando tudo te correr bem; e rogo-te que sejas bondoso para comigo, e faças menção de mim a Faraó, e me faças sair desta casa; 15 porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus; e, aqui, nada fiz, para que me pusessem nesta masmorra. 16 Vendo o padeiro-chefe que a interpretação era boa, disse a José: Eu também sonhei, e eis que três cestos de pão alvo me estavam sobre a cabeça; 17 e no cesto mais alto havia de todos os manjares de Faraó, arte de padeiro; e as aves os comiam do cesto na minha cabeça. 18 Então, lhe disse José: A interpretação é esta: os três cestos são três dias; 19 dentro ainda de três dias, Faraó te tirará fora a cabeça e te pendurará num madeiro, e as aves te comerão as carnes. 20 No terceiro dia, que era aniversário de nascimento de Faraó, deu este um banquete a todos os seus servos; e, no meio destes, reabilitou o copeiro-chefe e condenou o padeiro-chefe. 21 Ao copeiro-chefe reintegrou no seu cargo, no qual dava o copo na mão de Faraó; 22 mas ao padeiro-chefe enforcou, como José havia interpretado. 23 O copeiro-chefe, todavia, não se lembrou de José, porém dele se esqueceu. 41 1 Passados dois anos completos, Faraó teve um sonho. Parecia-lhe achar-se ele de pé junto ao Nilo.Do rio subiam sete vacas formosas à vista e gordas e pastavam no carriçal.Após elas subiam do rio outras sete vacas, feias à vista e magras; e pararam junto às primeiras, na margem do rio.As vacas feias à vista e magras comiam as sete formosas à vista e gordas. Então, acordou Faraó.Tornando a dormir, sonhou outra vez. De uma só haste saíam sete espigas cheias e boas.E após elas nasciam sete espigas mirradas, crestadas do vento oriental. As espigas mirradas devoravam as sete espigas grandes e cheias. Então, acordou Faraó. Fora isto um sonho. De manhã, achando-se ele de espírito perturbado, mandou chamar todos os magos do Egito e todos os seus sábios e lhes contou os sonhos; mas ninguém havia que lhos interpretasse. 9 Então, disse a Faraó o copeiro-chefe: Lembro-me hoje das minhas ofensas. 10 Estando Faraó mui indignado contra os seus servos e pondo-me sob prisão na casa do comandante da guarda, a mim e ao padeiro-chefe, 11 tivemos um sonho na mesma noite, eu e ele; sonhamos, e cada sonho com a sua própria significação. 12 Achava-se conosco um jovem hebreu, servo do comandante da guarda; contamos-lhe os nossos sonhos, e ele no-los interpretou, a cada um segundo o seu sonho. 13 E como nos interpretou, assim mesmo se deu: eu fui restituído ao meu cargo, o outro foi enforcado. 14 Então, Faraó mandou chamar a José, e o fizeram sair à pressa da masmorra; ele se barbeou, mudou de roupa e foi apresentar-se a Faraó. 15 Este lhe disse: Tive um sonho, e não há quem o interprete. Ouvi dizer, porém, a teu respeito que, quando ouves um sonho, podes interpretá-lo. 16 Respondeu-lhe José: Não está isso em mim; mas Deus dará resposta favorável a Faraó. 17 Então, contou Faraó a José: No meu sonho, estava eu de pé na margem do Nilo, 18 e eis que subiam dele sete vacas gordas e formosas à vista e pastavam no carriçal. 19 Após estas subiam outras vacas, fracas, mui feias à vista e magras; nunca vi outras assim disformes, em toda a terra do Egito. 20 E as vacas magras e ruins comiam as primeiras sete gordas; 21 e, depois de as terem engolido, não davam aparência de as terem devorado, pois o seu aspecto continuava ruim como no princípio. Então, acordei. 22 Depois, vi, em meu sonho, que sete espigas saíam da mesma haste, cheias e boas; 23 após elas nasceram sete espigas secas, mirradas e crestadas do vento oriental. 24 As sete espigas mirradas devoravam as sete espigas boas. Contei-o aos magos, mas ninguém houve que mo interpretasse. 25 Então, lhe respondeu José: O sonho de Faraó é apenas um; Deus manifestou a Faraó o que há de fazer. 26 As sete vacas boas serão sete anos; as sete espigas boas, também sete anos; o sonho é um só. 27 As sete vacas magras e feias, que subiam após as primeiras, serão sete anos, bem como as sete espigas mirradas e crestadas do vento oriental serão sete anos de fome. 28 Esta é a palavra, como acabo de dizer a Faraó, que Deus manifestou a Faraó que ele há de fazer. 29 Eis aí vêm sete anos de grande abundância por toda a terra do Egito. 30 Seguir-se-ão sete anos de fome, e toda aquela abundância será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra; 31 e não será lembrada a abundância na terra, em vista da fome que seguirá, porque será gravíssima. 32 O sonho de Faraó foi dúplice, porque a coisa é estabelecida por Deus, e Deus se apressa a fazê-la. 33 Agora, pois, escolha Faraó um homem ajuizado e sábio e o ponha sobre a terra do Egito. 34 Faça isso Faraó, e ponha administradores sobre a terra, e tome a quinta parte dos frutos da terra do Egito nos sete anos de fartura. 35 Ajuntem os administradores toda a colheita dos bons anos que virão, recolham cereal debaixo do poder de Faraó, para mantimento nas cidades, e o guardem. 36 Assim, o mantimento será para abastecer a terra nos sete anos da fome que haverá no Egito; para que a terra não pereça de fome.”

O caráter providencial dos eventos continua. Com o tempo, José foi encarregado dos prisioneiros, dois dos quais eram ex-oficiais de Faraó, um copeiro e um padeiro (Gn 41:9-11). Ambos estavam perturbados por sonhos que não compreendiam, porque não havia quem o interpretasse (Gn 40:8). José, então, interpretou seus respectivos sonhos.

Faraó também teve dois sonhos, que ninguém podia interpretar (Gn 41:1-8). Naquele momento, o copeiro lembrou-se de José e o recomendou ao governante (Gn 41:9-13).

Paralelamente aos outros sonhos, Faraó, como os oficiais, estava perturbado e, também como eles, revelou seus sonhos (Gn 41:14-24) a José, que os interpretou. Da mesma forma que os sonhos dos oficiais, os de Faraó exibiam símbolos paralelos: as duas séries de sete vacas (gordas e magras), assim como as duas séries de espigas (boas e mirradas) representavam duas séries de anos, bons e ruins, respectivamente. As sete vacas eram paralelas às sete espigas, repetindo a mesma mensagem, uma evidência de sua origem divina, assim como os sonhos de José (Gn 41:32; compare com Gn 37:9).

Embora José tenha interpretado o sonho para Faraó, ele garantiu ao soberano que a interpretação era de Deus, Elohim, que mostrou ao rei as coisas que Ele iria fazer (Gn 41:25, 28). Parece que o monarca entendeu a mensagem porque, quando decidiu nomear alguém para governar a terra, seu argumento foi o seguinte: “Visto que Deus revelou tudo isto a você, não há ninguém tão ajuizado e sábio como você. Você será o administrador da minha casa, e todo o meu povo obedecerá à sua palavra. Somente no trono eu serei maior do que você” (Gn 41:39, 40).

Que fascinante! Com a graça de Deus, José saiu da posição de mordomo da casa de Potifar para se tornar chefe da prisão e depois governante de todo o Egito. Que história poderosa de como, mesmo em meio ao que pareciam circunstâncias terríveis, as providências divinas se revelaram.

Como podemos aprender a confiar em Deus e nos apegar às Suas promessas quando os eventos não parecem nada providenciais, e Deus parece estar em silêncio?

Quinta-feira, 09 de junho de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

José, um escravo no Egito

Lições da Bíblia1

Agora retomamos o fluxo da história de José, que tinha sido “interrompido” pelo incidente de Tamar. José trabalhava como escravo do “comandante da guarda”, que era encarregado da prisão dos oficiais reais (Gn 40:3, 4; 41:10-12).

4. Leia Gênesis 39. À luz do exemplo de José como mordomo de Potifar, o que o levou a esse êxito?

Gênesis 39 (ARA)2: “1 José foi levado ao Egito, e Potifar, oficial de Faraó, comandante da guarda, egípcio, comprou-o dos ismaelitas que o tinham levado para lá. 2 O Senhor era com José, que veio a ser homem próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio. 3 Vendo Potifar que o Senhor era com ele e que tudo o que ele fazia o Senhor prosperava em suas mãos, 4 logrou José mercê perante ele, a quem servia; e ele o pôs por mordomo de sua casa e lhe passou às mãos tudo o que tinha. 5 E, desde que o fizera mordomo de sua casa e sobre tudo o que tinha,. o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José; a bênção do Senhor estava sobre tudo o que tinha, tanto em casa como no campo 6 Potifar tudo o que tinha confiou às mãos de José, de maneira que, tendo-o por mordomo, de nada sabia, além do pão com que se alimentava. José era formoso de porte e de aparência. 7 Aconteceu, depois destas coisas, que a mulher de seu senhor pôs os olhos em José e lhe disse: Deita-te comigo. Ele, porém, recusou e disse à mulher do seu senhor: Tem-me por mordomo o meu senhor e não sabe do que há em casa, pois tudo o que tem me passou ele às minhas mãos. Ele não é maior do que eu nesta casa e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porque és sua mulher; como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus? 10 Falando ela a José todos os dias, e não lhe dando ele ouvidos, para se deitar com ela e estar com ela, 11 sucedeu que, certo dia, veio ele a casa, para atender aos negócios; e ninguém dos de casa se achava presente. 12 Então, ela o pegou pelas vestes e lhe disse: Deita-te comigo; ele, porém, deixando as vestes nas mãos dela, saiu, fugindo para fora. 13 Vendo ela que ele fugira para fora, mas havia deixado as vestes nas mãos dela, 14 chamou pelos homens de sua casa e lhes disse: Vede, trouxe-nos meu marido este hebreu para insultar-nos; veio até mim para se deitar comigo; mas eu gritei em alta voz. 15 Ouvindo ele que eu levantava a voz e gritava, deixou as vestes ao meu lado e saiu, fugindo para fora. 16 Conservou ela junto de si as vestes dele, até que seu senhor tornou a casa. 17 Então, lhe falou, segundo as mesmas palavras, e disse: O servo hebreu, que nos trouxeste, veio ter comigo para insultar-me; 18 quando, porém, levantei a voz e gritei, ele, deixando as vestes ao meu lado, fugiu para fora. 19 Tendo o senhor ouvido as palavras de sua mulher, como lhe tinha dito: Desta maneira me fez o teu servo; então, se lhe acendeu a ira. 20 E o senhor de José o tomou e o lançou no cárcere, no lugar onde os presos do rei estavam encarcerados; ali ficou ele na prisão. 21 O Senhor, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro; 22 o qual confiou às mãos de José todos os presos que estavam no cárcere; e ele fazia tudo quanto se devia fazer ali. 23 E nenhum cuidado tinha o carcereiro de todas as coisas que estavam nas mãos de José, porquanto o Senhor era com ele, e tudo o que ele fazia o Senhor prosperava.”

Quase imediatamente, José foi considerado alguém de sucesso (Gn 39:2, 3). Ele era tão bom e seu senhor confiava tanto nele que “lhe passou às mãos tudo o que tinha” e até o fez “mordomo de sua casa” (Gn 39:4).

O sucesso de José, no entanto, não o corrompeu. Quando a esposa de Potifar o percebeu e quis dormir com ele, José se recusou e preferiu perder o emprego e sua segurança a cometer tamanha maldade e pecar contra Deus (Gn 39:9). A mulher, humilhada com a recusa de José, relatou falsamente a seus servos e a seu marido que José quis tomá-la a força. Como resultado, José foi lançado na prisão.

Ele viveu o que todos nós por vezes vivemos: o sentimento de abandono por Deus, embora, mesmo nesse momento difícil, “o Senhor, porém, estava com José” (Gn 39:21).

Deus agiu e impactou o relacionamento de José com o oficial da prisão. Ali, bem como na casa de seu senhor, Deus abençoou José. Ele era obviamente um homem talentoso e, apesar das circunstâncias ainda piores (afinal, antes, ele era um escravo!), procurou tirar o melhor proveito disso. No entanto, não importavam quais fossem seus dons, o texto deixa claro que, foi somente Deus que lhe trouxe o sucesso. “O carcereiro não se preocupava com nada do que tinha sido entregue às mãos de José, porque o Senhor estava com ele, e tudo o que ele fazia o Senhor prosperava” (Gn 39:23). Quão importante é que todos os que são talentosos, que têm “sucesso”, se lembrem de onde tudo vem!

Leia Gênesis 39:7-12. Como José resistiu aos avanços da esposa de Potifar? Por que ele disse que fazer o que ela pedia seria um pecado contra Deus? Que compreensão José mostrou sobre a natureza do pecado?

Quarta-feira, 08 de junho de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

Judá e Tamar

Lições da Bíblia1

Essa história não está fora de lugar. Aconteceu após a venda de José no Egito (Gn 38:1) e é coerente com o fato de que Judá havia acabado de deixar seus irmãos, o que aponta para seu desacordo com eles. Além disso, o texto compartilha uma série de palavras e temas comuns com o capítulo anterior e traz a mesma lição teológica: um ato mau que se tornaria um acontecimento positivo ligado à salvação.

3. Leia Gênesis 38. Compare o comportamento de Judá com o de Tamar. Qual dos dois é o mais justo e por quê?

Gênesis 38 (ARA)2: “1 Aconteceu, por esse tempo, que Judá se apartou de seus irmãos e se hospedou na casa de um adulamita, chamado Hira. 2 Ali viu Judá a filha de um cananeu, chamado Sua; ele a tomou por mulher e a possuiu. E ela concebeu e deu à luz um filho, e o pai lhe chamou Er.Tornou a conceber e deu à luz um filho; a este deu a mãe o nome de Onã.Continuou ainda e deu à luz outro filho, cujo nome foi Selá; ela estava em Quezibe quando o teve.Judá, pois, tomou esposa para Er, o seu primogênito; o nome dela era Tamar.Er, porém, o primogênito de Judá, era perverso perante o Senhor, pelo que o Senhor o fez morrer.Então, disse Judá a Onã: Possui a mulher de teu irmão, cumpre o levirato e suscita descendência a teu irmão.Sabia, porém, Onã que o filho não seria tido por seu; e todas as vezes que possuía a mulher de seu irmão deixava o sêmen cair na terra, para não dar descendência a seu irmão. 10 Isso, porém, que fazia, era mau perante o Senhor, pelo que também a este fez morrer. 11 Então, disse Judá a Tamar, sua nora: Permanece viúva em casa de teu pai, até que Selá, meu filho, venha a ser homem. Pois disse: Para que não morra também este, como seus irmãos. Assim, Tamar se foi, passando a residir em casa de seu pai. 12 No correr do tempo morreu a filha de Sua, mulher de Judá; e, consolado Judá, subiu aos tosquiadores de suas ovelhas, em Timna, ele e seu amigo Hira, o adulamita. 13 E o comunicaram a Tamar: Eis que o teu sogro sobe a Timna, para tosquiar as ovelhas. 14 Então, ela despiu as vestes de sua viuvez, e, cobrindo-se com um véu, se disfarçou, e se assentou à entrada de Enaim, no caminho de Timna; pois via que Selá já era homem, e ela não lhe fora dada por mulher. 15 Vendo-a Judá, teve-a por meretriz; pois ela havia coberto o rosto. 16 Então, se dirigiu a ela no caminho e lhe disse: Vem, deixa-me possuir-te; porque não sabia que era a sua nora. Ela respondeu: Que me darás para coabitares comigo? 17 Ele respondeu: Enviar-te-ei um cabrito do rebanho. Perguntou ela: Dar-me-ás penhor até que o mandes? 18 Respondeu ele: Que penhor te darei? Ela disse: O teu selo, o teu cordão e o cajado que seguras. Ele, pois, lhos deu e a possuiu; e ela concebeu dele. 19 Levantou-se ela e se foi; tirou de sobre si o véu e tornou às vestes da sua viuvez. 20 Enviou Judá o cabrito, por mão do adulamita, seu amigo, para reaver o penhor da mão da mulher; porém não a encontrou. 21 Então, perguntou aos homens daquele lugar: Onde está a prostituta cultual que se achava junto ao caminho de Enaim? Responderam: Aqui não esteve meretriz nenhuma. 22 Tendo voltado a Judá, disse: Não a encontrei; e também os homens do lugar me disseram: Aqui não esteve prostituta cultual nenhuma. 23 Respondeu Judá: Que ela o guarde para si, para que não nos tornemos em opróbrio; mandei-lhe, com efeito, o cabrito, todavia, não a achaste. 24 Passados quase três meses, foi dito a Judá: Tamar, tua nora, adulterou, pois está grávida. Então, disse Judá: Tirai-a fora para que seja queimada. 25 Em tirando-a, mandou ela dizer a seu sogro: Do homem de quem são estas coisas eu concebi. E disse mais: Reconhece de quem é este selo, e este cordão, e este cajado. 26 Reconheceu-os Judá e disse: Mais justa é ela do que eu, porquanto não a dei a Selá, meu filho. E nunca mais a possuiu. 27 E aconteceu que, estando ela para dar à luz, havia gêmeos no seu ventre. 28 Ao nascerem, um pôs a mão fora, e a parteira, tomando-a, lhe atou um fio encarnado e disse: Este saiu primeiro. 29 Mas, recolhendo ele a mão, saiu o outro; e ela disse: Como rompeste saída? E lhe chamaram Perez. 30 Depois, lhe saiu o irmão, em cuja mão estava o fio encarnado; e lhe chamaram Zera.

Judá encontrou uma esposa cananeia (Gn 38:2) com quem teve três filhos, Er, Onã e Selá. Judá deu a cananeia Tamar como esposa a Er, seu primogênito, a fim de garantir a genealogia própria. Quando Er e Onã foram mortos por Deus por causa da maldade deles, Judá prometeu seu último filho, Selá, a Tamar.

Quando, depois de algum tempo, Judá parecia ter esquecido essa promessa, indo se consolar após a morte da esposa, Tamar decidiu disfarçar-se de prostituta para forçá-lo a cumprir sua promessa. Como Judá não tinha dinheiro para pagar a prostituta, a quem não reconheceu, prometeu enviar a ela mais tarde um cabrito de seu rebanho.

Tamar, por sua vez, exigiu que lhe desse como garantia imediata de pagamento o seu selo, o seu cordão e o seu cajado. Tamar engravidou como resultado desse encontro único. Quando mais tarde foi acusada de se prostituir, mostrou ao acusador Judá seu selo, seu cordão e seu cajado. Judá entendeu e se desculpou.

A conclusão dessa história sórdida foi o nascimento de Perez, que significa “irromper”, o qual, de modo semelhante a Jacó, foi o segundo gêmeo a nascer mas acabou se tornando o primeiro e foi nomeado na história da salvação como o ancestral de Davi (Rt 4:18-22) e, finalmente, de Jesus Cristo (Mt 1:3). Quanto a Tamar, ela é a primeira das quatro mulheres, seguida por Raabe, Rute e a esposa de Urias (Mt 1:5, 6), que, na genealogia, precederam Maria, a mãe de Jesus (Mt 1:16).

Uma lição que tiramos dessa história: assim como Deus salvou Tamar por Sua graça, transformando o mal em bem, Ele salvará Seu povo por meio da cruz de Jesus. No caso de José, Ele transformou seus problemas na salvação de Jacó e seus filhos.

Terça-feira, 07 de junho de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Gênesis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 508, abr. maio jun. 2022. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

O ataque a José

Lições da Bíblia1

Por mais horríveis que tenham sido os eventos que se seguiram, não são difíceis de compreender. Estar tão perto de alguém que você odeia, e até mesmo ter parentesco, levaria inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, a problemas.

2. Leia Gênesis 37:12-36. Até que ponto um coração não regenerado pode ser perigoso e mau, e o que ele pode levar qualquer um de nós a fazer?

Gênesis 37:12-36 (ARA)2: 12 E, como foram os irmãos apascentar o rebanho do pai, em Siquém, 13 perguntou Israel a José: Não apascentam teus irmãos o rebanho em Siquém? Vem, enviar-te-ei a eles. Respondeu-lhe José: Eis-me aqui. 14 Disse-lhe Israel: Vai, agora, e vê se vão bem teus irmãos e o rebanho; e traze-me notícias. Assim, o enviou do vale de Hebrom, e ele foi a Siquém. 15 E um homem encontrou a José, que andava errante pelo campo, e lhe perguntou: Que procuras? 16 Respondeu: Procuro meus irmãos; dize-me: Onde apascentam eles o rebanho? 17 Disse-lhe o homem: Foram-se daqui, pois ouvi-os dizer: Vamos a Dotã. Então, seguiu José atrás dos irmãos e os achou em Dotã. 18 De longe o viram e, antes que chegasse, conspiraram contra ele para o matar. 19 E dizia um ao outro: Vem lá o tal sonhador! 20 Vinde, pois, agora, matemo-lo e lancemo-lo numa destas cisternas; e diremos: Um animal selvagem o comeu; e vejamos em que lhe darão os sonhos. 21 Mas Rúben, ouvindo isso, livrou-o das mãos deles e disse: Não lhe tiremos a vida. 22 Também lhes disse Rúben: Não derrameis sangue; lançai-o nesta cisterna que está no deserto, e não ponhais mão sobre ele; isto disse para o livrar deles, a fim de o restituir ao pai. 23 Mas, logo que chegou José a seus irmãos, despiram-no da túnica, a túnica talar de mangas compridas que trazia. 24 E, tomando-o, o lançaram na cisterna, vazia, sem água. 25 Ora, sentando-se para comer pão, olharam e viram que uma caravana de ismaelitas vinha de Gileade; seus camelos traziam arômatas, bálsamo e mirra, que levavam para o Egito. 26 Então, disse Judá a seus irmãos: De que nos aproveita matar o nosso irmão e esconder-lhe o sangue? 27 Vinde, vendamo-lo aos ismaelitas; não ponhamos sobre ele a mão, pois é nosso irmão e nossa carne. Seus irmãos concordaram. 28 E, passando os mercadores midianitas, os irmãos de José o alçaram, e o tiraram da cisterna, e o venderam por vinte siclos de prata aos ismaelitas; estes levaram José ao Egito. 29 Tendo Rúben voltado à cisterna, eis que José não estava nela; então, rasgou as suas vestes. 30 E, voltando a seus irmãos, disse: Não está lá o menino; e, eu, para onde irei? 31 Então, tomaram a túnica de José, mataram um bode e a molharam no sangue. 32 E enviaram a túnica talar de mangas compridas, fizeram-na levar a seu pai e lhe disseram: Achamos isto; vê se é ou não a túnica de teu filho. 33 Ele a reconheceu e disse: É a túnica de meu filho; um animal selvagem o terá comido, certamente José foi despedaçado. 34 Então, Jacó rasgou as suas vestes, e se cingiu de pano de saco, e lamentou o filho por muitos dias. 35 Levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas, para o consolarem; ele, porém, recusou ser consolado e disse: Chorando, descerei a meu filho até à sepultura. E de fato o chorou seu pai. 36 Entrementes, os midianitas venderam José no Egito a Potifar, oficial de Faraó, comandante da guarda.”

Os irmãos odiavam José porque tinham ciúmes do favor de Deus (At 7:9), confirmado a cada etapa do seguinte curso de eventos. Quando José se perdeu, um homem o encontrou e o conduziu (Gn 37:15). Quando os irmãos de José planejaram matá-lo, Rúben interveio e sugeriu que fosse jogado em uma cova (Gn 37:20-22).

É difícil imaginar o tipo de ódio expresso aqui, especialmente por alguém de sua própria casa. Como esses jovens podem ter feito algo tão cruel? Eles não pensaram nem por um momento sobre como isso impactaria seu próprio pai? Por mais ressentimento que pudessem ter em relação ao pai por haver favorecido José, fazer isso com um de seus filhos era desprezível. Que manifestação poderosa da maldade do ser humano!

“No entanto, alguns deles estavam inquietos e não sentiam a satisfação que haviam esperado de sua vingança. Logo viram um grupo de viajantes se aproximando. Era uma caravana de ismaelitas de além do Jordão, a caminho do Egito, com especiarias e outras mercadorias. Judá sugeriu então que vendessem seu irmão àqueles mercadores gentios, em vez de o deixarem morrer. Assim, ele estaria fora do seu caminho, e não seriam culpados do sangue dele, ‘afinal’, insistiu, ‘é nosso irmão, é nosso próprio sangue’” (Gn 37:27, NVI; Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 172 [211]).

Depois de terem lançado José no poço, planejando matá-lo mais tarde, uma caravana passou e Judá propôs a seus irmãos que vendessem José. Ele foi vendido aos midianitas (Gn 37:26-28), e estes o venderam a alguém no Egito (Gn 37:36), antecipando assim sua glória futura.

Por que é tão importante buscar o poder de Deus para mudar os maus traços de caráter antes que se manifestem em algumas atitudes que você nunca imaginaria ter?

Segunda-feira, 06 de junho de 2022. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico

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