Escravidão no tempo de Paulo

Lições da Bíblia1

3. Como você resumiria os conselhos bíblicos aos escravos e aos senhores de escravos? Ef 6:5-9; Cl 3:22–4:1; 1Co 7:20-24; 1Tm 6:1, 2; 1Pe 2:18-25

Ef 6:5-9 (NAA)2: “5 Quanto a vocês, servos, obedeçam a seus senhores aqui na terra com temor e tremor, com sinceridade de coração, como a Cristo, 6 não servindo apenas quando estão sendo vigiados, somente para agradar pessoas, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus. 7 Sirvam de boa vontade, como se estivessem trabalhando para o Senhor e não para pessoas, 8 sabendo que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, seja servo, seja livre. 9 E vocês, senhores, façam o mesmo com os servos, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como de vocês, está nos céus, e que ele não trata as pessoas com parcialidade.

Cl 3:22–4:1 (NAA)2: “22 Servos, obedeçam em tudo a seus senhores aqui na terra, não servindo apenas quando estão sendo vigiados, visando somente agradar pessoas, mas com sinceridade de coração, temendo o Senhor. 23 Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor e não para as pessoas, 24 sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo. 25 E quem fizer injustiça receberá em troca a injustiça feita. E nisto ninguém será tratado com parcialidade. 4 1 Senhores, tratem os seus servos com justiça e igualdade, sabendo que também vocês têm um Senhor no céu.

1Co 7:20-24 (NAA)2: “20 Cada um permaneça na vocação em que foi chamado. 21 Você foi chamado, sendo escravo? Não se preocupe com isso. Mas, se você ainda pode tornar-se livre, aproveite a oportunidade. 22 Pois quem foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto que pertence ao Senhor. Do mesmo modo, quem foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo. 23 Vocês foram comprados por preço; não se tornem escravos de homens. 24 Irmãos, cada um permaneça diante de Deus na condição em que foi chamado.”

1Tm 6:1, 2 (NAA)2: “1 Todos os servos que estão debaixo de jugo considerem dignos de toda honra o próprio senhor, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam difamados. 2 Também os que têm senhor crente não o tratem com desrespeito, porque é irmão; pelo contrário, trabalhem ainda mais, pois ele, que partilha do seu bom serviço, é crente e amado. Ensine e recomende estas coisas.

1Pe 2:18-25 (NAA)2: “18 Servos, sejam obedientes ao senhor de vocês, com todo o temor. E não somente se ele for bom e cordial, mas também se for mau. 19 Porque isto é agradável a Deus, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus. 20 Pois que glória há, se, pecando e sendo castigados por isso, vocês o suportam com paciência? Se, entretanto, quando praticam o bem, vocês são igualmente afligidos e o suportam com paciência, isto é agradável a Deus. 21 Porque para isto mesmo vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando exemplo para que vocês sigam os seus passos. 22 Ele não cometeu pecado, nem foi encontrado engano em sua boca. 23 Pois ele, quando insultado, não revidava com insultos; quando maltratado, não fazia ameaças, mas se entregava àquele que julga retamente, 24 carregando ele mesmo, em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça. Pelas feridas dele vocês foram sarados. 25 Porque vocês estavam desgarrados como ovelhas; agora, porém, se converteram ao Pastor e Bispo da alma de vocês.”

É surpreendente ouvir Paulo se dirigir aos senhores de escravos e escravos cristãos e imaginá-los sentados juntos nas igrejas-lares de Éfeso. A escravidão no mundo greco-romano podia diferir da versão posterior no Novo Mundo em aspectos significativos. Não estava focada em um único grupo étnico. Escravos urbanos e domésticos tinham às vezes oportunidades de educação e podiam trabalhar como arquitetos, médicos e filósofos. Em alguns casos, escravos domésticos ganhavam a liberdade após um período limitado de serviço, embora isso não ocorresse com a maioria deles. Na tentativa de reconhecer tais diferenças, uma série de versões bíblicas recentes traduz o termo grego doulos (“escravo”) em Efésios 6:5-8 como “servo”.

No entanto, essas opções não eram praticadas de forma igual, pois os escravos em áreas rurais regularmente experimentavam trabalho árduo. Não importa onde os escravos servissem, eles estavam sujeitos ao poder quase ilimitado do senhor de quem eram propriedade, bem como de sua família. O clamor do ex-escravo Públio Siro é assustador: “É lindo morrer em vez de ser humilhado como escravo.” Dada a grande variação dessas realidades, é preferível a tradução de doulos como “escravo”, especialmente porque esses escravos viviam sob a ameaça dos senhores (Ef 6:9).

Paulo não abordou a escravidão como um reformador social, mas como um pastor que aconselhava os crentes quanto à maneira de lidar com as realidades, e lançou uma nova visão centrada na transformação do crente individual, que mais tarde teria implicações mais amplas para a sociedade: “Sua visão não era para a alforria de escravos no Império Romano, mas algo além da alforria legal, ou seja, a criação de uma nova comunhão entre irmãos com base na adoção como filhos de Deus. […]. A revolução social deveria ocorrer na igreja, […] e na família” (Scot McKnight, The Letter to Philemon [Eerdmans Publishing Company, 2017], p. 10, 11).

Uma das manchas da história foi o uso de passagens bíblicas sobre a escravidão para justificar esse mal. Que cuidado devemos ter ao lidar com a Palavra de Deus?

Terça-feira, 05 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Efésios. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 513, jul. ago. set. 2023. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Conselhos aos pais

Lições da Bíblia1

2. Compare Efésios 6:4 e Colossenses 3:21. Que motivação Colossenses 3:21 apresenta para se evitar irritar os filhos?

Efésios 6:4 (NAA)2: “E vocês, pais, não provoquem os seus filhos à ira, mas tratem de criá-los na disciplina e na admoestação do Senhor.

Colossenses 3:21 (NAA)2: “Pais, não irritem os seus filhos, para que eles não fiquem desanimados.

Siraque, um documento judeu disponível na época de Paulo, aconselhava os pais sobre o tratamento para com os filhos: “Aquele que ama seu filho irá castigá-lo com frequência. […] Mime uma criança, e ela irá aterrorizá-lo; brinque com ela, e ela o entristecerá. […] Discipline seu filho e torne seu jugo pesado, para que você não seja ofendido pela falta de vergonha dele” (Siraque 30:1, 9, 13).

O conselho de Paulo tem um tom bem diferente. Ele primeiro deu uma ordem negativa aos pais: “Não provoquem os seus filhos à ira”, seguido de um positivo: “tratem de criá-los na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6:4). Naquela época, os pais tinham total poder legal sobre os filhos, que eram considerados sua propriedade. Os pais tinham o direito de infligir punição violenta, até mesmo a morte, aos filhos. Em alguns aspectos, o poder do pai sobre os filhos excedia a autoridade de um senhor sobre seus escravos. Paulo não apoiava isso. Ele esclareceu e remodelou os relacionamentos. No contexto de uma lealdade suprema a Cristo, Paulo convidou os pais a repensar o uso do poder, uma vez que os filhos que eram provocados à ira não estariam em boa posição de aceitar “a disciplina e a admoestação do Senhor” (Ef 6:4).

“Pais e mães, vocês devem representar no lar o caráter de Deus. Devem exigir obediência. Não com uma tormenta de palavras, mas de modo calmo e amável […].

“Sejam agradáveis no lar. Reprimam toda a palavra que despertaria um temperamento não santificado. ‘Pais, não irritem seus filhos’ é uma ordem divina (Ef 6:4). […]

“Nenhuma permissão é dada na Palavra de Deus para a severidade ou opressão paternas, nem para a desobediência dos filhos. A lei de Deus na vida do lar e no governo das nações flui de um coração de infinito amor” (Ellen G. White, Orientação da Criança [CPB, 2021], p. 182).

Embora a lição até aqui fale de pais e filhos, que princípios podem ser extraídos desses textos que devem impactar o modo como lidamos com outras pessoas?

Segunda-feira, 04 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. Efésios. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 513, jul. ago. set. 2023. Adulto, Professor. 
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Conselho aos filhos

Lições da Bíblia1

1. Que conselho Paulo deu aos filhos, e como fundamentou esse conselho no AT? Ef 6:1-3; Mt 18:1-5, 10; Mc 10:13-16

Ef 6:1-3 (NAA)2: “1 Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isto é justo. 2 Honre o seu pai e a sua mãe’, que é o primeiro mandamento com promessa, 3 ‘para que tudo corra bem com você, e você tenha uma longa vida sobre a terra’.”

Mt 18:1-5, 10 (NAA)2: “1 Naquela hora, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram: — Quem é o maior no Reino dos Céus? 2 E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles 3 e disse: — Em verdade lhes digo: se vocês não se converterem e não se tornarem como crianças, de maneira nenhuma entrarão no Reino dos Céus. 4 Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. 5 E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, é a mim que recebe. […] 10 — Fiquem atentos, para não desprezarem nenhum destes pequeninos! Porque eu afirmo a vocês que os anjos deles, lá nos céus, veem incessantemente a face de meu Pai celeste.”

Mc 10:13-16 (NAA)2: 13 Então trouxeram algumas crianças a Jesus para que as abençoasse, mas os discípulos os repreendiam. 14 Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: — Deixem que os pequeninos venham a mim; não os impeçam, porque dos tais é o Reino de Deus. 15 Em verdade lhes digo: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele. 16 Então, tomando as crianças nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava.”

Para compreender plenamente o conselho de Paulo aos filhos, devemos imaginá-lo sendo lido nas igrejas da próspera metrópole de Éfeso. A palavra “filhos” (grego, ta tekna) poderia se referir a uma ampla faixa etária, uma vez que os filhos permaneciam sob a autoridade do pai até os 60 anos (na tradição grega) ou até sua morte (na romana). Contudo, esses filhos eram jovens o bastante para estar sob instrução dos pais (Ef 6:4), mas com idade suficiente para ser discípulos em seu próprio direito.

Ouvimos Paulo pedir aos filhos, que estavam adorando em congregações cristãs, para obedecer e honrar aos seus pais “no Senhor”, isto é, em Cristo (compare com Ef 5:22; 6:4, 5, 7-9). Somos convidados a respeitar os filhos considerando-os discípulos de Cristo e incluí-los como participantes ativos na adoração. Isso torna a passagem fundamental para a paternidade e para o ministério às crianças.

A ordem de Paulo para obedecer não é absoluta. Quando as ordens dos pais “contrariam os reclamos de Cristo, então, embora seja doloroso esse pensamento, devem obedecer a Deus e deixar com Ele as consequências (Ellen G. White, O Lar Adventista [CPB, 2021], p. 239).

Paulo completou sua exortação aos filhos citando o quinto mandamento, testemunhando o alto apreço que ele tinha pelos Dez Mandamentos como fonte de orientação para os cristãos (uma característica óbvia de Ef 4:1–6:9; em especial Ef 4:25, 28; 5:3-14). Ele começou a citação (“Honre o seu pai e a sua mãe”; Ef 6:2), a interrompeu com um comentário editorial (“que é o primeiro mandamento com promessa”; Ef 6:2) e então a finalizou (“para que tudo corra bem com você, e você tenha uma longa vida sobre a Terra”; Ef 6:3). O quinto mandamento testemunha que honrar os pais faz parte do projeto divino para que os seres humanos prosperem. O respeito pelos pais, embora imperfeitos, ajuda a promover a saúde e o bem-estar.

Como esses versos reforçam a importância das relações familiares?

Domingo, 03 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Suprema lealdade a Cristo

Lições da Bíblia1

“E vocês, senhores, façam o mesmo com os servos, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como de vocês, está nos Céus, e que Ele não trata as pessoas com parcialidade” (Ef 6:9).

Em 2018, um artefato no Museu da Bíblia, em Washington, D.C., atraiu muita atenção. Era uma Bíblia condensada projetada para ensinar o essencial da fé, ao passo que excluía passagens que incitassem a rebelião de escravos. Publicada em 1808, o texto removeu noventa por cento do AT e cinquenta por cento do NT. Dos 1.189 capítulos da Bíblia, permaneceram apenas 232.

Passagens que parecem reforçar os males da escravidão, em especial na ausência de grande parte da narrativa bíblica de “boas-novas”, foram deixadas totalmente intactas, incluindo textos frequentemente usados de forma incorreta como “servos, obedeçam a seus senhores aqui na Terra com temor e tremor, com sinceridade de coração, como a Cristo” (Ef 6:5).

No presente, em nossa época e cultura, o desafio importante é ler Efésios 6:1-9 no contexto da história completa da salvação, conforme revelada em toda a Bíblia. O que podemos aprender ao observarmos Paulo aplicar os valores do evangelho às estruturas sociais defeituosas de seu tempo?

Sábado, 02 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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Maridos e esposas juntos na cruz – Estudo adicional

Lições da Bíblia1

Leia Testemunhos Para a Igreja, v. 7, p. 42-46 (“Responsabilidades da Vida Conjugal”); O Lar Adventista, p. 89-94 (“Obrigações Mútuas”).

Ellen G. White constantemente instava os cônjuges a deixar de tentar controlar um ao outro: “Não intentem impor um ao outro seus desejos. Não é possível fazer isso e ao mesmo tempo reter o amor mútuo. Sejam bondosos, pacientes, longânimos, corteses e cheios de consideração mútua” (O Lar Adventista [CPB, 2021], p. 93).

Ela comentou sobre a interpretação e aplicação de Colossenses 3:18 (e Ef 5:22-24): “Não raro se faz a pergunta: ‘Não deve a esposa ter vontade própria?’ A Bíblia claramente afirma que o marido é o cabeça da família […] (Ef 5:22). Se essa injunção terminasse aqui, poderiam dizer que a posição da esposa não é nada invejável […]. Muitos maridos ficam nas palavras: ‘As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido’, mas leiamos a conclusão do mesmo verso: ‘como ao Senhor’ (v. 22).

“Deus pede que a esposa conserve Seu temor e Sua glória sempre diante de si. Inteira submissão deve ser somente ao Senhor Jesus Cristo, que a comprou como propriedade Sua, pelo infinito preço de Sua vida. […] Sua submissão ao marido deve estar na base da indicação de Deus: ‘como ao Senhor’” (Ef 5:22; O Lar Adventista [CPB, 2021], p. 90, 91).

Perguntas para consideração

Efésios 5:21-33 seria uma passagem ultrapassada que não mais se refere aos relacionamentos cristãos, pois impõe um modelo de casamento focado na autoridade e no domínio do marido? Que elementos da passagem justificariam sua resposta?

O que Efésios 5:21-33 oferece a pessoas com problemas matrimoniais?

Alguns argumentam que o relato da criação (Gn 1; 2) é uma metáfora e que houve bilhões de anos de evolução. Paulo usou o relato porque o considerava literal?

O conceito de “uma só carne” nos ajuda a entender a santidade do casamento? E por que os casais devem fazer todo o possível para proteger essa santidade?

Sexta-feira, 01 de setembro de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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Uma só carne: o modelo para o casamento

Lições da Bíblia1

5. Estude o relato da criação (Gn 2:15-25). O que ocorre na história antes da declaração de que o marido e a mulher são “uma só carne”? Gn 2:24

Gn 2:15-25 (NAA)2: “15 O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar. 16 E o Senhor Deus ordenou ao homem: — De toda árvore do jardim você pode comer livremente, 17 mas da árvore do conhecimento do bem e do mal você não deve comer; porque, no dia em que dela comer, você certamente morrerá. 18 O Senhor Deus disse ainda: — Não é bom que o homem esteja só; farei para ele uma auxiliadora que seja semelhante a ele. 19 Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os a Adão, para ver que nome lhes daria; e o nome que ele desse a todos os seres vivos, esse seria o nome deles. 20 O homem deu nome a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selvagens; mas para o homem não se achava uma auxiliadora que fosse semelhante a ele. 21 Então o Senhor Deus fez cair um pesado sono sobre o homem, e este adormeceu. Tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com carne. 22 E da costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus formou uma mulher e a levou até ele. 23 E o homem disse: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; será chamada varoa, porque do varão foi tirada.” 24 Por isso, o homem deixa pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. 25 Ora, um e outro, o homem e a sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam.”

Uma chave para aplicar o conselho de Paulo a esposas e maridos é considerar a citação de Gênesis 2:24 em Efésios 5:31 como seu ápice. Enquanto meditava sobre a criação, Paulo considerou as necessidades das congregações e a saúde dos relacionamentos contidos nelas. Ele ouvia em Gênesis 2:24 uma mensagem que ecoava através do tempo. Pelo plano divino, o casamento é destinado a ser um relacionamento de “uma só carne”, com unidade sexual espelhada na unidade emocional e espiritual, e unidade emocional e espiritual trazendo significado para o relacionamento sexual.

Ao escolher Gênesis 2:24, Paulo selecionou uma declaração sobre o casamento feita antes da queda e a aplicou ao relacionamento entre maridos e esposas. Em nosso mundo pós-queda, a exploração desenfreada do relacionamento sexual entre homem e mulher revela o quanto a ideia de que a união sexual representa a subjugação da mulher está profundamente enraizada nas culturas modernas. Paulo argumentou que o relacionamento sexual, refletido em Gênesis, não é de subjugação, mas de união. Não simboliza nem efetiva o domínio do macho, mas a união entre marido e mulher, tanto que eles são “uma só carne”. Assim, consideramos Efésios 5:21-33 e Gênesis 2:24 uma teologia importante, contracultural e corretiva do casamento e da sexualidade.

Nesse mesmo contexto, Paulo falou no verso seguinte sobre um grande mistério (Ef 5:32). Isso inclui ambos os lados da metáfora dupla que Paulo vinha discutindo: o casamento cristão compreendido à luz do relacionamento de Cristo com a igreja e o relacionamento de Cristo com a igreja entendido à luz do casamento cristão.

O casamento é enaltecido ao ser comparado com o relacionamento entre Cristo e a igreja. Além disso, pensando na ligação da igreja com Cristo através das lentes do casamento carinhoso, obtemos nova clareza sobre o relacionamento com Cristo.

Efésios 5:33 serve como resumo do conselho de Paulo em Efésios 5:21-32? Se você é casado, como pode implementar mais plenamente esses princípios em seu casamento?

Quinta-feira, 31 de agosto de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Ame sua esposa como a si mesmo

Lições da Bíblia1

4. Que novo argumento Paulo usou para encorajar maridos a praticar o amor terno para com suas esposas? Ef 5:28-30

Ef 5:28-30 (NAA)2: “28 Assim também o marido deve amar a sua esposa como ama o próprio corpo. Quem ama a esposa ama a si mesmo. 29 Porque ninguém jamais odiou o seu próprio corpo. Ao contrário, o alimenta e cuida dele, como também Cristo faz com a igreja; 30 porque somos membros do seu corpo.”

As regras para a família cristã (Ef 5:21–6:9) revelam um contexto social desafiador. Em Efésios 5:28-30, Paulo se dirigiu aos maridos que, seguindo o padrão frequente da época, podiam escolher odiar seu próprio corpo (Ef 5:28, 29), maltratando suas esposas e batendo nelas. No mundo greco-romano dessa época, o poder legal do “pai de família” (latim, pater familias) era amplo. Ele podia punir duramente ou até mesmo matar a esposa, filhos e escravos e estar dentro dos direitos legais (embora exercer tal poder de maneira extrema fosse cada vez mais restringido pela opinião pública).

Em Efésios 5:25-27, Paulo detalhou o maior exemplo de amor, o amor de Cristo pela igreja, um modelo muito diferente dos exemplos da época. Antes de expor um novo argumento, ele apontou outra vez para esse exemplo, pedindo aos maridos que fizessem “assim também” (Ef 5:28) como Jesus, que “Se entregou” por Sua noiva, a igreja, e atende todas as suas necessidades (Ef 5:25-27). Paulo desafiou os maridos a se afastar das práticas de seu tempo e procurar estar à altura do amor de Cristo.

Em Efésios 5:28-30, o apóstolo mostrou uma nova lógica para apoiar o amor dos maridos por suas esposas: o amor-próprio. Paulo apresentou uma verdade incontestável: “ninguém jamais odiou o seu próprio corpo” (pelo menos ninguém que esteja saudável). Um marido não fere a si mesmo nem bate em seu próprio corpo. Em vez disso, “o alimenta e cuida dele” (Ef 5:29). Em uma tentativa de eliminar a dureza e a violência contra esposas, Paulo convidou o marido a se identificar com a esposa. O marido é um com sua esposa, de modo que machucá-la não é nada menos que automutilação, e a maioria das pessoas em sã consciência não faz isso.

Voltando ao exemplo de Jesus, Paulo argumentou que o próprio Cristo pratica o autocuidado ao valorizar os crentes que são “Seu corpo” (Ef 5:29, 30). Ele aconselhou o marido a moldar o comportamento em relação à esposa, segundo a maneira como ele trata a si próprio e, finalmente, segundo a maneira como Cristo o trata.

O que o exemplo de Jesus ensina sobre amar as pessoas da nossa própria família?

Quarta-feira, 30 de agosto de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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A igreja como a noiva de Cristo – parte 2

Lições da Bíblia1

3. Que elementos do casamento antigo Paulo usou para chamar a atenção dos coríntios? Quando acontece a apresentação? 2Co 11:1-4

2Co 11:1-4 (NAA)2: “1 Eu gostaria que vocês me suportassem um pouco mais na minha loucura. Portanto, suportem-me. 2 Tenho zelo por vocês com um zelo que vem de Deus, pois eu preparei vocês para apresentá-los como virgem pura a um só esposo, que é Cristo. 3 Temo que, assim como a serpente, com a sua astúcia, enganou Eva, assim também a mente de vocês seja corrompida e se afaste da simplicidade e pureza devidas a Cristo. 4 Pois, se vem alguém que prega outro Jesus, diferente daquele que nós pregamos, ou se vocês aceitam um espírito diferente daquele que já receberam ou um evangelho diferente do que já aceitaram, vocês toleram isso muito bem.”

Ef 5:25-27 (NAA)2: “25 Maridos, que cada um de vocês ame a sua esposa, como também Cristo amou a igreja e se entregou por ela, 26 para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, 27 para a apresentar a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.

Usando um elemento final do casamento antigo, em Efésios 5:25-27 Paulo retratou Cristo como Aquele que: (6) Apresenta a noiva (a Si mesmo!). Antigamente, a noiva era apresentada pelo padrinho, pelos padrinhos ou por seu pai; nunca pelo noivo! Paulo, porém, imaginou Jesus apresentando a igreja como Sua noiva.

O apóstolo usou costumes e funções do casamento para destacar o relacionamento de Cristo com a igreja num padrão cronológico corrente: 1. Noivado. Cristo Se entregou pela igreja (como “dote pela noiva”) e assim noivou com ela (Ef 5:25). 2. Preparação para a cerimônia de casamento. As atenções do Noivo continuam em Seus esforços para santificar e purificar a noiva (Ef 5:26). 3. A cerimônia de casamento em si. As atenções de Cristo no presente têm em vista a “apresentação” da noiva no casamento (Ef 5:27). Esse último elemento olha para a celebração de casamento, quando Cristo, o Noivo, voltará para reivindicar a igreja como noiva e apresentá-la a Si mesmo (compare com 2Co 11:1, 2; Cl 1:21-23, 28).

Os casamentos antigos geralmente começavam com um desfile noturno (Mt 25:1-13). O noivo e seu cortejo se reuniam na casa do noivo, o novo lar do casal, e com grande cerimônia começavam um desfile. Iluminada por tochas e acompanhada de música alegre e cadenciada e grande regozijo, a multidão se movimentava em direção à casa do pai da noiva. Reunindo-se lá com a noiva, ou encontrando o desfile da noiva no caminho, a procissão conduzia o casal à sua nova casa, onde os convidados se estabeleciam em uma festa de uma semana que culminaria na cerimônia de casamento, quando a noiva seria apresentada ao noivo.

Quando Paulo retratou Cristo apresentando a igreja a Si mesmo, fez referência a esse grande cortejo e ao momento da apresentação. Ao fazê-lo, mostrou um retrato comovente do retorno de Cristo como uma futura cerimônia de casamento, quando o longo noivado entre Cristo e Sua igreja estará completo, e o casamento será celebrado.

Que mensagem devemos tirar de todas essas imagens positivas, felizes e esperançosas?

Terça-feira, 29 de agosto de 2023. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico
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