Abandonado por Deus

Lições da Bíblia1:

4. Quais são as únicas palavras de Jesus na cruz que foram registradas em Marcos? O que a morte de Cristo significa para todos nós? Mc 15:33-41

Mc 15:33-41 (NAA)2: “33 Chegado o meio-dia, houve trevas sobre toda a terra até as três horas da tarde. 34 E às três horas, Jesus clamou em alta voz: — Eloí, Eloí, lemá sabactani? — Isso quer dizer: ‘Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?’ 35 E alguns dos que estavam ali, ouvindo isto, diziam: — Vejam! Ele chama por Elias! 36 E um deles correu para embeber uma esponja em vinagre e, colocando-a na ponta de um caniço, deu-lhe de beber, dizendo: — Esperem! Vejamos se Elias vem tirá-lo! 37 Mas Jesus, dando um forte grito, expirou. 38 E o véu do santuário se rasgou em duas partes, de alto a baixo. 39 O centurião que estava em frente de Jesus, vendo que assim havia expirado, disse: — Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus. 40 Estavam também ali algumas mulheres, observando de longe. Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e ainda Salomé. 41 Quando Jesus estava na Galileia, essas mulheres o acompanhavam e serviam. E, além destas, havia muitas outras que tinham ido com ele para Jerusalém.”

Marcos apresenta a cruz como um lugar de profundas trevas, em termos físicos e espirituais. Uma escuridão sobrenatural desceu sobre o Calvário naquela sexta-feira, desde o meio-dia até as três horas da tarde (Mc 15:33).

As palavras de Jesus na cruz são chamadas de “clamor do abandono”. Cristo orou, clamando a Deus, perguntando por que havia sido abandonado. Ele estava citando o Salmo 22:1. Outras referências ao mesmo salmo ocorrem em Marcos 15:24 e 29, indicando que as Escrituras estavam se cumprindo na morte de Jesus. Mesmo em meio às conspirações malignas dos homens, a vontade de Deus estava sendo cumprida.

As palavras “Eloí, Eloí” (transliteração do aramaico ‘elahi) foram traduzidas no original grego: “Deus Meu, Deus Meu”. Seria fácil imaginar que Jesus chamou Elias (aramaico ’elahi [“Meu Deus é Yahweh”]). Esse foi o erro de alguns espectadores.

Chama a atenção o paralelo dessa passagem com o batismo de Jesus:

Esses paralelos indicam que, assim como o batismo de Jesus representa o início de Seu ministério, profetizado em Daniel 9:24-27, o que ocorreu na cruz foi a culminação, ou objetivo, de Seu ministério, quando Ele morreu como resgate por muitos (Mc 10:45). A morte de Jesus também cumpriu parte da profecia de Daniel 9:24-27. O véu do templo rasgado aponta para o cumprimento do sistema sacrificial, quando o tipo encontrou o antítipo e começou uma nova fase da história da salvação.

Apesar das conspirações, os propósitos de Deus se cumpriram. Independentemente do que aconteça ao redor, temos certeza de que a bondade divina vai prevalecer?

Quarta-feira, 18 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico. 

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. O Evangelho de Marcos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 517, jul. ago. set. 2024. Adulto, Professor.
2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

Crucifixão

Lições da Bíblia1:

3. Que ironia terrível e dolorosa ocorre nessa passagem? Mc 15:21-38

Mc 15:21-38 (NAA)2: “21 E obrigaram Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a carregar a cruz de Jesus. 22 E levaram Jesus para o Gólgota, que quer dizer ‘Lugar da Caveira’. 23 Quiseram dar-lhe para beber vinho misturado com mirra, mas Jesus não aceitou. 24 Então o crucificaram e repartiram entre si as roupas dele, tirando a sorte, para ver o que cada um levaria. 25 Eram nove horas da manhã quando o crucificaram. 26 E a inscrição com a acusação contra ele dizia: ‘O Rei dos Judeus’. 27 Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. 28 [E cumpriu-se a Escritura que diz: ‘Com malfeitores foi contado.’] 29 Os que iam passando blasfemavam contra ele, balançando a cabeça e dizendo: — Ah! Você que destrói o santuário e em três dias o reedifica! 30 Salve a si mesmo, descendo da cruz! 31 De igual modo, os principais sacerdotes com os escribas, zombando, diziam entre si: — Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar. 32 Que o Cristo, o rei de Israel, desça agora da cruz para que vejamos e creiamos. Também os que com ele foram crucificados o insultavam. 33 Chegado o meio-dia, houve trevas sobre toda a terra até as três horas da tarde. 34 E às três horas, Jesus clamou em alta voz: — Eloí, Eloí, lemá sabactani? — Isso quer dizer: ‘Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?’ 35 E alguns dos que estavam ali, ouvindo isto, diziam: — Vejam! Ele chama por Elias! 36 E um deles correu para embeber uma esponja em vinagre e, colocando-a na ponta de um caniço, deu-lhe de beber, dizendo: — Esperem! Vejamos se Elias vem tirá-lo! 37 Mas Jesus, dando um forte grito, expirou. 38 E o véu do santuário se rasgou em duas partes, de alto a baixo.”

Jesus foi uma vítima silenciosa, controlada por pessoas decididas a matá-Lo. Até Sua prisão, Jesus realizou muitas ações. Mas agora Ele era o alvo da ação. Embora fosse um robusto pregador, acostumado a caminhar durante horas, o espancamento, a fome e o sono O enfraqueceram. Um desconhecido teve que carregar a Sua cruz.

Na cruz, as vestes de Jesus foram removidas e se tornaram propriedade dos soldados, que tiraram a sorte para ver quem ficaria com elas (Sl 22:18). A crucifixão não envolvia excessivo derramamento de sangue. Os pregos usados para prender uma pessoa à cruz (Jo 20:24-29) provavelmente eram cravados nos pulsos, abaixo das palmas das mãos, onde não correm grandes vasos sanguíneos. (Em hebraico e em grego, a palavra traduzida como “mão” pode se referir tanto à mão quanto ao antebraço.) A palma da mão não possui as estruturas necessárias para suportar o peso do corpo na crucifixão. O nervo mediano passa pelo centro do antebraço e seria esmagado pelos pregos, causando uma dor terrível no braço. Era difícil respirar. Os crucificados tinham que empurrar os pés pregados e flexionar os braços, o que causava dor agonizante. A asfixia por exaustão era uma das possíveis causas da morte.

Jesus foi zombado e humilhado na crucifixão. Marcos destaca o “tema do segredo e da revelação”. Jesus pedia silêncio a respeito de quem Ele era. Por isso, títulos cristológicos como “Senhor”, “Filho de Deus” e “Cristo” não ocorrem com frequência na narrativa. Isso muda na cruz. Jesus não podia mais Se manter escondido. Ironicamente, foram os líderes religiosos que usaram esses títulos para zombar de Jesus. Aqueles homens estavam condenando a si próprios!

Em Marcos 15:31, os líderes disseram: “Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar.” Insinuando que Jesus estivesse desamparado na cruz, eles indicaram que Ele havia ajudado outras pessoas (o verbo grego significa “salvar”, “curar” e “resgatar”). Ironicamente, eles estavam admitindo que Jesus era o Salvador. E mais: a razão pela qual Ele não pôde, ou não quis, salvar-Se era que, na cruz, Ele salvou os outros.

Leia João 1:1-3. Pensando nesse texto, o que a morte de Cristo significa para você?

João 1:1-3 (NAA): “1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. 2 Ele estava no princípio com Deus. 3 Todas as coisas foram feitas por ele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.”

Terça-feira, 17 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico. 

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Salve, rei dos judeus!

Lições da Bíblia1:

2. O que os soldados fizeram a Jesus? Isso é relevante? Mc 15:15-20

Mc 15:15-20 (NAA)2: “15 Então Pilatos, querendo contentar a multidão, lhes soltou Barrabás. E, depois de mandar açoitar Jesus, entregou-o para ser crucificado. 16 Então os soldados levaram Jesus para dentro do palácio, que é o Pretório, e reuniram toda a tropa. 17 Vestiram Jesus com um manto púrpura e, tecendo uma coroa de espinhos, a puseram na cabeça dele. 18 E o saudavam, dizendo: — Salve, rei dos judeus! 19 Batiam na cabeça dele com um caniço, cuspiam nele e, pondo-se de joelhos, o adoravam. 20 Depois de terem zombado dele, tiraram-lhe o manto púrpura e o vestiram com as suas próprias roupas. Então conduziram Jesus para fora a fim de o crucificarem.”

Os romanos espancavam os prisioneiros a fim de prepará-los para a execução. A vítima era despida, amarrada a um poste e depois açoitada com chicotes de couro aos quais eram amarrados pedaços de ossos, vidro, pedras e pregos.

Depois que Jesus foi chicoteado, os soldados continuaram Sua humilhação, vestindo-O com um manto de cor púrpura, pondo uma coroa de espinhos em Sua cabeça e zombando Dele como rei dos judeus. Os soldados (chamados de “tropa” ou “coorte”, speiran em grego; Mc 15:16, ARC), eram um grupo com 200 a 600 homens.

A ironia da cena é evidente para o leitor, porque Jesus realmente era o Rei, e as palavras zombeteiras dos soldados proclamavam essa verdade. A ação dos soldados era uma paródia de como eles saudavam o imperador romano com as palavras: “Salve, imperador César!” Assim, há uma comparação implícita com o imperador.

Os soldados zombaram de Jesus batendo em Sua cabeça com um caniço, cuspindo Nele e pondo-se de joelhos em falsa homenagem. Essas três ações são expressas no original grego com o tempo verbal imperfeito. Nesse cenário, esse tempo expressa a ideia de ação repetitiva, ou seja, eles continuavam a espancá-Lo, a cuspir Nele e a ajoelhar-se em falsa homenagem. Jesus suportou tudo em silêncio.

No padrão típico de execução romana por crucifixão, era exigido que o condenado carregasse a cruz despido até o local da execução. O objetivo, mais uma vez, era humilhar e envergonhar completamente a pessoa diante da comunidade.

Os judeus, no entanto, abominavam a nudez pública. Marcos 15:20 observa que os soldados removeram o manto púrpura e colocaram as próprias roupas de Jesus em volta Dele. Assim, aparentemente essa foi uma concessão que os romanos fizeram aos judeus naquele momento e local.

Pense em toda a ironia: os soldados se curvaram e prestaram “homenagem” a Jesus como rei, em atitude de zombaria, embora Jesus realmente fosse o Rei, não apenas dos judeus, mas também o Rei deles.

Aqueles homens não sabiam o que faziam. A ignorância os desculpará no dia do juízo?

Segunda-feira, 16 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico. 

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Você é o rei dos judeus?

Lições da Bíblia1:

1. Quais tipos de situações irônicas ocorrem nessa passagem? Mc 15:1-15

Mc 15:1-15 (NAA)2: 1 Logo pela manhã, os principais sacerdotes entraram em conselho com os anciãos, os escribas e todo o Sinédrio; e, amarrando Jesus, levaram-no e o entregaram a Pilatos. 2 Pilatos perguntou: — Você é o rei dos judeus? Jesus respondeu: — O senhor está dizendo isso. 3 E os principais sacerdotes o acusavam de muitas coisas. 4 Então Pilatos tornou a perguntar: — Você não vai responder nada? Veja quantas acusações fazem contra você! 5 Jesus, porém, não disse mais nada, a ponto de Pilatos muito se admirar. 6 Ora, por ocasião da festa, era costume soltar ao povo um dos presos, aquele que eles pedissem. 7 Havia um, chamado Barrabás, preso com rebeldes, os quais em um tumulto haviam cometido homicídio. 8 Vindo a multidão, começou a pedir que Pilatos lhes fizesse como de costume. 9E Pilatos lhes respondeu, dizendo: — Vocês querem que eu lhes solte o rei dos judeus? 10 Pois ele bem percebia que era por inveja que os principais sacerdotes lhe haviam entregado Jesus. 11 Mas os principais sacerdotes incitaram a multidão no sentido de que lhes soltasse, de preferência, Barrabás. 12 E Pilatos lhes perguntou: — O que, então, vocês querem que eu faça com este a quem vocês chamam de rei dos judeus? 13 Eles gritaram: — Crucifique-o! 14 Mas Pilatos lhes disse: — Que mal fez ele? Porém eles gritavam cada vez mais: — Crucifique-o! 15 Então Pilatos, querendo contentar a multidão, lhes soltou Barrabás. E, depois de mandar açoitar Jesus, entregou-o para ser crucificado.”

Pôncio Pilatos foi governador da Judeia de 26 a 36 d.C. Ele não era bondoso, e várias de suas ações provocaram sofrimento aos habitantes da nação (Lc 13:1). O julgamento de Jesus, conduzido pelos líderes judeus, resultou em uma sentença de morte por blasfêmia. Mas, sob o domínio romano, os judeus não podiam executar pessoas na maioria dos casos. Por isso, levaram Jesus a Pilatos para que fosse condenado.

O texto bíblico não menciona qual foi a acusação feita contra Jesus diante de Pilatos, mas é possível averiguá-la com base na pergunta que Pilatos Lhe fez: “Você é o rei dos judeus?” (Mc 15:2). No AT, o povo de Israel ungia os seus reis; portanto, não é difícil concluir que o termo Messias (“Ungido”) possa ter sido distorcido para sugerir que Jesus reivindicava homenagem como rei e, portanto, estava em competição com o imperador. Assim, a acusação apresentada ao Sinédrio era de blasfêmia, enquanto a acusação apresentada ao governador era de conspiração, que levaria à morte.

A ironia é que Jesus era o rei dos judeus e o Messias. As acusações de conspiração e blasfêmia foram equivocadas. Ele deveria ter recebido homenagem e adoração. Porém, Jesus ainda agia como rei. Sua resposta a Pilatos: “O senhor está dizendo isso” (Mc 15:2), foi evasiva. Ele não negou o título nem o afirmou. Isso poderia sugerir que Ele fosse um rei, mas de um tipo diferente (Jo 18:33-38).

Marcos 15:6 menciona o costume de libertar um prisioneiro na Páscoa. Pilatos perguntou se a multidão queria que ele libertasse o “rei dos judeus” (Mc 15:9) e, embora possa ter dito isso de forma irônica, a ironia estava atuando contra ele.

Marcos 15:9 e 10 é um exemplo de percepção e, ao mesmo tempo, de ausência de percepção. Pilatos percebeu que os líderes haviam entregado Jesus por inveja, mas não percebeu que, ao questionar a multidão, estava fazendo o jogo dos líderes. Eles agitaram a multidão e gritaram para que Jesus fosse crucificado. Pilatos recuou. A crucifixão era uma forma terrível de morte, especialmente para alguém considerado inocente. É dolorosamente irônico que um governador pagão quisesse libertar o Messias, enquanto os líderes religiosos desejassem que Ele fosse crucificado.

O que pode impedi-lo de seguir a multidão quando a pressão para fazer isso é grande?

Domingo, 15 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico. 

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Julgado e crucificado

Lições da Bíblia1:

“Por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz: ‘Eloí, Eloí, lamá sabactâni ?’, que significa: ‘Meu Deus! Meu Deus! Por que Me abandonaste?’” (Mc 15:34, NVI).

Marcos 15 é o centro da narrativa da Paixão. Apresenta o julgamento de Jesus, Sua condenação, a zombaria dos soldados, Sua crucifixão, Sua morte e Seu sepultamento. Os acontecimentos desse capítulo são apresentados com detalhes nítidos e cristalinos, provavelmente porque o autor deixou os fatos falarem por si mesmos.

Ao longo desse capítulo, a ironia desempenha um papel importante. Por isso, é bastante útil ter uma definição clara do que é ironia.

A ironia geralmente contém três componentes: 1) dois níveis de significado; 2) os dois níveis estão em conflito ou contrastam entre si; e 3) alguém não vê a ironia, não percebe o que está acontecendo e não sabe que sofrerá as consequências.

No estudo desta semana, desde a pergunta de Pilatos: “Você é o rei dos judeus?”, passando pelos soldados zombadores, a inscrição acima da cruz e a zombaria dos líderes religiosos, que diziam: “Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar” (Mc 15:31), até o surgimento inesperado de José de Arimateia, o capítulo 15 de Marcos está repleto de dolorosas ironias que, no entanto, revelam verdades poderosas sobre a morte de Jesus e o que ela significa.

Sábado, 14 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico. 

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Levado e julgado – Estudo adicional

Lições da Bíblia1:

Leia, de Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 560-572 (“Perante Anás e Caifás”), e p. 573-579 (“Judas, o traidor”).

“Quando os degradantes juramentos acabavam de sair dos lábios de Pedro e o agudo canto do galo ainda soava em seu ouvido, o Salvador, em meio aos severos juízes, virou-Se e olhou diretamente para o pobre discípulo. Ao mesmo tempo, os olhos de Pedro eram atraídos para o Mestre. Naquela suave fisionomia, ele viu profunda piedade e tristeza, mas nenhuma irritação era vista ali.

“Contemplar aquele rosto pálido e sofredor, aqueles lábios trêmulos e aquele olhar amável e cheio de perdão atravessou como uma flecha o coração de Pedro. Sua consciência foi despertada. Sua memória foi ativada. O discípulo se lembrou de sua promessa feita poucas horas antes, de que iria com seu Senhor à prisão e à morte. Lembrou-se de sua tristeza quando, no cenáculo, Cristo lhe dissera que ele negaria seu Senhor três vezes naquela mesma noite. Pedro acabava de declarar que não conhecia Jesus, mas compreendia agora com amarga dor que o Senhor o conhecia muito bem e que lia em detalhes seu coração, cuja falsidade nem ele próprio conhecia” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 570).

Perguntas para consideração

Jesus predisse que onde o evangelho fosse pregado seria contada a história da mulher que O ungiu. Quando lemos essa predição (Mc 14:9) estamos cumprindo essa profecia? Isso não seria improvável, dadas as circunstâncias em que a predição foi feita?

Quais são as diferenças e semelhanças entre Judas e Pedro na narrativa da Paixão?

O que significa a Ceia do Senhor? Como tornar especial essa celebração para todos?

Deus disse “não” à oração de Jesus no Getsêmani. O que significa quando Deus nos diz “não”?

Embora Pedro tenha falhado com Jesus em suas negações, o Mestre não o rejeitou. Que esperança você pode tirar desse fato?

Sexta-feira, 13 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico. 

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Quem é Você?

Lições da Bíblia1:

5. Leia Marcos 14:60-72. Como Jesus reagiu a esses acontecimentos? E como Pedro reagiu? Que lições podemos aprender com as diferenças?

Marcos 14:60-72 (NAA)2: “60 E, levantando-se o sumo sacerdote, no meio, perguntou a Jesus: — Você não diz nada em resposta ao que estes depõem contra você? 61 Jesus, porém, guardou silêncio e nada respondeu. O sumo sacerdote tornou a interrogá-lo: — Você é o Cristo, o Filho do Deus Bendito? 62 Jesus respondeu: — Eu sou, e vocês verão o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu. 63 O sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: — Por que ainda precisamos de testemunhas? 64 Vocês ouviram a blasfêmia. Qual é o parecer de vocês? E todos o julgaram réu de morte. 65 Alguns começaram a cuspir nele, a cobrir-lhe o rosto, a bater nele e a dizer-lhe: — Profetize! E os guardas davam-lhe bofetadas. 66 Estando Pedro embaixo no pátio, veio uma das empregadas do sumo sacerdote 67 e, vendo Pedro, que se aquecia, fixou os olhos nele e disse: — Você também estava com Jesus, o Nazareno. 68 Mas ele negou, dizendo: — Não o conheço, nem compreendo o que você está falando. E saiu para o pórtico. E o galo cantou. 69 E a empregada, vendo-o, tornou a dizer aos que estavam ali: — Este é um deles. 70 Mas ele negou outra vez. E, pouco depois, os que estavam ali disseram outra vez a Pedro: — Com certeza você é um deles, porque também é galileu. 71 Ele, porém, começou a praguejar e a jurar: — Não conheço esse homem de quem vocês estão falando! 72 E no mesmo instante o galo cantou pela segunda vez. Então Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe tinha dito: ‘Antes que o galo cante duas vezes, você me negará três vezes.’ E, caindo em si, começou a chorar.”

Marcos 14:53-59 descreve Jesus sendo levado ao Sinédrio e a primeira parte do julgamento. Foi um exercício de frustração. Repetidas vezes, os líderes tentaram fazer com que sua acusação contra Jesus fosse validada. O escritor do evangelho observa que o testemunho era falso e que os relatos das testemunhas não concordavam entre si.

O sumo sacerdote se dirigiu a Jesus. A princípio Ele não respondeu. Mas então o sumo sacerdote O colocou sob juramento (Mt 26:63) e perguntou se Ele era o Messias. Jesus admitiu que era o Messias e citou Daniel 7:13 e 14, que se refere ao Filho do Homem sentado à direita de Deus e vindo com as nuvens do Céu. Isso foi demais para o sumo sacerdote, que rasgou as vestes e clamou pela condenação de Jesus, o que o concílio autorizou imediatamente. Humilharam Jesus e cuspiram Nele. Então, vendaram Seu rosto, bateram Nele e pediram-Lhe que profetizasse.

Enquanto Jesus, dentro da casa do sumo sacerdote, era julgado e dava um testemunho fiel, Pedro, no pátio, mentia. Essa é a sexta e última “história em formato de sanduíche” em Marcos, e nesse texto a ironia é acentuada. Dois personagens paralelos, Jesus e Pedro, realizaram ações opostas. Jesus deu um testemunho fiel; Pedro, um testemunho falso. Três vezes Pedro foi abordado por um servo ou por espectadores, e três vezes negou sua ligação com Jesus, chegando a amaldiçoar e jurar.

Nesse momento, um galo cantou pela segunda vez, e Pedro subitamente se lembrou da profecia de Jesus de que ele negaria o Senhor três vezes naquela noite. Ele desmoronou e chorou. Aqui está a ironia: no fim do Seu julgamento, Jesus foi vendado, espancado e ordenado a profetizar. O objetivo era zombar Dele, pois Ele não conseguia ver quem O havia golpeado. No entanto, no exato momento em que faziam isso, Pedro estava negando Jesus no pátio abaixo, cumprindo uma das profecias do Mestre. Consequentemente, ao negar Jesus, Pedro mostrou que Jesus é o Messias!

O que você diria a alguém que, embora queira seguir Jesus, às vezes não consegue fazê-lo? Quem já não deixou de seguir a Jesus e às orientações de Sua Palavra?

Quinta-feira, 12 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico. 

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Deixando tudo para fugir de Jesus

Lições da Bíblia1:

Leia Marcos 14:43-52. O que aconteceu nessa passagem que foi tão crucial para o plano da salvação?

Marcos 14:43-52 (NAA)2: “43 E logo, enquanto Jesus ainda falava, chegou Judas, um dos doze, e, com ele, uma multidão com espadas e porretes, vinda da parte dos principais sacerdotes, escribas e anciãos. 44 Ora, o traidor tinha dado a eles um sinal: ‘Aquele que eu beijar, é esse; prendam e levem-no com segurança.’ 45 E logo que chegou, aproximando-se de Jesus, Judas disse: — Mestre! E o beijou. 46 Então eles agarraram Jesus e o prenderam. 47 Nisto, um dos que estavam ali, sacando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha. 48 Jesus lhes disse: — Vocês vieram com espadas e porretes para prender-me, como se eu fosse um salteador? 49 Todos os dias eu estava com vocês no templo, ensinando, e vocês não me prenderam; mas isto é para que se cumprissem as Escrituras. 50 Então todos o deixaram e fugiram. 51 Um jovem, coberto unicamente com um lençol, seguia Jesus. Eles o agarraram, 52 mas ele largou o lençol e fugiu nu.”

É chocante que um dos associados mais próximos de Jesus O tenha entregado aos Seus inimigos. Os evangelhos não explicam a motivação de Judas. Ellen G. White escreveu: “Judas tinha naturalmente grande amor ao dinheiro, mas não fora sempre tão corrupto para praticar um ato como esse. Havia alimentado a avareza até que esta se transformou na grande motivação de sua vida. O amor a Mamom superou seu amor por Cristo. Tornando-se escravo de um vício, entregou-se a Satanás para ser levado a todo tipo de pecado” (O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 573).

A traição em si é deplorada por todos, mesmo por aqueles que usam traidores (Mt 27:3-7). Mas a atitude de Judas foi especialmente desprezível porque ele tentou esconder a traição sob o pretexto de amizade. Ele deu instruções à multidão de que o homem a quem beijasse era Aquele que deveria ser preso. Parece que Judas quis esconder sua astúcia de Jesus e dos outros discípulos.

O caos irrompeu quando a multidão prendeu Jesus. Pedro desembainhou uma espada (Jo 18:10, 11) e cortou a orelha do servo do sumo sacerdote. Jesus Se dirigiu à multidão, repreendendo aquelas pessoas por fazerem em segredo o que tiveram medo de fazer abertamente, quando Ele ensinava no templo. Mas Jesus terminou com uma referência ao cumprimento das Escrituras. Trata-se de outro sinal dessa trama dupla que permeia a narrativa da Paixão – a vontade de Deus estava se cumprindo enquanto a vontade humana trabalhava para destruir o Messias.

Todos os discípulos fugiram, incluindo Pedro, que reapareceu seguindo Jesus a distância e acabando por se meter em problemas. No entanto, Marcos 14:51 e 52 fala de um jovem que seguia Jesus, um relato encontrado apenas em Marcos. Alguns pensam que era o próprio Marcos, mas isso é improvável. É notável que ele fugiu nu. O jovem, em vez de deixar tudo para “seguir” Jesus, deixou tudo para “fugir” de Jesus.

Ser escravo de apenas um defeito de caráter levou Judas a trair Jesus. Isso foi terrível. O que isso deve nos dizer sobre odiar o pecado e, pela graça de Deus, vencê-lo?

Quarta-feira, 11 de setembro de 2024. Saiba mais, faça gratuitamente um Curso Bíblico. 

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2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.