Sapatos: a igreja como arauto da paz

Lições da Bíblia1

Um soldado romano, preparando-se para a batalha, usaria um par de sandálias resistentes. Uma sola de várias camadas continha travas robustas, que ajudavam a manter a posição e “ficar firmes” (Ef 6:11, 13, 14). Paulo explicou esse calçado usando a linguagem de Isaías 52:7 [“Quão formosos são sobre os montes os pés do que anuncia boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: ‘O seu Deus reina!’”], que celebra o momento em que um mensageiro traz a notícia de que Yahweh venceu a batalha por Seu povo (Is 52:8-10) e a paz reinava.

3. Paulo destacou a paz oito vezes em Efésios. Por que ele usou uma metáfora militar se desejava a paz? Ef 1:2; 2:14, 15, 17; 4:3; 6:15, 23

Ef 1:2 (NAA)2: “Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo estejam com vocês.”

Ef 2:14, 15, 17 (NAA)2: “14 Porque ele é a nossa paz. De dois povos ele fez um só e, na sua carne, derrubou a parede de separação que estava no meio, a inimizade. 15 Cristo aboliu a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse em si mesmo uma nova humanidade, fazendo a paz, […] 17 E, quando veio, Cristo evangelizou paz a vocês que estavam longe e paz também aos que estavam perto;”

Ef 4:3 (NAA)2: “fazendo tudo para preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.”

Ef 6:15, 23 (NAA)2: “15 Tenham os pés calçados com a preparação do evangelho da paz, […] 23 Paz seja com os irmãos e amor com fé, da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo.”

Paulo celebrou a paz como obra de Cristo, “nossa paz”, Aquele que pregou paz “aos que estavam longe e paz também aos que estavam perto” (Ef 2:14-17), unindo judeus e gentios em “uma nova humanidade” (Ef 2:15). Mantendo a história do evangelho e Sua obra geradora de paz, celebrando Sua vitória passada e olhando para o brado de vitória futura, os crentes calçam os pés para a batalha. Como o mensageiro em Isaías 52:7, os crentes são mensageiros que proclamam a vitória e a paz de Cristo.

No entanto, Paulo não quer que entendamos seu chamado à batalha como um chamado para pegar armas militares contra os inimigos. É por isso que ele descreve os crentes como proclamadores do “evangelho da paz” (Ef 6:15). Ele também não deseja que os crentes sejam combativos em seus relacionamentos, uma vez que enfatizou a unidade, encorajou o discurso gentil e a amabilidade (Ef 4:25–5:2). A igreja deve “lutar pela paz” empregando o arsenal evangélico das virtudes (humildade, paciência, perdão, etc.) e práticas cristãs (oração, adoração). Tais atos são estratégicos, apontando para o grande plano de Deus de unificar todas as coisas em Cristo (Ef 1:9, 10). Como o texto a seguir nos ajuda a entender o que as metáforas militares de Paulo devem significar? “Deus nos chama a vestir a armadura. Não queremos a armadura de Saul, mas a armadura completa de Deus. Assim podemos avançar na obra com o coração cheio de ternura, compaixão e amor semelhantes aos de Cristo” (Ellen G. White, [Australasian] Union Conference Record, 28 de julho de 1899).

Terça-feira, 19 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Efésios. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 513, jul. ago. set. 2023. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Cinto e couraça

Lições da Bíblia1

2. Como Paulo imaginou os crentes se preparando para a batalha contra o mal? (Ef 6:14; ver também 1Pe 4:1; 5:8; Rm 8:37-39)

Ef 6:14 (NAA)2: “Portanto, fiquem firmes, cingindo-se com a verdade e vestindo a couraça da justiça.”

1Pe 4:1 (NAA)2: “Ora, tendo Cristo sofrido na carne, estejam também vocês armados do mesmo pensamento. Pois aquele que sofreu na carne rompeu com o pecado,”

1Pe 5:8 (NAA)2: “Sejam sóbrios e vigilantes. O inimigo de vocês, o diabo, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar.

Rm 8:37-39 (NAA)2: “37 Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. 38 Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, 39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

O aviso de Paulo sobre uma batalha intensa (Ef 6:13) prepara os leitores para o último chamado para ficar firmes (o quarto chamado; Ef 6:11, 13) e é um chamado detalhado à batalha (Ef 6:14-17). Paulo descreveu a ação de “cingir-se” (Is 11:5). Roupas antigas e soltas precisavam ser amarradas ao redor da cintura antes do trabalho ou da batalha (Lc 12:35, 37; 17:8). Paulo imaginou o crente se adaptando à armadura, como um legionário romano, começando com o cinto militar de couro com gravuras decorativas e fivela. Do cinto pendia uma série de correias de couro cobertas com discos de metal, formando juntos um “avental” usado como emblema de classificação para efeito visual. Tinha a função de prender o vestuário e manter outros itens no lugar.

A verdade não é propriedade dos crentes; é um dom de Deus (comparar com a salvação em Ef 2:8). Contudo, não deve ser abstrata, um bem distante sem qualquer impacto transformador na vida. Eles devem “cingir- se” com a verdade de Deus, experimentar e usar esse dom divino. Os crentes não possuem a verdade de Deus tanto quanto a verdade de Deus os possui e os protege.

a sequência, em Efésios 6:14, Paulo instou os crentes a vestir “a couraça da justiça” (ver 1Ts 5:8). Assim como o cinto da verdade, ela é de origem divina, sendo parte da armadura de Yahweh em Seu papel como guerreiro divino (Is 59:17). A armadura usada pelos soldados na época de Paulo era feita de malha (pequenos anéis de ferro entrelaçados), armaduras em escamas (pequenas escamas sobrepostas de bronze ou ferro) ou faixas de ferro sobrepostas e fixadas. Essa armadura ou couraça protegia os órgãos vitais dos golpes e empurrões do inimigo. De forma análoga, os crentes devem experimentar a proteção espiritual oferecida pelo dom divino da justiça. Em Efésios, Paulo associou a justiça com santidade, bondade e verdade (Ef 4:24; 5:9), pensando nela como a qualidade de tratar bem os outros e de forma justa, especialmente companheiros membros da igreja.

Bondade, santidade e verdade podem ser uma proteção? Você já experimentou isso?

Segunda-feira, 18 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Efésios. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 513, jul. ago. set. 2023. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

A igreja: um exército unificado

Lições da Bíblia1

1. Leia Efésios 6:10-20. O que Paulo disse sobre o tipo de guerra em que a igreja está envolvida? Ele descreveu principalmente a batalha espiritual de um crente contra o mal, ou a guerra da igreja contra o mal?

Efésios 6:10-20 (NAA)2: “10 Quanto ao mais, sejam fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. 11 Vistam-se com toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo. 12 Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais. 13 Por isso, peguem toda a armadura de Deus, para que vocês possam resistir no dia mau e, depois de terem vencido tudo, permanecer inabaláveis. 14 Portanto, fiquem firmes, cingindo-se com a verdade e vestindo a couraça da justiça. 15 Tenham os pés calçados com a preparação do evangelho da paz, 16 segurando sempre o escudo da fé, com o qual poderão apagar todos os dardos inflamados do Maligno. 17 Usem também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. 18 Orem em todo tempo no Espírito, com todo tipo de oração e súplica, e para isto vigiem com toda perseverança e súplica por todos os santos. 19 E orem também por mim, para que, no abrir da minha boca, me seja dada a palavra, para com ousadia tornar conhecido o mistério do evangelho, 20 pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazer.”

A vitória na guerra grega e romana dependia da cooperação dos soldados em uma unidade militar e especialmente do apoio uns aos outros no calor da batalha. O individualismo na batalha era considerado uma característica dos guerreiros bárbaros, condenando-os à derrota.

Há três razões importantes para apoiar a ideia de que Paulo, em consonância com essa interpretação militar habitual, abordou principalmente a batalha de toda a igreja contra o mal em Efésios 6:10-20: 1. A passagem é o clímax de uma carta que trata da igreja. Seria estranho se Paulo concluísse sua carta com uma descrição de um guerreiro cristão solitário que luta contra os inimigos das trevas; 2. No fim da passagem, Paulo destacou a unidade cristã em seu chamado à oração “por todos os santos” (Ef 6:18-20); 3. O aspecto mais significativo é que, antes na carta, quando Paulo falou sobre os poderes do mal, ele os colocou contra a igreja, não contra o crente individual: “E isso para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida dos principados e das potestades nas regiões celestiais” (Ef 3:10).

Assim, Efésios 6:10-20 não retrata um guerreiro solitário confrontando o mal. Em vez disso, Paulo como general se dirigiu à igreja como um exército. Ele nos chama a pegar nossa armadura completa e, como um exército unificado, avançarmos com vigor e em união na batalha. Paulo escolheu concluir sua ênfase sobre a igreja, que incluiu descrições contínuas da igreja como o corpo de Cristo (Ef 1:22, 23; 4:1-16), o edifício/templo de Deus (Ef 2:19-22) e a noiva de Cristo (Ef 5:21-33), com uma metáfora final, a igreja como o exército do Deus vivo. Uma vez que estamos nos aproximando do “dia mau” (Ef 6:13), as últimas etapas da longa batalha contra o mal, não é hora de estarmos confusos quanto ao nosso compromisso com Deus ou nossa lealdade uns com os outros como soldados de Cristo.

Como trabalhar juntos a fim de ajudar uns aos outros nas lutas contra o mal?

Domingo, 17 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Lutando pela paz

Lições da Bíblia1

“Segurando sempre o escudo da fé, com o qual poderão apagar todos os dardos inflamados do maligno. Usem também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus” (Ef 6:16, 17).

No livro devocional O Peregrino, clássico de John Bunyan, escrito enquanto ele estava na prisão, Christian é escoltado até o arsenal de armas de um palácio e lhe é mostrado “todo tipo de artefato [armamento], que seu Senhor havia provido para peregrinos, como espada, escudo, capacete, couraça e sapatos que não se desgastavam. E havia ali o suficiente para armar [habilitar] tantos homens para o serviço do Senhor quanto há estrelas no céu”. Antes de Christian partir, ele foi novamente escoltado para o arsenal onde “o armaram [habilitaram] da cabeça aos pés com o que era impenetrável, para que ele não fosse atacado no caminho”.

O que Bunyan escreveu em 1678 d.C. lembra um documento escrito cerca de 1.600 anos antes, a Epístola aos Efésios, também escrita na prisão. Nela, o notável apóstolo missionário imaginou um grande exército, a igreja, visitando o arsenal de Deus e se vestindo da panoplia divina, termo grego para armadura completa, da cabeça aos pés. O arsenal de Deus tem o suficiente do melhor armamento para que todo soldado do Seu exército seja “vestido com aço do norte da cabeça aos pés”, enquanto se propuser a promover a paz em Seu nome.

Sábado, 16 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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O chamado para permanecer firme – Estudo adicional

Lições da Bíblia1

“Nossa obra é de ataque, e como soldados fiéis de Jesus, devemos carregar a bandeira manchada de sangue pelas fortalezas do inimigo. Nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais. Se consentirmos em baixar nossas armas e a bandeira manchada de sangue, em nos tornarmos cativos e servos de Satanás, poderemos ser libertados do conflito e do sofrimento. Mas essa paz só será conquistada com a perda de Cristo e do Céu. Não podemos aceitar a paz nessas condições. Que haja guerra, guerra até o fim da história da Terra, em vez de paz por meio da apostasia e do pecado” (Ellen G. White, The Review and Herald, 8 de maio de 1888).

Como Efésios 6:10-20 se relaciona com o Apocalipse? A passagem exibe a mesma visão dos eventos dos últimos dias, ou escatologia, como o tema de batalha do Apocalipse (Ap 12; 16:12-16; 19:17-21; 20:7-10), em que o povo de Deus é atacado pelo inimigo que se encontra “nas regiões celestiais” e “é ativo e poderoso na era presente”. O povo de Deus é encorajado com a “imagem da era futura”. Além disso, “ambos os cenários apontam explicitamente para a batalha final, quando o inimigo será conquistado completamente e a nova era estabelecida para sempre”, em que “a glória final do povo de Deus” e “a desgraça eterna do inimigo” serão evidentes (Yordan Kalev Zhekov, Eschatology of Ephesians [Osijek, Croácia: Evangelical Theological Seminary, 2005], p. 217, 233-235).

Perguntas para consideração

Você já confrontou os poderes do mal? Quais estratégias são úteis para enfrentá-los?

Como ajudar alguém oprimido pelas “forças espirituais do mal” (Ef 6:12 [“Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais.”])?

Como discernir e rejeitar “as ciladas do diabo” (Ef 6:11 [“Vistam-se com toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo.”])? Você pensa em desistir da fé porque é muito pecaminoso? Quem coloca esse pensamento na sua mente, Cristo ou as forças das trevas? Por que você deve reivindicar as promessas de Jesus?

Sexta-feira, 15 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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Lutando contra poderes malignos

Lições da Bíblia1

5. Qual foi o propósito de Paulo ao listar uma variedade de títulos para os poderes espirituais malignos: Ef 1:21; 3:10; 6:10-20

Ef 1:21 (NAA)2: “acima de todo principado, potestade, poder, domínio e de todo nome que se possa mencionar, não só no presente século, mas também no vindouro.”

Ef 3:10 (NAA)2: “E isso para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida dos principados e das potestades nas regiões celestiais,”

Ef 6:10-20 (NAA)2: “10 Quanto ao mais, sejam fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. 11 Vistam-se com toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo. 12 Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais. 13 Por isso, peguem toda a armadura de Deus, para que vocês possam resistir no dia mau e, depois de terem vencido tudo, permanecer inabaláveis. 14 Portanto, fiquem firmes, cingindo-se com a verdade e vestindo a couraça da justiça. 15 Tenham os pés calçados com a preparação do evangelho da paz, 16 segurando sempre o escudo da fé, com o qual poderão apagar todos os dardos inflamados do Maligno. 17 Usem também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. 18 Orem em todo tempo no Espírito, com todo tipo de oração e súplica, e para isto vigiem com toda perseverança e súplica por todos os santos. 19 E orem também por mim, para que, no abrir da minha boca, me seja dada a palavra, para com ousadia tornar conhecido o mistério do evangelho, 20 pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazer.”

Paulo descreveu “nossa luta” (Ef 6:12), usando uma palavra grega para a competição entre lutadores (palé). Visto que a luta era considerada um excelente treinamento para a batalha, essa é uma descrição apropriada do combate de arma contra arma e corpo a corpo que ocorria quando os exércitos se enfrentavam. Paulo estava enfatizando a realidade da luta dos crentes contra os poderes malignos.

Eis os títulos que o apóstolo deu a esses poderes:

Efésios 1:21Efésios 3:10Efésios 6:12
Todo principadoPrincipadosPrincipados
PotestadePotestadesPotestades
Poder Dominadores deste mundo tenebroso
Domínio Forças espirituais do mal, nas regiões celestiais
Todo nome que se possa mencionar  

Nas descrições amplas (“todo nome que se possa mencionar”; “forças espirituais do mal, nas regiões celestiais”), Paulo afirmou que os poderes malignos e sobrenaturais estão sujeitos a Cristo (Ef 1:21). No entanto, nunca é boa estratégia subestimar as forças opostas. Confrontamos não apenas inimigos humanos, mas “as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais”, lideradas por um general astuto (Ef 6:11, 12). Devemos estar em alerta contra os poderosos inimigos. Porém, não precisamos ficar atemorizados com eles. Deus está na batalha (Ef 6:10) e nos oferece o melhor armamento, Sua armadura (Is 59:15-17). Ele coloca à nossa disposição Sua verdade, justiça, paz, fé e salvação, e o Espírito Santo (Ef 6:13-17). Com Deus e com Sua armadura da cabeça aos pés, não falharemos (Rm 16:20; 1Co 15:23, 24; 2Ts 2:8)

Embora sejamos indefesos contra os poderes malignos, Jesus é maior do que esses poderes e já os derrotou. O que isso nos ensina sobre nossa necessidade de Cristo?

Quinta-feira, 14 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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Resistência no antigo campo de batalha

Lições da Bíblia1

4. Leia Efésios 6:10-20, notando cada vez que Paulo usou alguma forma do verbo ficar/permanecer. Por que isso era tão importante para ele?

Efésios 6:10-20 (NAA)2: “10 Quanto ao mais, sejam fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. 11 Vistam-se com toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo. 12 Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais. 13 Por isso, peguem toda a armadura de Deus, para que vocês possam resistir no dia mau e, depois de terem vencido tudo, permanecer inabaláveis. 14 Portanto, fiquem firmes, cingindo-se com a verdade e vestindo a couraça da justiça. 15 Tenham os pés calçados com a preparação do evangelho da paz, 16 segurando sempre o escudo da fé, com o qual poderão apagar todos os dardos inflamados do Maligno. 17 Usem também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. 18 Orem em todo tempo no Espírito, com todo tipo de oração e súplica, e para isto vigiem com toda perseverança e súplica por todos os santos. 19 E orem também por mim, para que, no abrir da minha boca, me seja dada a palavra, para com ousadia tornar conhecido o mistério do evangelho, 20 pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazer.”

Devemos entender a metáfora militar de Paulo no contexto do antigo campo de batalha. O que significa “ficar firmes” (Ef 6:11, 13, 14)? A expressão sugere uma postura apenas defensiva? Discursos de batalha contidos nos escritos de Tucídides, um dos grandes autores clássicos da literatura de batalha, destacam três ações sucessivas que devem ocorrer para que um lado seja vitorioso: (1) “avançar contra o inimigo”, o que significa marchar para encontrar os inimigos; (2) atacar e “manter a posição”, ou “resistir”, lutando lado a lado contra os inimigos; (3) Finalmente, “derrotar o inimigo” (Tucídides, The Peloponnesian War [Nova York: E. P. Dutton, 1910], 4.10.1-5).

O momento-chave de uma batalha antiga era a segunda das três ações, quando as duas falanges opostas colidiam com “terrível barulho de bronze, madeira e carne sendo esmagada”, que o autor Xenofonte chamou de “terrível estrondo” (Victor Davis Hanson, The Western Way of War [Oxford University Press, 1989], p. 152, 153). Manter-se firme, resistir nesse momento estratégico, era o grande desafio das batalhas. No combate intenso que se seguiria, cada lado buscava impulso para “o ataque”. O chamado de Paulo à batalha refletia o combate no qual os soldados eram “agrupados, dando e recebendo centenas de golpes à queima-roupa” (Victor Davis Hanson, The Western Way of War, p. 152). Isso se confirma pela representação que Paulo fez da batalha da igreja contra seus inimigos como uma luta (Ef 6:12; veja o estudo de quinta-feira) e no emprego de uma forma abrangente do verbo “permanecer” no verso 13: “para que vocês possam resistir no dia mau”.

Essa não é uma postura relaxada! “Resistir” é estar engajado na batalha, empregar todas as armas em combate e marchar ao mesmo tempo, um ponto óbvio da metáfora militar na exortação anterior de Paulo no sentido de estar “firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé do evangelho” (Fp 1:27).

Leia Hebreus 12:4 [“Na luta contra o pecado, vocês ainda não resistiram até o sangue.”]. Como esse verso ajuda a resumir o significado de resistir no Senhor? Qual é a natureza coletiva dessa posição?

Quarta-feira, 13 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

O grande conflito nas cartas de Paulo

Lições da Bíblia1

3. Por que Paulo emprega o tipo de ilustração utilizada em Efésios 6:10-20? Compare com Rm 13:11-14; 1Ts 5:6-8; 2Co 10:3-6

Ef 6:10-20 (NAA)2: “10 Quanto ao mais, sejam fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. 11 Vistam-se com toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo. 12 Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais. 13 Por isso, peguem toda a armadura de Deus, para que vocês possam resistir no dia mau e, depois de terem vencido tudo, permanecer inabaláveis. 14 Portanto, fiquem firmes, cingindo-se com a verdade e vestindo a couraça da justiça. 15 Tenham os pés calçados com a preparação do evangelho da paz, 16 segurando sempre o escudo da fé, com o qual poderão apagar todos os dardos inflamados do Maligno. 17 Usem também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. 18 Orem em todo tempo no Espírito, com todo tipo de oração e súplica, e para isto vigiem com toda perseverança e súplica por todos os santos. 19 E orem também por mim, para que, no abrir da minha boca, me seja dada a palavra, para com ousadia tornar conhecido o mistério do evangelho, 20 pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazer.”

Rm 13:11-14 (NAA)2: “11 E digo isto a vocês que conhecem o tempo: já é hora de despertarem do sono, porque a nossa salvação está agora mais perto do que quando no princípio cremos. 12 Vai alta a noite, e o dia vem chegando. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. 13 Vivamos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedeiras, não em imoralidades e libertinagem, não em discórdias e ciúmes. 14 Mas revistam-se do Senhor Jesus Cristo e não façam nada que venha a satisfazer os desejos da carne.

1Ts 5:6-8 (NAA)2: “6 Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios. 7 Ora, os que dormem é de noite que dormem, e os que se embriagam é de noite que se embriagam. 8 Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor e tomando como capacete a esperança da salvação.

2Co 10:3-6 (NAA)2: “3 Porque, embora andemos na carne, não lutamos segundo a carne. 4 Porque as armas da nossa luta não são carnais, mas poderosas em Deus, para destruir fortalezas. Destruímos raciocínios falaciosos 5 e toda arrogância que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento à obediência de Cristo. 6 E estaremos prontos para punir qualquer desobediência, quando a obediência de vocês estiver completa.”

Paulo empregava linguagem militar e ilustrações, convidando os crentes a imitar o exemplo dos soldados. Embora Efésios 6:10-20 represente seu emprego mais longo e concentrado, a linguagem militar exibe uma de suas principais formas de comunicar o evangelho. Depois de conquistar os principados e potestades na cruz (Cl 2:15), Cristo exercita os resultados dessa vitória em Sua posição como Senhor sobre os poderes (Fp 2:9-11). Recrutando Seus seguidores como combatentes na guerra cósmica, Cristo lidera os exércitos de luz em direção a um grande dia de vitória (1Co 15:54-58; 2Ts 2:8; Rm 16:20). Ao reunir os empregos que Paulo fez do simbolismo militar, notamos que ele entendia que o conflito entre o bem e o mal é “uma guerra cósmica de longa duração: batalhas vêm e vão entre dois exércitos que se enfrentam através dos tempos até que um vença o confronto final” (Peter W. Macky, St. Paul’s Cosmic War Myth: A Military Version of the Gospel [Nova York: Peter Lang Publishing, Inc., 1998], p. 1).

O tema frequente de Paulo sobre a guerra cósmica também faz parte de Efésios. Em seu chamado à batalha (Ef 6:10-20), o apóstolo reuniu elementos do conflito cósmico que já tinha empregado: a capacitação dos crentes com o “poder” de Deus (Ef 1:18-20; 3:16, 20); a vitória e a exaltação de Cristo sobre os poderes (Ef 1:20-23); os crentes como um exército de pessoas ressuscitadas e fortalecidas por sua identificação com Cristo e capazes de lutar contra seu antigo mestre das trevas (Ef 2:1-10); o papel da igreja em revelar aos poderes sua condenação vindoura (Ef 3:10); o emprego do Salmo 68:18 para retratar Cristo como o divino Guerreiro conquistador (Ef 4:7-11) e o apelo para que os crentes se revestissem das vestes do evangelho (Ef 4:20-24). Quando chamados a colocar “toda a armadura” de Deus, estamos bem preparados para entender o papel central do conflito cósmico, mas, também, devemos permanecer firmes na promessa de participarmos da vitória final de Cristo.

Você já experimentou a realidade do conflito e da vitória que podemos reivindicar em Jesus? Entender a vitória de Cristo por nós é importante para nossa experiência?

Terça-feira, 12 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.